A doce imperfeição feminina

Todo adolescente sofreu com as péssimas escolhas das mulheres. Afinal, você sempre foi o melhor de todas as opções. Mas, por um motivo que vai contra tudo o que ela já disse, aquela admiração, simpatia e compreensão tornavam-se gancho para uma dolorosa amizade que em nenhum momento abria esperanças para uma tarde de quinta-feira de sexo casual.

Todo mundo sabe o valor de uma tarde de quinta-feira pautada pelo sexo casual.

Essas dúvidas têm influência decisiva na transformação do caráter do individuo. Afinal, se sendo um cara atencioso, simpático, educado e cuidadoso ele não conseguiu nada, talvez seja hora de dar preferência a quem é estragado. Não digo que isso seja o ponto crucial para criar uma nova personalidade para o cara. Mas para editar seus gostos, possivelmente.

Nós, homens, temos uma adorável atração por mulheres imperfeitas. Primeiramente porque as perfeitas são artificiais, falsas, recicladas demais. Queremos mulheres realistas, que não achem que o mundo é uma série da Warner, bebem cerveja e que dizem “foda-se”. Eu tive uma amiga que era assim. Todo dia que eu a buscava no trabalho ela entrava no carro reclamando de tudo e de todos. Eu achava o máximo isso.

Mas, ok, vamos estabelecer regras. A imperfeição não pode superar o tolerável. Quando revelamos que consideramos isso sexy, estamos tratando de um ar ranzinza, um modo blasé de ver o mundo, o espírito saudosista e até mesmo o tradicional pessimismo. Esse jeitinho irritante tem todo seu charme. Principalmente quando você, no auge da persuasão masculina, canaliza aquela raiva em algo mais relevante…

Essa admiração pela imperfeição feminina que alguns homens possuem tem como origem aquelas decepções do passado. Pode parecer até arrogante apontar problemas ou falhas no perfil de uma mulher, mas, na maioria das vezes, são características admitidas. Elas se acham anti-sociais, chatas e diferentes da maioria.

Mas é tão bom encontrar alguém diferente da maioria.

Isso, hoje, faz todo sentido. As meninas de 13, 14 e 15 anos estavam certas. Eu estava errado. Eu era muito certinho.

E nada é mais bonito na mulher do que a sua imperfeição.

O lado brilhante de um sonho

Todo mundo tem seu lado brilhante. Pode ser uma característica bastante próxima da classificação literal do termo supérfluo, mas, para o próprio, torna-se um simples motivo de orgulho solitário. É um talento necessário para manter a auto-estima respirando e, principalmente, compartilhar uma sintomática esperança de utilização dessa vantagem em algum momento importante da vida.

É tipo você fazer um café. Um café bom, aquele que todo mundo da família e do trabalho elogia. Você sente-se bem ao fazer esse café e receber congratulações pelo aroma, textura e perfeição que você o serve. Ninguém faz um café melhor que o seu. E quando o mundo estiver sendo invadido por alienígenas e descobrirem que o cheiro do café perfeito é o único modo de derrotá-los, você será chamado. Será um herói.

E é aí que entra o lado sonhador.

Não existe uma formula mágica ou modo operante de concretizar um sonho. Ao mesmo tempo, poucas coisas são tão agradáveis quanto deitar a cabeça no travesseiro e ouvir sua musica preferida sonhando com uma vitoria, uma conquista ou uma platônica paixão. Atitudes como essa, mesmo prazerosas, são perigosas no que se diz a respeito da ilusão. Alimentar um sonho sem planejá-lo pode gerar uma decepção como jamais vista.

O homem sobrevive com sonhos e precisa deles, é verdade. Mas é necessário dosá-los. Cada sonho precisa de um fundamento ou um sinal de alerta. Pode-se sonhar sabendo que isso jamais será possível. Mas pode-se – e é mais seguro fazer desse modo – sonhar planejando modos de concretizar um requisitado desejo.

Como? Começando pelo seu lado brilhante. Lembre-se: antes de qualquer atitude, descubra o seu lado bom. Saiba utilizar os meios e aproveitar os momentos para gerar bons relacionamentos. Possibilite alegrias, abra possibilidades e alcance metas gerenciando suas atitudes. Jamais pare. Sempre que possível – e faça o tempo estar ao seu favor -, complemente seu talento com novas opções.

Os dons são feitos para serem compartilhados. E, de preferência, gerando bons fluidos e situações para quem o executa. Saiba utilizar o seu lado brilhante. E, quem sabe, viva o seu sonho. E seja um herói.

Apenas não perca tempo. O prazer do real é ainda melhor que aquele vivido nas fantasias.

