A fabulosa emboscada

Deu no QMaT em 19 de abril de 2009:

Ambush marketing, ou marketing de emboscada, é a arte de gerar mídia espontânea. Um exemplo clássico é o ocorrido na Copa do Mundo de 1994. Naquele ano, a Antártica era o patrocinador oficial da Confederação Brasileira de Futebol. A Brahma, através de uma genial estratégia, negociou com vários jogadores algo que as câmeras não poderiam evitar de filmar: a comemoração do gol.

Dezesseis anos depois a Brahma decidiu – pelo que parece – repetir a dose. Ok. sejamos claros: estamos tratando de uma suposição. Contudo, um viral, muitas vezes, se faz com dúvidas. E o torcedor de futebol atento a Copa do Mundo certamente notou comemoração de Luis Fabiano no jogo de hoje contra o Chile. O Fabuloso foi para o abraço, mas antes de um soco no peito. No melhor estilo Guerreiro vendido pela marca de cerveja em tempos de mundial.

Lembre-se: Luis Fabiano, ao lado de Daniel Alves, estrela o filme da Brahma – patrocinador brasileiro na Copa do lado da Seabra. Caso seja realmente uma instrução da cerveja para que o centroavante comemorasse gols no mundial, eis uma sacada perspicaz. Sacada sacana, que a FIFA e o COI odeiam, mas perspicaz.

Teoria da conspiração publicitária. A gente ve por aqui e nas transmissões ao vivo.

Vereador agride repórter

O vereador Lourivaldo Rodrigues de Moraes (DEM), conhecido como “Kirrarinha”, agrediu a socos a repórter Márcia Pache, da TV Centro Oeste de Pontes e Lacerda, filiada ao SBT. Pontes e Lacerda fica a 450 quilômetro de Cuiabá, na região Oeste do Estado. Leia a matéria completa

Somente um reflexo daquele estado lindo para quem ve, mas triste para quem mora.

RT @RicardoPipo “E os repórteres dO CQC acham que é dureza trabalhar em Brasília…”

¹ É Bem Mato Grosso: Mato Grosso tem líder do ranking Ficha Suja.

Co-branding com Papo de Homem

O segundo gol de Luis Fabiano contra a Costa do Marfim, você sabe, foi ilegal. Não fosse a horrenda fase atravessada pelo futebol francês, onde até o arbitro é ruim, o centro-avante de apelido mais suspeito de todos os tempos – Fabuloso – não teria feito aquele que muitos consideram, até aqui, o golaço da Copa do Mundo.

Em tempo: numa Copa tão confusa, tão imprevisível, o gol mais bonito até aqui foi ilegal. Sugestivo, não?

O pior de tudo talvez tenha sido o lance que seguiu o gol. A cena do árbitro sorrindo e batendo no braço é antológica. Daqueles que, se fosse a reação de um árbitro para um atacante argentino, estaríamos todos perplexos e criando teorias de conspiração com infográficos de erros que favoreceram os boludos.

No jogo de domingo, aparentemente, houve um erro. Talvez seja cedo para acusar o arbitro de má fé. Erros acontecem. A prova está no vídeo abaixo. Listamos seis erros de arbitragem que envolveram a Seleção Brasileira em Copas do Mundo.

Para o bem ou para o mal. Depende do seu ponto de vista.

Leia o post completo aqui.

A tênue linha

Existe um muro

Cambaleante

Que separa a razão

Da emoção pujante

Que me devora.

Respiro um pouco de loucura

Para entreter o delírio

Que vez ou outra aflora.

Sinto perfume das damas da noite

Que calmamente invadem este quarto.

Ando nesta corda bamba

Fino gélido fio de navalha

Tênue linha entre o

Orgulho e o amor próprio.

Não enxugo essas lágrimas

Que furiosamente molham meus pés.

Não escondo a fraqueza

De sentir-se tão impotente.

Expurgo.

Esquartejo milimetricamente

Essa voracidade do impulso

Do pulso que não abraça meu corpo.

Acorrento e aprisiono

O grito rouco

Que em minha garganta seca.

Salgado

É o gosto desta solitude

Mordaz que vocifera

Seu hálito em minhas narinas.

Balanço

Ainda nesta corda incerta

Ainda neste recorrente sentir.

Fecho os olhos

A alma em carmim

Soluça

Enquanto o coração em brasa

Decanta o desamor.

¹ Mestre Aprendiz – A dica de hoje é o blog da Caroline Araújo, autora desse texto. Fraseamentos, Poemas e rotulações Karmicas. Necessariamente nessa ordem.

Entendendo Felipe Neto

Atenção. O texto abaixo decifra o estrondoso sucesso alcançado por Felipe Neto, ex-proprietário da IsFree.TV, blogueiro do Controle Remoto e vlogueiro criador do “Não Faz Sentido!”. Mais do que relatar o perfil, vamos no âmago de Felipe Neto. Ao final do post você saberá como Felipe Neto deixou de ser um blogueiro marrento para se tornar um blogueiro marrento com mais de 124 mil seguidores e ter um canal no Youtube com 85 mil assinantes.

Felipe Neto decidiu fazer sucesso. E para isso buscou um dos formatos mais populares para chamar a atenção entre centenas de milhares que tentavam o mesmo: criar polêmica. Uma atitude singela, porem densa e muitas vezes traumatizante. Felipe iniciou em textos e artigos sua glorificação como pai da contrariedade. Felipe Neto não gostava de Crepúsculo. Felipe Neto não queria o Robinho na seleção. Felipe Neto não acreditava em Deus. Assim, tal como Cardoso fez com um pouco mais de classe e pioneirismo, Felipe Neto começou a chamar a atenção pela marra e arrogância.

