As melhores frases de Woody Allen

Woody Allen sempre foi um dos meus diretores preferidos. Sua perspicácia para filmar dramas sobre neuroses comportamentais da rotina, com a tradicional critica ao falso moralismo e particularidades ridículas do dia a dia, é inconfundível. Contudo, o que invariavelmente me fez virar fã de Allen desde Bananas (1971) foi a capacidade colocar expressivos diálogos na boca de seus personagens.

Se Quentin Tarantino tem como marca registrada o diálogo de abertura, Woody Allen faz do filme inteiro um espetáculo de discussões, indiretas, defesas, ataques e, claro, confissões de fracasso. Aliás, o papel de “derrotado favorito” costuma ter um destaque estrelar nos filmes deste diretor. Talvez por isso tanta identificação.

Enfim, a proposta de reunir as melhores frases e diálogos dos filmes de Woody Allen surgiu durante uma conversa de bar sobre diretores e atores que deixaram o humor em busca de mais respeito nas artes cênicas. A coletânea abaixo só foi possível de ser concluída graças a horas de madrugadas em claro, um Box com 4 DVD´s mais 5 avulsos e a mais fabulosa criação do homem moderno: a pizza delivery 24h.

Depois de 15 minutos eu sabia que queria casar com ela. Depois de meia hora, desisti totalmente de bater a bolsa dela.
(Um Assaltante Bem Trabalhão ,1969)

O psiquiatra perguntou se eu achava sexo sujo. Respondi: só quando é bem feito.
(Um Assaltante Bem Trabalhão ,1969)

- O que você vai fazer sábado a noite?
- Me matar.
- E sexta?
(Sonhos de um Sedutor ,1972)

Mulheres são simples. Eu nunca encontrei uma que não entendesse um tapa na boca ou uma coronhada de uma 45.
(Sonhos de um Sedutor ,1972)

Não critique a masturbação. É sexo com quem você mais ama.
(Noivo Nervoso, Noiva Neurótica ,1977)

Bem, eu sou meio antiquado. Eu acredito não acredito em relações extra-conjugais. Eu acho que as pessoas deveriam se acasalar para o resto de suas vidas – como os pingüins e os católicos.
(Manhattan, 1979)

- Você pena que é Deus?
- Bom, eu tenho que me inspirar em alguém.
(Manhattan, 1979)

A última vez que estive dentro de uma mulher foi quando visitei a estátua da liberdade.
(Crimes e Pecados, 1989)

É dificílimo fazer sua cabeça e corações trabalharem juntos. No meu caso, eles não são nem amigos.
(Crimes e Pecados, 1989)

- Eu dormi com uma pessoa por dinheiro. Isso faz de mim uma prostituta?
- Não. Só pela definição do dicionário.
(Neblina e Sombras, 1992)

Aquiles tinha o calcanhar de Aquiles. Eu tenho o corpo inteiro de Aquiles.
(Poderosa Afrodite, 1995)

Eu devia ir para Paris e pular da Torre Eiffel. Se eu tomar o Concorde, posso morrer três horas mais cedo.
(Todos Dizem Que Eu Te Amo, 1996)

Lista em constante atualização.

30 coisas que aprendi assistindo Sessão da Tarde – Respostas

A lista de “30 Coisas Que Aprendi Assistindo Sessão da Tarde” causou uma repercussão interessante. Foi reproduzida em dezenas de blogs, fóruns e até programas de rádio (nesse, infelizmente, sem credito). Os leitores, por meio dos comentários, conseguiram desvendar os filmes referentes à curiosidade. E, convenhamos, alguns eram facílimos.

Outros nem tanto. Por isso, para saciar a dúvida de vocês – e principalmente para encerrar a aporrinhação – matei a charada com um breve explicativo de cada aprendizado por mim adquirido assistindo a película pós Vale a Pena Ver de Novo.

Pau na máquina.

