Vivo Elvis

Em 1º de julho último, após perspicaz sugestão do leitor Piero Barcellos, fiz um post totalmente dedicado a uma das maiores apresentações já vista no mundo da música. O ano: 1973. O show: Aloha From Hawaii. A lenda: Elvis Presley.

O show foi visto por nada menos que 1 bilhão de pessoas ao redor do mundo, batendo o recorde anterior que era justamente a chegada do homem à Lua.

Mas, como questionado há quase 7 meses, quem é um astronauta perto do Rei?

O conjunto fascínio e idolatria sobre um ídolo, em determinados casos e situações, aparenta não ter limites. E, dentro desse mote, o cineasta gaúcho Edson Pereira pretende realizar um documentário sobre a paixão de um fã. Para isso, ele precisa do apoio cultural da RBS, afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Observe o e-mail dele (clique na imagem para ampliar):

O trailler, que, segundo o autor do e-mail, precisa chegar a 25mil acessos e chamar a atenção da RBS, é do filme Vivo Elvis. Esse documentário mostra Fabiano Feltrin, um fã assumido de Elvis Presley que mudou seu comportamento, estilo de vida e aparência física por paixão ao ídolo.

A produção conta a trajetória do personagem, o início da sua paixão pelo ídolo, inspirações, museu de objetos, experiências como intérprete, a resposta do público nos shows, nas ruas, a influência de uma nova geração e a reação da comunidade e da região.

Segundo os autores do filme, contextualizar o trabalho artístico e cultural de Fabiano Feltrin, visando mostrar o talento e o que a paixão por um ídolo pode fazer na vida de um fã e os efeitos que causa na comunidade de Farroupilha(RS), é o que pretende este produto audiovisual.

Notória a qualidade da direção e montagem do trailler. Gosto desse formato de documentário construído com base em depoimentos e fatos. Parece, além de um bom filme, uma justa homenagem aos fãs do Rei.

Valeu a tentativa de spam/divulgação do diretor – pelo menos com o QMaT. Da mesma forma, vale o clique. :)

¹ Dica: ótimo post do Vôo 3800.

² Game: indicados ao AIAS.

³ Twitter: 13 regras de Twittqueta.

Fred Fagundes

50 coisas que aprendi assistindo Chapolin

Enquanto isso, nos comentários

Comentário de: Gustavo
Wednesday, 14 de January de 2009. às 10:45 am

cai da cadeira de tanto rir…

falto chapolin pow….
aprendi o que são aerolitos…

***

Comentário de: Rodrigo
Thursday, 15 de January de 2009. às 12:11 pm

Chapolim Tbm!!!!!

***

Comentário de: Nem
Thursday, 15 de January de 2009. às 10:24 pm

uhuhaeuheauheauhaehaeuhaeuheauhae
Ri muito alto, bons tempos (e ainda são)…

Agora só falta um do Chapolin, seria muito legal…

***

Comentário de: Meyreélen
Saturday, 24 de January de 2009. às 12:42 pm

Oxe!!!

Vai ter q fazer o do Chapolim agora tb!!

***

Comentário de: Fredi Silva
Saturday, 17 de January de 2009. às 9:45 am

Cara, simplesmente emocionante.

Deveria fazer um post sobre as melhores frases e jargões dessa incrível série. Chapolin Colorado também!!!

***

Comentário de: Dynamo
Friday, 16 de January de 2009. às 4:25 pm

Podia fazer do chapolim.

Como diriam alguns personagens do próprio Roberto Gómez Bolaños: “já que insiste”.

