O que você vai aprender aqui

  • Comandos secretos de IA não existem como função oculta do ChatGPT, Claude ou Gemini, ativada por senha ou por uma barra na frente do texto
  • O próprio mercado que vende “códigos secretos” admite, dentro dos textos, que não são recursos oficiais das empresas de IA
  • A diferença entre comando de interface real (função de programa) e atalho de linguagem natural disfarçado de comando
  • Uma lista gigante e gratuita de atalhos de IA por categoria, para provar cada um sabendo exatamente o que ele pede e por que a IA entende
  • Como montar sua própria instrução depois, sem depender de lista pronta

Existe um mercado inteiro vendendo comandos secretos de IA para ChatGPT, Claude e Gemini: e-books, vídeos e artigos com pacotes de dezenas de “prompts” (o nome técnico para as instruções de texto que você digita numa IA).

O padrão se repete: título com a palavra secreto, oculto ou código, promessa de virar especialista com um clique, e um número grande de itens como prova de valor.

Este artigo complementa o e-book gratuito Engenharia de Prompts na Prática: Do zero ao avançado com ChatGPT, Gemini e Claude, que mostra como estruturar instruções de verdade para ChatGPT, Gemini e Claude, sem depender de lista pronta.

Existem comandos secretos dentro do ChatGPT, Claude ou Gemini?

Fui atrás dos e-books, dos vídeos e dos artigos que esse mercado usa para vender a ideia, e a mesma conclusão aparece nos dois lados: não existe um menu de comandos ocultos dentro de ChatGPT, Claude ou Gemini que uma senha ou uma barra desbloqueia. O que existe são duas coisas bem diferentes, misturadas de propósito para parecer uma coisa só.

Alguns aplicativos de IA têm, sim, comandos reais de interface, que funcionam clicando ou digitando a barra e realmente acionam uma função pronta do programa, do mesmo jeito que um atalho de teclado abre um menu específico. O Claude Code, uma ferramenta de programação usada por desenvolvedores, é um exemplo: nele, uma barra realmente troca de modelo de IA ou reinicia a conversa.

O problema é que listas inteiras de “comandos secretos” colocam, lado a lado com esses comandos reais, itens inventados como /eli5 ou /expert. Nenhum desses aciona uma função pronta do programa.

Quando alguém digita /eli5 explique buracos negros, a IA não reconhece a palavra “eli5” como uma tecla especial. Ela simplesmente lê a frase inteira e entende que a pessoa quer uma explicação simples, porque “eli5” (explain like I’m 5, “explique como se eu tivesse 5 anos”) já é uma expressão comum na internet. A barra na frente não muda nada: ela só empresta a aparência de um comando de verdade a um pedido de texto comum.

Por que esse mercado vende isso como segredo?

Um dos artigos que mais circula sobre o tema, com mais de 60 “códigos secretos” catalogados, admite isso no próprio texto: são atalhos que usuários avançados descobriram e refinaram, não funções ocultas da OpenAI. A confissão vem de dentro do nicho que vende a ideia de segredo.

O padrão retórico se repete em quase todo produto do gênero:

  • Gatilho de exclusividade no título (“secreto”, “oculto”, “código”)
  • Alegação de autoridade genérica (“com base em nossa vasta experiência em IA”)
  • Promessa de status (“torne-se um especialista”)
  • Urgência artificial num produto digital sem estoque (“baixe agora”, “não espere mais”)
  • Prova por volume no lugar de curadoria, quanto mais prompts empilhados no título, melhor parece o produto
  • Framing de atalho contra o sistema, como se a empresa estivesse escondendo de propósito uma funcionalidade da maioria dos usuários

Minha leitura é que esse último ponto é o mais eficaz comercialmente e o mais enganoso. Sugerir que existe uma funcionalidade trancada, e que o produto vendido é a chave, cria uma urgência de compra. “Aqui está como escrever uma instrução mais clara” nunca criaria a mesma urgência.

Boa parte desse material pago, aliás, já circula de graça em blogs de tecnologia espalhados pelo mundo, que publicam a mesma centena de itens reorganizada sob títulos diferentes. O mesmo repertório, reembalado várias vezes.

