Vá para a Campus Party com o Polegar Vermelho

Mais uma vez a Campus Party Brasil faz história. Em menos de dois meses, foram vendidos 6.500 ingressos para quarta edição do maior acontecimento de tecnologia, inovação e entretenimento digital do Brasil, um número 97% maior que os 3.300 do primeiro ano da Campus Party (2008). As inscrições tiveram início no dia 20 de setembro e foram todas comercializadas com a participação de campuseiros de todos os estados brasileiros.

Entretanto, neste ano, a organização estabeleceu parcerias com blogs e comunidades importantes do mundo geek, aproximando cada vez mais o evento de seu público-alvo. Desta maneira, mesmo com os ingressos comuns esgotados, este blog/comunidade foi escolhido para dar a você a oportunidade de ir ao maior evento de tecnologia do mundo!!!

Para participar é fácil: Basta clicar no Polegar Vermelho e participar do concurso respondendo a pergunta. O concurso termina dia 30/11.

Não que isso vá abrilhantar o evento, mas eu estarei lá. Atire uma cadeira na minha cabeça, diga que está lá por causa dessa promoção e eu te pago uma cerveja.

A paz do senhor.

A inauguração da Arena Verdão

Foi inaugurada na noite de ontem a Arena Verdão, estádio oficial da Copa do Mundo 2014. A obra durou dois anos e foi entregue à população em grande estilo. Numa noite recheada de clichês, Mato Grosso ganhou o seu elefante colorido mais caro de todos os tempos. Mas com um diferencial: um elefante colorido aprovado pela FIFA e de acordo com as exigências do estatuto do torcedor.

A cerimônia começou com pontuais 45 minutos de atraso. A primeira surpresa foi uma homenagem a Blairo Maggi. O ex-governador foi citado como grande responsável pela escolha de Cuiabá como sub-sede da Copa do Mundo e estradas perfeitas que nos levam até suas fazendas. José Geraldo Riva, que estava no palanque ao lado de uma centena de parlamentares sorridentes e suados, foi lembrado por meio de faixas de agradecimento e idolatria “espontaneamente” abertas pelo público nas arquibancadas.

A sequência da noite guardou um dos momentos mais emocionantes do esporte regional nas ultimas décadas: a entrega da chave do estádio aos clubes. O presidente vitalício da Federação Mato-Grossense de Futebol, Carlos Orione, foi chamado pelo mestre de cerimônias Márcio Barreto para executar tal honra. Ele recebeu os treinadores de Mixto e Operário e únicos técnicos de futebol de Mato Grosso nos últimos 10 anos: Eder Moraes e Mosca. Todos os homenageados desceram do palanque com vale-compras no valor de R$3.000,00 para ser utilizado no próximo final de semana em que o gerente enlouquecer BUM.

Carlos Orione ainda teve tempo para chamar no telão um clipe de 3 minutos dirigido por Bruno Bini e com trilha sonora de Pescuma. O filme mostrou imagens de tuiuiús, araras, jacarés e onças, causando um déjà vu coletivo dos mais impressionantes. O supra-sumo do filme foram os takes de uma moça loira tipicamente mato-grossense rodando de braços abertos e sorriso estampado no rosto em pontos até então surpreendentes, como a cachoeira Véu de Noiva, Igreja de São Benedito e Praça da Independência.

As apresentações culturais começaram por volta de 19h com uma peça adaptada de Segredos de Almerinda e Segredos de Liquidificador. Às 21h os meninos dos Inimitaveis lançaram pela quadragésima vez o seu LP “Eu Não Sou Roberto” e entraram para o Guinness Book como a banda que mais abriu shows no planeta. A atração principal da noite ficou por conta de Leilah Moreno e MC Dentinho tocando com a participação especial do maestro Leandro Carvalho.

Grandes personalidades estiveram presentes nos camarotes do novo Verdão. Sob o olhar atento de indispensáveis meios de comunicação como Programa VIP, Caximboco, Magazine Ilustre e Programa Variedades, os mais de 300 convidados usavam um discreto abada verde limão e saboreavam uma deliciosa janta na tenda ‘Feijoada da Copa’ de Fernando Baracat. Entre os convidados, médicos de clinicas particulares que tem fobia de pobre, filhos de advogados ricos que herdaram o escritório do pai e comparam a monografia, políticos corruptos que colecionam recortes de colunas sociais e alguns donos de agências de publicidade que só não são mais egocêntricos porque faltam-lhes argumentos.

