Atualizado em outubro/2026.

O que você vai aprender aqui

  • Como fazer um prompt: diga à IA quem ela deve ser, o que fazer e em que ordem, o que ela não sabe da sua situação, um exemplo do resultado que você espera, como a instrução está organizada e em que formato a resposta deve chegar. São os seis itens do PACREF.
  • Um modelo de prompt para copiar, com um antes e depois do mesmo pedido, e exemplos prontos para contrato, ensaio de reunião de vendas, carrossel, ata e imagem.
  • A técnica que mais melhora o resultado: anexar as fontes você mesmo, em vez de deixar a IA buscar sozinha ou responder de memória.
  • Por que explicar o motivo de uma instrução rende mais do que repetir a regra em letras maiúsculas.
  • ChatGPT, Gemini ou Claude: quando escolher cada um, quanto custam os planos e o que muda agora que os GPTs e os Gems estão sendo aposentados.
  • Privacidade e um checklist de oito perguntas para conferir antes de enviar qualquer prompt.

Este guia complementa o livro gratuito Engenharia de Prompts na Prática: do Zero ao Avançado com ChatGPT, Gemini e Claude, que traz mais de 30 técnicas e uma biblioteca com mais de 75 prompts por área corporativa. Na Amazon, o livro tem nota 4,5 em mais de 950 avaliações.


Você pede ao ChatGPT um e-mail para cobrar um cliente que atrasou o pagamento e recebe um texto educado, bem escrito e inútil: serviria para qualquer cliente, de qualquer empresa, em qualquer situação. A IA fez o que você pediu. O problema estava no pedido, que não dizia quem é o cliente, há quanto tempo ele atrasou e o que você quer preservar na relação.

Hoje o ChatGPT, o Gemini e o Claude estão na rotina de quem escreve relatórios, prepara reuniões, atende clientes, analisa planilhas e revisa contratos. Com o acesso igual para todo mundo, o resultado depende de quem sabe instruí-las.

Este guia ensina a montar essa instrução nas três ferramentas, para quem está começando e para quem já usa e quer subir a qualidade do que recebe. Os princípios valem em marketing, vendas, RH, finanças, jurídico, operações ou qualquer área administrativa.

O que é um prompt e o que é engenharia de prompts

Prompt é a instrução que você escreve para a IA: o texto que vai na caixa de mensagem, com os arquivos que você anexa a ele. Engenharia de prompts é a habilidade de construir essa instrução para que a IA entregue o resultado certo, com o tom, o formato e a profundidade de que você precisa.

O nome parece técnico, mas a habilidade é verbal. Exige clareza sobre o que você quer, para quem é o resultado e o que precisa ficar de fora, e nenhuma linha de programação.

A melhor imagem que conheço para isso é a de um profissional talentoso que acabou de entrar na empresa. Ele escreve bem e aprende rápido, mas não conhece seus clientes, sua equipe nem o que você considera um trabalho bem feito. Tudo o que você diria a esse colega no primeiro dia é o que o prompt precisa conter.

Como fazer um prompt: os seis itens do PACREF

PACREF é o roteiro que uso nas aulas e que organiza o livro Engenharia de Prompts na Prática. O nome junta as iniciais dos seis itens: Persona, Ação, Contexto, Referências, Estrutura e Formato. Cada item fecha uma lacuna que, aberta, deixaria a resposta genérica.

Use o PACREF como lista de conferência, e não como formulário obrigatório. Uma tarefa simples pode ficar resolvida com persona e ação em duas linhas. Uma tarefa em que o resultado importa, como uma proposta ou um parecer, pede os seis.

1. Persona: quem a IA deve ser

A persona é o papel que a IA assume, e ela define vocabulário, profundidade e tom antes de qualquer palavra ser escrita.

Atue como especialista em comunicação interna para o time operacional de uma fábrica.

Quanto mais específica a natureza da experiência, melhor. “Especialista em reestruturação de empresas em crise de caixa” produz uma resposta diferente de “especialista em finanças”, porque diz em que situação aquele conhecimento foi usado.

Um costume comum não funciona: acrescentar anos de carreira à persona, como em “profissional com 20 anos de experiência”. O número não muda a qualidade da resposta, porque a IA não converte décadas em profundidade.

