As cidades do futuro estão sendo moldadas por três grandes revoluções na mobilidade urbana: a eletrificação dos transportes, a ascensão dos veículos autônomos e a adoção de tecnologias sustentáveis. Durante o SXSW 2025, conseguir capturar alguns insights valiosos sobre como essas mudanças estão impactando a infraestrutura urbana, a política pública e a experiência dos cidadãos.
A Expansão da Infraestrutura de Carregamento para Veículos Elétricos
A sessão “How to Build Out a City EV Charging Network” destacou desafios e soluções para a expansão da infraestrutura de carregamento para veículos elétricos (EVs). Com a previsão de que até 2030 metade dos veículos vendidos serão elétricos, cidades ao redor do mundo precisam se adaptar rapidamente.
Segundo Michael Samulon, Diretor Adjunto de Eletrificação de Transporte da Prefeitura de Los Angeles, 25% das vendas de novos veículos em Los Angeles já são elétricos, o que significa que a infraestrutura precisa acompanhar essa demanda. Ele reforçou que a colaboração entre setor público e privado é essencial para viabilizar essa transição.
Em Austin, Cameron Freburg, da Austin Energy, destacou a expansão de carregadores, que passaram de pouco mais de 100 em 2011 para mais de 1.500 hoje. Ele apontou que a adoção de EVs em Austin não é mais um nicho, mas sim uma necessidade amplamente reconhecida.
Autonomia e a Nova Era do Ride-Hailing
A sessão “Making Autonomous Ride-Hailing a Reality in Your City” explorou como os veículos autônomos estão revolucionando o transporte urbano. Uber e Waymo compartilharam detalhes sobre sua parceria para implantar frotas de robo-táxis em Austin e Atlanta, com planos de expansão para outras regiões.
Phoenix, Los Angeles e San Francisco também já contam com operações de robo-táxis autônomos, mostrando que essa tecnologia está se consolidando nos centros urbanos. O objetivo das empresas é maximizar a adoção e garantir que os passageiros tenham uma experiência impecável, desde o agendamento até a finalização da viagem.
Para as cidades que desejam implementar esse modelo, a infraestrutura e as condições climáticas são fatores fundamentais. Austin, por exemplo, foi escolhida devido à sua abertura à inovação e boas condições de estradas, fatores que aceleram a adoção de novas tecnologias.
Ano passado tive a oportunidade de andar em um carro autônomo na China e a experiência foi muito tranquila e segura, acredito que é uma questão de priorização do poder público para que isso se torne uma realidade aos poucos nas grandes cidades.
Tecnologia e Sustentabilidade na Construção das Cidades do Futuro
A sessão “How Technology Is Transforming Urban Spaces and Building Cities of the Future” trouxe a perspectiva de Matt Mahan, prefeito de San Jose, e Dara Treseder, CMO da Autodesk. Ambos destacaram o papel da IA na otimização da infraestrutura urbana e na gestão eficiente de recursos.
Mahan compartilhou um case de otimização de rotas de ônibus em San Jose: com IA, reduziram em 25% o tempo das rotas, tornando o transporte público mais atrativo.
Treseder ressaltou o impacto dos gemeos digitais na infraestrutura urbana: modelos 3D integrados com dados em tempo real da infraestrutura da cidade permitem prever problemas antes que ocorram, economizando recursos e reduzindo desperdício.
Regenerative Design: O Futuro da Arquitetura Sustentável
Sean Quinn, da HOK, abordou como o “Regenerative Design” pode transformar a relação entre construções e o meio ambiente. Ele explicou que não basta reduzir impactos ambientais; precisamos projetar edifícios que regenerem o ecossistema ao seu redor.
Essa abordagem me lembrou de uma visita a Singapura, onde pude ver de perto como a arquitetura pode se integrar à natureza de maneira eficiente. Passeando pela cidade, percebi como os espaços urbanos são planejados para coexistir com a vegetação, criando um ambiente mais fresco e agradável. Um dos exemplos mais marcantes foi a visita a uma horta comunitária na cobertura de um shopping center, onde moradores podiam cultivar seus alimentos. Além disso, vi uma cascata artificial dentro do anexo do aeroporto, reforçando como a infraestrutura urbana pode incorporar elementos naturais para proporcionar bem-estar.
Dicas Práticas para Empresas e Gestores
Para cidades e empresas que desejam investir em mobilidade e infraestrutura inteligente, algumas ações são essenciais:
- Parcerias Público-Privadas: Los Angeles e Austin demonstram que colaborações entre governos e setor privado aceleram a adoção de EVs e veículos autônomos.
- Investimento em Infraestrutura de Dados: Modelos 3D e IA são fundamentais para otimizar a gestão urbana e reduzir desperdícios.
- Incentivos Fiscais e Regulamentação Flexível: Cidades como San Jose têm atraído startups de IA com incentivos, facilitando a inovação.
- Soluções Baseadas na Natureza: O Regenerative Design e exemplos como os de Singapura mostram que integrar a natureza nas cidades melhora a qualidade de vida e reduz impactos ambientais.
O Novo Consumidor das Cidades Inteligentes
A transformação urbana não impacta apenas governos e empresas de infraestrutura, mas também redefine o comportamento e as expectativas dos consumidores. Com a ascensão da mobilidade elétrica e autônoma, surgem novas demandas que empresas de diferentes setores precisam considerar.
- Valorização da Sustentabilidade: Produtos e serviços que respeitam critérios ambientais ganharão cada vez mais relevância, impactando desde a escolha de marcas até hábitos de consumo.
- Novos Espaços de Consumo: A reconfiguração das cidades, com menos carros particulares e mais áreas verdes, criará novas oportunidades para o varejo, restaurantes e espaços de entretenimento.
- Mobilidade como Serviço (MaaS): Empresas que facilitarem o deslocamento urbano integrado, combinando transporte público, veículos elétricos compartilhados e bicicletas, terão vantagem competitiva.
As empresas que anteciparem essas mudanças e adaptarem suas ofertas às novas dinâmicas das cidades inteligentes estarão melhor posicionadas para conquistar e fidelizar clientes em um futuro cada vez mais digital e sustentável.
