Materiais “transmorfos” inteligentes

Plástico, papel e alimentos são alguns materiais que mudam de forma quando aquecidos certo? Já pensou em controlar essa propriedade para transformar objetos de uma forma inteligente?

Na palestra de Lining Yao, Professora Assistente de HCI (Interação Humano-Computador), descobri que existe um laboratório inteiro dedicado Materiais Transmorfos na Carnegie Mellon University.

Plástico

Um dos primeiros projetos que ela apresentou foi a impressão 4D. Calculando a propriedade de plásticos que são afetados pelo calor e plásticos que não afetados, eles combinaram esses materiais de forma que após impressos em 2D eles poderiam ser posteriormente aquecidos para gerar uma forma 3D, a 4ª dimensão nesse caso seria o tempo de aquecimento.

No vídeo abaixo você pode ver uma cadeira e fruteira feitas com esse processo.

Além de simplificar a impressão esse processo pode simplificar o transporte de materiais, permitindo carregar muitos mais objetos em menor espaço e aquecê-los apenas no destino.

Papel

Combinando papel e filamento plástico enriquecido com grafeno eles foram capazes de fazer desde pequenos robôs de papel, passando por um interessante projeto de um abajur e até livros com partes móveis programáveis.

Alimentos

O mesmo processo foi aplicado com massas, permitindo imprimir diferentes tipos de macarrão em 2D para depois ao se aquecerem eles se organizarem em diferentes formatos.

Aqui novamente há uma simplificação absurda na produção e transporte das massas se todas elas puderem ser feitas em 2D.

Roupas

A bactéria Bacillus Subtilis presente no Natto, uma soja fermentada que os japoneses tomam no café da manhã é outro “material” que responde ao calor. Nesse caso eles aplicaram filamentos em uma roupa e quando as pessoas usando a roupa, no caso abaixo bailarinos, aqueciam algumas partes do corpo, pequenos furos na roupa se abriam para uma melhor ventilação.

O que mais me chamou atenção? Cada case envolveu empresas e profissionais do mercado para avaliar o real impacto que os projetos teriam na indústria. A pesquisa com roupas teve envolvimento da New Balance e o projeto com massas foi apresentado para a Barilla. No mundo de hoje não basta ser gênio, você precisa saber se vender.

A economia digital não é apenas para os jovens

Chip Conley, foi convidado em 2013 para aconselhar os jovens executivos fundadores do AirBnb, Chip havia vendido sua rede de hotéis depois de 24 anos como CEO e teoricamente seria a pessoa ideal para orientá-los em função da sua senioridade.

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Com o passar dos dias no AirBnb Chip percebeu que seus conhecimentos sobre hotelaria não serviriam muito para o AirBnb, afinal de contas eles não são donos de hotéis e como os anfitriões da plataforma não podem ser treinados obrigatoriamente por não serem funcionários eles teriam de descobrir um jeito de “hackear” esse processo para passar esse conhecimento adiante.

Porém esse não foi o principal ponto da palestra, Chip percebeu que talvez tivesse mais a aprender com aqueles jovens do que para ensinar. Ele vivia num mundo completamente diferente e era pouco adepto de tecnologia quando comparado com a média dos funcionários do AirBnb. Para ensiná-los deveria ganhar o respeito deles primeiro para isso ele desenvolveu uma método de 4 passos:

  1. Evolua – O mundo ao seu redor mudou e seu conhecimento talvez não seja mais tão relevante, é preciso ajustar o seu ego e evoluir sua identidade e conhecimento.
  2. Aprenda – Não tenha medo de ser a pessoa que faz muitas perguntas, com a sua experiência e sabedoria advindas da evolução você deverá ser capaz de fazer perguntas que vão ajudar a iluminar a equipe e nesse processo é comum fazer muitas perguntas estúpidas também, mas não podemos ter medo de aprender.
  3. Colabore – Negócios são H2H (Human to Human) é preciso saber regular suas emoções para criar ambientes mais produtivos do que competitivos e é daí que sai a verdadeira colaboração. Como alguém mais velho você deve ser a pessoa que ajuda a regular o ambiente para formar essa colaboração.
  4. Aconselhe – Se você seguiu os 3 passos anteriores então as pessoas vão bater à sua porta pedindo conselhos. Não ache que por ser mais velho os outros querem ouvir seus conselhos. Se você chegar se impondo vai parecer o sermão de um líder religioso ou parente e as pessoas não querem ouvir sermões.