1 . Treinar na Cobra Kai é para fracassados.
R: Cobra Kai era a acadêmica onde os “vilões” do filme Karate Kid treinavam. A produção retrata a Cobra Kai como uma escola que não preza pela ética e honra do esporte.

2. Manter uma relação estável com sua irmã. Ela pode ser útil no dia que você matar aula.
R: Curtindo a Vida Adoidado. A personagem de Jennifer Gray, irmã de Ferris, não acredita que o irmão está doente. No final do filme, faz de tudo para que ele seja desmascarado. Ou melhor, quase tudo.

3. Em ilhas desertas evite frutinhas vermelhas.
R: Quem não lembra das aparentemente deliciosas porém malignas frutinhas vermelhas de Lagoa Azul? Brooke Shields e Cris Atkins que o digam.

4. Jogar sangue de porco da garota mais assustadora da escola talvez não seja um bom negócio.
R: Foi o fato que fez com Carrie virasse o capeta para seus colegas.

5. As mãos são mais rápidas que os olhos. Mas tijolo não revida.
R: Meu preferido. Em O Grande Dragão Branco, após quebrar uma serie de tijolos para participar do Kumite, Van Damme ouve essa frase de Chong Li Treme Tetas.

6. Sair para dirigir sem carteira de motorista e com o carro escondido do pai não dá certo nem em filme.
R: Vítima de um instrutor filho da puta, Corey Haim perderia a chance de sua vida: sair com a gata mais garota da escola. Ele liga o foda-se e vai assim mesmo. Realmente se fode, mas no final dá tudo certo.

7. Ter muito cuidado ao fazer qualquer pedido para uma maquina dos desejos num parque de diversão.
R: Quero Ser Grande é o que diz Tom Hanks pede a máquina de Zoltar. E acontece.

8. Dor é temporária. Um soco inglês uma arma e tanto.
R: O jovem e simpático Jerry comete o maior erro da sua vida: tocar em Richard Tyson. A partir daí, sua manhã resume-se em fugir do colégio e evitar a briga marcada para as 15h no estacionamento. Contudo, ele encara a porrada. E, com um soco inglês, derruba o brutamontes.

9. Um mapa do tesouro pode salvar todas as casas da minha rua.
R: É graças a um mapa que a galera de Goonies acha um tesouro e salva as casas que seriam vendidas.

10. Não vale a pena trocar a grana de um telescópio por uma mulher.
R: Em Namorada de Aluguel, Ronald Miller, típico nerd estereotipado pelo cinema americano nos anos 80, decide, na boca do caixa, trocar a grana arrecadada para comprar um telescópio por um “aluguel de namorada”.

11. Tocar O Bife com os pés.
R: Mais uma vez, Quero Ser Grande. A antológica cena de Tom Hanks e Robert Loggia tocando no piano gigante.

12. As vezes a gente não gosta das pessoas. Mas aos poucos observamos como somos parecidos. E então, se eu mudei, se vocês mudaram, todo mundo pode mudar.
R: É o discurso de Rocky Balboa após nocautear Ivan Drago e ser aplaudido de pé pelos generais soviéticos.

13. Mantenha seu nariz feio. Uma plástica pode acabar com sua carreira.
R: Manja a Jennifer Gray em Dirty Dance? Depois desse filme ela inventou de fazer uma plástica no nariz. E sumiu.

14. A música é coisa do demônio.
R: Era o que o pastor de Footloose dizia.

15. Se eu tiver um colar da sorte, ele é da sorte. Dane-se o avião.
R: Não fosse o irmão mala destruir (?) aquele colar da sorte ainda teríamos Ritchie Valens. O filme em questão: La Bamba.

16. Virar o boné para trás funciona muitas vezes como um estimulante.
R: Quem não lembra de Falcão em Over The Top? Virar o boné para o campeão era tipo apertar o A em Top Gear.