Suas atitudes e textos – esses muitas vezes exagerados e alguns até tolos – fizeram efeito. O jovem começou a ganhar a atenção de leitores, blogueiros e alguns detetives da Internet. Alguns o glorificavam, viam nos textos de Felipe tudo o que queriam dizer para o mundo. Outros, inclusive blogueiros, viam em Felipe Neto um charlatão. Mais do que isso, Felipe Neto foi considerado mero rapaz esperto que pegou com maestria um nicho para leitores de baixo QI. Por um momento o blog de Felipe Neto passou a ser a porta voz de discussões inúteis. Até sua biografia gerou um webfight interessante.

A paixão de leitores por Felipe Neto aumentava no mesmo ritmo de tuitadas e discussões sobre sua originalidade. Nesse meio tempo, Felipe Neto teve uma sacada que foi, não sei se para o bem ou para o mal, absolutamente importante para a blogosfera brasileira. Ele gravou um videocast. E eu não vou chamar de vlog porque esse termo é tão horripilante quando Endomarketing.

Felipe Neto é o grande responsável pela popularização dos vlogs no Brasil. Do mesmo modo que gerou polemica com seus textos banais e discussões infantis, fez dessa ferramenta o carro chefe do blog Controle Remoto. Teve aumento de acessos, seguidores e assinantes. Mas qual o segredo desse sucesso todo?

A sinceridade. O conteúdo de todo vídeo de Felipe Neto é altamente simples. São discussões muitas vezes infantis que fazem parte do grande publico que acessa o Youtube. Felipe Neto cria pensando que qualquer imbecil vai entender e rir do que ele está falando. Ele aproveita temas do momento. Ele cria em cima de piadas prontas. Aliás, ele só fala o que o mundo já sabe mas precisa ouvir e, principalmente, compartilhar.

Qual a diferença de Felipe Neto para PC Siqueira?

O segundo, igualmente importante para o formato, é extremamente maçante e tem seu perfil segmentado. Quem ri de PC Siqueira é quem vê no mesmo o estereótipo de Nerd fracassado e quem convive ou conviveu com pessoas assim. Já Felipe Neto é mais popular, é o Zorra Total dos vlogueiros. Ele tem um público, texto e perfil muito mais abrangente. Muito mais viralizavel.

Se Felipe Neto fez isso por querer, se a sua proposta era essa, nunca saberemos. O fato é que ele é um case de sucesso de como três pilares da propaganda são importantes para o sucesso de um produto e/ou campanha: sinceridade (fale a verdade, o que o povo quer ouvir, não pergunte para suas amigas na praia como está o intestino delas), mensagem abrangente (não adianta fazer propaganda para publicitário, tem que fazer para o povo) e fator factual (saiba o que acontece ao seu redor).

Felipe Neto, senhores, é pop. Agora aguentem.

Sexo, drogas e gol

Eu costumo dizer que algumas pessoas não devem ser tratadas como meros mortais. Gênios têm a excentricidade no sangue. Van Gohg cortou a própria orelha e a deu à uma incauta. Jerry Lee Lewis foi casado com a prima de 13 anos. Polanski fez sexo, dividiu drogas e bebidas com uma menor de idade. Homens inteligentíssimos, pioneiros, mas com certes bizarrices que extrapolarem o limite do bom senso e idolatria.

Pelé, o Rei, também teve das suas. Durante anos a sua maior amada, idolatrada, foi a bola. Armando Nogueira disse: “Se Garrinha não tivesse nascido gente, teria nascido bola”. Pois, se Pelé não tivesse nascido gente, teria nascido gol. A meta do campo sempre foi a sua idéia de vida. Quando se apaixonou, fora pela bola, errou.

Pelé jamais deixou de gostar de futebol, isso é óbvio. Seria como o Elvis não gostasse mais de guitarras e Maradona parasse de visitar a Bolívia. O Rei foi comentaristas de todas as Copas do Mundo desde 1990, na Itália. Escreveu livros, fez filmes, músicas e sempre deixou claro: quero a última.

Mil duzentos e poucos gols, três Copas do Mundo, Atleta do Século, o que mais Pelé precisa? Qual necessidade dessa despedida? “Ego”, alguns acusariam. Mas e se pensarmos no status de gênio de Pelé? E se esse fosse, entre toalhas brancas e comida orgânica, somente mais um desejo do artista?

Aliás, e por que não?


Pelé na sua despedida da Seleção. Faltou o gol.

A ideia de dar a Pelé essa despedida em alto estilo surgiu há poucas semanas. O fato ganhou notoriedade e vem se destacando na imprensa e mídias sociais. Assim, surgiram boatos e palpites de como seria esse último gol do Rei com a camisa amarela. Eu, no auge do meu brilhantismo, arrisquei narrá-lo. E em 140 caracteres.

Pelé meia lua, toca na direita, finta o zagueiro com o corpo, e posiciona-se na marca da cal. Recebe e enche o pé. Gaveta. Gol. #pelevivo

Que tal fazer esse exercício? Tuite como seria esse último gol de Pelé com a seleção. Mas lembre-se de utilizar a tag #pelevivo.

Vai que funciona.