Qual é a diferença entre comando real e atalho disfarçado de comando?

Dentro do próprio ChatGPT, os dois grupos ficam bem separados. De um lado, comandos de interface como /model, /plan e /review, que a própria OpenAI documenta como recursos reais de determinadas versões do produto. Do outro, comandos como /human, /eli5 ou /summarize, que funcionam só porque o modelo interpreta linguagem natural, sem nenhum programa reconhecendo a palavra por trás.

Já existiram tentativas de comando que prometiam contornar as restrições de segurança da IA, fazendo ela responder coisas que normalmente recusaria. Esse tipo de instrução é chamado de jailbreak, termo emprestado da prática de destravar celulares para rodar programas fora da loja oficial. A versão mais conhecida foi batizada de DAN, e foi bloqueada pelas próprias empresas assim que ficou conhecida. Procurar hoje pela versão atual de um jailbreak antigo é procurar por algo que já foi fechado.

Por que vou te dar a lista mesmo assim

Em 2010, o chef britânico Jamie Oliver fez um experimento com um grupo de crianças, ao vivo, num programa de TV sobre alimentação escolar. Ele mostrou o processo real por trás do nugget de frango industrial: pele, cartilagem e sobras de carne moídas até virar uma pasta, depois moldadas no formato do nugget que todo mundo reconhece. As crianças assistiram ao processo inteiro, fizeram cara de nojo, e mesmo assim, quando ele perguntou quem ainda comeria aquilo, praticamente todas as mãos continuaram levantadas.

Saber que algo não é o que parece raramente tira, sozinho, a vontade de usar aquilo mesmo assim. Minha leitura é que o mesmo vale aqui: mesmo sabendo agora que não existe comando secreto nenhum, é bem provável que você ainda queira testar um desses atalhos, só para ver o que acontece. A diferença é que, desta vez, você vai saber exatamente o que está pedindo e por que a IA entende, em vez de repetir uma fórmula sem saber o que ela faz.

E mesmo sem segredo nenhum por trás, o atalho cumpre uma função de verdade: ele obriga você a deixar o pedido mais claro do que deixaria de outro jeito, e a lista inteira funciona como repertório, mostrando formas de usar a IA que talvez não tivessem passado pela sua cabeça sozinho.

A lista de atalhos, por categoria, de graça

São 100 atalhos organizados em nove categorias, para usar em ChatGPT, Claude ou Gemini, tanto no site quanto no aplicativo de celular. Cada um vem com o texto pronto para copiar e colar, o que ele pede e por que a IA entende, sem termo técnico.

Para usar, copie o bloco de código, cole no campo onde você digitaria a pergunta e complete com o seu pedido no lugar do colchete, tudo na mesma mensagem. Por exemplo: copiando /eli5 [sua pergunta], você troca [sua pergunta] pelo que quer saber e envia /eli5 o que é inflação, numa conversa nova ou no meio de uma já em andamento. Como nenhum desses atalhos é oficial, o resultado pode variar um pouco de uma ferramenta para outra, e às vezes nem muda nada, porque a IA já entendeu o pedido sem precisar do atalho.

Aprendizado e explicação

/eli5 [sua pergunta]

Pede uma explicação bem simples, como se fosse para uma criança de 5 anos. A IA entende porque “eli5” (explain like I’m 5) já é uma expressão que circula há anos na internet.

/expert [sua pergunta]

Pede uma resposta no nível de um especialista, sem simplificar nem traduzir jargão. A IA entende porque a palavra “especialista” já direciona o vocabulário e a profundidade da resposta.

/tldr [seu texto]

Pede um resumo curto do que vier depois. “TLDR” (too long, didn’t read) é uma abreviação comum de fórum de internet, e a IA a reconhece como pedido de resumo.

/passoapasso [sua pergunta]

Pede para a IA mostrar o raciocínio em etapas antes da resposta final, em vez de só entregar a conclusão. Funciona porque é uma instrução literal, não porque existe uma função escondida.

/analogia [seu conceito]

Pede uma comparação com algo do dia a dia para explicar um conceito difícil. A IA entende porque “analogia” é uma palavra comum, com significado claro em qualquer idioma.

