Realidade Aumentada e Virtual na Educação

Outra tendência que vemos na área expo da SXSW Edu é o uso de realidade virtual e aumentada como ferramenta para tornar a educação mais atraente (incluindo elementos lúdicos) ou mais barata (recriando equipamentos e economizando uso de materiais caros).

Temos desde o já clássico “aprender medicina sem gastar corpos”:

Até usarmos personagens Disney para aprender a programar (que talvez alguns discordem, mas eu vejo como uma aplicação “soft” de realidade aumentada):

Outras possibilidades mais avançadas incluem o desenvolvimento de aplicativos específicos onde é possível fazer uma gincana pelo Campus encontrando pistas que acionam vídeos e revelam conteúdo adicional:

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Conteúdo de história sendo traduzido das paredes do Campus de japonês para inglês

Em outra palestra, achei interessante alguns exemplos de outros possíveis casos de uso de AR/VR na educação, você pode ver 4 desses casos no slide abaixo:

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Agora a pergunta que não quer calar: quais desses projetos já foram testados amplamente e deram ótimos resultados?

Pelas conversas que tive, apenas o projeto da Disney envolvendo códigos com personagens fez com que mais crianças aprendessem espontaneamente (mais pela gamificação e identificação com personagens). Se considerarmos (eu eu concordo) que não é totalmente um projeto de realidade aumentada como estamos acostumados a definir então nenhum deles tem resultados comprovados para mostrar.

Isso não significa que a tecnologia não seja promissora, os casos de uso da última palestra são bem interessantes, mas ainda é uma tecnologia que precisamos olhar com moderação e não inserir na sala de aula apenas para resolver problemas que ainda não temos.

Aprendizado Personalizado

Paul France, professor da Escola Latina de Chicago compartilhou suas experiências com aprendizado personalizado e trouxe uma reflexão relativamente simples mas infelizmente acaba não sendo muito óbvia quando estamos encantados com alguma coisa: “Personalização é importante, mas não podemos personalizar tanto o aprendizado ao ponto de atrapalhar a socialização do aluno”.

Experiências coletivas são importante para viver em sociedade e para o desenvolvimento profissional em um mundo mais colaborativo. Então é preciso entender qual é esse equilíbrio entre personalização e aprendizado coletivo.

Algumas conclusões importantes sobre o aprendizado personalizado que Paul destacou incluem:

  1. Ser acessível é mais importante que ser individualizado
  2. Interesse e engajamentos não são sinônimos
  3. Personalização é uma parceria entre professor e aluno
  4. Tecnologia não pode atrapalhar a conexão humana
  5. Personalização não traz igualdade sem práticas inclusivas

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Outra palestra interessante, que não foi sobre aprendizado personalizado, mas vou colocar aqui nessa seção porque os assuntos se conectam muito bem, foi sobre “Embodied Learning” que não me senti à vontade para traduzir, mas talvez possamos chamar de Aprendizado Experimental.

Nessa palestra Tommaso Lana explica que o aprendizado do ponto de vista das crianças é baseado em experiências e que experiências possuem diferentes pontos de vista.

A partir daí ele mostra alguns workshops que tem usado para treinar professores para reproduzirem experimentações na sala de aula.

Outra abordagem de aprendizado personalizado foi apresentado pela Sana Labs, dessa vez usando Machine Learning para sugerir materiais de estudo que poderiam complementar, de forma personalizada, o processo de aprendizado de cada aluno em uma plataforma online.

Essas sugestões personalizadas bem como uma gamificação do progresso visam reter o aluno por mais tempo em uma plataforma online de aprendizado.

Skills do futuro

As últimas palestras do dia, sobre as skills do futuro não me desapontaram, o segredo aqui na verdade foi manter as expectativas lá embaixo.

A primeira sobre “Preparar os estudantes para o aprendizado na nova economia” foi bem interesante. Começou de forma bem honesta deixando claro que se os empregos ainda serão inventado dizer que já sabemos as disciplinas seria infundado.

Porém é difícil que essas novas profissões venham a utilizar ferramentas sociais novas, o que é uma transição mais lenta, dessa forma trabalhar skills mais elementares como relacionamento, resiliência e reflexão provavelmente vão trazer ganhos mais certeiros no futuro.

A partir daí José Antonio Bowen abordou algumas técnicas do seu livro usadas não apenas para trazer mais engajamento dos estudantes durante o periodo da universidade, mas também para torná-los autosuficientes em seus aprendizados, o que será fundamental para alunos cujo futuro profissional depende de aprender disciplinas que ainda não existem.

SWEET significa: Sleep (dormir) Water (água) Eating (comer) Exercise (exercícios)Time (tempo)

Logo em seguida Nancy Wilkinson falou de forma bastante resumida de uma pesquisa conduzida por Nesta, uma fundação britânica de inovação, sobre as skills mais procuradas pelas empresas. A pesquisa consistiu de uma análise de menções em vagas de trabalho no Reino Unido e Estados Unidos desde 2013 e um resumo pode ser baixado aqui.

A partir daí fizeram uma projeção e chegaram nas 8 destacadas acima:

  1. Estratégias de Aprendizagem
  2. Instrução
  3. Percepção Social
  4. Coordenação
  5. Originalidade
  6. Fluência de Ideias
  7. Aprendizagem Ativa
  8. Comunicação

Se compararmos com a apresentação anterior podemos resumir em Auto-aprendizagem, Comunicação e Relacionamento.

No final das contas para lidar com toda a tecnologia do futuro precisaremos ser mais humanos.

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