Uma questão de fidelidade

Não é uma questão de cor.

Não é uma questão de time.

Não é uma questão de torcer.

Mas é uma questão de último desejo.

Sem movimentos, perspectivas de vida e esperança de futuro. Sem prazeres, planos futuros e metas. Sem reações, pressa pelo amanhã e qualquer tipo de ânsia por conquistas. Apenas querendo sobreviver. Mantendo-se aos olhares tristes e melancólicos da família.

Qual seria seu primeiro último desejo?

Ir ao estádio de futebol.

Namoradas e amigas vão. O futebol, não. Ele sempre está lá. Seu time, mesmo quando não respeita seu conceito, está todos os anos em campo. Para você e os outros milhares se emocionarem.

Isso é fidelidade.

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Não tente entender. Pois eu não vou tentar explicar.

A doce imperfeição feminina

Todo adolescente sofreu com as péssimas escolhas das mulheres. Afinal, você sempre foi o melhor de todas as opções. Mas, por um motivo que vai contra tudo o que ela já disse, aquela admiração, simpatia e compreensão tornavam-se gancho para uma dolorosa amizade que em nenhum momento abria esperanças para uma tarde de quinta-feira de sexo casual.

Todo mundo sabe o valor de uma tarde de quinta-feira pautada pelo sexo casual.

Essas dúvidas têm influência decisiva na transformação do caráter do individuo. Afinal, se sendo um cara atencioso, simpático, educado e cuidadoso ele não conseguiu nada, talvez seja hora de dar preferência a quem é estragado. Não digo que isso seja o ponto crucial para criar uma nova personalidade para o cara. Mas para editar seus gostos, possivelmente.

Nós, homens, temos uma adorável atração por mulheres imperfeitas. Primeiramente porque as perfeitas são artificiais, falsas, recicladas demais. Queremos mulheres realistas, que não achem que o mundo é uma série da Warner, bebem cerveja e que dizem “foda-se”. Eu tive uma amiga que era assim. Todo dia que eu a buscava no trabalho ela entrava no carro reclamando de tudo e de todos. Eu achava o máximo isso.

Mas, ok, vamos estabelecer regras. A imperfeição não pode superar o tolerável. Quando revelamos que consideramos isso sexy, estamos tratando de um ar ranzinza, um modo blasé de ver o mundo, o espírito saudosista e até mesmo o tradicional pessimismo. Esse jeitinho irritante tem todo seu charme. Principalmente quando você, no auge da persuasão masculina, canaliza aquela raiva em algo mais relevante…

Essa admiração pela imperfeição feminina que alguns homens possuem tem como origem aquelas decepções do passado. Pode parecer até arrogante apontar problemas ou falhas no perfil de uma mulher, mas, na maioria das vezes, são características admitidas. Elas se acham anti-sociais, chatas e diferentes da maioria.

Mas é tão bom encontrar alguém diferente da maioria.

Isso, hoje, faz todo sentido. As meninas de 13, 14 e 15 anos estavam certas. Eu estava errado. Eu era muito certinho.

E nada é mais bonito na mulher do que a sua imperfeição.

Tentando explicar o Barcelona

Todo clube de futebol tem uma personalidade, uma características que o diferencia frente aos adversários. São ícones impagáveis aos torcedores e repetidamente citados na hora de relembrar atos heróicos e notáveis. Imortal, fiel e time do povo são alguns exemplos de rótulos identificados ao clube e, em alguns casos, muito bem trabalhados pelos departamentos de marketing.

Essa série de características que simbolizam os times trata-se do resultado de anos de historia. Estamos falando de um conceito impregnado sobre a camiseta. São fatores de identificação gerados naturalmente e mantidos graças à fidelidade do consumidor. No caso, o torcedor. Ele, certamente mais do que os jogadores brasileiros, defende e exige que esses símbolos sejam mantidos e, se possível, fortalecidos ao passar dos anos.

Mas nem em todo clube somente o torcedor respeita esse, digamos, planejamento estratégico. Há um caso recente de trabalho de marca e historia que vem colhendo infinitos frutos.

Claro que é o Barcelona.

Atualmente, não basta analisar a estrutura tática e técnica do Barcelona. Precisamos ir além. É evidente que o time tem os três melhores jogadores do mundo. Não só de esforço e bons homens vive um time de futebol. Mas o Barcelona, esse grupo de jogadores do Barcelona, respeita a frase estampada no anel central do Camp Nou (mais que um clube). O Barcelona é formado por um grupo de jogadores que espelham a historia e marca do clube.

Dos 11 titulares do time campeão europeu no ultimo final de semana, sete são formados na categoria de base do Barcelona. São jovens que cresceram ouvindo a historia dos times de Zamora e Cruyff, da resistência na Guerra Civil, do orgulho catalão frente a Madrid e, especialmente, da disciplina tática e ética que precisa ter um jogador de futebol daquela cidade.