/socratico [seu tema]

Pede que a IA faça perguntas de volta, em vez de só responder, para você chegar à conclusão sozinho. Funciona como qualquer instrução de comportamento: a IA segue o papel que você descreveu.

/flashcards [seu tema]

Pede que o conteúdo vire perguntas e respostas curtas, no formato de cartão de estudo. A IA reconhece o formato porque “flashcard” é um termo já consolidado em material de estudo.

/quiz [seu tema]

Pede um teste de múltipla escolha sobre o conteúdo. Funciona pelo mesmo motivo do flashcard: é um formato de saída nomeado, não um comando de sistema.

/iniciante [seu tema]

Pede a explicação no nível mais básico possível, sem supor nenhum conhecimento anterior sobre o assunto.

/avancado [seu tema]

Pede a explicação assumindo que você já conhece o básico, indo direto para o ponto mais complexo.

/interativo [seu tema]

Pede que a IA ensine em pequenas etapas, uma de cada vez, esperando você confirmar que entendeu antes de seguir para a próxima.

/debate [seu tema]

Pede que a IA monte um debate simulado entre dois pontos de vista diferentes sobre o mesmo tema, na mesma resposta.

/mentor [seu problema]

Pede que a resposta venha no tom de um mentor experiente dando conselho direto, não só informação neutra.

Escrita e edição de texto

/reescreva como [estilo ou pessoa de referência]

Pede para reescrever o texto imitando um tom específico, mantendo o significado. A IA entende porque está apenas seguindo uma instrução de estilo, igual pediria a um redator humano.

/humanize [seu texto]

Pede para o texto soar menos como texto gerado por IA, com frases mais naturais. Funciona como qualquer pedido de revisão de estilo, não existe um interruptor de “humanizar”.

/resumo3 [seu texto]

Pede um resumo em três frases. O número após “resumo” funciona como especificação de tamanho, não como código.

/expandir [seu texto]

Pede para desenvolver mais uma ideia que já está escrita, com mais detalhe ou exemplo. A IA entende porque é um verbo comum de instrução de edição.

/formal [seu texto]

Pede para reescrever num tom mais formal. Funciona exatamente como digitar “reescreva isso de forma mais formal”, só que mais curto.

/gancho [seu tema]

Pede uma frase de abertura que prenda a atenção logo nas primeiras linhas. A IA entende “gancho” como termo comum de redação e roteiro.

/listificar [seu texto]

Pede para transformar um parágrafo corrido em lista de tópicos. É um pedido de formato de saída, igual pedir uma tabela.

/limpeza [seu texto]

Pede para cortar repetições, rodeios e frases que não acrescentam nada ao texto. Funciona como instrução de edição comum, sem mistério algum.

/revisar [seu texto]

Pede correção de gramática e ortografia, sem mudar o estilo nem o conteúdo do texto.

/polir [seu texto]

Pede um acabamento fino no texto, deixando a leitura mais fluida sem alterar a ideia original.

/parafrasear [seu texto]

Pede para reescrever a mesma ideia com outras palavras, útil para não repetir a mesma frase duas vezes.

/academico [seu texto]

Pede um tom mais formal e técnico, no estilo de um texto acadêmico.

/jargonizar [seu texto]

Faz o oposto do /simplificar: adiciona termos técnicos e um tom mais corporativo, para o texto soar mais profissional. É um dos atalhos que mais aparece nas listas de veículos de tecnologia americanos, ao lado do eli5 e do tldr.

/notaschave [seu texto]

Pede os pontos mais importantes extraídos em poucas linhas, sem o resto do texto.

/traduzir [seu texto] [idioma de destino]

Pede a tradução do texto para outro idioma. É, junto com o /eli5, um dos atalhos mais repetidos em qualquer lista desse mercado.

/simplificar [seu texto]

Pede a mesma informação com palavras mais simples e frases mais curtas, sem cortar o conteúdo.

Marketing e redes sociais

/legenda [seu tema ou imagem]

Pede uma legenda pronta para postar numa rede social. A IA entende pelo contexto do pedido, não por um recurso de agendamento embutido.

