Não existe um modo cientifico estudado, consolidado e comprovado para indicar um ranking de popularidade na Internet – além dos números. O auge da democratização deste veículo é justamente não depender de estatísticas ou audiências para expor uma ideia ou opinião. É necessário respirar e viver nesse meio para, após um longo e duro período de observação, tirar uma conclusão que possa ser ao menos considerada e discutida.
E uma conclusão que deve ser ao menos considerada e discutida é que a blogosfera brasileira tem um novo dono. Depois de anos sem uma novidade tão impactante e influente, surge um messias para falar em nome da blogosfera e defender uma alcunha considerada honrosa em terras de Alexandre Inagaki, Bia Kunze, Cris Dias e Rosana Hermann.
Mauricio Cid é o novo maior blogueiro do Brasil.

Antes mesmo de entrar no submundo dos blogs de humor, Mauricio Juarez Álvarez Ciduauhtémoc já era um rosto popular no Orkut. Sob o perfil C! the Space Cowboy, Cid disputava recados e amizades dos jovens beneficiados pela inclusão digital na metade da década passada. E era por meio desse mesmo perfil que Cid, então recém formado no segundo grau, administrava mais de mil comunidades.
Com o respeito e admiração de mais de 4 milhões de membros, Cid viu nos blogs uma forma de aumentar a interatividade com essas pessoas. Assim, fez-se o Não Salvo. E a luz. Na temática do simpático J.C., Cid começou a ganhar notoriedade na Internet. Evidentemente que com o apoio das mais de mil comunidades, o Não Salvo demorou relativamente pouco tempo para tornar-se um fenômeno.
A explosão do Não Salvo rendeu um caso interessante e raro na internet brasileira. O blog jamais sobressaiu à imagem do blogueiro. E muito menos Cid ficou maior que o próprio blog. Um equivale ao outro, ao contrario de quem tem uma atenção, por exemplo, no Twitter que o próprio blog nunca ganhou – e não são poucos os casos.
Mas como isso aconteceu? É mais simples do que parece. Cid foi no âmago da popularidade por meio de listas e humor. Humor simples, que qualquer imbecil entende. Porém, com um diferencial: o criativo. O Não Salvo consegue ser absurdamente original publicando o mesmo que outros blogs. Essa façanha deve-se, especialmente, a qualidade dos posts exclusivos. Essa mistura irresistível de memes e conteúdo próprio, além de alavancar os acessos e proporcionar sua viralização, fez com que o Não Salvo virasse o novo grande blog de humor.
Some essa atitude inteligentíssima com o carisma de Cid. Ele não precisou puxar saco de produtor da Globo ou humorista de stand up. Ele apenas criou um blog e decidiu administrar com seriedade, competência e sem pressa por resultados. Hoje, Cid é um dos blogueiros preferidos pelas agências de publicidade devido a sua capacidade de transformar uma ação e modo profissional como trata um trabalho recebido.
A grande prova dessa excelente fase vivida pelo Não Salvo aconteceu no último final de semana, em Fortaleza (CE). Cid foi uma espécie de padrinho do Desencontro, evento que reuniu os mais conhecidos nomes da blogosfera brasileira. Todos, como não podia ser diferente, reconheceram a competência e o merecimento do blogueiro. Não há quem não goste dele. E o melhor – mas não surpreendente – é o modo como Cid recebe todos esses elogios: com a tranquilidade e serenidade de quem carrega dois blogueiro amadores para o hospital depois de um inicio de coma alcoólica.
É conversando com Cid que detalhes são relevados. Ele, por exemplo, ainda não tem noção do que representa para a blogosfera brasileira. Sabe, claro, que tem um dos melhores blogs do Brasil. Mas não percebe sua influência sobre milhares. Quando perceber, uma certeza: não mudará seu tom de voz ou modo de agir na blogosfera.
Assim são os caras bons: aqueles que demonstram caráter inatingível, que conquistam sem atalhos sujos e, enfim, que merecem nossa gratidão e reverência.
