Atualizado em abril/2026.

TL;DR

  • O Brasil é o segundo maior mercado de influenciadores do mundo, com 4,4 milhões de criadores no Instagram (10,2% do total global). O mercado movimentou US$ 5,47 bilhões em 2025, com projeção de US$ 33,5 bilhões até 2034.
  • O ecossistema brasileiro tem seis categorias de player: plataformas mediatech (tecnologia + base de creators), agências full service, plataformas globais com presença local, especialistas em nichos, ferramentas de monitoramento e inteligência, e consultorias adjacentes.
  • O mercado está em fase de consolidação. A BR Media Group foi adquirida pela Publicis Groupe por cerca de R$ 550 milhões em 2024, e o volume de M&A cresceu 72% em 2025.
  • Esta é uma curadoria viva, atualizada em abril/2026 com verificação de status de cada link e adição de players relevantes que surgiram nos últimos sete anos. Vários domínios da versão original de 2017 saíram do ar, foram adquiridos ou pivotaram para outros temas; a nova lista é menor e útil em vez de exaustiva e quebrada.
  • Para acompanhar a evolução do setor, dois recursos seguem como referência: o YOUPIX e seu Mapa da Creator Economy Brasileira, e o Censo de Criadores publicado pela Squid.

Este artigo complementa o livro Engenharia de Prompts na Prática: do Zero ao Avançado com ChatGPT, Gemini e Claude. Baixe gratuitamente o livro no link, que reúne mais de 20 técnicas de engenharia de prompts, incluindo várias das que estão aprofundadas neste artigo, com explicação e exemplos prontos para uso. A versão impressa é Best Seller na Amazon, com 4,5 estrelas e mais de 800 avaliações, tendo ficado semanas em primeiro lugar em várias categorias.

Por que reescrevi este artigo

Publiquei a primeira versão em junho de 2017, com uma lista de 76 empresas brasileiras que estavam construindo o mercado de marketing de influência. A lista vinha de pesquisa para um curso na ESPM, e foi útil naquele momento (apareceu como referência em vários trabalhos acadêmicos e matérias de mercado). Quase nove anos depois, boa parte dos links está quebrada ou aponta para domínios que pivotaram para temas distantes. Algumas marcas relevantes mudaram de nome (RewardStyle virou LTK, Airfluencers virou Air, Buzzerdigital virou Buzzer), e novos players importantes surgiram nesses sete anos.

A decisão editorial nesta atualização é trocar exaustividade por curadoria viva. Lista menor, organizada por categoria, com critério claro de inclusão. Vale mais para o leitor que precisa de orientação real sobre o ecossistema do que uma lista bonita com metade dos cliques quebrados.

O que mudou no mercado de marketing de influência entre 2017 e 2026

Três movimentos definem a década e ajudam a entender por que a lista atual é tão diferente.

O primeiro é a maturação acelerada. Em 2017 a discussão central nas marcas era “vale a pena testar influenciadores?”. Em 2026, segundo levantamento da Influency.me, 52% das marcas brasileiras tratam influência como estratégia central de comunicação (em 2017 esse número era 31%). A categoria deixou de ser experimento e virou linha de orçamento.

O segundo é a consolidação. A BR Media Group, mencionada na lista de 2017, foi adquirida pela Publicis Groupe em 2024 por cerca de R$ 550 milhões, incorporando ecossistema de mais de 500 mil creators e 500 marcas. O volume de operações de fusão e aquisição no setor cresceu 72% em 2025, indicando movimento de consolidação que vai seguir.

O terceiro é a chegada da IA generativa ao trabalho dos creators e das plataformas. Geração de roteiros, edição assistida, segmentação automática de audiência por linguagem, briefings gerados em escala, otimização de campanhas via Creator Ads programáticos. A BrandLovers, fundada em 2018, é exemplo da nova geração de players que opera marketing de influência como compra de mídia estruturada com tecnologia, não como curadoria artesanal.