1. Automação residencial nada mais é que um sujeito chamado Pepe.

2. Existe uma grande diferença entre meteoros e aerolítos.

3. As Anteninhas de Vinil são mais eficazes e úteis que um cinto de utilidade.

4. Heath Ledger seria um excelente Tripa Seca.

5. Jamais esqueça de colocar os parafusos na cabeça do seu mordomo-robô.

6. Parangamicotoromirruaro é abracadabra em espanhol.

7. O Chapolin viajava no tempo.

8. O Poucas-Trancas mora na Barra Funda.

9. O extrato de energia volátil não é para principiantes.

10. Todos os fantasmas, vampiros e múmias são, na verdade, bandidos disfarçados.

11. ETs existem. E seus discos voadores podem ser controlados por um Nintendo Wii.

12. Ser um espião famoso não é um bom negócio.

13. Alguém conheceu a Disneylândia com o Polegar Vermelho.

14. Quando você não sabe o desfecho de um provérbio termine com “A ideia é essa, é mais ou menos isso…”

15. A Marreta Biônica é uma mistura do martelo do Thor com um bumerangue, pois sempre volta às mãos do Chapolin.

16. Se a NASA pretende ir até Marte em 2018, o Chapolin foi em 1973.

17. Se a tripulação já comeu tudo não há motivo para eles terem fome.

18. Duendes se parecem muito com marionetes mambembes. E bebem água da Jamaica.

19. Nunca acredite nos mortos. Eles são muito mentirosos.

20. A mãe da criança que Salomão sugeriu dividir é “essa aqui que tá aqui atrás”.

21. A moeda vigente tem sua cotação baseada em dois dólares. Ou um saquinho de alfafa.

22. Uma coisa é ser Sansão, a outra é usar a peruca.

23. A Elba Ramalho é do Planeta Venus.

24. Se alguma missão espacial da NASA se perder no universo, é só usar o código espacial universal SBBHCK para voltar pra terra.

25. O real nome da Branca de Neve é Patricia Espinolha, mas ela gostava tanto de bolo de côco que a apelidaram assim.

26. A combinação chroma-key + tinta amarela te deixa invisível.

27. Se outra pessoa ligar procurando o Dr. Zurita mande-o para o inferno.

28. Companhias de Energia elétrica devem orientar seus funcionários para não medir a energia de templos japoneses. Motivo: Simpato Yamazaki.

29. O nome completo do personagem é Chapolin Pataleon Colorado y Roto.

30. Uma fantasia de pedra pode realmente surpreender.

31. Um bebê de Júpiter é gigante perto de qualquer adulto.

32. Chirrin-Chirrion é o Ctrl+Z / Ctrl+V dos anos 70.

33. Pulgas podem ser amestradas e possuir seu próprio circo.

34. Pode ser que sim, pode ser que não. Mas o mais certo é “quem sabe?”.

35. Para que o louco não se enfureça evite contrariá-lo. Tem que imitá-lo. Etc, etc, etc…

36. Se o ítem 35 falhar, use narcótico. Ele coloca até privadas e latas de lixo para dormir, por que não colocaria um louco furioso?

37. Uma maquina para trocar cérebros nada mais é do que dois abajures ligados por fios.

38. Nunca procure um médico em dia de futebol.

39. Há um ditado de Navegante que diz: se quando viaja faz o que quer, quando viajar não leve a mulher.

40. “Reentegro”. “Patas de galinha”. A CIA e o FBI tem muito o que aprender sobre codificação de mensagens…

41. Nunca confunda mordida de cobra com o zíper da calça.

42. Algumas coisas não importam um honorável pouquinho.

43. Se alguém comparar o braço com As Pirâmides do Egito responda comparando o seu com o Colosso do Ceará.

44. Dançar mambo com os gêmeos.

45. “Não tava morto, só andava falecido” foi um grande hit mexicano nos anos 70.

46. Para atravessar a fronteira, basta um salvo-conduto. Se ele estiver vencido, veja quem o derrotou.

47. Inglês é fácil. Basta falar as palavras ao contrário.

48. Nunca desconfie dos empregados em caso de roubo. Eles são pobres, porém honrados.

49. Um dos maiores mistérios da humanidade gira em torno do que há no saquinho do Dr. Chapatin.

50. Em momentos de crise, SuperSam diria “Time is money! Ohhhh yessss!”

Follow me os bons.

¹ Parceria: valiosa ajuda de Bruno Munhoz e Piero Barcellos.

² Fotos do BBB: imagens da Naty recebendo o prêmio pelo QMaT.

