Não existe novo normal. Se procurarmos no dicionário o significado da palavra normal vamos encontrar:

1. conforme a norma, a regra, regular;

2. que é usual, comum; natural;

Talvez a gente não viva nunca mais em um mundo comum.

A globalização cresceu em níveis inimagináveis nos últimos anos. Vivemos em um mundo onde a distribuição de riqueza e tecnologia é extremamente desigual ao redor do planeta. As informações viajam instantaneamente causando conflitos e choques entre culturas e costumes. E como se já não bastasse tudo isso, recentemente vimos um vírus viajar o mundo inteiro também.

A Teoria do Caos é mais real do que nunca. Quando uma borboleta bate as asas na China, tempos depois acontece um furacão no Brasil. Tudo está interligado, tudo muda muito rápido. Não dá mais tempo de nos acostumarmos com nada.

Essa é a nova realidade, não um novo normal.

Digital não é tecnologia

Quando falamos de tecnologia, começamos logo a procurar hardware e software. Você aponta para o computador, o celular, a TV. Descreve os softwares que estão ali. Mas na verdade, o digital é algo muito mais amplo que isso.

Eu costumo dizer que a base do digital são as coisas que se tornaram imateriais. O limite físico deixa de existir quando algo é digitalizado.

Uma foto digitalizada deixa de ser papel, um filme digitalizado deixa de ser uma fita, uma música deixa de ser um disco. Tudo vira dados.

Os dados trafegam por softwares (sistemas de computador) através de hardwares (dispositivos eletrônicos), e o digital é a combinação de tudo isso, é o que permite essa desmaterialização.

É fazer uma reunião sem se deslocar para uma sala de reunião, é orientar uma pessoa à distância, por áudio ou vídeo, é pedir algo no seu celular para entregar na porta da sua casa ou para assistir imediatamente na TV.

Você elimina ou reduz a necessidade de matéria física. Você desmaterializa o máximo possível.

Nunca vamos nos tornar 100% digitais, apesar da ficção científica às vezes explorar isso. Eu prefiro acreditar que se chegarmos a esse ponto seremos outra espécime. O Homo sapiens precisa de contato físico, porém queremos contato físico com quem amamos, não para resolver atividades corriqueiras como ir ao supermercado ou a farmácia.

Os negócios agora são Digital First

Antes, quando você abria uma restaurante, pensava primeiro nas receitas, na equipe de funcionários, na cozinha, no ponto comercial e quando tudo estava pronto decidia se ir operar também com delivery.

Muitos restaurantes agora estão abrindo sem ponto físico. Obviamente a cozinha precisa estar em algum lugar, mas não tem salão. Só trabalha com delivery. A prática tem até um nome: dark kitchen ou restaurante fantasma.

E isso não acontece apenas com restaurantes. Professores, personal trainers, psicólogos e mais um monte de serviços que atendem as pessoas por videoconferência e agora tem clientes espalhados por diversas cidades, estados e até países, não vão voltar a operar 100% presencial.

Uma pesquisa da Fortune com os CEOs das 500 maiores empresas dos Estados Unidos revelou 26,2% vão trabalhar de casa indefinidamente. E 52,4% não pretendem mais fazer reuniões de negócios que podem ser substituídas por videochamada.

Porque gastar uma fortuna em um espaço físico se não for necessário?

Além disso o consumidor está se acostumando com a ideia de que não precisa ir até a loja, só no Brasil o e-commerce já ganhou mais de 135 mil lojas digitais.

Cultura Digital requer uma mudança de mentalidade

Se desapegar das estruturas físicas, trabalhar à distância, gerenciar times remotos, não sofrer com trabalho em excesso ou baixa produtividade, tudo isso requer um tremendo esforço de toda a empresa.

Felizmente existem metodologias e ferramentas para gerenciar essas mudanças e compartilhar as melhores práticas. Metodologias ágeisUXDesign Thinking, Lean Startup estão entre alguns dos conhecimentos necessário para mudar a mentalidade e aproveitar os benefícios que o digital traz.

Mudar o seu negócio, da mesma maneira que era antes, para um site de e-commerce ou atendimento remoto, e continuar gerenciando como se fosse uma loja física, consultório ou sala de aula, não vai funcionar nesse novo mundo competitivo que estamos vivendo.

Chegou a hora de parar de sobreviver, ou simplesmente tentar, é o momento de começar a se reinventar e fazer a diferença nesse novo mundo.

Publicado originalmente no blog da Digital House

Um comentário em “Mentalidade Digital: como os negócios precisam se reinventar diante das mudanças do consumidor

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