É proibido ganhar dinheiro

Vivemos num país onde não pode ser rico.

Isso é cultural. A burguesia surgiu com uma classe social da Europa na Idade Média (séculos XI e XII) com o renascimento comercial e urbano. A tal burguesia dedicava-se, principalmente, a atividades financeiras.

Com o passar dos anos essa classificação tornou-se ainda mais pejorativa. É considerado burguês o sujeito rico, independente de modo como a riqueza foi acumulada. Entre tantas classes sociais desiguais, e num país onde a riqueza e o poder estão historicamente ligados à corrupção, o burguês é considerado um monstro. Se você é pobre a culpa não é sua, mas sim do burguês que, em algum momento e sabe lá Deus porque, deu certo na vida.

Sendo assim, o dotado de baixa renda vê o homem rico como um inimigo. Não um inimigo a ser batido, mas um inimigo a ser derrotado por si próprio. É prazeroso para alguns palpitar sobre a vida alheia e vibrar com uma falência eminente. É como se o dinheiro do próximo tivesse que ser usado da forma como você quer, não ele, o detentor. Isso tornou-se um vicio da sociedade brasileira: ter raiva de rico.

Para esses, pouco importa como o sujeito conquistou o dinheiro, ele não merece estar tão acima de sua realidade. O que devia ser visto como admiração e exemplo – nos casos dos ricos de modo lítico, unicamente -, é tratado como inveja e desprezo. Dois sentimentos que antecedem a raiva e, principalmente, o desgosto por uma mudança de vida ou iniciativa de almejar algo melhor.

Analisando além da questão cultural e sociológica, por que isso realmente acontece? Pelas atitudes – ou falta delas.

Observem o recente caso ocorrido em Mato Grosso. Mauro Mendes é empresário, presidente da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso e político. Tentou ser prefeito de Cuiabá em 2008 e governador do estado em 2010. Não existe uma linha que aponte alguma atividade ilegal na carreira Mendes. É um profissional admirado por seus funcionários, trabalhador nato e, por méritos próprios, um dos homens mais ricos de Mato Grosso.

No final de semana ocorreu a festa de 15 anos da filha de Mauro Mendes. O evento contou com 750 convidados, os atores da TV Globo Kayky Brito, Humberto Carrão, Marco Antônio Gimenez, Caio Castro, Max Fercondini, Daniel Oliveira e Caco Ricci e show da dupla Fernando e Sorocaba, que cobra um cachê de R$400mil por 1h20 de show.

O evento contou com os mais disputados serviços de buffet, decoração, organização, moda e coreografia do estado. Senadores, deputados e secretários estavam entre a lista de convidados. A conta final da festa, de acordo com os jornais locais, ultrapassou R$1.500.000,00: Hum milhão e quinhentos mil reais.

Quanto custa o sonho da sua filha? Talvez ele não tenha preço. Mas o valor exorbitante é pedir para que haja questionamento no caso. É o time-point dessa visão preconceituosa que a classe baixa tem da burguesia. E o tom esnobe e fútil representado na atitude de alugar convidados atores é o ápice da extravagância. Tão deprimente quanto mesquinho.

Pouco me importa como Mauro Mendes gasta o seu dinheiro. Mas faltou bom senso. Faltou a Mauro Mendes lembrar que ele é, desde que entrou para a política, uma pessoa pública. Faltou sensibilidade de entender que a realidade do povo não é cercada de atores de novela. Faltou, inclusive, planejar como todo esse dinheiro poderia ser investido em ações ou atitudes filantrópicas fora do período eleitoral.

São essas fantasias e ilusões que fomentam o desprezo, o rancor e a falta de afinidade do povo comum com a minoria burguesa. Quem devia ser exemplo torna-se rival. O sentimento é claramente de inveja, mas a humilhação transborda nas emoções de quem vê, lê e ouve sobre a fortuna que podia ter outros fins.

A desigualdade perpetua. E a culpa, involuntariamente, divide-se.

Publicitário chato

Toda agência de publicidade tem publicitário chato. É só olhar pro lado.

Tem o que chega atrasado à reunião e esbraveja que reunião não resolve nada. O que vive marcando reunião para solucionar problemas. O que reclama da falta de informação no briefing. O que não le o briefing. O que se irrita com a pressão do atendimento. O que tem síndrome de perseguição de cliente. O desocupado que fica mandando vídeos no MSN e corre até seu computador pra garantir que você viu. O que vive perguntando qual é o site de referências que ele nunca lembra o nome. O que critica quem usa referencias.