A impressão que temos quando assistimos um jogo do Barcelona é de uma entrega fora do normal. A formação de jogadores ainda nas categorias de base, mais do que física, tática e técnica, preza pela identificação do mesmo com a camisa. O jogador do Barcelona parece que nasce para correr incansavelmente. O futebol ofensivo e vistoso do clube catalão é a essência do futebol colaborativo.

Soma-se tudo isso a coragem de apostar nesse trabalho de base. O treinador Pep Guardiola, quando assumiu, dispensou medalhões como Ronaldinho e Etoo para apostar em Pedro e Villa. Parecia uma loucura, mas esse era o momento de acreditar no trabalho gradativo de formação de atletas identificados com o conceito Barcelona. Hoje, no Barcelona B, está sendo formado o futuro técnico do time principal: Luis Henrique, ex-atacante do clube que jogou as Copas de 94, 98 e 2002.

O fato é que o Barcelona consegue fazer um futebol a moda antiga também fora de campo. É uma renovação de atletas e forma de administrar um time. Assim como tínhamos o Santos dos anos 60 e o Internacional dos anos 70 no Brasil, quando os clubes acharam um modo de concretizar um sonho de como jogar futebol, o Barcelona faz isso em tempos muito mais competitivos.

O Barcelona segue um planejamento centenário. Respeita sua historia, suas cores e seu conceito.

Por isso que ganha.

Fade out

Pessoas morrem no corredor do Pronto Socorro Municipal de Cuiabá. A estrutura é escassa. Não há maca, não medico especializado, não há, pasmem, bisturi. O único fator que possibilita uma sobrevida na estrutura é a boa vontade de uma meia dúzia de profissionais. A saúde de Cuiabá respira por aparelhos. E a cidade vive um cenário de puro abandono.

Existem culpados. É facílimo relembrar o horário político de Wilson Santos, onde o então candidato ao governador passava de carro em frente ao PS e dizia ter executado a “maior obra de todos os tempos”. Wilson Santos foi um péssimo político, péssimo administrador e, assim, péssimo prefeito. A culpa é dele, sim. Mas a culpa é maior ainda de quem é vitima desse péssimo Pronto Socorro: possíveis eleitores de WS.

Vamos esquecer o passado. Vamos procurar uma solução. Chico Galindo, atual prefeito. O salvador. Voz mansa. Reuniões e mais reuniões. Troca de possibilidades, informações e visitas ao Pronto Socorro. Foi assim que ele teve a brilhante ideia: vamos passar o comando do PS ao governo do estado. “Problema deles”, deve ter pensado. É uma boa idéia. O Governo pega o Pronto Socorro e nossa secretaria de saúde dá um jeito nisso.

Mas, quem é mesmo o secretario de saúde de Mato Grosso? É Pedro Henry. O homem acusado de fazer parte de um dos maiores casos de corrupção do governo Lula, o Escândalo do Mensalão. O homem acusado de fazer parte da venda superfaturada de ambulâncias em 2006. Observem o paradoxo – pra não dizer absurdo: o secretario da saúde de Mato Grosso é acusado de fazer parte da Máfia dos Sanguessugas.

Ah, ainda tem o José Riva. Excelentíssimo presidente da Assembléia Legislativa. Contudo, o homem que nunca deve ter subido num 605 lotado às 18h30 estava em Portugal com a família conhecendo o VLT, moderno sistema de transportes para a capital. Voltou a Cuiabá com uma grande experiência. Viagem, evidente, bancada com o dinheiro público. Dinheiro que arcou com todas as despesas – até da porção de punhetas.

A grande duvida que paira sobre a população é: porque o dinheiro não é investido no hospital? Pois há dinheiro. Só que destinado para propaganda. Eu não quero ver um VT de 20 a 30 mil reais na televisão mostrando os benefícios do Programa Multiação. Eu não quero campanhas oportunistas de como Cuiabá vai ficar depois da Copa do Mundo. É contra a honra e dignidade do homem não ter um Pronto Socorro para seu atendimento.

Cuiabá está nas últimas. Não vejo movimento, não vejo recuperação, não vejo esperança. Apenas uma luz no fim do túnel. Com pilhas fracas.

Vão desligar o aparelho. Fade out.

Avacalhamos a Internet

Enchi o saco da Internet.

Enchi o saco.

Tudo andava tranquilamente. Mas alguma coisa aconteceu. Sei lá quando, alguma coisa aconteceu. Pessoas conversavam, se conheciam, interagiam, trocavam culturas e informações. O mundo era muito mais próximo, com imagens do outro lado do mundo há poucos cliques de distância.
Mano, a Internet era bacana.

Epoca dos chats. Você conversava e sentia frio na barriga quando recebia uma resposta positiva. As mulheres eram difíceis nos Chats, eram muito difíceis. Não bastava um “oi, de onde tc?” para ser correspondido com atenção. Você tinha que criar uma estratégia de conversa. E evitar, logo de cara, as gurias que estavam no topo da lista de participantes, pois elas eram, supostamente, as veteranas da sala e mais relutantes a um contato.