Vivemos numa época em que um novo tipo de mentoria é necessária. Uma mentoria de duas vias. Onde os mais jovens aprender com os mais velhos mas os mais velhos também aprender com os mais novos. Somente colaborando é que vamos conseguir crescer rapidamente na economia digital unindo as forças dos mais experientes com os mais digitais.

No vídeo abaixo você pode ver um outro painel onde Chip Conley e Brian Chesky (CEO do AirBnb) participam juntos de um painel sobre o mesmo assunto:

E se você quiser se aprofundar no assunto eu recomendo comprar o livro de Chip sobre como se tornar um ancião moderno:

Levitação pelo Ar e seu impacto nos transportes

Deborah Navarro, uma das fundadoras da Texas Guadaloop e atualmente colaborando com o MIT no desenvolvimento do protótipo do Hyperloop explicou como o projeto de Levitação pelo Ar ganhou o SpaceX Innovation Awards e como isso pode colaborar com o transporte do futuro.

Esse vídeo explica um pouco sobre o que é o HyperLoop e o que a Texas Guadaloop estava desenvolvendo:

Seu grande diferencial foi criar um protótipo a ar, muito mais barato que o magnético e por isso eles ganharam o prêmio de inovação, por trazer uma tecnologia inteiramente nova para o projeto.

A levitação a ar ainda não está desenvolvida em um níveo que possa substituir completamente os projetos de levitação magnética atuais, mas ela pode ajudar a diminuir a fricção e consumo de energia dos atuais protótipos trabalhando em conjunto com a levitação magnética.

Suas possíveis área de aplicação vão além do HyperLoop podendo melhorar inclusive os atuais sistema de metrô e foguetes espaciais. Geralmente trabalhando como uma energia limpa para redução de atrito e estabilização.

Carros voadores e legislação

Não é ficção, já apareceu um modelo na CES desse ano, basicamente é um drone gigante e você pode ver mais detalhes no vídeo abaixo:

Vocês sabem que eu não gosto de painéis, não existem slides para fotografar (eles me ajudam a memorizar o conteúdo das palestras), as pessoas tendem a divagar no meio de suas falas e costumam ser superficiais na profundidade do conteúdo.

Porque eu fui nesse painel? Bem os participantes eram da Uber (empresa que vai comercializar o serviço), Bell (empresa que criou o protótipo que você pode ver no vídeo acima) e o Departamento de Transportes dos Estados Unidos, o painel também foi moderado pela Associação de Tecnologia de Consumo, uma entidade que trabalha para regularizar novas tecnologias junto ao governo americano.

Se vocês viram o vídeo já sabem que eles planejam lançar em Dallas, Los Angeles e uma 3ª cidade no mundo ainda não definida, mas sabe-se que será uma cidade com leis exigentes sobre tráfego aéreo, diferente do que aconteceu com o Uber para carros, eles não querem liberdade para fazer o que bem entender. Para essa nova indústria dos carros aéreos funcionar bem é fundamental que a segurança esteja em primeiro lugar e nesse ponto as entidades governamentais são bem vindas para se envolver (pelo menos foi a mensagem do painel).

O carro será autônomo, os protótipos que foram vistos até agora com pilotos foram construídos para serem pilotados durante a fase de testes para coletar dados e montar um conjunto de dados seguro para construir os algoritmos que vão guiar os carros autônomos voadores.

Terá de coexistir com drones, helicópteros e aviões, por isso a legislação delimitando o espaço aéreo é fundamental. Além disso vão começar aproveitando os helipontos existentes e lançando poucos carros para ir expandindo aos poucos. Será lento e gradual e por isso algumas suposições de quanto vai custar uma viagem (assunto que surgiu em outro painel) me parece absurdo e irresponsável.

Existem problemas ainda não definidos que vão surgir com a popularização do uso: Como se faz uma barreira policial no ar? Os passageiros serão identificados para evitarem fugas e sequestros? Qual o risco de um hacker derrubar o carro ou explodir dentro dele sobre uma área povoada? O potencial de usar um carro voador como arma é maior do que a de um carro autônomo terrestre. Provavelmente para usar o carro autônomo voador vamos abrir ainda mais mão da nossa privacidade para obtermos mais segurança.

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