³ Olho gordo: néééé?

A cobertura fail do Campus Party 2009

Foi encerrada ontem a segunda edição do Campus Party Brasil. Neste ano, o evento abriu inscrições para 6.000 pessoas, praticamente o dobro do ano passado. Uma área de 38.000m2 foi dividia em 11 alas: Desenvolvimento, Design, Fotografia, Games, Modding, Música, Robótica, Simulação, Software Livre, Vídeo e, finalmente, CampusBlog.

Esse último, supostamente um local para autores de blogs corporativos, pessoais, educacionais e jornalísticos, seria o principal gerador de informações, dados e imagens relevantes a tudo o que acontece no Campus Party. Mas não foi o que se viu.

Os blogs trataram de fazer uma cobertura bastante amadora. O Campus Party, evento de porte considerável com mais de 10 edições na Espanha, ficou ilustrado nos posts como uma grande colônia de férias Geek. A postura infantil e abobada dos blogueiros fez com que alguns casos não fossem comentados de forma mais veemente.

O experimento apresentado pelo técnico de rede Carlos Alexandre Duarte é um exemplo. Ele criou, em dez meses de estudo, um líquido que pode ser utilizado na refrigeração do PC. Esse produto elevaria em 60% o desempenho da máquina. Uma descoberta interessante, principalmente para blogs de informática e tecnologia.

Mas, enquanto isso, no Twitter…

Outro fato interessante foi a presença de índios tupinambá na terça-feira. Em entrevista ao Globo Digital, Anapuaka Muniz Pataxó deu uma declaração singela, mas densa em conteúdo. “Internet não é apenas uma rede de entretenimento social. É também uma rede de conhecimento. Queremos aproveitar o que de bom a Internet pode nos oferecer. A fumaça digital precisa fazer parte do cotidiano dos índios”.

E, enquanto isso, no Twitter de quem entende de Internet…

No terceiro dia, na louvável área de inclusão digital, ocorreram vários primeiros contatos com a informática. Através de palestras e ajuda de monitores, dezenas de pessoas carentes que não tem acesso à tecnologia aprenderam o básico do WWW. Um dos assuntos abordados foi a pirataria e a alternativa de usar softwares livres. Cerca de 10 mil pessoas foram “batizadas”.

Enquanto isso no ponto de encontro de gente cool…

Não quero bancar o mala nem tirar o significado de party do título evento. Mas, num apanhado geral, os blogs me decepcionaram muito. Tenho certeza – ou pelo menos quero acreditar – que alguns blogs fizeram uma cobertura melhor e mais significante do que de bom aconteceu no Campu Party. E eles merecem ser divulgados.

A eterna e ridícula rixa entre blogueiros e jornalistas ganhou mais uma capítulo. E, diga-se de passagem, positivo à mídia tradicional. Enquanto blogs publicavam comentários sobre promoções, brindes, som alto e o vídeo do Rick Roll, grandes portais – via seus derivados, os ridiculamente chamados dinossauros – relatavam tudo o que de valor social acontecia, inclusive os fatos citados acima.

É hora dos blogueiros brasileiros repensarem suas discussões e atitudes. Festar é bom, mas há um limite.

Ou isso, ou o tão cobiçado respeito aos blogs jamais será alcançado.

¹ Aliste-se: você fez a cobertura do Campus Party? Deixe o link do seu blog nos comentários.

² BBB: a Nathalia Grün foi a representante do QMaT na premiação do Best Blogs Brazil. Fotos da guria recebendo o prêmio em breve!

³ Agrado: recebi neste sábado um kit de verão muito bacana da Mormaii. A cortesia veio com um par de chinelos, toalha de praia e camiseta. To praticamente preparado para o Blogbeach! :D

How do you sleep, Paul?

Nem só de indiretas os Beatles viviam. Quando era para atacar o ex-companheiro de grupo com um pouco mais de classe o negócio era… cantar! Foi essa a forma que, em 1970, Paul McCartney encontrou para criticar a postura do então manipulado e iludido John Lennon. Paul então escreveria Too Many People, faixa do álbum Ram.