2. Ação: o que fazer e em que ordem

A ação reúne o verbo, o escopo e a sequência. “Escreva” é um verbo raso. “Analise o comunicado, identifique os três pontos que o time operacional não vai entender e reescreva cada um em linguagem direta” guia a IA por um raciocínio que é seu, e não pelo que ela escolheria sozinha.

Verbos que funcionam bem no trabalho: resumir, reescrever, comparar, classificar, extrair, revisar, criticar, adaptar, traduzir, explicar.

3. Contexto: o que a IA não sabe

Contexto é tudo o que a IA não tem como deduzir: quem é o público, qual é a situação, o que já aconteceu, o que não pode aparecer. Sem contexto, a IA preenche as lacunas com o caso mais comum, e o resultado sai genérico.

O público é o time da fábrica, sem formação em gestão. O texto original foi escrito pela diretoria e ficou denso demais. Use as palavras do dia a dia da fábrica.

4. Referências: o exemplo e o material de apoio

Referências são exemplos, documentos de apoio ou critérios que mostram o resultado que você espera: um texto no tom que você quer, uma análise anterior que serve de padrão, os dados e arquivos que devem embasar a resposta.

“Tom inspirador” abre interpretação. “Tom inspirador, no padrão dos três exemplos de legenda colados abaixo” dá à IA um alvo concreto, e não só a descrição do alvo.

5. Estrutura: rótulos que separam as partes do prompt

Estrutura é a organização da própria instrução. Você separa cada parte com rótulos visíveis, digitados como texto comum na caixa de mensagem: uma linha como ## Contexto antes do trecho (as duas cerquilhas marcam um título), um rótulo entre colchetes como [Contexto] ou uma etiqueta como <contexto></contexto> em volta do trecho.

Em prompt curto, um rótulo por linha resolve. Em prompt longo, com documento anexado e várias regras, a separação evita que a IA misture as partes ou ignore uma delas.

6. Formato: como a resposta deve chegar

Formato define a entrega: lista, tabela, e-mail, roteiro, texto corrido, tamanho máximo. Quando você não define, a IA decide, e a decisão raramente coincide com o que você tinha em mente.

Na versão detalhada, o formato descreve a arquitetura inteira da resposta: “abertura com a informação principal, dois parágrafos de contexto e um fechamento com a ação esperada do time, até 250 palavras”.

Como fazer um prompt: estrutura pacref com persona, ação, contexto, referências, estrutura e formato

E as restrições?

Restrições (tamanho, termos proibidos, temas que ficam de fora) entram no contexto ou no formato.

Prefira dizer o que fazer em vez do que não fazer: “use frases de até duas linhas” funciona melhor do que “não escreva frases longas”, porque dá à IA um alvo em vez de uma proibição. O guia de dicas do Prompting Guide recomenda o mesmo. Proibição explícita fica para o que não pode aparecer de jeito nenhum, como um dado confidencial.

Modelo de prompt para copiar, com um antes e depois

O modelo de prompt abaixo segue o PACREF, e os títulos com ## já são o item Estrutura: digite do jeito que estão. Copie, troque o que está entre colchetes e apague o item que não fizer falta para a sua tarefa.

## Persona
Atue como [papel específico, com o tipo de experiência que importa para a tarefa].
## Ação
[Verbo] [o quê]. Faça nesta ordem: (1) [primeiro passo], (2) [segundo passo], (3) [terceiro passo].
## Contexto
Público: [quem vai ler ou usar o resultado].
Situação: [o que aconteceu, o que está em jogo].
Restrições: [o que precisa ficar de fora ou ser respeitado].
## Referências
Baseie-se apenas no material anexado. Se a informação necessária não estiver ali, diga que não encontrou, em vez de deduzir.
Use como exemplo de tom: [cole um texto que você aprova].
## Formato
[Tipo de entrega], com [partes da resposta], até [tamanho].

Agora o mesmo pedido de cobrança da abertura, nas duas versões. A segunda usa rótulos entre colchetes, o jeito mais curto de aplicar a Estrutura.

Antes:

Escreva um e-mail cobrando um cliente atrasado.