Plataformas mediatech: tecnologia mais base de creators

Mediatech é o termo que se cristalizou para descrever empresas que combinam plataforma própria de descoberta e contratação de creators com camada de dados, machine learning e dashboards. Diferem de agências tradicionais porque o produto principal é a tecnologia, e o serviço é complementar.

  • Air (ex-Airfluencers): plataforma proprietária com gestão de campanhas ponta a ponta, foco em performance.
  • BrandLovers: opera o modelo Creator Ads, que aplica lógica programática (compra de mídia estruturada) ao marketing de influência.
  • Squid: plataforma de tecnologia com mais de uma década no setor. Publica anualmente o Censo de Criadores.
  • Influency.me: cobre a jornada de marcas e creators com metodologia proprietária baseada em análise de dados.
  • Infleux: foco em descoberta de influenciadores e contratação ponta a ponta.
  • Inflr: ecossistema tecnológico para influencer marketing com foco em performance.
  • Post2B: portfólio amplo de influenciadores, com foco em campanhas de média e larga escala.
  • Buzzer (ex-Buzzerdigital): estratégia e mídia digital com camada de influência integrada.

Agências full service de marketing de influência

Agências tradicionais que atuam ponta a ponta: estratégia, casting, criação, produção, ativação, mensuração. A diferença em relação a mediatech é o peso do humano sobre o algoritmo na curadoria.

  • Mynd: fundada em 2017 por Fátima Pissarra com Preta Gil. Casting forte em cultura digital e música, opera também a Pop Creator (2024) com foco em afiliados e live shop.
  • BR Media Group: hub de conteúdo e influência da América Latina, parte do grupo Publicis após aquisição em 2024.
  • CoCreators: full service com posicionamento em cocriação e projetos colaborativos.
  • Fhits: uma das pioneiras do mercado brasileiro, com mais de 15 anos no setor.
  • Digital Influencers: combina marketing de influência com estratégia, criatividade e tecnologia.
  • Brunch: agência creator-first, atende creators que querem se tornar marca e marcas que querem operar como creators.
  • Play9: mediatech com Felipe Neto e João Pedro Paes Leme entre os sócios, combina ecossistema próprio com expansão de audiência.
  • Spark: powerhouse de marketing de influência para agências e marcas. Lançou em 2024 o Spark Creator Awards.
  • MField: ativação de influenciadores e produção de conteúdo em redes sociais.
  • Warp Media: assessoria 360º para canais no YouTube.
  • Tambor: agenciamento de especialistas (em vez de influenciadores tradicionais) para gerar consciência sobre temas.
  • NOÁ: hub de empresariamento comercial para talentos exclusivos, opera também como Nubila PRO.

Plataformas globais com forte atuação no Brasil

  • LTK (ex-rewardStyle): plataforma global de affiliate marketing para creators, com tração forte em moda, lifestyle e shopping.
  • Fluvip: marketing de influência em LATAM e Espanha, com camada de criatividade, dados e IA.
  • Gushcloud: rede global de creator management, IP licensing e financing, com operação na América Latina.

Especializados em nichos

  • Gombo: primeira agência brasileira focada exclusivamente em business influencers no LinkedIn (B2B influencer marketing). Fundada em 2022 por Erih Carneiro, usa metodologia própria (Método EIRA: Especialização, Influência, Relevância, Autoridade) para selecionar e desenvolver creators de conteúdo profissional. Referência praticamente única no nicho específico no Brasil.
  • Digital Favela: primeira empresa do mundo focada em creator economy periférica, com base de mais de 50 mil influenciadores em favelas brasileiras.

Monitoramento, inteligência e analytics (vizinhança técnica)

Não são exatamente agências de influência, mas alimentam o ecossistema com dados sobre desempenho, social listening e inteligência de marca.