Assim foi a primeira noite do Verdão.

Ou você esperava outra coisa?

O futebol explica

O grupo gremista foi surpreendido por uma história emocionante na manhã desta quinta. João Victor, que comemora o aniversário de seis anos neste dia 18 de novembro, visitou o Estádio Olímpico e realizou o sonho de conhecer pessoalmente os jogadores e o técnico Renato. Há cerca de seis meses, foi diagnosticada uma infecção muito forte, e o pequeno torcedor teve que ir para o hospital. Ficou na CTI, sedado, durante 15 dias. Só reagia quando ouvia o hino do Grêmio. Em junho, ele conseguiu sair dos aparelhos e recebeu alta.

– Sempre falávamos coisas positivas para ele. Fizemos um CD com versões do hino do Grêmio, e mesmo sedado, quando ele escutava o hino, mostrava reação – contou o pai Marcus Medeiros.

Leia a matéria completa.

O esporte, a disputa, a gana, o simples fato de querer ser melhor que o outro nos desperta sentimentos, até então, desconhecidos. Muitas vezes extrapolamos o bom senso e invocamos atitudes inexplicáveis e incabíveis para qualquer situação. Isso gera revolta dos incrédulos. Infelizmente, esse preconceito é generalizado, transformando qualquer apaixonado por futebol em um ser sem razão. Essa teoria, como todas as más, se espalha rapidamente, influenciando até quem faz parte do grupo dos que acreditam nas coisas boas esporte.

Contudo, situações como a do pequeno João Victor nos fazem acreditar no potencial de cura do futebol. Não estou falando dos benefícios físicos ou relativos a saúde. Muito menos na questão sociológica ou cultural adquirido frequentando estádios e estudando como a historia da fundação clubes contextualiza-se com a historia de suas regiões. Mas sim no poder da paixão pelas cores. Na força e importância que damos pela bandeira levantada e, em algum momento da vida e por algum motivo, escolhida como grande certeza de fidelidade.

Pessoas passam por nossas vidas, assim como escolas, trabalhos e gostos. Mas o time de futebol que você escolheu é para sempre. Entre todos os sentimentos explicáveis, do amor ao ódio, a importância que damos ao clube é o mais complicado de transcrever – quiçá impossível. Por isso, nem vou me arriscar a fazer.

Apenas vou reler a noticia do João Victor, o garoto que reagia após ouvir o hino do seu time, e me emocionar mais uma vez. A medicina não vai explicar isso jamais. A religião muito menos. Mas assista um jogo da última rodada, quando João Victor entrar no gramado com os jogadores. Você vai entender.

Há coisas, senhores, que só o futebol explica.

Caixa postal

Algo me intriga, muito me intriga, e não é de hoje. Há algumas semanas ando com uma carta na mochila. A idéia era posta-la na primeira caixa do Correios que surgisse na minha frente. Pois, amigos, houve um tempo que essas caixas brotavam em sua volta. A lan house do inicio da década é a caixa do Correios. Não precisava andar muito para encontrar uma por aí dando sopa.

Os tempos mudaram. É praticamente impossível encontrar uma caixa amarela dessas. Até mesmo nos departamentos de conveniências e galerias de lojas – onde elas costumavam conviver alimentando esperanças de todos os brasileiros que depositavam cartas de promoções e cinco rótulos de caldo Knorr para concorrer ao Caminhão do Faustão – não se tem noticias da caixa mais próxima.

Foi-se, assim, o romantismo da velha carta. As mudanças e novidades que ocorriam no meio tempo entre a postagem e o recebimento eram de matar. Sem contar a demora no recebimento que só aumentava a ansiedade. Durante a criação havia todo capricho na letra desenhada e papel bem dobrado. E, finalmente, a fantasia que corria pela sua cabeça no momento de depositar o envelope da na caixa. Aquele pouco mais de 1 segundo rendia um sorriso que traduzia claramente seu imaginário fantasioso de todo o trajeto da carta até o seu destinatário.