A canção tem mensagens não tão subliminares, do tipo “pra bom entendedor coca é coca-cola”. O trecho: “That was your first mistake / You took your lucky break and broke it in two. / Now what can be done for you? / You broke it in two” é bem didático, dando a entender que Paul não havia engolido a separação do grupo.

Essa concepção fica ainda mais clara na última estrofe. Paul visivelmente critica a fraqueza de Lennon e sua omissão durante alguns atos e compromissos – principalmente os que relacionavam a influência de Yoko Ono: “That was your last mistake / I find my love awake and waiting to be / Now what can be done for you?”

Qualquer remota esperança que os fãs tinham de uma possível reunião do grupo foi por água abaixo quando John Lennon escreveu a resposta. Se você acha que Too Many People foi ofensiva e bastante constrangedora, prepare-se para entender um pouco mais de How Do You Sleep, faixa 8 do álbum Imagine.

Lennon, para tocar a guitarra nessa canção, convocou um dos poucos amigos que ainda tinha: George Harrison. A letra, composta paralelamente com Gimme Some Truth, faz ataques de todas as formas que você pode imaginar. Alguns até passavam despercebidos.

Não mais.

So sgt. pepper took you by surprise
You better see right through that mothers eyes

Então Sgt. Peppers te pegou de surpresa
Melhor enxergar através dos olhos daquele filho da mãe

O espetacular Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, lançado em 1967 em plena decadência da “Beatlemania”, é recheado de lendas. E uma delas é que Paul não depositou muita confiança no lançamento de um disco não comercial, já que Sgt. Pepper pouco tocaria nas rádios.

De acordo com George Martin, lendário produtor musical, Lennon comprou a briga e defendeu que o disco devia ser lançado daquela forma, com riffs de guitarra elétrica e formato Hard Rock. O resultado: 4 prêmio Grammy – inclusive o de melhor álbum do ano – e 11 milhões de cópias vendidas só nos Estados Unidos.

Those freaks was right when they said you was dead
The one mistake you made was in your head

Aqueles malucos estavam certos

Quando disseram que estavas morto
O único engano que cometeste foi dentro de sua cabeça

Ainda hoje existem pessoas que acreditam que Paul McCartney está morto desde 1966. Inclusive, seria esse um dos motivos para que os Beatles parassem de excursionar. O motivo da morte, segundo amantes das teorias de conspiração, foi um acidente de motocicleta – que realmente aconteceu.

Existem dezenas de livros que tratam desse assunto. Há quem diga, também, que todas as capas dos álbuns dos Beatles, depois da “morte” de Paul, exibem referências ao acidente.

(…)
You live with straights who tell you you was king
Jump when your momma tell you anything
The only thing you done was yesterday
And since youre gone youre just another day

Você vive com certinhos que dizem que você é rei

Pule quando sua mulher te disser qualquer coisa
A única coisa que fizeste foi Yesterday
E desde então você não passa de Another Day

O fato é que Paul sempre foi o bom moço do quarteto. Já Lennon, constantemente envolvido em confusões e polemicas, não conseguia manter uma imagem limpa. Assim, o caminho ficou aberto para o baixista que raramente falava demais ou tretava com outros músicos e jornalistas.

Yesterday, a maior música pop do século passado segundo eleição da MTV americana, foi considerada por Lennon a única coisa interessante que Macco fez. E, depois disso, ele não passa de Another Day, single do álbum Ram.

(…)

A pretty face may last a year or two
But pretty soon theyll see what you can do
The sound you make is muzak to my ears
You must have learned something in all those years

Um rosto bonito pode durar um ano ou dois
Mas não demora e verão o que você pode fazer
O som que faz é muzak para os meus ouvidos

Você deveria ter aprendido algo todos esses anos

Desde o início, nos tempos de Cavern Club, talvez até mesmo pelo estilo bom moço citado anteriormente, Paul sempre foi o galã do quarteto. Em algumas gravações, como no DVD The Beatles: The First U.S. Visit, é possível observarmos Lennon um tanto quanto constrangido com o assedio maior em Paul por parte das garotas.