/hashtags [seu tema]

Pede uma lista de hashtags relevantes para o tema. Funciona como qualquer pedido de lista, a IA associa palavras-chave ao assunto.

/roteiro30 [seu tema]

Pede um roteiro de vídeo curto, pensado para caber em cerca de 30 segundos. O número funciona como restrição de tamanho, igual “resuma em 3 frases”.

/cta [seu produto ou objetivo]

Pede uma chamada para ação, a frase final que convida o leitor a fazer algo. “CTA” (call to action) é termo comum de marketing, reconhecido como qualquer outra sigla.

/titulos [seu tema]

Pede várias opções de título para o mesmo conteúdo. A IA gera variações porque foi isso que o pedido especificou, não porque existe um gerador de títulos separado.

/copywriter [seu produto]

Pede que a resposta assuma o papel de um redator publicitário, com foco em persuasão. Funciona como qualquer instrução de papel (a mesma lógica do “aja como um consultor”).

/branding [sua marca]

Pede sugestões de tom de voz e posicionamento para uma marca. A IA trata como qualquer pergunta de estratégia de marca, sem função especial.

/repurpose [seu conteúdo]

Pede para adaptar um conteúdo já pronto para outro formato ou canal, como transformar um post em roteiro de vídeo. Funciona como instrução de reaproveitamento, comum em qualquer editor humano.

/carrossel [seu tema]

Pede o conteúdo dividido em slides de carrossel para Instagram ou LinkedIn, um ponto por slide.

/storyboard [seu vídeo]

Pede um roteiro visual, cena por cena, para planejar antes de gravar.

/thumbnail [seu vídeo]

Pede ideias de texto e imagem para a capa que aparece antes de alguém clicar no vídeo.

/anuncio [seu produto]

Pede um texto pronto para uma peça de anúncio pago, focado em gerar clique ou venda.

/comparativo [seu produto]

Pede uma comparação lado a lado do seu produto com um concorrente ou alternativa.

/seo [seu texto]

Pede para ajustar o texto pensando em aparecer melhor nas buscas, sugerindo palavras-chave e um título mais forte. “SEO” é a sigla de otimização para mecanismos de busca, termo comum em marketing digital.

Planejamento e produtividade

/checklist [sua tarefa]

Pede uma lista de verificação com os passos de uma tarefa. A IA entende porque “checklist” já é um formato reconhecido, sem precisar de mais explicação.

/cronograma [seu projeto]

Pede uma linha do tempo com etapas e prazos. Funciona como pedido de estrutura, igual pedir uma tabela ou um roteiro.

/prioridades [sua lista de tarefas]

Pede para organizar tarefas por ordem de importância ou urgência. A IA aplica um critério simples de peso, que você pode detalhar no próprio pedido.

/riscos [seu plano]

Pede uma lista dos pontos que podem dar errado num plano. Funciona como instrução de análise, não como auditoria automática.

/metasmartas [seu objetivo]

Pede para transformar um objetivo vago numa meta específica, mensurável e com prazo. “SMART” é uma sigla de gestão já conhecida, que a IA reconhece como qualquer outro termo de negócios.

/orcamento [seu projeto]

Pede uma estimativa simples de custo com base no que você descrever. A IA calcula com base só no que você forneceu, não tem acesso a preços reais de mercado sem que você os informe.

/proximopasso [sua situação]

Pede uma ação concreta e pequena para começar agora, em vez de um plano inteiro. Funciona como qualquer pedido de recorte de escopo.

/ata [suas anotações da reunião]

Pede a ata da reunião organizada, com decisões e responsáveis, a partir de anotações soltas.

/pauta [sua reunião]

Pede uma pauta organizada por tópico e tempo estimado, antes da reunião acontecer.

/resumodereuniao [sua transcrição ou notas]

Pede um resumo dos pontos principais discutidos numa reunião.

/matrizderisco [seu projeto]

Pede uma lista de riscos organizados por probabilidade e impacto.

/kpi [seu objetivo]

Pede indicadores mensuráveis para acompanhar se um objetivo está sendo alcançado. KPI é a sigla, já comum em gestão, para indicador chave de desempenho.