Encontrei a caixa acima, observem, na esquina da avenida Getúlio Vargas com a rua Marechal Deodoro (Cuiabá/MT). Sabem que o há ali? Uma agência dos Correios. Ou seja, num local totalmente irrisório. Lá está, ferida, depredada, suja, com ares de abandono. Foi-se o romantismo das correspondências e promoções com Caixa Postal. A frieza do e-mail tomou conta da realidade. Os 140 caracteres de uma DM, dizem, tornou-se suficiente.

Bendita tecnologia. Facilitou nossa vida e diminuiu distâncias. Mas aposentou aquela velha caixa de sapatos no alto do guarda roupas com todas as cartas bem guardadas. Cartas essas que são relidas durante esporádicas madrugadas e que geram um sentimento inexplicável de
ter vivido um passado.

Não importa o conteúdo. Cartas valem ouro.

Paul McCartney em Porto Alegre; eu no Beira Rio

“Não existe nada mais bonito que um estádio de futebol”.

Meu pai não é intelectual, filosofo, cientista ou antropólogo cultural. Não conhece as pirâmides do Egito ou a visão da Torre Eiffel. Jamais esteve na Tailândia, Holanda, Itália ou na Lua. Mas observe a força dessa afirmação. “Nada é mais bonito que um estádio de futebol”. Isso, até hoje, soa como um dos maiores aprendizados da minha infância. Ouvi na primeira vez que entrei num estádio de futebol – 10 de agosto de 1994, estádio Olímpico, Grêmio x Ceará – . Meu pai, já com os olhos vermelhos e por meio de uma voz rouca que evitava o engasgo, afirmou que aquela era a visão mais bonita do mundo.

Eu acreditei. E, a partir daquela noite, entendi que o futebol era mais importante que qualquer outra coisa. Virei um torcedor. Não um torcedor fanático, mas um torcedor apaixonado. Tive – e ainda tenho – algumas manias. Não gosto de camisetas de cor vermelha. Evito qualquer coisa que remeta ao S.C.I. E acreditem. Até hoje não sei como foram os gols da final da Taça Libertadores deste ano. Fiquei 15 dias sem assistir programas de esporte.

Ou seja: graças ao gol do Nildo Bigode naquele jogo, a vitoria, o título e o reflexo filosófico do meu pai eu virei um gremista.

Seis de setembro de 2010. Depois de um longo período longe dos gramados, lá estava eu de novo no Estádio Olímpico. E mais uma vez o adversário, vejam vocês, era o Ceará. A enorme diferença dessa vez foi que eu previa uma traição no domingo. Entrei no Olimpico rezando, pedindo perdão a São Portaluppi e aos apóstolos Baltazar Maria de Morais Júnior e Andre Catimba. Senti olhares maliciosos de irmãos gremistas de todos os lados. Do quadro social [Seja Sócio], passando pela loja até o xis pré-jogo pude ouvir sussurros de desaprovação. Estava escrito na minha testa.

Meu destino, em 7 de novembro de 2010, era o Gigante da Beira Rio.

O show de Paul McCartney, com quase três horas de duração, é uma viagem recheada de naftalina, lembranças, homenagens e, principalmente, historia. Em alguns momentos era possível ver fãs parados observando Paul. Naquele minuto, talvez apenas naquele, eles o admiravam e imaginavam o que aquele homem passou. Fatos como sua importância para a música. Mais do que um entretenimento, a música de alguns gênios – e aí estamos falando de Beatles – deve ser tratada como uma obra de arte. Um presente para que nós, simples mortais, tenhamos uma eterna divida de gratidão com essas pessoas.

Se a música é a grande revolução cultural do século XX, o surgimento dos Beatles foi o estopim para o primeiro manifesto. E foi assim que o público de mais de 50 mil pessoas recebeu Paul McCartney no domingo em Porto Alegre. O senhor de 68 anos apresentou, além do talento nato em cinco instrumentos, uma forma impecável no palco. A produção proporcionou ainda um som intacto, limpo, sem qualquer motivo de reclamações. E dois enormes telões mostravam com precisão todas as rugas do Sir.

