Capítulo 1

Quando concebida a primeira decepção amorosa, já nos braços de uma nova e qualquer incauta ou sob a mesa do mais sujo bar na companhia de bons e sofredores amigos, uma máxima é costumeiramente atirada ao ar. Essa afirmação, que na verdade é um argumento para o seu desespero, talvez seja a maior verdade criada pelo homem depois da que homem e mulher não podem ser amigos. “Você terá muitos amores pela frente. Mas primeiro amor, ah, primeiro amor só existe um”.

O primeiro amor é o crucial timing point que separa meninos de homens. É quando, após seu inevitável trágico e massacrante final, você observa que tudo aquilo que o cinema, livros e a música pop inglesa nos ensinaram era mentira. Nada existiu. Juras, carinhos e promessas são fabulas contidas numa ficção digerida de maneira e definições forçadas e supérfluas. Assim começa a vida, senhores. Com o soco no queixo da primeira mulher que te fez sofrer. Ela, sem saber, trai toda uma classe. Cria um monstro. E, a partir daí, tudo muda.

O meu primeiro amor me transformou em tudo o que pior pode existir num homem. Amei outras vezes, é verdade e admito. Mas o sentimento puro de confiança foi-se junto com as fotos e boas lembranças cultivadas por quase 3 anos de relacionamento. Fui infiel, canalha e vagabundo. Muitas vezes as três coisas ao mesmo tempo e com mais de uma mulher. Sabe o que me surpreende? Acham que isso era culpa minha.

Quem gerou esse sentimento, ou me limitou de reviver outros, foi esse primeiro amor. As mulheres que conheci posteriormente foram vitimas dela, não minhas. E, quem sabe, essa personagem do primeiro capítulo sofra agora e no futuro com um homem com eu. Um homem que amou, foi amado e foi apunhalado pelas costas. Um homem que um dia acredito na verdade do sentimento mais puro, mas calou-se no frio da traição mais hipócrita.

Homem não trai. Quem trai são as próprias mulheres. Elas, por meio de gestos mesquinhos e chulos, iniciam o processo de canalhice entre os homens. Não fosse a insensibilidade feminina, o mundo seria um lugar bem melhor. E quem sabe bem mais romântico. Eu era um cara romântico. Alias, continuo sendo. Mas naquela época era diferente. O romantismo não era algo planejado, era espontânea. Lembro da roupa dela no primeiro encontro. Calça branca, blusa rosa e uma rasteirinha tradicional. Eu vestia uma camiseta preta sem graça, calça jeans e um tênis surrado. Ela Chegou com duas horas de atraso. Fomos ao cinema e começamos a namorar três dias depois. O filme era Scooby Doo, sessão das 17h45 do shopping 3 Américas. Essa data é até hoje a senha do meu cartão de credito. Tive algumas namoradas depois disso. Amei todas. Mas não lembro nem onde eu trabalhava quando as conhecia.

Enfim.

Esse livro só existe graças a essa primeira namorada. Às mulheres que enganei: não me odeiem.

Odeiem-na.

¹ Atenção: volto quando concluir o livro. Espero que logo.

Biblioteca Solidária

Tenho poucos livros em casa. Culpa de uma mania que carrego desde a adolescência: passar o livro a diante. Até gosto de reler uma obra, mas não tanto quanto curto uma reprise de filme. Sempre achei um desperdício deixar o livro parado, sem utilidade. E foi dessa forma que apresentei Érico Veríssimo, Mario Quintana, David Coimbra, Douglas Adams, entre outros, para amigos e amigas.

Claro que há exceções. Ainda tenho muito bem guardado o meu exemplar de Felipão – A Alma do Penta autografado pelo professor Ruy Carlos Ostermann e o próprio Felipão. Além de alguns do David, L.F. Veríssimo, Bill Waterson, e outros que ganhei de presente e não vou me desfazer jamais.

Nunca considerei esse hábito um formato de caridade ou filantropia. Aos poucos, comecei a achar irritante ver um livro parado, inutilizado (sem contar o do Ray Romano que tem o tamanho certo para a mesa manca lá de casa). Sempre foi esse o motivo principal do meu eterno – e conhecida entre amigos – “empréstimo” de obras.

Mas porque causa, motivo, razão ou circunstância eu estou falando sobre isso? Para motivá-los. Maior que seja o ciúme que você sinta dos seus livros, pense na possibilidade de compartilhá-los. Com essa proposta, um grupo de está montando, por iniciativa própria, uma biblioteca com 40.000 volumes para a creche Aprendizes da Fraternidade, localizada em um bairro periférico da cidade.

A ação procura doadores de livros de qualquer espécie e formato. A biblioteca visa fortalecer a educação não só na escola, mas também na comunidade. Será um avanço cultura significativo numa das regiões mais pobres da capital de Mato Grosso.

Vejo nessa campanha uma boa oportunidade para o blogueiro – que ultimamente carregam um estigma de publicitário mascarado nível 10 – iniciar uma renovação de sua imagem. Com um post, um comentário, uma twittada, qualquer forma de divulgação do projeto Bilioteca Solidária é bem vinda.

Vai ter grana? Não. Vai ter festinha? Não. Vai ter brinde personalizado? Não. Então, quem ganha com a minha divulgação?

As crianças, a sociedade e, finalmente, você, que tem a oportunidade de ajudar. E, quem sabe, aprender com esse agradável hábito de distribuir conhecimento.

¹ Convido alguns amigos blogueiros para divulgarem essa campanha: Dorly, Raphael Mendes, Guilherme Lautenshchlager, Duquian, Dani Koetz, Carolina Bicudo, Loch e Dimitri Robles. Aos outros blogueiros, fiquem a vontade para divulgação. Toda ajuda é bem vinda.

² Nossos leitores também podem ajudar. Vamos acreditar no clic-a-clic. Comente sobre o projeto aos amigos que possam se interessar.

³ O primeiro a divulgar a campanha em blogs foi o Muriacy, do Vôo 3800.