Depois:

[Persona] Atue como gerente de contas que valoriza relacionamento de longo prazo.
[Ação] Escreva um e-mail para cobrar a fatura de agosto da Distribuidora Andrade, vencida há 20 dias, oferecendo duas datas para o pagamento e uma conversa por telefone.
[Contexto] É cliente há cinco anos, nunca atrasou antes e está renovando o contrato no mês que vem. Quero receber e manter a renovação tranquila.
[Referências] Use o tom do e-mail de boas-vindas que enviei a esse cliente, colado abaixo.
[Formato] Até 120 palavras, tom cordial e direto, focado na solução.

A segunda versão leva um minuto a mais para escrever e chega pronta para enviar. A primeira devolve o texto genérico da abertura, que você vai reescrever quase inteiro.

A técnica que mais melhora o resultado: forneça você as fontes

Traga você mesmo o material de referência, em vez de esperar que a IA encontre sozinha. É o hábito que mais separa quem tira valor da IA de quem se frustra com respostas genéricas, e no PACREF esse material entra em Referências.

A IA tem duas origens próprias de informação. A primeira é o que ela aprendeu no treinamento, congelado em algum momento do passado: preço, lei, versão de produto, cargo ou indicador que mudou depois disso pode estar ausente ou desatualizado.

A segunda é a busca na internet, disponível nas três ferramentas, que tem outro risco: a IA pode misturar fonte boa com fonte fraca e conteúdo gerado por outras IAs, e apresentar tudo com a mesma segurança.

A saída que entrega o melhor resultado é anexar a fonte você mesmo: o relatório, o PDF, a planilha, o trecho do contrato, o link do artigo que você já leu. Nas três ferramentas, o clipe ou o sinal de mais ao lado da caixa de mensagem anexa arquivos. A frase que faz a IA se limitar ao que você anexou já está no modelo de prompt: “baseie-se apenas no material anexado; se a informação não estiver ali, diga que não encontrou”.

Quando você cola um texto longo na própria mensagem, a ordem também conta. A documentação de boas práticas do Claude recomenda colocar o material extenso no começo e o pedido no fim, e relata respostas até 30% melhores nos testes da Anthropic com vários documentos. Cole o texto primeiro e escreva o prompt depois dele. Com arquivo anexado pelo clipe, a própria ferramenta organiza a posição.

A regra vale para dado da empresa. Nenhuma IA sabe o faturamento do último trimestre, a carteira de clientes ou o contrato em cima da sua mesa.

Ela só acessa isso de dois jeitos: você cola ou anexa no prompt, ou conecta a ferramenta aos aplicativos da empresa (Google Workspace, Microsoft 365, Slack e outros) por meio dos conectores, que nas contas corporativas costumam depender de autorização do administrador.

Hábitos que funcionam nas três ferramentas

Mostre exemplos do que você quer

Quando o resultado tem um padrão de tom ou estrutura mais fácil de reconhecer do que de descrever, três exemplos costumam bastar para a IA extrair o padrão. A técnica vem da pesquisa que introduziu o aprendizado com poucos exemplos em modelos de linguagem de grande escala.

Explique o motivo da instrução

Uma regra solta (“NUNCA use reticências”) funciona pior do que a regra com o porquê (“o texto vai ser lido por um sintetizador de voz, que não sabe pronunciar reticências”). Com o motivo, a IA entende o objetivo e aplica o mesmo raciocínio a casos que você não previu. O exemplo é da própria documentação do Claude.

Itere em vez de buscar o prompt perfeito

Bons resultados nascem de uma conversa. Peça o primeiro rascunho, diga o que funcionou e o que não funcionou, peça ajustes específicos. O primeiro rascunho quase nunca é o melhor; o terceiro, depois de dois ajustes direcionados, quase sempre é.

Quebre tarefas grandes em partes

Um artigo, uma análise extensa ou um plano detalhado saem melhores divididos. Peça o roteiro e aprove; depois, seção por seção; no fim, uma revisão geral. Cada etapa fica mais simples de instruir e de corrigir.

Cheque os fatos antes de assinar

A IA produz texto plausível, nem sempre verdadeiro. Afirmar com confiança algo falso, o que se chama alucinação, acontece nas três ferramentas, e a busca na internet reduz o problema sem eliminá-lo. A responsabilidade pelo conteúdo continua com quem assina.

