Uma questão de fidelidade

Não é uma questão de cor.

Não é uma questão de time.

Não é uma questão de torcer.

Mas é uma questão de último desejo.

Sem movimentos, perspectivas de vida e esperança de futuro. Sem prazeres, planos futuros e metas. Sem reações, pressa pelo amanhã e qualquer tipo de ânsia por conquistas. Apenas querendo sobreviver. Mantendo-se aos olhares tristes e melancólicos da família.

Qual seria seu primeiro último desejo?

Ir ao estádio de futebol.

Namoradas e amigas vão. O futebol, não. Ele sempre está lá. Seu time, mesmo quando não respeita seu conceito, está todos os anos em campo. Para você e os outros milhares se emocionarem.

Isso é fidelidade.

Clique na imagem.

Não tente entender. Pois eu não vou tentar explicar.

Tentando explicar o Barcelona

Todo clube de futebol tem uma personalidade, uma características que o diferencia frente aos adversários. São ícones impagáveis aos torcedores e repetidamente citados na hora de relembrar atos heróicos e notáveis. Imortal, fiel e time do povo são alguns exemplos de rótulos identificados ao clube e, em alguns casos, muito bem trabalhados pelos departamentos de marketing.

Essa série de características que simbolizam os times trata-se do resultado de anos de historia. Estamos falando de um conceito impregnado sobre a camiseta. São fatores de identificação gerados naturalmente e mantidos graças à fidelidade do consumidor. No caso, o torcedor. Ele, certamente mais do que os jogadores brasileiros, defende e exige que esses símbolos sejam mantidos e, se possível, fortalecidos ao passar dos anos.

Mas nem em todo clube somente o torcedor respeita esse, digamos, planejamento estratégico. Há um caso recente de trabalho de marca e historia que vem colhendo infinitos frutos.

Claro que é o Barcelona.

Atualmente, não basta analisar a estrutura tática e técnica do Barcelona. Precisamos ir além. É evidente que o time tem os três melhores jogadores do mundo. Não só de esforço e bons homens vive um time de futebol. Mas o Barcelona, esse grupo de jogadores do Barcelona, respeita a frase estampada no anel central do Camp Nou (mais que um clube). O Barcelona é formado por um grupo de jogadores que espelham a historia e marca do clube.

Dos 11 titulares do time campeão europeu no ultimo final de semana, sete são formados na categoria de base do Barcelona. São jovens que cresceram ouvindo a historia dos times de Zamora e Cruyff, da resistência na Guerra Civil, do orgulho catalão frente a Madrid e, especialmente, da disciplina tática e ética que precisa ter um jogador de futebol daquela cidade.

A impressão que temos quando assistimos um jogo do Barcelona é de uma entrega fora do normal. A formação de jogadores ainda nas categorias de base, mais do que física, tática e técnica, preza pela identificação do mesmo com a camisa. O jogador do Barcelona parece que nasce para correr incansavelmente. O futebol ofensivo e vistoso do clube catalão é a essência do futebol colaborativo.

Soma-se tudo isso a coragem de apostar nesse trabalho de base. O treinador Pep Guardiola, quando assumiu, dispensou medalhões como Ronaldinho e Etoo para apostar em Pedro e Villa. Parecia uma loucura, mas esse era o momento de acreditar no trabalho gradativo de formação de atletas identificados com o conceito Barcelona. Hoje, no Barcelona B, está sendo formado o futuro técnico do time principal: Luis Henrique, ex-atacante do clube que jogou as Copas de 94, 98 e 2002.

O fato é que o Barcelona consegue fazer um futebol a moda antiga também fora de campo. É uma renovação de atletas e forma de administrar um time. Assim como tínhamos o Santos dos anos 60 e o Internacional dos anos 70 no Brasil, quando os clubes acharam um modo de concretizar um sonho de como jogar futebol, o Barcelona faz isso em tempos muito mais competitivos.

O Barcelona segue um planejamento centenário. Respeita sua historia, suas cores e seu conceito.

Por isso que ganha.