17. O que faz uma viagem no tempo é o capacitor de fluxo.
R: Foi graças a um tombo que Doc Emmett Brown teve a visão do capacitor de fluxo. Um equipamento que só ele entende e é capaz de executar as viagens no tempo.

18. Passar uma tarde com quatro estereótipos diferentes pode ser inspirador. R: R: Principalmente com Simple Mind de trilha.
Havia de tudo no castigo de Clube dos Cinco. O filme, marcante, conseguiu mais destaque ainda com a excelente trilha sonora: Don’t You Forget.

19. Chocolate Sensual foi uma das grandes bandas dos anos 80.
R: O vocalista do Hot Chocolat é um dos vários personagens de Eddie Murphy em Um Príncipe em Nova York. E que banda, amigo.

20. Existem extraterrestres na Pedra da Gávea.
R: Isso segundo Renato Aragão, Angelica e grande elenco em Os Trapalhões na Terra dos Monstros.

21. Uma banana no escapamento faz com que o carro afogue.
R: Espionado pelos agentes locais, o detetive Axel Foley deixa-os no meio do caminho colocando uma banana no escapamento do carro. Ao dar a partida, o carro afoga. Sei lá se funciona.

22. Um homem é capaz de bater o escanteio e fazer o gol de cabeça. Apenas um homem.
R: Esse homem é o Rei Pelé em Os Trapalhões e o Rei do Futebol.

23. Se você quebrar o recorde de alguém no Kumite esse alguém vai tentar quebrar você.
R: Segundos antes da batalha final, e após quebrar o recorde de Chong Li, Frank Dux ouve: você quebrou meu recorde. Agora, eu vou quebrar você.

Não rolou.

24. Esqueça o trabalho no escritório se você pode ser um rei da praia.
R: Em Os Reis da Praia o personagem central, um estagiário num escritório de direito, larga o emprego para formar dupla com um ex-campeão de vôlei de praia.

25. Perto de Whoopi Goldberg Chico Xavier é, no máximo, um brincalhão de Jogo do Copo.
R: Precisa?

26. Se você é um asmático, fracassado, impopular e perdedor, não se desespere. Chuck Norris pode mudar a sua vida.
R: Sinceramente, eis filme maneiro. Em Sidekicks o personagem central é um sonhador adolescente. Ele treina kunf-fu para combater a asma e os problemas respiratórios. Quando vai participar de um campeonato e precisa de um parceiro surge Chuck Norris no papel de… Chuck Norris.

Metalinguagem na veia.

27. Um anão assassinou You’ve Lost That Lovin’ Feelin’.
R: E ele atende por Tom Cruise. Mais exatamente em Top Gun.

28. Nunca, NUNCA alimentar um Gremlin depois da meia-noite.
R: Nem de banho ou use o flash quando for tirar fotos. Eles se reproduzem e aí é uma merda.

29. O Morgan Freeman é um baita diretor de colégio.
R: Em Meu Mestre, Minha Vida Morgan Freeman volta para o colégio onde lecionou e vira diretor. Jogado às traças, a instituição – e seus alunos – transforma-se graças ao espírito revolucionário e corajoso daquele crazy old man.

30. Tocar Peter Gabriel num toca fitas velho na janela da sua namorada faz milagres.
R: É o que dizem. Em Say Anything – excelente filme – funcionou muito bem.

30 coisas que aprendi assistindo Sessão da Tarde

1 . Treinar na Cobra Kai é para fracassados.

2. Manter uma relação estável com sua irmã. Ela pode ser útil no dia que você matar aula.

3. Em ilhas desertas evite frutinhas vermelhas.

4. Jogar sangue de porco da garota mais assustadora da escola talvez não seja um bom negócio.

5. As mãos são mais rápidas que os olhos. Mas tijolo não revida.

6. Sair para dirigir sem carteira de motorista e com o carro escondido do pai não dá certo nem em filme.

7. Ter muito cuidado ao fazer qualquer pedido para uma maquina dos desejos num parque de diversão.

8. Dor é temporária. Um soco inglês uma arma e tanto.

9. Um mapa do tesouro pode salvar todas as casas da minha rua.

10. Não vale a pena trocar a grana de um telescópio por uma mulher.

11. Tocar O Bife com os pés.

12. As vezes a gente não gosta das pessoas. Mas aos poucos observamos como somos parecidos. E então, se eu mudei, se vocês mudaram, todo mundo pode mudar.