Fale o prompt quando for mais rápido

As três ferramentas aceitam o prompt falado, além de imagem e arquivo. Para explicar uma situação longa, ditar costuma sair mais completo do que digitar, e você revisa o texto transcrito antes de enviar.

Modificadores: palavras que ajustam o tom sem reescrever o prompt

Modificadores são palavras de direção que mudam a postura da resposta. Entram no fim do prompt ou na mensagem seguinte, como ajuste fino:

  • Conciso: o essencial, sem rodeio.
  • Crítico: aponta falhas, riscos e contradições.
  • Imparcial: equilibra as posições.
  • Prático: foca em aplicação, e não em teoria.
  • Realista: trabalha com cenários prováveis.
  • Específico: fica num caso, sem generalizar.

“Crítico, prático e conciso” aplicado a um plano de vendas entrega uma análise muito diferente de “favorável e extenso” sobre o mesmo plano. O livro traz a lista completa e mostra como combinar os modificadores.

Exemplos de prompts para o dia a dia de trabalho

Os prompts abaixo vêm do material que uso treinando equipes de grandes empresas brasileiras. Troque o que está entre colchetes.

Contrato, do lado de quem assina:

Você é advogado de contratos e está do meu lado da mesa.
Analise o contrato anexo do ponto de vista de quem vai assinar como [contratante ou contratada].
Primeiro identifique as cláusulas que alocam risco: rescisão, multa, exclusividade, responsabilidade, propriedade intelectual, foro e reajuste. Só depois avalie o resto.
Formato: tabela com cláusula, o que ela faz na prática, gravidade (alta, média, baixa) e a redação alternativa que eu deveria propor. No fim, a única cláusula que eu não deveria aceitar de jeito nenhum, e por quê.
Use apenas o texto anexo. Se achar necessário citar lei ou jurisprudência, escreva VERIFICAR e descreva o que precisa ser checado.

Ensaio de reunião de vendas:

Você é o cliente que eu vou visitar, não o meu coach.
Perfil: [empresa, setor, porte, cargo de quem decide].
Situação: [há quanto tempo conversamos, o que já foi apresentado, o que travou].
Você é cético, tem pouco tempo e já foi decepcionado por um fornecedor parecido.
Vou fazer o meu pitch. Interrompa quando eu for vago e cobre número quando eu prometer resultado.
No fim, diga o momento em que você quase desistiu, a frase que mais ajudou e o ponto que eu deveria ter abordado e não abordei.

Depois de enviar, faça o seu pitch na mensagem seguinte, digitado ou falado.

Carrossel para LinkedIn ou Instagram:

[Persona] Atue como redator de conteúdo para [público, por exemplo, gestores de pequenas empresas].
[Ação] Transforme o artigo anexo em um carrossel de 7 slides: o primeiro com uma frase que prenda a atenção, cinco com uma ideia cada e o último com a ação que o leitor pode fazer hoje.
[Contexto] O objetivo é [gerar visitas ao artigo, por exemplo]. Use só o que está no artigo.
[Formato] Até 25 palavras por slide, com as hashtags reunidas numa legenda final de até 3 linhas.

Ata de reunião a partir da transcrição:

Organize a transcrição anexa em uma ata.
Garanta que todas as decisões sobre [tema prioritário] estejam listadas, com responsável e prazo.
Depois, traga outros pontos que você identificar: compromissos implícitos, tensões não resolvidas e assuntos levantados sem dono.
Formato: decisões em tabela, demais pontos em lista curta.

Imagem no ChatGPT ou no Gemini:

Crie uma imagem para a capa de uma apresentação sobre resultados do trimestre de uma empresa de logística.
Cena: um armazém organizado ao amanhecer, com caminhões saindo em fila.
Estilo: fotografia editorial, luz natural, tons azuis e laranja.
Formato horizontal, 16:9, sem nenhum texto na imagem.

Deixe o texto fora da imagem quando ele puder entrar no slide.