Epoca dos gifs. A pornografia era uma pornografia de raiz, marota, sem os adventos da banda larga e filmes completos em streaming. A serie de arquivos de fotos divididos gifs de 1 a 2 megas eram o auge. Coisa linda era acessar um site cheio de gifs. Admita, caro amigo webdesigner. Você teve um site no hpg com aquele da carta entrando na caixa de correios linkando o e-mail e da caveirinha mostrando o dedo.

Epoca dos fóruns. Ah, os fóruns. Era onde você disponibilizava montagens do Seu Madruga com um sabre de luz ou aquele texto maneiro assinado pelo Arnaldo Jabor. Verdade que até hoje os fóruns sobrevivem, cada um de seu modo, é claro. Se em pleno 2011 grande parte do conteúdo dos blogs de humor saem de lá, imagine há 12 anos?

Menção honrosa: fórum do Judão, o Fodum. A melhor coisa que já aconteceu na Internet brasileira.


Valdisney Neuman, o criador da Internet

Agora, o que é a Internet? Um lugar cheio de adultos estúpidos reclamando da programação do cinema, do sinal do celular, da companhia aérea e fazendo repetitivas piadas. Evidente que há bom conteúdo, mas o conceito inicial de Internet parece ter se perdido no tempo. A Internet não amadureceu. Pelo contrario, ela foi tão mimada que hoje se considera indispensável. E o pior de tudo é que realmente ela é indispensável. Mas de um jeito extremamente desgastante.

A culpa foi nossa. Avacalhamos a internet.

Ou eu só to de saco cheio.

¹ É assim: o Tio Dino iniciou a revolução.

O lado brilhante de um sonho

Todo mundo tem seu lado brilhante. Pode ser uma característica bastante próxima da classificação literal do termo supérfluo, mas, para o próprio, torna-se um simples motivo de orgulho solitário. É um talento necessário para manter a auto-estima respirando e, principalmente, compartilhar uma sintomática esperança de utilização dessa vantagem em algum momento importante da vida.

É tipo você fazer um café. Um café bom, aquele que todo mundo da família e do trabalho elogia. Você sente-se bem ao fazer esse café e receber congratulações pelo aroma, textura e perfeição que você o serve. Ninguém faz um café melhor que o seu. E quando o mundo estiver sendo invadido por alienígenas e descobrirem que o cheiro do café perfeito é o único modo de derrotá-los, você será chamado. Será um herói.

E é aí que entra o lado sonhador.

Não existe uma formula mágica ou modo operante de concretizar um sonho. Ao mesmo tempo, poucas coisas são tão agradáveis quanto deitar a cabeça no travesseiro e ouvir sua musica preferida sonhando com uma vitoria, uma conquista ou uma platônica paixão. Atitudes como essa, mesmo prazerosas, são perigosas no que se diz a respeito da ilusão. Alimentar um sonho sem planejá-lo pode gerar uma decepção como jamais vista.

O homem sobrevive com sonhos e precisa deles, é verdade. Mas é necessário dosá-los. Cada sonho precisa de um fundamento ou um sinal de alerta. Pode-se sonhar sabendo que isso jamais será possível. Mas pode-se – e é mais seguro fazer desse modo – sonhar planejando modos de concretizar um requisitado desejo.

Como? Começando pelo seu lado brilhante. Lembre-se: antes de qualquer atitude, descubra o seu lado bom. Saiba utilizar os meios e aproveitar os momentos para gerar bons relacionamentos. Possibilite alegrias, abra possibilidades e alcance metas gerenciando suas atitudes. Jamais pare. Sempre que possível – e faça o tempo estar ao seu favor -, complemente seu talento com novas opções.

Os dons são feitos para serem compartilhados. E, de preferência, gerando bons fluidos e situações para quem o executa. Saiba utilizar o seu lado brilhante. E, quem sabe, viva o seu sonho. E seja um herói.

Apenas não perca tempo. O prazer do real é ainda melhor que aquele vivido nas fantasias.

Blog Beach 2011

Deveras atrasado, eis minhas impressões do Blog Beach 2011:

5. Bombinhas – Parece não existir lugar melhor para o Blog Beach que Bombinhas (SC). Cidade-sede desde a primeira edição, o local tem a cara do evento. Só falta uma valorização maior da administração da cidade, que parece não aproveitar a reunião de blogueiros para praticar politicagem.

Ok, não faz falta não.

4. Só teve moleque bom – Só deu truta. Camaradas como Triplo Sentido, Fottus, Coca Gelada, Eden, Fabiaum, Pea Sherek, Manicômio, Mussum, Raphael Mendes, Jotappe, Catupiry, Biso, Nhock e outros lindos marcaram presença, abrilhantaram e fizeram o evento.

3. Organização – Dani Koetz e Loch, como sempre (o Loch), executaram o Blog Beach com dedicação e muito capricho. Até um domingo de céu azul eles agilizaram.

2. Patrocinadores – Excelente participação da Unilever e Portal Vital como patrocinadores do evento. Distribuição de kits, dica de saúde, auxilio na organização e ações que animaram os blogueiros.

1. O Aerofrango do jabá:

Parabéns a todos os envolvidos e até 2012.