13. Mantenha seu nariz feio. Uma plástica pode acabar com sua carreira.

14. A música é coisa do demônio.

15. Se eu tiver um colar da sorte, ele é da sorte. Dane-se o avião.

16. Virar o boné para trás funciona muitas vezes como um estimulante.

17. O que faz uma viagem no tempo é o capacitor de fluxo.

18. Passar uma tarde com quatro estereótipos diferentes pode ser inspirador. Principalmente com Simple Mind de trilha.

19. Chocolate Sensual foi uma das grandes bandas dos anos 80.

20. Existem extraterrestres na Pedra da Gávea.

21. Uma banana no escapamento faz com que o carro afogue.

22. Um homem é capaz de bater o escanteio e fazer o gol de cabeça. Apenas um homem.

23. Se você quebrar o recorde de alguém no Kumite esse alguém vai tentar quebrar você.

24. Esqueça o trabalho no escritório se você pode ser um rei da praia.

25. Perto de Whoopi Goldberg Chico Xavier é, no máximo, um brincalhão de Jogo do Copo.

26. Se você é um asmático, fracassado, impopular e perdedor, não se desespere. Chuck Norris pode mudar a sua vida.

27. Um anão assassinou You’ve Lost That Lovin’ Feelin’.

28. Nunca, NUNCA alimentar um Gremlin depois da meia-noite.

29. O Morgan Freeman é um baita diretor de colégio.

30. Tocar Peter Gabriel num toca fitas velho na janela da sua namorada faz milagres.

Os três melhores de Patrick Swayze

Minutos depois das primeiras noticias da morte de Patrick Swayze centenas de comentários óbvios e piadas maçantes relacionando o fato com o filme Ghost (1990) vieram a tona. Alguns blogueiros, ditos gênios por alguns, acham de altíssimo nível criativo a lembrança que o falecido interpretou um fantasma no longa.

Um limpador de para brisa seria mais engraçado.

Credito a três filmes as boas lembranças que teremos de Swayze: um é Para Wong Foo, Obrigada Por Tudo (1995). Adaptação não confirmada de Priscila, A Rainha do Deserto (1994), essa produção trouxe o ator no papel de uma Drag Queen tímida que faz de tudo para manter-se o mais discreta possível. Boa atuação, apagando Wesley Snipes e John Leguizamo.

O segundo filme é Matador de Aluguel (1989). Um dos meus filmes ruins preferidos. Observe o enredo: Swayze é um professor de filosofia que larga a profissão para virar segurança de uma boate. Seu estilo é “bater mas não machucar”, deixando o oponente sempre no chão através de uma técnica defensiva. Isso, senhores, isso é genial.

O guitarrista cego e as cenas de porrada e ganham o filme. Aliás, cenas de briga em bar salvam qualquer filme.

O último é um antigo filme que já foi citado em quase todos os blogs que passei: Dirty Dancing (1987).

Eis um fenômeno. O filme é ruim. A historia é manjada. A produção de baixo orçamento. Então, afinal, porque gostamos tanto de Dirty Dancing? A explicação começa no nome: o certo é Ritmo Quente. Pois Ritmo Quente fez parte da Sessão da Tarde de muitos leitores desse blog. É, sem dúvida, um dos filmes que formaram nosso caráter.

A trilha sonora (The Time of My Life, do Bill Medley) é uma das coisas mais grudentas e modafocas dançantes que já passaram pelo cinema. É mais do que um clássico, é uma trilha que faz parte da nossa identidade cultural. Ou seja, uma música que quando tocada no casamento, na formatura ou na Renner, automaticamente é relacionada com o ator.