Grenal é Grenal

O cantor inglês Ozzy Osbourne iniciou sua turnê no Brasil com um show no ginásio do Gigantinho, que pertence ao Internacional, em Porto Alegre, ganhou uma camisa do clube, mas em cima do palco o “Príncipe das Trevas” acabou agradando aos torcedores do maior rival do clube colorado ao receber uma bandeira do Grêmio e cantar vestido como se fosse uma capa, o que certamente deve ter causado irritação nos torcedores do Inter.

Nota do blogueiro: antes de acabar o show, um integrante da produção de Ozzy colocou uma bandeira do Inter ao lado da bandeira do Grêmio próximo ao baterista. Todos felizes.

Músico, ator, chefe de estado. Não importa.

Sempre vai rolar.

Os times vão fazer camisetas com o nome do cara. Bandeiras serão jogadas ao palco. E até mesmo no show de uma das maiores bandas de todos os tempos, onde seu pensamento deve estar somente naquelas duas horas de música de alta qualidade, você vai se preocupar com a exposição maior do seu time.

É assim que funciona no extremo sul do Brasil. Grenal é Grenal até no futsal da firma. Não trata-se de ganhar. Mas sim, de não perder.

Deus me livre o Ozzy aparecer só com a bandeira de um time. Terminou empatado? Ótimo, bom para os dois.

Muda alguma coisa? Claro que não. Possivelmente o artista que passa por isso nem tenha ideia do que se trata essa rivalidade. Mas nós, bom, nós sabemos a importância disso tudo. E não me venha dizer que é tudo uma bobagem de gremistas e colorados.

Ok, talvez até seja uma bobagem. Mas uma bobagem poeticamente autorizada.

Pois nada é pior que perder Grenal. Nada.

Nada.

Respeitem o roupeiro

No último final de semana eu vi uma entrevista de Andre Sanchez, presidente do Corinthians. Ele disse, sobre a crise no clube, que “muitas mudanças vão acontecer. Do presidente até o roupeiro”. Foram exatamente essas as palavras de Sanchez. “Do presidente até o roupeiro”. Ou seja, se o presidente é o mais alto posto de um clube de futebol, o roupeiro é mais baixo?

Eu gostaria de saber de onde veio essa classificação técnica. Poxa vida, que maldade com os roupeiros. Você sabe qual a função de um roupeiro? Ele é responsável por deixar tudo absurdamente organizado nos treinos, vestiário de jogo e pós-partida. Enquanto os jogadores tocam pagode no ônibus, o roupeiro já está no estádio amaciando chuteiras e dobrando camisetas. Enquanto jogadores comemoram um titulo, o roupeiro faz a contagem de uniformes e guarda-os na sacola.

Que baita profissional esse, o roupeiro. O Barreto, por exemplo. Barreto é roupeiro da Seleção Brasileira desde 1991. Em 2002, Barreto ficou andando com a chuteira de Ronaldo por cinco dias. No dia do jogo, Ronaldo as usou. Fez dois gols. E ninguém lembrou de agradecer ao Barreto.

Caso um dia você tenha oportunidade, entre no vestiário antes de um jogo de Seleção Brasileira. O roupeiro, tipo o Barreto, é um artista. Ele deixa as chuteiras empilhadas de maneira belíssima. Além disso, as camisetas, shorts e meias são oferecidos de maneira simétrica e dentro de um equilíbrio que causaria inveja em qualquer diretor de arte do Circo de Soleil ou chefe gourmet.

Sério, o cara leva anos para aprender as técnicas de equilibrar o bico fino de uma chuteira no solo frio e tenso de um vestiário. Aí vem um presidente de qualidade duvidosa e coloca o roupeiro abaixo do, sei lá, nutricionista do clube.

A fase é ruim, mas não esculacha o cara. Porra.

Roberto e Ronaldo de Assis Moreira

Uma negociação de metáforas.

Alguns a compararam com uma novela. Italianos, roteiro indeciso, enredo cheio de furos e com muitos palpites por parte da imprensa.

Outros relembravam os versos de um tango. O tom era elegante e saudosista, mas o desfecho não podia deixar de ser trágico.

