Esses dias, conversando com a neuropsicóloga Maria Carla da Silva sobre como a tecnologia afeta o cérebro, ela me trouxe uma reflexão que me fez pensar profundamente sobre o estado da nossa cognição na era moderna.
Ela me contou que, nos testes cognitivos recentes, muitas pessoas têm apresentado pior desempenho em contas matemáticas simples. Estamos falando de somas, subtrações, multiplicações e divisões com dois algarismos no máximo. Algo que deveria ser básico para a maioria.
A explicação? O uso constante da calculadora. Segundo ela, o hábito de recorrer automaticamente a dispositivos para resolver tarefas simples está impactando negativamente a cognição das pessoas.
E não é só isso. Eu também li estudos sobre o efeito das redes sociais no funcionamento cerebral, que indicam que o excesso de estímulos rápidos, sem tempo de reflexão, também prejudica o raciocínio, a concentração e a memória de curto prazo.
Foi aí que puxei outro ponto da conversa: o uso da Inteligência Artificial. Sim, ela também pode impactar negativamente nossa cognição, quando usada sem pensamento crítico. O estudo “Ferramentas de IA na Sociedade: Impactos na Descarregamento Cognitivo e no Futuro do Pensamento Crítico” revela que o uso acrítico de ferramentas de inteligência artificial como o ChatGPT pode comprometer habilidades intelectuais essenciais. Segundo o estudo, a adoção passiva dessas tecnologias tende a enfraquecer a capacidade de análise crítica, reduzir a autonomia de raciocínio e estimular uma dependência prejudicial de soluções automatizadas.
Ou seja, quando as pessoas aceitam as respostas da IA sem avaliação ou reflexão, correm o risco de desenvolver uma compreensão superficial dos conteúdos, o que prejudica a assimilação profunda e a memorização a longo prazo.
O perigo do ‘copiar e colar’: como a tecnologia afeta o cérebro e atrofia o pensamento crítico
A IA tem o potencial de expandir nossas capacidades, mas, quando usada de forma passiva, apenas copiando e colando respostas, ela se torna uma muleta que atrofia o cérebro. O pensamento crítico entra justamente aí: usar com consciência, avaliar, duvidar, investigar.
Às vezes, falamos sobre “questionar” a resposta da IA como se fosse algo simples: está certo ou está errado? Mas a verdade é que, muitas vezes, nem sabemos se está certo ou errado. E é justamente nesse ponto de dúvida que mora o aprendizado. É aí que a gente pesquisa, compara, estuda. É onde a cognição acontece de verdade.
Esse tipo de interação ativa com a tecnologia é o que permite manter nossa mente em funcionamento. Só que infelizmente, a maioria ainda usa a IA como atalho, não como estímulo. Quando a resposta não agrada, simplesmente se ignora, mesmo que esteja certa.
E isso não é só achismo. Perceba como a tecnologia afeta o cérebro: uma pesquisa publicada na JAMA Network mostra que médicos trabalhando com IA tiveram desempenho pior do que a IA sozinha. O motivo? Muitos médicos ignoraram as respostas da IA por acharem que estavam incorretas, quando na verdade a IA tinha acertado. O viés humano — o “eu acho” — superou o dado objetivo. E o pior: comprometeu o diagnóstico.

fonte: https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2825395
Pensar precisa virar um hábito. Exercício físico também
Essa conversa me fez pensar: faz sentido obrigar as pessoas a fazerem contas de cabeça num mundo onde a calculadora está a um clique de distância?
No fundo, talvez não faça sentido do ponto de vista da necessidade prática. Mas do ponto de vista cognitivo, faz todo o sentido. Resolver cálculos mentalmente treina habilidades muito além da aritmética: raciocínio lógico, foco, memória de trabalho, atenção. É como uma academia para o cérebro.
O paralelo com o exercício físico é direto: assim como os músculos atrofiam sem uso, o cérebro enfraquece quando delegamos demais à tecnologia. Essa é a essência de como a tecnologia afeta o cérebro na prática, substituímos desafios cognitivos por conveniência digital.
A gente não malha porque precisa levantar peso para viver. A gente malha porque o corpo precisa de movimento para continuar funcionando bem. Como brinca o humorista Rodrigo Marques: a gente pega o carro para ir até a academia, pega o elevador, e lá dentro sobe no simulador de escada.
É isso. A modernidade tirou o movimento natural do nosso dia a dia. E a gente teve que criar formas artificiais de trazer esse movimento de volta.
O mesmo está acontecendo com o cérebro.
Treine seu cérebro, proteja sua mente: como a tecnologia afeta o cérebro no dia a dia
Enquanto eu elaborava mentalmente esse texto, fui caminhar. Isso já virou hábito pra mim. Saí para levar minha filha à escola a pé. Subi escadas. Me mantive em movimento. Faço isso de forma intencional para compensar o que a vida moderna tirou. O corpo sente. E a mente também. Eu sou de tech e inovação, mas eu sei muito bem como a tecnologia afeta o cérebro.
Nós vamos precisar discutir, como sociedade, como reinserir o treino da mente na vida adulta. Não só nas escolas, mas no dia a dia das pessoas. Treinar o raciocínio lógico, a matemática básica, a memória, a linguagem. Tudo isso não é mais necessário para sobreviver, mas passou a ser essencial para mantermos o funcionamento pleno da nossa cognição.
Se não fizermos isso, corremos o risco de um declínio coletivo na nossa capacidade de pensar.
Os dados não mentem: a relação entre QI, educação e tecnologia
Os países com os maiores QIs são, em geral, os que oferecem melhor acesso à educação, leitura, ciência e estímulo contínuo ao pensamento crítico. E isso vale não só para crianças e adolescentes, mas para toda a população ao longo da vida.
Confira os dados de QI médio por país em 2024, segundo a World Population Review:

fonte: https://worldpopulationreview.com/
O cérebro precisa de treino constante, assim como o corpo. E aqui está o paradoxo da era digital: enquanto a tecnologia pode expandir nosso conhecimento, o uso passivo dela (como substituir cálculos mentais por calculadoras ou o pensamento crítico por respostas prontas da IA) mostra exatamente como a tecnologia afeta o cérebro quando mal utilizada, atrofiando habilidades cognitivas essenciais.
O desafio atual:
- Educação contínua já não é opcional, é uma necessidade para compensar o “sedentarismo mental” da vida moderna.
- Soluções práticas: desde exercícios diários (como ler textos complexos ou resolver problemas sem ajuda digital) até políticas públicas que priorizem o pensamento crítico.
Você já parou para analisar como tem exercitado sua mente ultimamente? E a sua equipe, está estimulando o pensamento profundo ou apenas a dependência de ferramentas digitais?
Lembre-se sempre: o raciocínio se enferruja. E, por isso, pensar precisa virar hábito. Como caminhar. Como respirar. Como viver bem.
O primeiro passo é a consciência. O próximo? Ação intencional.
Proteja seu cérebro na era digital: agende uma palestra ou mentoria para sua equipe aprender a usar a tecnologia com neurociência e pensamento crítico
Este artigo explorou como a tecnologia afeta o cérebro, mostrando que inovação e inteligência artificial não estão aí para nos substituir, mas para expandir as capacidades humanas. Para garantir que você não apenas sobreviva, mas prospere nesta nova era, é fundamental estar preparado.
Por isso, convido você a se preparar para o futuro de verdade. Conheça os meus serviços de treinamentos, palestras e mentoria para transformar desafios em oportunidades. Juntos, podemos garantir que você não apenas sobreviva, mas prospere na era da inteligência artificial.
