O pífio futebol cuiabano

O futebol, depois do samba, é a maior manifestação cultural brasileira do século XX. E nesse país de proporções continentais, é possível perceber como a postura das torcidas difere-se por região. A torcida é o maior patrimônio de um time de futebol. Passam presidentes, passam jogadores, mas a torcida – e o modo de torcer – é o mesmo durante séculos. O futebol apresentado em campo, observem, é o reflexo da postura, educação e caráter do seu povo.

No último final de semana fui ao estádio assistir Mixto x Operário, encontro dos dois mais tradicionais clubes de Mato Grosso. Mesmo localizado num estádio que já recebeu Pelé nos anos 60, o jogo tinha ares de amadorismo pior que o varzeano. E o mais triste não estava nas caneladas ou falta de preparo físico dos atletas. O mais triste estava justamente na arquibancada.

O cuiabano é um povo parado no tempo para o futebol. Foi deprimente ver duas torcidas organizadas do mesmo time se provocando. Um detalhe: cada “torcida organizada” tinha algo em torno de 15 membros. Era algo semelhante a uma briga de colégio – e olha que nem vou fazer a típica comparação dos gritos de guerra da torcida com aqueles de gincana. Sabe aquela graça que você ve só em situações rículas? Então. Eram as torcidas do Mixto.

Falando em torcida, aqui a arquibancada é dividida em três grupos: os veteranos – aposentado de radinho de pilha que frequentam o estádio há anos e estão lá para ver o jogo; torcida organizada – os marginais citados acima; e os desocupado – pessoas que vão ao estádio porque não tem o que fazer, não sabem a escalação dos times e só vão pra tirar uma onda mesmo.

Não há futebol que resista. Especialmente pelo desleixo dos que estão no grupo dos desavisados. Esse grupo, também, tem como característica reclamar da falta de qualidade dos times. Corneteiros de cartetinha. Porém, são os mesmos que burlam a lei comprando bebida alcoólica de um qualquer pendurado no muro do estádio. Latinhas de cerveja que viram armas durante um momento do jogo – inclusive, sendo arremessadas para o centro do campo.

Clique aqui para ver o vídeo

É fácil reclamar. É fácil falar mal dos times. É fácil falar mal da transmissão da TV e da falta de apoio da iniciativa privada aos times. É fácil criticas a federação local. É fácil meter o pau nas categorias de base dos clubes da capital.

Mas…

Qual é a moral de um torcedor que tem a atitude registrada no vídeo acima de esbravejar contra a péssima gestão de Carlos Orione, presidente da Federação Matogrossense de Futebol há 40 anos? Nenhuma. Voltamos ao parágrafo inicial: o futebol é reflexo do seu povo. O que acontece em campo, de bom ou de ruim, é nada mais que uma extensão da personalidade de sua torcida.

Para que se tenha um futebol digno sem contar apenas com a sorte, é preciso torcida. E é preciso saber torcer. O cuiabano não está preparado para o futebol.

Ou melhor: está preparado, sim.

E merece o que tem.

O dia que o Mixto achou que havia contratado Vilson Taddei

Existem casos que parecem acontecer apenas no futebol mato-grossense. Se você se surpreendeu com a lavadeira de Rondonópolis (MT), prepara-se para ler o maior trote futebolístico dos últimos anos. O dia em que um cara se fez de salame para enganar trouxas que se diziam dirigentes de futebol. Foi aqui, a três quadras de onde escrevo esse post, no estádio Verdão, em Cuiabá.

O fato passou pelo ano de 2003, 2004, por aí. A direção do Mixto Esporte Clube procurava um técnico para comandar o time no Estadual e série C do Campeonato Brasileiro. Tal como um milagre divino, surgiu em terras pantaneiras o ex-jogador do São Paulo, Grêmio, Internacional e Vasco Vilson Taddei. O jovem treinador apresentou seu louvável histórico de jogador e ofereceu trabalho. Taddei, lembre-se, foi apontado por Tele Santana como “o melhor jogador com que já trabalhou”.

Pois bem. O contrato foi fechado e Taddei apresentado à torcida. Ganhou status de estrela. A imprensa fechou o cerco e fez uma série de entrevista – a maioria cara a cara, só pra constar. Taddei parecia a escolha certa. Homem de voz baixa, sereno, atendia telefonemas de jornalistas e não fazia muito alarde.