E isso é mérito de uma só pessoa. O próprio.

¹ Post: Panfletagem Não!

² Maradona: Chama o guri.

³ PdH: Curitiba – São Paulo – Curitiba, com R$1 no bolso

Aqueles filmes que formaram meu caráter

Há um bom tempo, inspirado no melhor blog do mundo, criei um post chamado “filmes que formaram meu caráter”. Inesperadamente, esse assunto gerou uma enorme repercussão, me obrigando a transformá-lo em série fixa e até parte do antigo layout.

O melhor do “filmes que formaram meu caráter” é que os filmes, na sua grande maioria, são clássicos da Sessão da Tarde. Filmes que invariavelmente nos obrigavam a matar uma tarde de escola. Não são vencedores de prêmio ou cultuados, são apenas filmes que marcaram a infância dos nascidos na metade da década de 80.

Como todo bom filme, há uma cena clássica (as vezes até mais de uma). E como todo bom ser humano (quem escreveu isso?), eu tenho uma preferida.

Anote aí: existem filmes que vale a pena você ter em casa. Poucos conseguem mesclar o charme de uma produção independente com o bom gosto necessário para inclusão de determinada trilha sonora. E Almost Famous (2000) alcança o nível máximo dessa combinação.

O filme, escrito por Cameron Crowe, foi elaborado usando memórias do próprio Crowe quando escrevia para a Rolling Stone, aos 15 anos de idade, e acompanhou parte da turnê da banda Led Zeppelin. Por isso a enorme identificação de quem já sonhou em pegar a estrada com os amigos ouvindo Rock and Roll e sem se preocupar com o destinho.

Almost Famous traz um retrato claro e íntimo das pessoas que fazem e admiram a música. Trata a relação ídolo x fãs com maturidade, discutindo a importância mútua dos dois lados no alcance do sucesso. A cena chave dessa trama é ao som de Tiny Dancer, umas das poucas do Elton John que consegue ser romântica sem causar náuseas.

O guitarrista Russel Hammon (interpretado por Billy Crudup – o Dr. Manhattan de Watchman depressão. Após não ir para o hotel após o show e ter curtido todas numa festa na casa de fãs, Hammon é encontrado pela banda. No ônibus carinhosamente chamado de “Dóris”, é clara a decepção de todos os membros da banda com o guitarrista.

É aí que, como num passe de mágica, uma das pérolas de Humberto Gessinger faz, enfim, algum significado.

“O Rock And Roll é como preservativo. Descartável, mas pode salvar sua vida”.

Philip Seymour Hoffman é uma excelente surpresa. Ele interpreta Lester Bangs, incorruptível crítico de rock da época. Ele e William Miller (o alterego de Cameron Crowe) fazem um dos mais brilhantes diálogos do longa.

Lester Bangs: Ei, eu te conheço. Você não tem estilo.
William Miller: Eu sei. Mesmo quando pensei que tivesse eu sabia que não tinha.
LB: Porque nós somos sem-estilo. Mulheres sempre serão um problema para caras como nós, mas grandes das obras de arte retratam esse problema. As pessoas bonitas não tem caráter. A arte delas não perdura. Eles conquistam garotas, mas nós somos mais espertos.
WM: É, já vi que sim…
LB: A arte retrata a culpa, o desejo e o amor disfarçado de sexo e o sexo disfarçado de amor.
(…)
LB: A única moeda nesse mundo falido é a que se partilha com outra pessoa, quando não se tem estilo. Se quer ser amigo deles, seja honesto e inclemente.

Honesto e impiedoso.

Dossiê Street of Fire

Em algum lugar do tempo – numa cidade que pode, inclusive, ser a nossa – a violência urbana chega a níveis insustentáveis. Cada vez mais gangues de rua se apoderam dos espaços públicos, fazendo de cada quarteirão seu verdadeiro domínio de batalha. Os representantes da lei já não controlam mais a situação.