Já o trecho “o som que faz é muzak para os meus ouvidos” tem uma explicação bastante simples. Muzak é o termo que se refere às músicas tocadas nos elevadores.

Um tapa de luvas. De boxe.

Independente da letra de How Do You Sleep, podemos acompanhar o talento de Lennon para expressar suas opinião e sentimento referente a qualquer assunto. E o melhor: com uma melodia altamente agradável e fiel ao seu passado.

Gênios. Jamais encrenque com um.

¹ Vídeo: você consegue imaginar a cara de McCartney ouvindo essa música? Esse cara sim.

² Montagem: Barack To The Future, by Impressão Digital.

³ Imortal: já te associou?

Fred Fagundes

Lições para um blogueiro

A primeira vez que eu vi um foi na faculdade. A notícia de que ele havia se transferido para cá caiu como uma bomba. Ok, caiu como uma bomba para nós, que pouco havíamos ouvido falar sobre. Quem não fazia idéia do que se tratava apenas balançou a cabeça positivamente e sobrancelhas para cima, aquele típico gesto que fazemos quando alguém diz “trabalho com criança deficientes”.

Sua recepção foi indiferente. Só ficamos realmente por dentro da novidade quando o Werner surgiu, afoito, com uma expressão que mesclava surpresa, felicidade e muita sede. Ou seja, assustadora. Dizia que ele era diferente de tudo o que imaginávamos. Precisávamos vê-lo. E lá fomos nós.

A impressão inicial, confesso, não foi lá das melhores. Ele estava encostado na parede vestindo do YPosts enquanto twittava num LG Renoir. Calçava um tênis maneiro da West Coast. Ou era da Converse? Não importa, mas a bermuda era da Mormaii. A mochila era ecologicamente correta. E a pele parecia muito bem tratada.

- “Então isso que é um blogueiro?”, questionou Fânzeres, sempre ponderado e receptivo.
- “Parece que sim. Você queria mais o que?”, retrucou o Marcosa, que nunca entendeu muito bem esse negocio de redes sociais.
- “Não gostei dele”, foi só o que comentou o Nove-e-quinze, que tinha esse apelido não lembro o motivo.

Aquela visão, para nós, era inédita. O blogueiro recém conhecido transpirava um ar arrogante. Inocentes, achávamos que isso era incomum. Mesmo protegido por uma postura de figura intocável, decidimos tentar trocar algumas palavras. Quem sabe gestos, qualquer coisa que resultasse numa interação espontânea.

Chegamos e o primeiro a tentar contato foi o Nove-e-quinze:

- “Ô blogueiro.”
- “Blz?”
- …
- “Ele disse abreviado?”
- “Qualé, nove? Ninguém fala abreviado.”
- Lol.

Foi então que, num breve momento de lucidez, o Marcosa lembrou já ter visto esse blogueiro em algumas revistas. O cara é um pro-blogger, havia largado o emprego numa mobiliária para reproduzir material de blogs internacionais em seu blog. Era o tipo espertão. “Parece que ele gosta de ser chamado de roteador de conteúdo”, comentou o Werner enquanto o blogueiro fazia um post patrocinado de última hora pelo seu celular.

Voltamos para o papo com ele. Queríamos socializar, ver como funcionava essa espécie de ser humano.

- “Mas então, blogueiro. Tá afim de tomar uma cerva depois da aula?
- “#NOB?”
- “Ele ta abrev…”
- “Eu sei, eu sei. Meu irmão, qual é a tua?”
- “Vai começar de #mimimi?”

- “Nunca achei que fosse tão difícil conversar com um pro-blogger”, raciocinou brilhantemente o Marcosa. Foi exatamente a deixa para começarmos uma experiência bastante interessante. Quem abriu o serviço foi o Nove-e-quinze, sem o mínimo de dó. Desceu um belo de um cascudo no maluco.