/regra8020 [sua lista de tarefas]

Pede para identificar os 20% de ações que trazem 80% do resultado, uma técnica de priorização conhecida como regra de Pareto.

Negócios e decisão

/proscontras [sua decisão]

Pede prós e contras de uma escolha, sem inclinar para nenhum lado. A IA organiza os pontos que você já trouxe ou que o tema sugere, sem opinião própria embutida.

/swot [seu negócio ou projeto]

Pede uma análise de forças, fraquezas, oportunidades e ameaças. “SWOT” é uma sigla de estratégia de décadas, e a IA já reconhece o formato esperado.

/advogadododiabo [sua ideia]

Pede o contraponto mais forte possível contra a sua ideia, mesmo que pareça implicância. Funciona como qualquer instrução de papel: você está pedindo uma postura específica, não uma função escondida.

/cincoporques [seu problema]

Pede para investigar a causa raiz de um problema perguntando “por quê” repetidas vezes. É uma técnica de análise conhecida (os 5 porquês), não um comando de sistema.

/simulacao [seu cenário]

Pede para a IA simular como um determinado tipo de pessoa ou situação reagiria a algo. Funciona como qualquer pedido de encenação: você descreve o papel, a IA segue.

/decisao [sua escolha]

Pede uma recomendação objetiva entre opções, com o motivo da escolha. A IA organiza os critérios que você forneceu, a decisão final continua sendo sua.

/planodeacao [seu objetivo]

Pede etapas concretas e executáveis para sair do zero até o objetivo. Funciona como estrutura de resposta, igual pedir uma lista numerada.

/premissas [seu plano]

Pede que a IA liste o que está sendo assumido como verdade no plano, mas ainda não está confirmado.

/validar [sua ideia]

Pede uma checagem cética da ideia, apontando onde ela pode não se sustentar.

/consenso [seu tema]

Pede um resumo do que a maioria dos especialistas concorda sobre o tema, e onde ainda há divergência.

/tradeoffs [sua decisão]

Pede os ganhos e as perdas de cada opção, não só uma lista solta de prós e contras.

/oportunidades [seu mercado ou situação]

Pede uma lista do que ainda não está sendo explorado na situação descrita.

Imagens e vídeo com IA

Esta categoria e a próxima só funcionam em ferramenta que gera imagem dentro da conversa (ChatGPT e Gemini geram; o Claude, no momento, não gera imagem no chat).

/estilo [nome do estilo visual]

Pede que a imagem gerada siga uma estética específica, como aquarela ou minimalista. A IA generativa de imagem já foi treinada com exemplos rotulados por estilo, então reconhece o termo.

/proporcao [formato desejado]

Pede uma proporção específica de imagem, como quadrada ou widescreen. Funciona como parâmetro de formato, não como comando de sistema.

/iluminacao [tipo de luz desejado]

Pede um tipo específico de luz na cena, como luz dourada de fim de tarde. A IA de imagem reconhece porque esses termos aparecem descrevendo fotos reais nos dados de treinamento.

/composicao [descrição do enquadramento]

Pede um enquadramento específico, como plano aberto ou close. Funciona como qualquer instrução de fotografia descrita em palavras.

/referencia [nome de artista, filme ou movimento artístico]

Pede que a imagem lembre o estilo de uma referência conhecida. Cuidado aqui: usar o nome de uma marca ou personagem protegido pode gerar uma imagem parecida demais com algo que não é seu para usar livremente.

/negativo [o que evitar na imagem]

Em algumas ferramentas de imagem, define o que não deve aparecer no resultado. Funciona como restrição, mesmo princípio de dizer “sem texto na imagem” por extenso.

Ângulos e enquadramentos de foto

Esses vêm do vocabulário de cinema e fotografia, e a IA de imagem reconhece porque aprendeu com fotos reais descritas usando esses mesmos termos.

/planogeral [sua cena]

Mostra a cena inteira, com bastante espaço ao redor do assunto principal, dando contexto do ambiente.

/planofechado [seu assunto]

Aproxima bem o rosto ou o objeto principal, cortando o resto do cenário. É o mesmo que um close-up.

/planoamericano [seu assunto]

Enquadra da cintura para cima. É o termo que o próprio cinema brasileiro usa para esse corte.