  • Buzzmonitor (Elife): social listening, SAC 2.0, inteligência de redes sociais com IA. Produto da Elife, pioneira em social analytics no Brasil.
  • Stilingue: social listening com IA desenvolvida especificamente para o português brasileiro.
  • Torabit: plataforma de monitoramento de redes sociais com foco em velocidade e cobertura ampla.
  • Tree Intelligence: análise de ecossistemas em rede para entender stakeholders e jornadas.

Hub do ecossistema

  • YOUPIX: ecossistema completo da creator economy brasileira. Combina informação, pesquisas, eventos, aceleração e consultoria. Mantém o Mapa da Creator Economy Brasileira, referência viva e atualizada do setor, e organiza o YOUPIX Summit, evento central do mercado.

Quem saiu da lista, e por quê

Por transparência editorial, vale registrar o critério de remoção. Foram tirados da lista: empresas com domínio fora do ar e sem comunicação de transição, empresas cujos domínios foram adquiridos por terceiros e hoje hospedam conteúdo de cassino, jogos ou outros temas distantes do original, empresas que pivotaram para áreas não relacionadas a marketing de influência (PR genérica sem vertical de influência, marketing geral sem foco em creators), e listagens em comentários do post original que não passavam por curadoria editorial.

Algumas marcas mantêm presença apenas em página do Facebook, sem site próprio. Optei por não listá-las, porque o leitor que chega aqui em busca de fornecedores precisa de empresas com presença institucional verificável.

A lista que sobrou é menor que a de 2017, e essa é exatamente a melhoria. Manter trinta empresas vivas e organizadas vale mais do que manter setenta com metade dos links quebrados.

Onde acompanhar a evolução do setor

Marketing de influência muda rápido, e nenhuma curadoria sobrevive sem atualização contínua. Dois recursos vale acompanhar:

  • Mapa da Creator Economy Brasileira (YOUPIX): atualizado periodicamente pela equipe da YOUPIX, mapeia as principais plataformas, agências, techs e consultorias do mercado brasileiro.
  • Censo de Criadores (Squid): publicação anual com dados quantitativos sobre o universo de creators brasileiros, perfil socioeconômico, faixas de remuneração e tendências de consumo.

Para a aplicação prática do tema na sua marca, vale também a leitura complementar de Por dentro do marketing com influenciadores: como usá-los a favor da sua marca, que cobre o passo a passo de campanha real.

Perguntas frequentes

Qual o tamanho do mercado de marketing de influência no Brasil em 2026?

Brasil é o segundo maior mercado de influenciadores do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Com 4,4 milhões de creators no Instagram (10,2% do total global), o mercado movimentou cerca de US$ 5,47 bilhões em 2025, com projeção de US$ 33,5 bilhões até 2034 segundo estudos publicados em 2025.

Qual a diferença entre agência de marketing de influência e plataforma mediatech?

Agência tradicional opera ponta a ponta com peso forte no humano: estrategistas, criativos e curadores tomam decisões caso a caso. Plataforma mediatech entrega tecnologia como produto principal, com base de creators acessível via dashboard e camadas de matching, dados e mensuração automatizadas. Algumas empresas combinam os dois modelos.

O que é creator economy?

Creator economy é o conjunto de modelos de negócio que sustentam pessoas (creators) que produzem conteúdo digital de forma profissional ou semiprofissional. Inclui receita de plataformas (YouTube, TikTok, Instagram, Twitch), monetização direta via assinatura, marketing de influência (parcerias com marcas), social commerce, cursos e produtos próprios. O termo é mais amplo que marketing de influência: marketing de influência é uma das fontes de receita possíveis dentro da creator economy.

Como escolher entre uma agência tradicional e uma plataforma mediatech?

Depende do volume e da personalização desejada. Para campanhas pontuais, em escala média, com foco em creators de cauda longa e métricas claras, plataformas mediatech costumam entregar melhor custo-benefício. Para campanhas estratégicas, com creators de alto perfil e necessidade de curadoria criativa próxima, agências tradicionais costumam entregar melhor resultado. Marcas grandes em geral combinam os dois modelos.