Outros usos que qualquer profissional resolve com a mesma estrutura:

  • Resumo de documento longo: diga o que importa para você (riscos, prazos, compromissos) e peça também os pontos relevantes que você não antecipou.
  • Mensagem sensível: descreva a relação com o destinatário e o objetivo, e peça três versões de tom para escolher.
  • Modelo reutilizável de relatório, memorando ou briefing, pronto para preencher nas próximas vezes.
  • Tradução que preserva o registro da área (jurídico, técnico, comercial).
  • Revisão do seu próprio texto com foco definido: clareza, lógica, adequação ao público.
  • Preparação para reunião: objeções prováveis da outra parte e boas respostas.
  • Consulta a planilha em português: “aponte a região que mais cresceu no trimestre”, “indique inconsistências entre as colunas”.
  • Brainstorm antes de decidir: dez alternativas ao plano atual ou dez objeções previsíveis.

Termine pedindo melhorias à própria IA: “liste três mudanças que deixariam este resultado melhor” costuma render sugestões úteis.

Quem quer avançar além do básico encontra nove técnicas de raciocínio avançado, como instruir a IA a mostrar o raciocínio passo a passo e a criticar a própria resposta.

Para textos com voz própria, há seis técnicas para escrever com IA sem perder o seu estilo, com a lista de cacoetes que denunciam texto de máquina.

ChatGPT, Gemini ou Claude: qual escolher?

As três resolvem a maior parte das tarefas de produtividade.

ChatGPTGeminiClaude
EmpresaOpenAIGoogleAnthropic
Ponto forteVersatilidade entre texto, imagem, voz e código na mesma conversaIntegração com Gmail, Docs, Sheets e DriveTextos longos, raciocínio estruturado e seguimento preciso de instruções
Quando preferirUso geral e tarefas que misturam texto e imagemQuem trabalha no Google WorkspaceAnálise crítica de documentos extensos
Espaço com arquivosProjectsNotebookLMProjects
Reaproveitar instruçõesSkillsSkillsSkills

Na dúvida, fique com a que já está no seu fluxo de trabalho. Um bom prompt no ChatGPT vence um prompt ruim no Claude, e o contrário também vale. Para tarefas que pedem ferramenta especializada, como apresentação, vídeo ou transcrição, o mapa de ferramentas de IA além do trio mostra o que cada categoria faz melhor.

Quanto custam os planos

Os nomes dos planos mudam com frequência, mas as três seguem uma escada parecida:

  • Gratuito: modelo básico com limite diário de mensagens e dos recursos mais pesados. Serve para aprender e para tarefas eventuais.
  • Individual: na faixa de US$ 20 por mês nas três (ChatGPT, Gemini e Claude), com limites amplos e acesso aos recursos avançados. É o plano de quem usa IA todo dia.
  • Uso intensivo: de US$ 100 a US$ 200 por mês, para quem trabalha com volume grande de documentos ou precisa dos modelos mais caros sem restrição.
  • Times e empresas: preço por usuário, com espaço compartilhado, administração central e as garantias de privacidade descritas mais abaixo. É a camada indicada para informação sensível.

Skills e projetos: como não repetir o mesmo prompt toda semana

Se você faz a mesma tarefa toda semana, como resumir a reunião de equipe ou rascunhar a resposta padrão a um tipo de reclamação, não precisa digitar o mesmo prompt toda vez. Dois recursos resolvem isso, e cada um guarda uma coisa diferente.

A skill guarda o jeito de fazer uma tarefa. É um arquivo de texto com as instruções que a IA carrega sozinha quando o seu pedido combina com o assunto do arquivo, e o mesmo arquivo funciona no ChatGPT, no Gemini e no Claude.

As skills ocupam o lugar dos GPTs personalizados do ChatGPT, que saem do ar em 11 de dezembro de 2026, segundo a central de ajuda da OpenAI, e dos Gems do Gemini, cujo suporte acaba em novembro de 2026 nas contas pessoais, segundo o anúncio do Google, que converte os Gems em skills.

O passo a passo para criar a sua, com uma skill inteira para copiar e o checklist de migração dos GPTs e Gems, está no guia de como criar skills no ChatGPT, no Claude e no Gemini.

O projeto guarda o material de um trabalho. Você reúne um conjunto de arquivos (contratos, relatórios, documentação interna) e conversa com a IA dentro desse escopo: Projects no ChatGPT e no Claude, NotebookLM no Google.