/angulobaixo [seu assunto]

Câmera posicionada abaixo do assunto, olhando para cima. Deixa quem aparece com ar mais imponente ou poderoso.

/anguloalto [seu assunto]

Câmera posicionada acima do assunto, olhando para baixo. Deixa quem aparece com ar menor ou mais frágil.

/alturadosolhos [sua cena]

Câmera na mesma altura do assunto, como numa conversa cara a cara. É o enquadramento mais neutro.

/planoaereo [sua cena]

Vista de cima, como se fosse tirada por um drone.

/pontodevista [sua cena]

Mostra a cena como se você estivesse vendo com os próprios olhos de alguém dentro dela.

/porcimadoombro [sua cena]

Câmera posicionada atrás do ombro de uma pessoa, olhando para o que está à frente dela. Comum em cena de conversa entre duas pessoas.

/perfil [seu assunto]

Assunto fotografado de lado, não de frente.

/silhueta [sua cena]

Luz forte atrás do assunto, que aparece como uma sombra escura contra um fundo claro.

/fundoborrado [seu assunto]

Assunto nítido e fundo desfocado, destacando quem ou o que está em primeiro plano.

/grandeangular [sua cena]

Lente que capta uma área mais ampla da cena, podendo curvar levemente as bordas da imagem.

/simetria [sua cena]

Enquadramento perfeitamente centralizado, com os dois lados da imagem equilibrados.

Se algum desses atalhos não fizer diferença na ferramenta que você usa, o motivo quase nunca é o atalho estar errado. Ou a mesma instrução já estava implícita no seu pedido, ou a ferramenta específica não separa esse parâmetro do resto do texto.

Visuais e diagramas para explicar ideias

Estes não geram foto, geram um diagrama ou esquema para explicar um conceito, um processo ou um dado.

/mapamental [seu tema]

Pede uma estrutura visual com o tema central no meio e os subtemas ramificando ao redor.

/fluxograma [seu processo]

Pede um diagrama com as etapas de um processo e as decisões em cada ponto do caminho.

/linhadotempo [seu histórico]

Pede uma sequência visual de eventos organizados em ordem cronológica.

/antesedepois [sua mudança]

Pede uma comparação visual entre o estado anterior e o estado atual de algo.

/infografico [seu dado]

Pede que a informação vire um resumo visual, misturando texto curto com elementos gráficos.

/comparativovisual [suas opções]

Pede um quadro visual comparando características de duas ou mais opções lado a lado.

Pesquisa e verificação

Estes ajudam a organizar uma investigação ou a checar uma informação antes de confiar nela.

/planodepesquisa [seu tema]

Pede uma estrutura de como investigar um tema, começando pelas perguntas certas a responder primeiro.

/revisaodeliteratura [seu tema]

Pede um panorama do que já se sabe sobre o tema, juntando diferentes fontes de forma organizada.

/hipotese [sua pergunta]

Pede uma suposição testável para explicar algo, antes de você sair atrás da resposta definitiva.

/critico [seu texto ou dado]

Pede uma leitura cética do conteúdo, apontando falhas de lógica ou lacunas de evidência.

/evidencias [sua afirmação]

Pede que tipo de prova sustentaria ou derrubaria uma afirmação específica.

/limitacoes [seu dado ou estudo]

Pede os pontos fracos ou as ressalvas de uma informação, antes de você tratá-la como certeza absoluta.

Como montar sua própria instrução, sem depender de lista pronta

A parte que nenhuma lista vendida costuma ensinar é o motivo pelo qual essas frases funcionam. Todas seguem o mesmo princípio: reduzir a ambiguidade do que se quer, antes do modelo começar a responder. Quatro elementos cobrem a maioria dos casos.

  • Papel: para quem ou como a resposta deve soar, como em “aja como um editor de texto técnico”
  • Formato de saída: em que estrutura a resposta deve vir, tabela, lista ou parágrafo corrido
  • Contexto: o que já é verdade na situação, para o modelo não ter que adivinhar
  • Critério de qualidade: o que separa uma resposta boa de uma ruim, breve, com dados, sem jargão, com contraponto

Juntar esses quatro elementos numa instrução direta substitui qualquer lista de comandos secretos com centenas de itens repetidos. O e-book gratuito de engenharia de prompts detalha mais de 30 dessas técnicas, com exemplo pronto para cada uma.