Tem também o que acha que sabe tudo. Que vive criticando o trabalho de outros profissionais. O que perde um dia pesquisando uma peça parecida com a sua somente para provar que a idéia não é tão original assim. O que é brega. O que sugere mudar a fonte. O que pergunta qual o nome daquela fonte redondinha. O que não para de contar como foi criar a peça que ganhou um prêmio. O que cria pensando em participar de premiações. O que trabalha com Apple e não admite ter que utilizar um PC.

Sem contar aquele que pede idéias novas. Aquele mesmo que pede desculpas por não entender nada de internet. O que implora comentários no blog dele. O que reclama da falta de atualizações do seu blog. O que inventa um trocadilho a cada semana só para perturbar as almas mais aflitas. O que ouve musica alta e faz todos a pararem para prestarem atenção naquela virada. O que sempre fala mal da agencia onde trabalhava. O que não pára de reclamar do job, do salário, do chefe, do fornecedor, do cliente, da conexão, do café, do computador, do ar condicionado, do telefone, do atendimento e da programação do cinema para o final de semana.

Toda agencia tem publicitário chato. É impressão minha ou tem um monte de gente olhando pra você?

¹ Referência e adaptação é o caralho: texto plagiado do excelente Desilusões Perdidas.

15 anos em 10

10 coisas que aprendi com 10 anos de idade.

1. O futebol às vezes é cruel.
2. A guria mais bonita da sala sempre será a mais insuportável.
3. Waterworld é o melhor filme de todos os tempos.
4. Você era apaixonado pela sua melhor amiga o tempo todo.
5. Ela era apaixonada por você também.
6. Seu pai estava sempre certo. Ou pelo menos em 90% das situações.
7. Amor é mais complicado que nos filmes.
8. Comer brigadeiro quente, tomar coca-cola e ir jogar bola no sol não é um bom negocio.
9. Bons amigos são aqueles que trocam a festa junina da escola para passar o dia jogando video-game com você, doente por ter comido brigadeiro quente, tomado coca-cola e jogado bola no sol.
10. Ninguém vai conseguir fazer um jogo mais animal que Street Fighter.

10 coisas que aprendi com 15 anos de idade.

1. O futebol sempre é cruel, assim como o treinador que escala o Junior Baiano de titular na Copa do Mundo.
2. Os papeis mudam: as gurias bonitas do colégio ficam com os caras insuportáveis.
3. Waterworld não é tão bom assim.
4. A guria que você é apaixonado vira sua melhor amiga.
5. A sua melhor amiga arruma um namorado e você morre de ciúmes.
6. Seu pai continua certo, mas com uma queda de 5 pontos percentuais para mais ou para menos.
7. Amor não mata.
8. Beber para ficar bêbado e chegar ao colégio segunda-feira dizendo que entrou em coma alcoólico no final de semana não é lá muito atraente.
9. Bons amigos não são aqueles que surgem para separar a briga, mas sim os que chegam na voadora.
10. Eu sou o melhor jogador do mundo de Street Fighter.

10 coisas que aprendi com 20 anos de idade.

1. Vejo sinais de calvície devido o futebol.
2. Os caras vazios e insignificantes continuam pegando mais mulheres, mas nós somos mais espertos.
3. Waterworld é uma bosta.
4. Aquela gordinha rejeitada na infância virou uma gata bem sucedida.
5. Ela era apaixonada por você. Otário.
6. Seu pai já começa a ouvir seus conselhos.
7. Amor não existe.
8. Trabalhar de ressaca é para os campeões.
9. Bons amigos são aqueles que, quando sua namorada liga perguntando sobre seu sumiço na noite passa, dizem que você dormiu na casa deles.
10. Emulador de Snes para jogar Street Fighter no trabalho é uma das grandes invenções da humanidade.

10 coisas que aprendi com 25 anos de idade.

1. O futebol é a coisa mais importante de todas as menos importantes do mundo. Ou até mais do que isso.
2. A colega de trabalho gostosa e burra sempre vai ganhar mais que você.
3. Kevin Costner é o MadMax dos mares.
4. Você acordar pelado e com ressaca ao lado da sua melhor amiga nunca é mal negocio.
5. Ela não costuma achar o mesmo.
6. Seu pai segue seus bons conselhos adquiridos a partir de tudo que ele ensinou pra você.
7. O amor trata-se de um sentimento que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.
8. Um homem não vive sem problemas. E beber é a melhor forma de esquecer um problema e começar outro.
9. Se aqueles amigos que trocaram a festa pela noitada de vídeo-game na infância continuam ao seu lado, agradeça. Você tem os melhores amigos do mundo.
10. Ninguém mesmo vai conseguir fazer um jogo melhor que Street-Fighter. Chame seus amigos e aproveite.