É nessa situação caótica que uma cantora de rock é sequestrada por uma gangue de motoqueiros. Seu ex-namorado retorna à cidade e, ao saber que ela é mantida refém, parte para o resgate. Mas, para isso, ele deverá passar por um inferno de gangues rivais, verdadeiros selvagens que não medem esforços para proteger seus territórios.

Estamos falando, obviamente, de Street of Fire (1984), o grande filme da vida de muita gente nascida na década retrasada. Com um trilha de músicas marcantes e enredo bastante moderno para a época, Street of Fire é hoje considerado cult tamanho sua importância parao cinema.

Como citado na sinopse acima, o filme trata de um resgate e a historia pode até parecer batida, por ela realmente é. Mas, além da incrível fotografia, o filme sobrepõe qualquer clichê através do excelente elenco. Pois, além de contar Rick Moranis e Williem Dafoe, Street of Fire nos brindou com a estonteante Diane Lane no auge de sua forma física.

Já as músicas, bom, isso é um caso a parte. Cada canção parece que foi composta exatamente para momentos e situações exibidos no filme. Talvez por isso, o subtítulo de Street of Fire é justamente A Rock & Roll Fable (Uma Fábula de Rock and Roll).

Logo na primeira cena, quando Ellen é seqüestrada, observamos que trata-se de uma maneira nova de usar Rock And Roll no cinema comercial. A música que ela canta é Nowhere Fast, do grupo fictício Fire Inc.

Se você tem mais ou menos minha idade (17,18 22,23), provavelmente vai associar essa introdução com a abertura do extinto Programa Livre do SBT.

Tom Cody realmente decide resgatar Ellen quando, pouco antes de dormir, ele acha uma foto da cantora na carteira. Ao som de Never Be You, de Maria Mckee, ele tem flashbacks e sente que, ao voltar para sua cidade, tinha a obrigação de salvar Ellen. Óh!

A música é uma baladinha meia boca, tanto que toca menos de um minuto no filme.

Do The Blasters, One Bad Stud é um rock despretensioso que toca no bar de Raven Shaddock, o responsável pelo seqüestro de Ellen e chefe dos “Bombardeiros”. A música, além de animar a galera, é também a trilha utilizada por algumas garotas que dançam no balcão. E, assim como a música, animam geral.

Enquanto McCoy – nova amiga de Tom – ocupava um integrante da gangue de Raven e o nosso herói preparava-se para invadir o território inimigo, a música que toma conta do filme é Blue Shadow, mais uma vez do The Blasters.

A canção tem a mesma levada da anterior, mas é ligeiramente superior.

Após fazer o resgate de Ellen e sofrer ameaças de Raven, Tom e equipe atravessam uma avenida movimentada e são reconhecidos por uma fã cantora. Nessa cena, a música que toca ao fundo é mais uma balada: Sorcerer, de Marilyn Martin.

Com certeza o grupo mais carismatico do filme, The Fixx surge para dar uma carona aos fugitivos. No carro, enquanto McCoy dirige, os rapazes alegram o tenso clima com uma versão capela de Countdown to Love.

Depois de brigar com Raven e admitir perder Ellen, Tom vai até o palco – onde o The Fixx faz um show – para se despedir de Billy Fish e avisar que vai embora da cidade. O grupo toca uma das músicas de maior sucesso da década de 80: I Can Dream About You, de Dan Hatman.

Já depois do indispensável beijo de despedia, acontece o auge de Street of Fire. Ellen canta Tonight Is Waht It Means to Be Young, a música mais marcante do filme. Arquivo indispensável para qualquer fã das canções daquela década.

Acredite, é sempre bom ter filmes como Street of Fire próximo da TV. Nesse carnaval aqui em casa, por exemplo, ele foi bastante útil.

¹ Download: Achou que ia ficar só na vontade, né não? Calma, a trilha sonora de Street of Fire está disponível para download neste link.