- “Como é ser blogueiro?”
- “O que acontece quando encostamos num blogueiro?”
- “Qual o cheiro de um blogueiro?”

- “O que você come?”
- “Você tem irmã, blogueiro?
- “Qual é, Marcosa? Você ia querer ter uma irmã blogueira?”
- “Eu ia encher de porrada o cara que chamasse minha irmã de blogueira”.

E assim fomos cutucando o blogueiro e distribuindo cascudos até prensarmos ele na parede, agindo como Biff’s que nunca fomos. Ele foi se acusando, completamente atordoado e sem saber o que falar ou que tag usar. Até que paramos. E ele fugiu, correu, correu muito e só foi parar quando chegou no lugar onde os blogueiros moram – seja lá onde for isso.

A atitude indiferente dele, tratando-nos como menores, foi aparentemente repreendida. Mesmo que na base da força, o colocamos no seu devido lugar e aparente posto. Aquele blogueiro tomou uma lição. Ah, tomou. Aos poucos ele aprendeu a respeitar todos na faculdade, desde o pessoal do jornalismo, da publicidade, do direito e até da administração.

O blogueiro entendeu que está na mesma barca que todo mundo. Principalmente, o blogueiro aprendeu a respeitar quem pouco conhecia de blogs ou queria iniciar um. Viu ele que nem tudo gira em torno de seu mundo blogosférico. Descobriu que aqui fora, atrás do monitor, a vida é muito mais dura. E, pasmen, parou apenas de falar, criticar e reclamar do mundo. Começou a agir.

Foi uma vitoria. Com base nisso, até hoje, quando qualquer blogueiro aparece por aqui, fazemos questão de repetir o ato.

É bom dar uns tapas num blogueiro de vem em quando.

¹ Lost: A IsFree, atenta a estréia da quinta temporada de Lost, está com uma cobertura incomparável. Confira aqui.

O meu amigo Biff Tannen

Caso esse nome seja apenas “não estranho” para você, tudo bem, vou refrescar sua memória. Biff Tannen é o personagem de Thomas F. Wilson na trilogia De Volta Para o Futuro. Ele é a verdadeira pedra no sapato dos McFly e responsável por atrocidades durante décadas de perseguição à família de Marty.

Além disso, Biff é o legitimo cara insuportável. Aquele tipo que 9 em 10 pré-adolescentes convivem na época do ensino fundamental. Um cidadão tão grotesco, idiota, estúpido e arrogante quanto… inesquecível! Sim, todo mundo lembra do seu amigo Biff.

O meu amigo Biff chamava-se Agnaldo. Era o tipo clássico do sujeito escroto. Andava descalço, chutava os cachorros e furava as bolas de futebol. Por ser mais velho que todo mundo do seu círculo de “amizade”, Agnaldo tinha o insaciável prazer de praticar o mal.

Os níveis de raiva eram distintos. Podia ser uma coisa singela, como roubar o biquinho do pneu da bicicleta, ou algo com requinte de crueldade, tipo traficar drogas e riscar carros. Não importa, tudo naquela época, naquele bairro, passava pelo toque perverso de Agnaldo.

O clássico de seu estigma nazista foi no Natal de 1998. Lembro-me como se fosse há 11 anos. Observávamos um garoto feliz, animado, divertindo-se com o presente recém ganho. Era um daqueles “carrinhos grandes”, mas não os automáticos. Um modelo com dois pedais abaixo de um frágil volante, saca? Então.

O jovem possivelmente estreava o brinquedo. Mal sabia ele que seu sorridente destino seria interrompido poucos milésimos de segundos depois de virar a esquina.

Agnaldo surgiu do absoluto nada. Tirou o menino do brinquedo aos tapas e risadas maléficas. Sobrava ao garoto trêmulo, no chão e de olhos marejados observar. Agnaldo descia a avenida de pé sobre o frágil carrinho, como se fosse um skate improvisado. Não contente, ainda determinou o fim do brinquedo com um chute que desmontou o leve veículo.