Eu prefiro dizer que tudo não passou de um samba. Um samba cantando pela viúva do maior jogador carioca de todos os tempos.

Pois ele agora é carioca. E o samba sempre foi.

RIP

Na manhã desta quarta, teve aviãozinho da flauta sobrevoando Porto Alegre. “Fiasco Fifa” (a primeira palavra em vermelho, e a segunda em azul) foi estampado na faixa foi como provocação de torcedores gremistas aos colorados, pela derrota para o Mazembe, no primeiro jogo do Mundial de Clubes, em Abu Dhabi. Com o resultado, o Inter deu adeus ao torneio.

Sem mais.

O dia que eu “bicicletei”

Jogos entre empresas do mesmo segmento costumam ser pitorescos por aspectos próprios. Especialmente em municípios pequenos, onde todos os profissionais se conhecem, seja por um dia terem trabalhado ou estudado juntos. O jogo relatado nas próximas linhas tem um agravante considerável. Era um treino tático estilo rachão para a segunda rodada da Copa Papo Criativo, o maior campeonato entre agências de publicidade de Mato Grosso. E com um personagem emblemático: eu.

O amistoso entre FCS Bem Pensado e Mercatto quase foi cancelado. Uma forte chuva caiu sobre Cuiabá por volta de 19h. Ruas e avenidas da capital foram alagadas. Assim, muitos cancelaram a ida prevendo um campo sem condições de jogos. Os poucos corajosos que chegaram até o local marcado encontraram, pasmem, um campo em perfeito estado. A chuva que destruiu bairros de Cuiabá foi apenas uma marolinha naquela distante região do centro da cidade.

A mágica, senhores, começava a ganhar forma.

O jogo transcorreu normalmente. Porém, sem torcida e com os times desfalcados de dois jogadores cada, pois, como disse anteriormente, muitos desistiram da ida. Esses covardes, hoje, se arrependem. Pois nessa noite, nesse campo, nesse jogo, foi executada uma das cenas mais antológicas que os campos de várzea de Cuiabá viu nos últimos séculos. O lance todo ocorreu entre 21h46m12s e 21h46m19s. Foram sete segundos que eu, com meu brilhantismo, tomei a liberdade de narrar a vocês.

Aos 21h46m12s puxei um contra-ataque após adiantar a marcação no meio de campo. Aos 21h46m14s lancei na esquerda para Thiago Marques, que deixou a bola caprichosamente correr entre suas pernas e enquadrou o corpo. Aos 21h46m16s a marcação chegou para interceptar um possível cruzamento, enquanto eu corria como um polido em direção à área. Aos 21h46m17s o goleiro ainda não imaginava o que vinha a acontecer. Aos 21h46m18s Thiago cruzou, levantando leivas do gramado úmido e maltratado. Nesse mesmo momento eu já virei as costas para o gol e levantei o braço direito, indicando o movimento da jogada mais plástica e difícil do futebol. Aos 21h46m19s a bola estava na posição perfeita para eu consagrar a jogada criada por Leônidas da Silva, que, do céu escuro, sorriu para uma conclusão que desafiou as leis da física, da astronáutica, da gramática, da retórica e atingiu o ângulo do gol adversário.

Uma bicicleta. Um gol. A gloria.

É claro que tudo relatado acima é mentira. Bom, quase tudo. O jogo, a chuva e a bicicleta aconteceram. Só a conclusão que não foi tão certeira. Na verdade, não houve conclusão, mas uma grosseira furada de bola. Furada essa eternizada na crônica O dia em que Fagundes “bicicletou”, de Leandro Magalhães.

Ele estava lá. Ele viu. Azar o dele.

O futebol explica

O grupo gremista foi surpreendido por uma história emocionante na manhã desta quinta. João Victor, que comemora o aniversário de seis anos neste dia 18 de novembro, visitou o Estádio Olímpico e realizou o sonho de conhecer pessoalmente os jogadores e o técnico Renato. Há cerca de seis meses, foi diagnosticada uma infecção muito forte, e o pequeno torcedor teve que ir para o hospital. Ficou na CTI, sedado, durante 15 dias. Só reagia quando ouvia o hino do Grêmio. Em junho, ele conseguiu sair dos aparelhos e recebeu alta.