O primeiro treino foi marcante. O ex-jogador reuniu o elenco no centro de campo e ficou cerca de 15 minutos conversando. Fez treino físico e depois um coletivo. Nada surpreendente, não fosse a estranha prática de somente observar os treinos, sem interromper ou fazer instruções aos jogadores.

No dia seguinte Taddei surgiu com um chamativo chapéu. Não era um boné como do Muricy ou do Felipão, era um chapéu sombrero style mesmo. Mas tudo bem. Mais uma vez só observou o coletivo. Nem mesmo anotou qualquer coisa ou fez questão de organizar o time em campo. “Estilo europeu, moderno”, comentou um repórter da época.

A estréia no campeonato foi desastrosa. O time jogou mal, desentrosado e de modo amador. Era como se aquele grupo de jogadores fosse arranjado momentos antes da partida. Sem estrutura tática ou qualquer organização, o Mixto foi massacrado. E o trabalho de Taddei, excêntrico e europeu, começou a ser contestado. Principalmente depois da terceira derrota consecutiva e os treinos confusos.

Durante um treino, prestes a completar um mês no comando, o treinador teve a visita de toda a cúpula da direção Mixtense. Os dirigentes fizeram uma roda enquanto Taddei, de longe, apenas analisava um trabalho de conclusão a gol dos atletas. Quando os jogadores finalizaram e foram para os últimos exercícios físicos, Taddei foi cercado pelos cartolas. E recebeu um desafio: bater um pênalti.

- “Ensina para esses meninos como se bate um pênalti, Taddei”, sugeriu o então diretor de futebol do Mixto.

- “Hum. Tá legal”, concordou o treinador campeão brasileiro de 1981 pelo Grêmio. Sereno, como sempre.

Taddei tomou distancia. Observou a bola na marca do cal, colocou as mãos nas cinturas e arranjou tempo para colocar a camiseta dentro do short. O gol sem goleiro. Os jogadores, a imprensa e os ambulantes pararam afim de observar o modelo de profissional segundo Tele Santana. Cinco passos da marca. Partida, pé esquerdo atrás da bola para o chute e equilíbrio perfeito. Nem tanto.

Taddei caiu como um pêssego maduro. Ridículo. Olhando para o céu, observou o forte sol de uma tarde cuiabana tapado pela silhueta de cinco irritados dirigentes. Eles, por meio de um torcedor do Grêmio que visitava Cuiabá, haviam descoberto a farsa. Vilson Taddei não era, na verdade, Vilson Taddei. Era um Zé ninguém.

Esse senhor já havia treinado times do interior do Paraná e Mato Grosso do Sul, sempre aproveitando a leve semelhança com Vilson Taddei para se passar pelo ex-jogador. Assim como em Cuiabá, sempre foi desmascarado. Mas aqui ele atingiu um recorde: um mês de falso Vilson Taddei. Enganou um bando de amadores, tanto dirigentes quanto jornalistas.

Foi traído pelo pênalti. Saiu quase excomungado de Cuiabá. Sem dinheiro e sem vitorias. Mas com uma puta historia e, de quebra, rindo de um bando de amadores.

Em pleno 2003. Ou 2004, por aí.

¹ Acharam: o verdadeiro Vilson Taddei.

² E o malandrão? Nunca mais tive notícias. Cuidado. Ele pode estar no seu time.

50 coisas que te fazem um fucking Nerd

Há alguns meses li um artigo – brilhante – da Marina Santa Helena na revista Pix que tratava da mudança de conotação do rótulo Nerd. Segundo ela, e corretamente, os outsiders agora são os outros. Para a nossa geração Sessão da Tarde isso faz muito sentido. Crescemos acompanhando filmes onde o gatão popular da escola era invariavelmente o capitão do time de futebol. Já o papel de boboca deslocado tinha sempre o mesmo destino: o Nerd.

Enquanto aquele rapazote de jaqueta sacaneava todas e curtia sua fase de colegial sem qualquer tipo de limitação, os Nerds pareciam, em meio a todo sofrimento, se preparar para uma era centrada em tecnologia. E o mundo, acredite ou não, cresceu. Mais do que isso, o mundo cansou de certo padrões de popularidade. Abriu-se uma chance para os Nerd. Aqueles considerados losers viraram, de repente, cool.