O NotebookLM, aplicativo do Google separado do Gemini, responde só com base nos documentos carregados e mostra de onde veio cada afirmação.

Use a skill para a tarefa que você repete e o projeto para o conjunto de documentos sobre o qual você conversa sempre.

Quando a rotina envolve agentes que trabalham com várias fontes ao mesmo tempo, o próximo passo é a engenharia de contexto para agentes de IA, que organiza tudo o que o agente vê antes de agir.

Privacidade e uso responsável

Os planos gratuito e individual podem usar suas conversas para treinar o modelo, a menos que você desative essa opção nas configurações. Os planos para empresas trazem por padrão a garantia contratual de que os dados não entram no treinamento. Com informação sensível, use o plano corporativo ou desative a opção manualmente.

Não envie para nenhuma IA o que você não enviaria a um prestador externo sem contrato de confidencialidade: nome de cliente, contrato, estratégia, dado pessoal, documento sob sigilo. Na dúvida, siga a política de uso de IA da sua empresa.

Quando o trabalho exige dado pessoal, como num currículo ou numa avaliação de desempenho, troque nomes e documentos por papéis antes de colar (“Candidata A”, “Colaborador 1”). A IA analisa o conteúdo do mesmo jeito.

Quanto tempo um bom prompt devolve na semana

Um bom prompt devolve algo perto de um dia por semana, e a conta vem da soma de ganhos pequenos ao longo da rotina, e não de uma grande automação: um e-mail difícil resolvido em cinco minutos em vez de quinze, uma ata pronta em dois minutos em vez de vinte, o resumo de um relatório financeiro pronto para revisão em dez minutos em vez de uma tarde.

Os tempos são estimativa minha, a partir do que vejo nas equipes que treino, e variam com a tarefa e com o hábito de cada um.

Um prompt vago devolve um texto que precisa de quase tanto trabalho quanto escrever do zero; um prompt com os seis itens devolve algo que pede só ajuste fino.

Checklist antes de enviar qualquer prompt

Oito perguntas que filtram a maior parte dos prompts ruins:

  1. A persona descreve o tipo de experiência que importa para a tarefa?
  2. A ação tem um verbo preciso e, se a tarefa tiver etapas, a ordem delas?
  3. O público e a situação estão descritos?
  4. Você anexou a fonte que a IA deve usar?
  5. Há um exemplo do resultado quando o tom é difícil de descrever?
  6. Em prompt longo, as partes estão separadas por rótulos e, se você colou um texto extenso, ele vem antes do pedido?
  7. O formato da entrega (tipo, partes, tamanho) está definido?
  8. Você vai checar os fatos antes de usar a resposta?

Por onde começar

Escolha uma tarefa que você vai fazer amanhã e que hoje toma mais de meia hora: um relatório, uma proposta, uma ata. Antes de abrir a IA, escreva os seis itens do PACREF em um papel, anexe o material e use o modelo deste guia. Compare o resultado com o que você costuma receber.

Na segunda vez, guarde o prompt que funcionou num documento com seus prompts prontos; na terceira, transforme em skill.

E se você já esbarrou em promessas de “comandos secretos” que destravariam a IA, o texto sobre o que é real e o que é venda nos comandos secretos de IA mostra por que a estrutura do pedido pesa mais do que qualquer frase mágica.

Se o tema conversa com a sua trajetória, a página de cursos reúne as turmas abertas da minha curadoria na ESPM.

Perguntas frequentes sobre como fazer um prompt

Como fazer um prompt para o ChatGPT?

Escreva a instrução como faria para um colega talentoso que acabou de chegar: quem ele deve ser no trabalho, o que fazer, o que ele não sabe da situação, que exemplo e que material seguir e como entregar. Anexe os arquivos que a resposta deve usar. O mesmo roteiro funciona no Gemini e no Claude.

O que é um prompt?

Prompt é a instrução que você escreve para uma IA generativa, com os arquivos que anexa a ela. A qualidade da instrução define a qualidade da resposta: um pedido vago gera texto genérico, e um pedido com contexto e formato gera algo pronto para usar.

Qual é a estrutura de um bom prompt?