A abertura com a pop Jet levou os fãs até 1974, ano de lançamento do álbum Band on the Run. Ainda no primeiro quarto de show Paul relembrou os Beatles com All My Loving. Na sequencia as luzes diminuíram e Paul enquadrou-se no piano para tocar baladas que marcaram sua carreira solo, como Nineteen Hundred and Eighty-Fiv e My Love. Uma das mais esperadas da noite, a belíssima The Long and Winding Road, foi dedicada aos namorados.

O show seguiu com uma sequencia de músicas da década passada e clássicos manjados e deliciosos, como And I Love Her, Dance Tonight, Blackbird, Mrs Vandelbilt e Dance Tonigh. Houve ainda dois tempo para duas homenagens. A primeira para John Lennon com Here Today, canção que Paul compôs para John após sua morte. Depois foi a vez de George Harrison ser relembrando em fotos projetadas e com a obra prima Something. A música ganhou um arranjo poderoso inspirado na regravação de Elvis Presley.

Antes do primeiro bis Paul voltou a pianos e trouxe uma trinca poderosa: Let It Be, Live and Let Die e Hey Jude. Inclusive, Live and Let Die ganhou todos os efeitos que fizeram essa apresentação famosa. Fogos surgiram dentro, ao lado e sobre o palco para acenderem ainda mais o público e aquela noite com uma única estrela em Porto Alegre.

O bis teve dois momentos. No primeiro: Daytripper, Lady Madonna e Get Back. No segundo, que passou incrivelmente rápido, três das músicas mais tocadas da historia: Yesterday, Helter Skelter e Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band. A primeira, sem duvida, a mais conhecia de Paul. A segunda, para muitos, a mais pegada dos Beatles. E a terceira um verdadeiro marco da música, cheia de mensagens e segredos revelados nas entrelinhas.

A turnê Up and Coming Tour é, eu diria, uma homenagem de Paul McCartney a Paul MacCartney por tudo o que ele viveu nas ultimas décadas. Ele convida os admiradores de sua musica e oferece um tipo de reverencia. Reverencia essa que vem por meio de acordes que fazem, ao mesmo tempo, sorrir e chorar. Com música, você tem domínio. Com domínio, você tem poder. E nada melhor que ver o poder – e a palheta – desta tal música estar na mão esquerda daquele senhor.

Entrei no Beira Rio às 19h. Nunca havia pisado na arquibancada do estádio, o que dizer do gramado? Quando vou embarcar em aviões não gosto de olhar para os lados. Fico de cabeça baixa olhando a ponta dos meus pés até chegar a hora de procurar minha poltrona. Isso se deve ao medo de olhar para um canto e ver um parafuso enferrujado ou uma parede descascada. Na entrada do Beira Rio aconteceu exatamente isso. Fixei no chão e segui.

Na passarela que dividia a arquibancada do gramado senti o cheiro da grama. Aquilo foi me deixando apreensivo. Não gostaria de estar ali e muito menos tentar adivinhar minha reação ao levantar o queixo.

Cinco, seis passos a frente olhei para frente, onde estava o palco. Olhei em volta, onde o público já se acomodava em busca do melhor lugar. O estádio vermelho estava lotado. Pareciam todo me olhar. E rir. Riam muito. Eu era o arbitro de futebol entrado no gramado. Senti vergonha. Mas também cedi ao bom senso. A visão de um estádio lotado é inesquecível. As pessoas estavam em êxtase. Era como se fosse um jogo ganho, onde todos estavam convictos de uma goleada do time da casa. O campo de futebol, mais uma vez, era a coisa mais bonita entre todas as coisas mais bonitas do mundo. Eu tinha que admitir isso, mas não queria – e ainda não quero.

Faltavam pouco mais de três passos para pisar no gramado. Parei por um segundo, o suficiente para alguém que vinha atrás empurrar e me jogar para o piso natural. Pisei no gramado. Pisei no Beira Rio. Pisei no gramado do Internacional. E, involuntariamente, pisei com o pé esquerdo.

Pisei com o pé esquerdo no Beira Rio e assisti o show de Paul McCartney. Ou assisti o show de Paul McCartney e ainda pisei com o pé esquerdo no Beira Rio?

Não sei. Mas gosto de lembrar que pisei com o pé esquerdo no Beira Rio. Sério.

¹ Dica: Setlist da turnê Up and Coming Tour.