A pergunta que fica, principalmente pelos tolos acéfalos que vivem de se adaptar em busca de um lugar ao sol, é singela: como se faz um Nerd? Eu redireciono a pergunta levemente reformulada ao leitor. Você se considera um Nerd?

Não existe nenhum teste científico de probabilidade de nerdice do individuo. Contudo, podemos, a partir da experiência própria, tirar algumas conclusões através de questões simples. A lista abaixo é um exemplo. São 50 coisas que te fazem um fucking Nerd. Também não há nenhuma tabela de níveis.

Afinal, depois de uma lista desse tamanho fazer uma tabela de níveis seria muito Nerd de minha parte.

1. Você aprendeu a dar nó em gravata graças a um vídeo no Youtube.

2. ret @rosana: Quando o Faustão fala “tanto no profissional quanto no pessoal” você entende “tanto no on-line quanto no off-line”.

3. Seu cartão de visitas é uma mensagem multimídia enviada via Bluetooth.

4. Quando a último garota bêbada disse que desejava te pokear você se imaginou dançando feito zumbis ou jogando futebol freestyle.

5. Seu toque de celular é som do modem telefônico conectando com o servidor.

6. A bateria do seu smartphone não dura mais que um dia.

7. Sua primeira vez foi no Pombaloca.

8. Seu computador vale mais que sua casa.

9. Você reclama do seu namoro dizendo que está cheio de bad blocks.

10. Meia noite te faz lembrar conexão discada.

11. Você não agüenta esperar uma série passar na TV a Cabo e faz questão de puxá-la – se possível – simultaneamente com sua exibição nos EUA.

12. Você abre o guarda roupas e só vê camisetas do Camiseteria, Sambaclub e Chico Rei.

13. Você sabe a configuração completa do seu computador. Até o nome dos drives.

14. Você entende todas as piadas de The Big Bang Theory.

15. Você leva seu TV-B-GONE para os bares que frequenta.

16. Os vendedores de lojas de informática não sabem responder suas perguntas.

17. Você consegue se comunicar em frases de no máximo 140 caracteres.

18. Você não brincava de estátua. Brincava de flashmob.

19. A última caneta BIC que você teve contato foi na sétima série.

20. Para tudo você responde irritantemente “Procura no Google”.

21. Você é virgem.

22. Sua assinatura começa com @.

23. Você teve uma leve ereção assistindo “Os Piratas do Vale do Silício”.

24. Você acessava a Internet no Pense Bem.

25. Você já usou o AutoCAD para projetar um avião de papel.

26. Você ri de quem não consegue programar as horas num vídeo-cassete.

27. Você ri de quem ainda usa vídeo-cassete.

28. Você já colocou um notebook na frente da esteira.

29. Seu sonho é instalar um vídeo-game no banheiro.

30. Meia lua + soco forte significa muito pra você.

31. É emocionante relembrar a primeira vez que você salvou a Princesa Toadstool. Aquela vadia.

32. Você sabe de cabeça a senha do MSN, Twitter, Orkut, Facebook e outros 17 sites cadastrados mas não lembra a data de aniversário do seu pai.

33. Você passa pelo menos duas horas por dia pensando numa idéia que será vendida ao Google e vai te deixar rico.

34. Você apagou a função “discar” para instalar mais aplicativos no iPhone.

35. Você tem pelo menos um toy de Star Wars, Family Guy ou The Simpsons no quarto.

36. Sua única medalha foi conquistada num campeonato de Guitar Hero.

37. Você já tentou quebrar senhas de redes wi-fi em restaurantes.

38. Você já pensou em dar ctrl+z depois de errar num formulário de papel.

39. Exercício para você significa tirar a Power Ball da gaveta

40. Você já teve um cachorro chamado Bandit, Ideiafix ou Yoda.

41. Seus amigos só te procuram quando o computador deles tem alguma falha.

42. Quando conhece uma pessoa você pergunta que level ela é.

43. Você dá hadouken’s na copeira da firma.

44. Você já se fantasiou de personagem de vídeo-game.

45. Educação física nunca foi sua matéria preferida.

46. Quando os amigos comentam as baladas da época de solteiro você suspira “Ah, bons tempos de chat do Terra…”

47. Você tem uma explicação coesa para a função do Twitter.

48. Você sabe o atalho para todos os emoticon do MSN. Inclusive aquele do bode que ninguém usa.

49. Você aguarda ansiosamente 2015 para o lançamento do Air McFlys.

E finalmente…

50. Você sente saudades do MS-DOS.

Se você não se identificou com a lista, não se preocupe. Uma das piores invenções do ser humano chama-se culto ao estereótipo. E não é porque ser Nerd é pop que você deve aprender o significado das tags ou conhecer os personagens de Jornada Nas Estrelas. Quanto menos parecido você for com todos os outros, melhor. Jamais seja previsível e respeite sua personalidade.