A última imagem que tive do garoto foi marcante. Ele caminhou até o brinquedo, catou os pedaços amassados e quebrados e, em silencio e notória decepção, virou a esquina, provavelmente em direção a sua casa. Completamente envergonhado.

Naquele momento sugeri uma ação. Qualquer coisa que pudesse ser feita para impedirmos que tais atos de crueldade continuassem. Alguns queriam dar o troco na mesma moeda, agir com violência. Outros comentavam sobre ações da polícia, já que aquilo já havia passados dos limites da delinquência. Foi então que, do nada, uma sábia voz disse:

“Nem todas as pessoas são boas”.

E foi aí que, durante cerca de três minutos, todos paramos de falar e ficamos no mais completo silêncio. Ninguém comentou, mas era implícito que todos, naquele momento, pensavam sobre a nossa curta experiência de vida. Agnaldo era a primeira pessoa absolutamente ruim que convivíamos. Depois da traumática fase de nunca mais chamar a professora de “tia”, esse era o maior choque que havíamos tomado.

Encontraríamos outros Agnaldos na vida. Pessoas ruins, que sentem um estranho gosto doce no amargo do choro. Que pouco se importam com o que você pensa, gosta ou deseja. Que jamais dá ouvidos para sua opinião, pois a dele é sempre a melhor. Resumindo, pessoas que não tem a felicidade como uma de suas prioridades.

Todos aqueles anos de medo e respeito à Agnaldo teriam servido de alguma coisa: aprendizado. Até hoje eu lembro de Agnaldo, assim como todos meus amigos. Deixamos de confiar em todo mundo e no mundo. Começamos a procurar entender melhor uma pessoa antes de depositarmos confiança. E isso, meu caro, faz toda a diferença.

Ontem assisti, de novo, Little Miss Sunshine (2006). Acho esse filme espetacular. E uma passagem me chama muito, sempre, a atenção. É quando o personagem de Steve Carrell, o suicida gay, está conversando com seu sobrinho. Ela fala algo sobre tempos ruins. E diz algo tipo:

“Os melhores anos da minha vida foram os que sofri. Passei anos comuns e não aprendi nada. Já os ruins, os que apanhei, em todos esses eu levei algo para o ano seguinte. Tipo… uma lição”.

Portanto, a partir de hoje, recorde-se de forma distinta do seu amigo Biff. Não com carinho ou saudade, mas com indiferença. O Agnaldo, por exemplo, sempre será eternamente lembrado por nós como o primeiro contato com o mundo sujo. Coisa que, se não fosse ele, talvez teríamos aprendido de maneira ainda pior.

Sem mais, deixo somente minhas palavras de agradecimento. E o desejo de que todos encontrem, um dia, seu amigo Biff.

Obrigado, Agnaldo.

Obrigado, seu filho da puta.

¹ Promoção: monitor Samsung SyncMaster 730MP LCD/TV.

² Blog: O Capetalismo voltou!

³ BBB: Sim! O QMaT foi o vencedor da categoria Cinema, Música e TV no Best Blogs Brasil. Muito obrigado a todo mundo que votou e acreditou que o blog realmente merecia esse prêmio.

Otis Redding e sua Capela Sistina

Otis Redding é o modelo clássico de cantor que obteve sucesso póstumo. Negro, religioso, gênio do soul e dono de uma das vozes mais agradáveis da história, Otis é, acima de tudo, um mestre na arte de saber cantar e emocionar, duas capacidades extremamente distintas.

Entre suas dezenas de sucessos, como The Arms of Mine, Respect e Try a Little Tendernesse, uma música sempre se destacou – pelo menos para mim- como a verdadeira obra prima de Otis: The Dock Of The Bay.

Gravada em 1968 para o álbum que leva o mesmo nome, The Dock Of The Bay foi escrita em pelo músico 1967, pouco antes de sua morte. Caprichos da historia nos contam que ela foi composta num barco, em Sausalito, Califórnia. Sua primeira execução em público foi no Monterey Pop Festival, em junho daquele ano.