² Dossiês: Tommy, De Volta Para o Futuro, Forrest Gump e Rocky Balboa.

³ Enquete: Qual o melhor espetinho de Cuiabá?

Os 7 melhores filmes dos Trapalhões

Tudo começou em 1965 com o “Na Onda do Iê-Iê-Iê”, apenas com a dupla Didi e Dedé. Mal sabiam eles que, 26 anos depois, Os Trapalhões, já com o significativo acréscimo de Mussum e Zacarias, chegaria à extraordinária marca de 23 filmes e mais de 120 milhões de espectadores. Alguns bons, outros, errr, razoáveis.

A filmografia de Os Trapalhões marcou mais de uma geração. Vinte ou trinta e poucos anos, não importa. Você certamente perdeu uma tarde assistindo um longa do quarteto numa Sessão da Tarde perdida. Ou, quem sabe, foi ao cinema. Afinal, dos 10 filmes mais vistos do cinema brasileiro, sete são do Os Trapalhões.

Não por acaso, o primeiro filme que assisti no cinema foi justamente do quarteto. Em 1990, no extinto Cine Cacique em Porto Alegre (RS): A Princesa Xuxa e os Trapalhões, de José Alvarenga Jr.

A história se passa no planeta Antar, onde o vilão Ratam (Paulo Reis) pretende tomar o poder após a morte do imperador. Mantida dentro do palácio, a Princesa Xeron pensa que todos são felizes. Mas não. As crianças são mantidas como escravas.

Para abrir os olhos da futura rainha dos baixinhos, os príncipes Mussaim, Zacaling e Dedeon se unem ao Cavaleiro Sem Nome (Didi) e decidem combater Ratam. Um filme recheado de referências de super produções como Indiana Jones e Star Wars. E, inclusive, divertido.

Destaque para duas cenas: a festa à fantasia, quando Mussum vai vestido de frango e a entrada no palácio, quando a senha é “dá uma porrada na cara dele”.

Os Trapalhões na Terra dos Monstros (1989) tem um dos roteiros mais bizarros da história do cinema nacional. Quem um dia foi imaginar que o interior da Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro (RJ), seria habitada por monstros? Para Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, era uma boa idéia. E até que foi.

Sai Xuxa e surge Angélica no papel de mocinha. Filha de um rico empresário, ela se perde dentro da Pedra da Gávea. O resgate é feito não só pelos trapalhões, mas pelo grupo Dominó que, sabe-se lá porque, estava ensaiando por ali.

Participação especial de Gugu Liberato e seu Sabadão Sertanejo.

Destaque: há um monstro que lembra – muito – o Jaba The Hut do Star Wars.

Em O Casamento dos Trapalhões (1988), Didi, Dedé, Mussum e Zacarias são irmãos (?). Didi, sempre galã, conhece e conquista Joana (Nádia Lippi). Ela vai morar com o caipira, mas sofre diariamente com a falta de educação dos cunhados.

Então, eles decidem ir até a cidade, onde ocorre uma grande festa. O show fica por conta do Dominó. Ah, antes que eu esqueça: os integrantes do Dominó – Marcelo, Afonso Nigro, Marcos e Nill – são sobrinhos dos personagens dos trapalhões.

Pois bem, após música, briga e muita confusão que essa turminha do barulho vai aprontar, os casamentos são marcados e todos voltam para o sítio. Mas, claro, havia uma pedra no caminho. Pedra essa interpretada por um malvado José de Abreu.

Participação especial de quem? De quem? Gugu Liberato, a dama da TV brasileira.

Destaque: a porrada comendo solta no Bob’s. Ah, e a cena que Dedé e Zacarias tentam espiar Didi e Joana. Antológica.

Último filme do excelente Carlos Manga, Os Trapalhões e o Rei do Futebol (1986) é uma das poucas produções em que o convidado tem mais destaque que o quarteto. Pudera, estamos falando do Rei Pelé.