Caso você tenha se identificado com a lista, relaxe. Esse é o momento. Afinal, pra que ser o fortão da escola se você pode ser o Steve Jobs?

Aos Nerds, vida longa e prosperidade.

¹ Vídeo: A Filha do Seu Faceta.

² Dica: Manicômio S.A.

³ Caxias: É um Boca sem grife.

As referências de Monstros vs. Alienígenas

Logo nas primeiras cenas Monstros vs. Alienígenasem claro: as próximas duas horas serão inesquecíveis. A tecnologia 3D espanta até os mais preparados. Os momentos de surpresa e admiração, seja pela galáxia soltando aos olhos ou a bolinha de pingue-pongue que ameaça bater seu nariz, cativam os espectadores e deixam em segundo plano os pecados cometidos pelo previsível roteiro do longa.

Porém, precisamos elogiar com veemência uma técnica usada pelos produtores herdada do precursor Toy Story (1995): o uso de referências clássicas. Pois, enquanto o 3D impecável e monstros engraçadinhos deixam as crianças felizes da vida, algumas piadas e personagens são compreendidos somente pelos pais, o que motiva a satisfação de quem pagou pelo ingresso.

Em Monstros vs. Alienígenas algumas homenagens são feitas de forma louvável. Principalmente filmes de ficção cientifica. Durante a animação, as trilhas de E.T (1982) e Contatos Imediatos de Terceiro Grau (1977) podem ser ouvidas. Já o escudo antimíssil da nave do terrível Gallaxhar lembra – e muito – o dos invasores de Independence Day (1996).

A característica dos protagonistas do filme é outra grande sacada da DreamWorks. Todos lembram um filme B da década de 50. Por exemplo: Suzan Murphy, o centro da historia, é atingida por um meteoro com Quantonium e fica gigante.

Quem tem insônia deve lembrar-se de A Mulher Gigante (Attack of the 50 Ft. Woman – 1958) nas madrugadas da TV Globo. Nesse filme, Allison Hayes é raptada por um UFO e aumenta 10 vezes o seu tamanho normal. Assim como na animação, a personagem é humilhada pelo seu marido.

B.O.B significa Bicarbonate Ostylezene Benzoate – Bicarbonato de Ostilizeno e Benzoato – ele não tem cérebro e é fruto da experiência de um molho de saladas quimicamente modificado com um tomate geneticamente modificado.

B.O.B é um dos meus personagens preferidos. O seu estilo perdido, desengonçado e principalmente burro é extremamente carismático. Muito diferente do clássico personagem que inspirou sua criação: The Blob (1958).

A Bolha é um dos grandes clássicos cults de todos os tempos, que influenciou o gênero até nas produções atuais. Uma mistura de sci-fi com delinqüência juvenil. Foi um filme muito importante na carreira do jovem ator Steve MacQueen e do compositor Burt Bacharach, autor do tema de abertura.

Elo Perdido é um peixe-macaco híbrido. Ele foi descongelado por cientistas 20 mil anos depois da Era Glacial. Ao ser descongelado, fugiu e aterrorizou turistas e mulheres em uma praia de Miami, sendo preciso a Marinha, Exército e a Guarda Nacional para capturá-lo.

Não é preciso muita comparação para perceber o quanto ele se parece com O Monstro do Pântano, personagem da DC Comics criado por Len Wein e por Berni Wrightson nos anos 70. Demorou onze anos para que Wes Craven leva-se a historia para o cinema, com Louis Jourdan no papel principal.

Dr. Barata, PH.D. é o ser mais inteligente do mundo, sendo indestrutível por possuir, assim como as baratas, um esqueleto externo resistente. Ele pode inventar qualquer coisa a partir do lixo, desde que não coma nada. O doutor adquiriu essa aparência após um acidente com uma máquina de teletransporte.