O que é B2B influencer marketing e como funciona no Brasil?

B2B influencer marketing é a prática de envolver especialistas (executivos, consultores, analistas, lideranças setoriais) com público qualificado em redes profissionais, sobretudo LinkedIn, para influenciar decisões de compra entre empresas. Difere do B2C tradicional porque o público é menor e mais técnico, o ciclo de venda é mais longo e a credibilidade do especialista pesa mais que o alcance bruto. No Brasil, a Gombo é a principal referência no nicho, com método próprio (EIRA, de Especialização, Influência, Relevância e Autoridade) para selecionar e desenvolver business influencers. O segmento está em forte crescimento global, com 61% dos líderes B2B planejando aumentar investimento em influência nos próximos anos, segundo o LinkedIn B2B Marketing Benchmark Report.

O Censo de Criadores ou o Mapa da Creator Economy substituem esta lista?

Não substituem. O Censo (Squid) é mais quantitativo e foca em dados sobre os creators (perfil, renda, comportamento). O Mapa (YOUPIX) é mais amplo e cobre o ecossistema inteiro. Esta lista aqui tem foco editorial diferente: organização por categoria com curadoria opinativa sobre quem segue relevante para a maioria das marcas brasileiras em 2026.

A lista de 2017 ainda é útil para alguma coisa?

Como histórico do mercado, sim: mostra o estado da indústria no momento da explosão do marketing de influência no Brasil. Como guia de fornecedores, não, porque a maioria dos links saiu do ar ou pivotou. A versão atualizada que você está lendo é a substituta funcional.


Edney “InterNey” Souza atua com tecnologia desde 1990 como professor, palestrante e conselheiro consultivo de empresas em tecnologia e inovação. Fundou sete startups ao longo da carreira. Leciona na ESPM, Insper, USP, PUCRS e IBGC. É autor do livro gratuito Engenharia de Prompts na Prática: do Zero ao Avançado com ChatGPT, Gemini e Claude.

9 comentários em “Marketing de Influência no Brasil: empresas, agências e plataformas

  1. Post Interessante, pouco falado! Ney aproveitando a deixa… éé você fez um artigo com o título: “Tudo o que você queria saber sobre publicidade no WordPress.com” no entanto em “user guidelines” na parte “advertising” não é permitido advertising no caso propaganda a menos que use o Word Ads…é sério isso? Se for assim então como fica…se é isso mesmo então a gente fica como… você poderia falar com o pessoal do WordPress pra rever estes termos “radicais” aí são quase impossíveis… (chateado por não poder fazer nada) >< se for assim vou ter é que excluir meus blog por que eu uso o Hotmart e aí como eu ficcooo :'(

  2. Poxa que enriquecedor! Cai por acaso neste artigo, onde vi seu site listado numa lista de 52 blogs sobre marketing e sinceramente, adorei ler sobre “Marketing de Influência”. Dificilmente iria pesquisar isso no google, mas isso abriu minha mente para este mercado que está na nossa frente, mas por descuido, acabamos não prestando atenção. Valeu Interney, (pai dos pais da internet, rs)

  3. Eu entrei por acaso aqui e adorei, costumo fazer esse tipo de pesquisa e com certeza esse foi o melhor conteúdo que eu li, de longe!

  4. Desde que comecei a trabalhar no mundo digital sempre me vem a memória o site do Interney.
    Não quero te chamar de velho kkkk, mas já faz uns 11 anos que sempre me vem a memória desde o site mais antiguinho, aquela cor nostálgica, aquela linguagem que me fazia viajar no que a internet ainda nos proporcionaria. Hoje, primeiro dia do ano de 2020, me deparo com site novamente após realizar uma pesquisa. É sempre um prazer ler todo o seu conhecimento e ter acesso ao teu site que, tenho certeza, marcou não só a minha vida, como a de muita gente nesse Brasil. Abraços e ótimo 2020

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