Quem quiser ir além desses quatro elementos e aprender técnicas com mais etapas de raciocínio encontra o passo a passo detalhado em Engenharia de Prompts 2.0. E quem quer ver como esse tipo de instrução vira rotina de trabalho todo santo dia, não só exemplo avulso, tem o relato em Uso avançado de IA.

O que aplicar primeiro

Pare de procurar comando mágico e comece a escrever instrução completa, a partir de amanhã. Se uma resposta veio genérica, o problema quase sempre é falta de um dos quatro elementos acima, não falta de um código escondido. Desconfie de qualquer material, pago ou gratuito, que prometa uma lista de comandos que a empresa dona da IA não quer que você saiba.

O mesmo raciocínio vale quando a instrução já virou decisão de trabalho, não só resposta pontual: Decisões com IA sem abrir mão da sua autoridade e IA generativa no trabalho tratam desse próximo passo.

Outros artigos sobre engenharia de prompts:

  1. Como fazer um prompt: a base para formular o pedido no ChatGPT, no Gemini e no Claude.
  2. Engenharia de Prompts 2.0: as técnicas de raciocínio avançado com os modelos mais recentes.

Comunidade no WhatsApp: as novidades de ferramentas, modelos e uso de dados no trabalho saem todo dia no grupo IA e Dados, sempre com a fonte. Veja como entrar no grupo.

Perguntas frequentes

Existe algum comando secreto que desbloqueia funções do ChatGPT, Claude ou Gemini? Não. Nenhum dos três tem um menu de comandos ocultos ativado por senha ou por uma barra digitada antes do texto. O que existe são comandos reais de interface, documentados pelo fabricante e específicos de cada aplicativo, e atalhos de linguagem natural que funcionam por serem claros, não por serem secretos.

Escrever /eli5 ou /expert antes da pergunta muda como a IA responde? Muda, mas não porque a barra aciona uma função. O modelo lê a frase inteira como linguagem natural e reconhece expressões já comuns na internet, como eli5 (explain like I’m 5). Escrever a mesma instrução por extenso, sem a barra, produz o resultado idêntico.

Vale a pena pagar por e-books ou cursos de comandos secretos de ChatGPT? Na maioria dos casos, não. Boa parte desse material já circula de graça em blogs de tecnologia, e alguns dos próprios artigos que popularizam essas listas admitem no texto que não são recursos oficiais das empresas de IA.

Quais comandos de barra são reais, e não só marketing? Comandos de barra reais existem em aplicativos com suporte oficial a essa sintaxe, como o Claude Code, e cada um aciona uma função de programa específica, como trocar de modelo, revisar código ou reiniciar contexto. Fora desses aplicativos, a lista muda com frequência: a fonte confiável é sempre a documentação oficial da ferramenta, nunca uma lista viral.

Se os atalhos não são oficiais, por que ainda vale a pena usá-los? Porque cada atalho, mesmo inventado pela comunidade, carrega uma instrução clara que a IA reconhece por linguagem natural. O atalho não é mágica, mas a instrução por trás dele funciona de verdade, e usar a lista para entender o porquê ensina a escrever a sua própria instrução depois.

Como escrever uma instrução que funcione sem depender de lista pronta? Combinando quatro elementos na mesma instrução: o papel que a resposta deve assumir, o formato de saída esperado, o contexto que já é verdade na situação, e o critério que separa uma resposta boa de uma ruim. Esses quatro elementos substituem qualquer lista de centenas de comandos repetidos.

Edney “InterNey” Souza atua com tecnologia desde 1990 como professor, palestrante e conselheiro consultivo em tecnologia, IA, dados e inovação. Participou da criação de sete startups ao longo da carreira. É professor na ESPM, Insper, PUCRS, USP e IBGC. É autor do livro gratuito Engenharia de Prompts na Prática: do Zero ao Avançado com ChatGPT, Gemini e Claude.


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