A parte do “teletransporte” mata a charada. Foi dessa mesma maneira que o dr. Andre Delambre se transformou numa mosca gigante em The Fly (A Mosca – 1958). David Cronenberg dirigiu o remake de 1986 com Jeff Goldblum no papel principal.

Insectossauro era uma larva de 3 cm quando foi atingido pela radiação nuclear de testes da bomba atômica, transformando-se em um monstro de 106 metros de altura e habilidade de atirar seda pelo seu nariz. Ele não fala e, aparentemente, só Elo o entende. Possui um gosto por cidades japonesas.

Qualquer semelhança com Godzila ou um monstro gigante que destrói Tóquio não deve ser mera coincidência.

Se você for ao cinema – e vá – não espere um filme de propósito ambiental e humanitário que fará você refletir sobre a geopolítica e o aquecimento global. Monstros vs. Alienígenas tem apenas um objetivo: divertir.

E o faz.

¹ Definição dos monstros: Pipoqueiros.

² Plantão Médico: Caixa Pretta.

³ Impressionist: Rob Magnotti.

Master League no Winning Eleven

Antes de qualquer explanação sobre games de futebol, sejamos justos: tudo começou com International Super Star Soccer. É, sem contestação, o jogo de futebol mais popular do Super Nintendo. Ele possui elementos que nenhum outro jogo havia disponibilizado até então, como dribles e transformar o juiz num cachorro.

A jogabilidade é bastante simples, mas fiel ao movimento dos jogadores. O cansaço dos jogadores representados pela cor da bolinha também era um show a parte. Se o desgaste era muito grande, o atleta ficava com as mãos no joelho e mal conseguia se mover em campo.

Chutar a bola no fotógrafo, a narração em espanhol (?), os jogos na chuva e na neve, o Allejo, esses pequenos mas significativos detalhes fizeram – e fazem – o International Superstar Soccer um dos melhores jogos de futebol para vídeo-game.

Hoje, 15 anos depois, podemos dizer que o real sucessor de ISSS é o Winning Eleven. Não apenas por ser tratar de um game de console, mas também pelo seu potencial revolucionário no final dos anos 90. Afinal, ficamos um bom tempo sem um soccer game de qualidade – nunca gostei de FIFA e jamais vou adquirir coordenação para jogar futebol num teclado de computador.

Uma das coisas que mais gosto do Winning Eleven é a opção Master League. Nesse formato você participa de jogos no estilo “campanha”. Sua única opção diferenciada é a possibilidade de escolher o uniforme do seu time – no caso, são sugeridos alguns dos clubes mais populares do mundo. O grupo de jogadores que você inicia o Master League é sempre o mesmo.

Ah, esse grupo.

Agravando a dificuldade, o game fornece os piores jogadores que você pode imaginar. Lentos, desengonçados, fracos e raramente precisos, os jogadores te irritam de forma absurda nos primeiros jogos. Com o passar do tempo eles vão evoluindo e até ganham sua simpatia. O problema é que até eles ficarem razoáveis há muito chão. E, pra chegar lá, existem algumas dicas.

A escalação automática inicial que o Master League propõe é a seguinte:

Você pode melhorar. Começando pela formação. A velha máxima do futebol “a melhor defesa é o ataque” tem vez no Winning Eleven. Trate de ousar e programe o esquema 3-4-3 A2, com um centro-avante enfiado quase na pequena área do adversário.

Ah, antes que eu esqueça. Isso é formação para jogar no nível 5. Níveis mais baixos só prejudicam seu jogo para quando você enfrentar uma pessoa de verdade.

Continuando: para fazer o esquema 3-4-3 A2 funcionar você precisa substituir jogadores e alterar posições. Dodô, que começa na esquerda, vai para o meio. Ele é muito bom nas roubadas de bola e tem precisão no passe. Ruskin, canhoto menos lento que os outros, entra no lugar do Stremer na esquerda.

Na direta, Macco – um Ruskin destro – ganha a vaga no lugar do Iouga. O ataque deve ser formado com Huylens, Castolo (no lugar do Espimas) e Ordaz. Ximelez – canhoto que chuta bem de fora da área – vem pela meia esquerda. Já Minanda, o melhor jogador do time, ataca pela meia direita e bate todas as faltas.