– Sempre falávamos coisas positivas para ele. Fizemos um CD com versões do hino do Grêmio, e mesmo sedado, quando ele escutava o hino, mostrava reação – contou o pai Marcus Medeiros.

Leia a matéria completa.

O esporte, a disputa, a gana, o simples fato de querer ser melhor que o outro nos desperta sentimentos, até então, desconhecidos. Muitas vezes extrapolamos o bom senso e invocamos atitudes inexplicáveis e incabíveis para qualquer situação. Isso gera revolta dos incrédulos. Infelizmente, esse preconceito é generalizado, transformando qualquer apaixonado por futebol em um ser sem razão. Essa teoria, como todas as más, se espalha rapidamente, influenciando até quem faz parte do grupo dos que acreditam nas coisas boas esporte.

Contudo, situações como a do pequeno João Victor nos fazem acreditar no potencial de cura do futebol. Não estou falando dos benefícios físicos ou relativos a saúde. Muito menos na questão sociológica ou cultural adquirido frequentando estádios e estudando como a historia da fundação clubes contextualiza-se com a historia de suas regiões. Mas sim no poder da paixão pelas cores. Na força e importância que damos pela bandeira levantada e, em algum momento da vida e por algum motivo, escolhida como grande certeza de fidelidade.

Pessoas passam por nossas vidas, assim como escolas, trabalhos e gostos. Mas o time de futebol que você escolheu é para sempre. Entre todos os sentimentos explicáveis, do amor ao ódio, a importância que damos ao clube é o mais complicado de transcrever – quiçá impossível. Por isso, nem vou me arriscar a fazer.

Apenas vou reler a noticia do João Victor, o garoto que reagia após ouvir o hino do seu time, e me emocionar mais uma vez. A medicina não vai explicar isso jamais. A religião muito menos. Mas assista um jogo da última rodada, quando João Victor entrar no gramado com os jogadores. Você vai entender.

Há coisas, senhores, que só o futebol explica.

Co-branding com Papo de Homem

O segundo gol de Luis Fabiano contra a Costa do Marfim, você sabe, foi ilegal. Não fosse a horrenda fase atravessada pelo futebol francês, onde até o arbitro é ruim, o centro-avante de apelido mais suspeito de todos os tempos – Fabuloso – não teria feito aquele que muitos consideram, até aqui, o golaço da Copa do Mundo.

Em tempo: numa Copa tão confusa, tão imprevisível, o gol mais bonito até aqui foi ilegal. Sugestivo, não?

O pior de tudo talvez tenha sido o lance que seguiu o gol. A cena do árbitro sorrindo e batendo no braço é antológica. Daqueles que, se fosse a reação de um árbitro para um atacante argentino, estaríamos todos perplexos e criando teorias de conspiração com infográficos de erros que favoreceram os boludos.

No jogo de domingo, aparentemente, houve um erro. Talvez seja cedo para acusar o arbitro de má fé. Erros acontecem. A prova está no vídeo abaixo. Listamos seis erros de arbitragem que envolveram a Seleção Brasileira em Copas do Mundo.

Para o bem ou para o mal. Depende do seu ponto de vista.

Leia o post completo aqui.

Quem não pode ganhar a Copa do Mundo

Vamos, por um momento, imaginar o pior. Em 26 de junho a Seleção Brasileira desembarca em São Paulo. Grupo cabisbaixo, alguns jogadores ficaram pela Europa. Fomos eliminados na primeira fase. A surpreendente Costa do Marfim é a sensação do Mundial. Agora nos resta, sóbrios e desiludidos, assistir à Copa do Mundo.

Órfãos de time, todos vão ter uma seleção preferida. Alguns optam pelas clássicas favoritas. Outros, por seleções que têm no elenco atletas do seu time. Ja a maioria prefere os azarões. Eu não tenho a menor ideia para quem torcer caso o Brasil seja eliminado. Mas sei quem não deve ganhar a Copa do Mundo.

Leia o post completo aqui.