O PACREF resume as seis partes: persona (quem a IA deve ser), ação (o que fazer e em que ordem), contexto (público, situação e restrições), referências (exemplos e materiais), estrutura (rótulos que separam as partes) e formato (como a resposta deve chegar). Nem toda tarefa precisa das seis.

O mesmo prompt funciona no ChatGPT, no Gemini e no Claude?

Sim. Os princípios de construção de prompt valem nas três ferramentas, porque partem de como os modelos de linguagem interpretam instruções. O que muda entre elas são os recursos, como integração com outros aplicativos, geração de imagem e espaço para arquivos.

O que é engenharia de prompts?

Engenharia de prompts é a habilidade de construir instruções que levam a IA a entregar resultados precisos, com o tom, o formato e a profundidade de que você precisa. Ela não exige programação: exige clareza sobre o objetivo, o público e as restrições da tarefa.

Como fazer um prompt para criar imagem no ChatGPT?

Descreva o objetivo da imagem, a cena, o estilo visual e o formato, por exemplo: “fotografia editorial, luz natural, horizontal 16:9, sem texto”. O mesmo vale no Gemini. Quanto mais concreta a cena, menos a ferramenta improvisa; se precisar de texto, prefira colocá-lo depois, no slide ou na peça.

Como evitar que a IA invente informações?

Anexe o material que a resposta deve usar e instrua: “baseie-se apenas no material anexado; se a informação não estiver ali, diga que não encontrou”. Mesmo assim, confira os fatos críticos antes de usar o resultado.

Qual IA é melhor: ChatGPT, Gemini ou Claude?

Nenhuma é melhor em tudo, e a ordem entre as três muda a cada lançamento. Para versatilidade, ChatGPT; para quem trabalha no Google Workspace, Gemini; para documentos longos e análise crítica, Claude. Um bom prompt pesa mais do que a escolha da ferramenta.

ChatGPT, Gemini e Claude são pagos?

As três têm plano gratuito com limites diários. O plano individual custa na faixa de US$ 20 por mês nas três, o de uso intensivo fica entre US$ 100 e US$ 200, e os planos para empresas são cobrados por usuário. Escolha pelo tipo de uso e pela sensibilidade dos dados.

O que são skills e projetos no ChatGPT, no Gemini e no Claude?

Skill é um arquivo de instruções que a IA usa sozinha quando o pedido combina com ele, e o mesmo arquivo funciona nas três ferramentas. As skills substituem os GPTs personalizados, que saem do ar em 11 de dezembro de 2026, e os Gems, cujo suporte acaba em novembro de 2026 nas contas pessoais. Projeto é um espaço que reúne arquivos e conversas do mesmo trabalho: Projects no ChatGPT e no Claude, NotebookLM no Google.

Posso usar a IA sem falar inglês?

Sim. As três ferramentas funcionam bem em português, e o resultado em português hoje fica muito próximo do resultado em inglês. Para material originalmente em inglês, escrever o prompt no idioma do texto pode evitar ruído de tradução, mas não é obrigatório.

E a privacidade dos meus dados?

Os planos gratuito e individual podem usar suas conversas para treinar o modelo, a menos que você desative a opção nas configurações; os planos para empresas trazem por padrão a garantia de que os dados não entram no treinamento. Regra prática: não envie à IA o que você não enviaria a um prestador externo sem contrato de confidencialidade.

Edney “InterNey” Souza atua com tecnologia desde 1990 como professor, palestrante e conselheiro consultivo em tecnologia, IA, dados e inovação. Participou da criação de sete startups ao longo da carreira. É professor na ESPM, Insper, PUCRS, USP e IBGC. É autor do livro gratuito Engenharia de Prompts na Prática: do Zero ao Avançado com ChatGPT, Gemini e Claude.


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2 comentários em “Como fazer um prompt no ChatGPT, Gemini e Claude: o guia para quem usa IA no trabalho”

  1. Muito boa a informação. Realmente devemos usar para melhorar a produtividade.
    Concordo com o que você disse: O dia em que o texto de um robô for melhor do que o nosso é melhor pararmos de escrever. Realmente gostei de muitas das dicas para melhorar o conteúdo e principalmente não esquecer tópicos importantes nos materiais que produzimos.Abraços.

Os comentários estão encerrados.