Como qualquer jogo de futebol, existem vários gols de mãnha. Um é o escanteio com o pé trocado. Se o corner é do lado direito, convoque o Ruskin. Caso seja do lado esquerdo, é a vez do Miranda. Cobre com meia força e mire a marca do pênalti. Coloque efeito em direção ao gol. São grandes as chances do Ordaz aparecer sozinho no meio da área.

Mas, ao contrario da maioria, no Winning Eleven esses gols manjados não são 100% garantidos. E é justamente isso que deixa o jogo tão interessante: a competitividade e o fator imprevisível. O goleiro pode fazer uma defesa absurda e no mesmo jogo tomar um frango histórico. Sendo assim, – tá certo que ajuda -, não depende só dos jogadores ou do técnico.

Futebol é momento. Até no video-game.

¹ Dica: Campeonato Bloguistico de Winning Eleven. Me chamem!

² Site: Novidades da indústria de games é na e-Zone.

³ Site 32bits: E tudo sobre Snes é no Snes-Classics.

Vitrine Ao Vivo

Após dezenas de reuniões, centenas de telefonema e milhares de litros de guaraná ralado, foi realizada neste final de semana a Vitrine Ao Vivo Pantanal Shopping. Evento esse que já está sendo considerada por muitos profissionais da comunicação a primeira ação de guerrilha – de fato – da publicidade mato-grossense.

E não foi fácil.

Nossa missão era divulgar a campanha Outono/Inverno 2009 e as mais de 50 marcas exclusivas do Pantanal Shopping. A idéia de colocar uma vitrine de 3×2 metros nos pontos mais movimentados da noite de Cuiabá (MT) surgiu durante um brainstorm com Renata Mendes, Rafael de Carvalho e Guilherme Piraja. Após várias alterações, re-orçamentos, discussões e ameaças suicídio, chegamos ao consenso e a ação, enfim, parecia que finalmente sairia do papel.

Chegava a hora da execução. A primeira noite seria na Praça Popular, um local da moda rodeado com os bares mais populares da atual noite cuiabana. Lá pelas 17h deixamos cones e negociamos com guardador de carro uma vaga bastante visível para a maioria dos bares e para quem desse a volta na praça.

Às 21h o pessoal da gráfica começou a montagem da vitrine. Bom, vitrine é apelido, aquilo era um baita aquário de acrílico! Logo depois veio a galera da iluminação, dois malucos que puxavam luz até de árvore. Enquanto isso os modelos já se maquiavam e recebiam instruções para o que vinha logo depois.

A ação teve seu início às 23h, quando o DJ pipocou o som e as luzes da vitrine finalmente foram acesas. Nesse momento, o casal de modelos já estava estático na vitrine, mexendo-se somente quando eram orientado pelo estilista Edson Guilherme.

O casal usou roupas de lojas exclusivas do Pantanal Shopping. Essa mistura de moda, estilo, música e uma baita parnafenália chamava invariavelmente a atenção de todos que passavam. Principalmente no momento mais esperado da noite: a troca de roupas.

Os modelos fizeram as trocas dentro da própria vitrine. O momento ficou eternizado na mente de muitas pessoas que testemunharam a ação. A movimentação nos bares foi incrível, muitos procuravam o melhor lugar para assistir as trocas. Digo, as roupas.

Na noite seguinte a ação foi realizada na Praça Santos Dumont, onde chamávamos a atenção de quem atravessava a avenida Getúlio Vargas vindo do Café Cancun pela avenida São Sebastião e quem jantava no Getúlio Loft. Melhor preparados e bem mais calmos, fizemos com que a ação fosse um sucesso ainda maior. No domingo, fechamos a semana com a Vitrine Ao Vivo dentro do Pantanal Shopping, ocasionando num aglomerado enorme de curiosos.

Apesar da nossa pouca experiência em execução de eventos e intervenções publicitárias desse estilo, a Vitrine Ao Vivo beirou a perfeição. E isso se deve a incansável equipe da FCS que não mediu esforços nesse inédito job. Da diretoria até o nosso glorioso Checking, – que, aliás, mandou muito bem. Foi de catador de folhas secas à cinegrafista -, estão todos merecidamente de parabéns.

Por algum motivo vejo que fizemos historia nesse final de semana em MT. E que seja apenas o começo.

¹ Dica: Conheça o hotsite Vitrine Ao Vivo.

² Outras: Mais fotos no Flickr.

³ Extra-blog: Adeus, Juarez.