Cardeal (Renato Aragão), então roupeiro do Independência Futebol Clube, ganha o cargo de treinador da equipe devido uma disputa de poderes na diretoria. Com seus métodos revolucionários de treinamento, o time encontra o caminho das vitórias. Mas os bons resultados acabam atrapalhando os planos dos dirigentes que buscavam o fracasso.

Pelé, no papel de um repórter chamado Nascimento, ajuda os trapalhões Cardeal, Elvis, Fumê e Tremoço a vencer a desonestidade dos cartolas. Com a experiência de já ter contracenado com Stallone e Michael Caine, o Rei até que não faz feio. Curioso é que Pelé, quatro anos antes, havia convidado Roberto Gómez Bolaños para gravar um filme. Mas o autor de Chaves, mesmo sendo grande fã de futebol, não aceitou.

Destaque: Didi cobra o escanteio e faz o gol de cabeça.

Talvez o mais repetido na Sessão da Tarde, O Mistério de Robin Hood (1990) foi o primeiro filme após a morte do Zacarias. O enredo gira em torno de Rosa (Duda Little), uma menina desmemoriada e órfã cuja existência ameaça os planos do bandido Gavião (Carlos Eduardo Dolabella).

Didi faz o papel do Robin Hood moderno. Ele rouba dos agiotas e contrabandistas e dá dinheiro e comida aos amigos necessitados. O vagabundo é apaixonado pela filha do dono do circo: (adivinhe) Xuxa.

Aliás, Xuxa interpreta surpreendentemente bem nesse filme. Ela se desfaça de homem e engana fácil os desavisados. Convivência com a Marlene Mattos, creio eu.

Destaque: O Mussum é cortado no meio. Na “colagem”, ele é invertido.

De 1989, Os Trapalhões e a Árvore da Juventude merece um destaque especial devido certa participação: Glenda Kozlowski. A apresentadora do Globo Esporte aparece no filme como uma das protetoras da natureza. Porém, o título de musa do filme fica injustamente para Cristiana Oliveira.

Didi, Dedé, Mussum e Zacarias são guardas-florestais que trabalham em plena Amazônia, onde combatem a ação de contrabandistas. Durante uma fuga, eles acabam encontrando a fonte da juventude, motivo o qual leva os trapalhões rejuvenescerem.

Esse filme é comemorativo aos 25 anos do grupo.

Destaque: o ator que faz o Didi jovem. A semelhança é impressionante.

O meu preferido. Uma Escola Atrapalhada (1990) foi o golaço do Os Trapalhões. Uma produção em que o foco não está no grupo, mas sim na história. Tanto que Mussum, Dedé e Zacarias aparecem apenas uma vez. Já Didi, como não podia ser diferente, é o único que tem um personagem mais destacado.

O roteiro se passa no tradicional colégio Matheus Rose, onde os alunos são pegos de surpresa com a notícia de que o prédio será demolido para a construção de um supermercado. Eles decidem agir e, por conta própria, investigam o passado da imobiliária que detém o projeto.

Além de ser repleto de curiosidades, – como Gugu Liberato fazer o papel de professor, Supla interpretar o par romântico da Angélica e ser o primeiro trabalho do Selton Mello no cinema – o filme é uma leve crítica ao sistema educacional antiquado e conservador de algumas instituições. Uma reflexão de que, independente de área ou sistema, é necessário adequação à nova realidade.

Destaque: a cena final, onde a namorada do Didi o confunde com um mendigo. É uma das coisas mais tristes que já vi no cinema.

Infelizmente esses filmes não fazem mais parte da nossa realidade. Devido uma série de fatores como perdas e, principalmente, egos inflados, Os Trapalhões se separaram. Vão-se os risos, ficam as lembranças.

Eternamente, boas lembranças.

¹ Atualize seu feed. Valeu, Jordan.

² Hoje é dia de B.o.D.

³ Fotografe! :)