A gravação original que entrou no disco foi feita em 22 de novembro, 18 dias antes do acidente de avião que levaria Otis a morte. Ele tinha apenas 26 anos.

Sittin’ in the mornin’ sun
I’ll be sittin’ when the evenin’ come
Watching the ships roll in
And then I watch ‘em roll away again, yeah

I’m sittin’ on the dock of the bay
Watching the tide roll away
Ooo, I’m just sittin’ on the dock of the bay

Wastin’ time

I left my home in Georgia
Headed for the ‘Frisco bay
‘Cause I’ve had nothing to live for
And look like nothin’s gonna come my way

So I’m just gonna sit on the dock of the bay
Watching the tide roll away
Ooo, I’m sittin’ on the dock of the bay
Wastin’ time

Look like nothing’s gonna change
Everything still remains the same
I can’t do what ten people tell me to do
So I guess I’ll remain the same, yes

Sittin’ here resting my bones
And this loneliness won’t leave me alone
It’s two thousand miles I roamed
Just to make this dock my home

Now, I’m just gonna sit at the dock of the bay
Watching the tide roll away
Oooo-wee, sittin’ on the dock of the bay
Wastin’ time

Durante entrevista em 1990, o guitarrista e produtor do último álbum de Otis Redding, Steve Cropper, falou sobre os últimos anos do cantor. “Ele chegou a me mostrar 10, 15 diferentes tipos de introdução e título para a música. (…) A canção é exatamente sobre sua vida, observe o verso ‘I left my home in Georgia, headed for the Frisco Bay’. Ele parecia saber que partiria. Era essa, sim, sua última mensagem.”

The Dock Of The Bay conquistou o Grammy de Best Rhythm & Blues em 1968.

Tirem suas próprias conclusões.

Voltamos para aquela velha e batida discussão. O que faz de uma música perfeita? A voz? A melodia? A composição? Otis Redding era tudo isso. Ela era o balanço perfeito e incomparável da grande voz com a paixão.

Não adianta ser o vencedor do American Idol se você não é capaz de emocionar. John Lennon, Roberto Carlos, vozes horríveis. Porém, cheias de sentimentalismo e melancolia, ingrediente indispensáveis para qualquer música. Principalmente para aquelas que marcam nossas vidas.

Poucos foram perfeitos nesse sentido. Eles merecem ser lembrados.

¹ Fantástica versão do Pearl Jam de The Dock Of The Bay.

² Site oficial do Sr. Redding.

³ Atenção, pessoal. Hoje é o último dia para você votar no Best Blogs Brasil. O Quem Matou a Tangerina??? está concorrendo na categoria Cinema, música e TV.

Se você acha que merecemos esse título, por favor, faça as honras da casa. :D

Fred Fagundes

50 coisas que aprendi assistindo Chaves

Parece que o post sobre 50 coisas que aprendi jogando videogame repercutiu bem. A nerd lista virou pauta em dezenas de blogs, capa de portal, e-mail corrente e até perfil de Orkut. Talvez por isso, tal como um efeito de viralização, recebi o seguinte pedido do leitor Rafael Irajá de Mattos, de Vitória (ES):

“Será que não rola uma lista de 50 coisas que aprendemos assistindo Chaves?”.

Mas é claro que rola, caro Rafael. El Chavo merece todas as listas e homenagens possíveis. Como de praxe, antes de divulgar a lista vou dar aquela enrolada básica contando um causo inútil sobre a minha infância e alguma informação desnecessária sobre o seriado. É costume.

Se hoje a maior dor de cabeça da TV Globo – além da Internet – são as novelas da Rede Record, há alguns anos foi a edição diária de Chaves e Chapolim. Em novembro de 1999, quando contratou Ana Maria Braga, a Globo planejou garantir a liderança nas tardes dos dias de semana. Em vão.

Durante seis meses, tempo em que esteve no ar apresentando o Mais Você no horário das 13h45, Ana Maria foi derrotada sucessivamente por episódios reprisados de Chaves. O vexame foi tanto que a TV Globo decidiu transferir a loura e o papagaio para a manhã, bem longe do seriado mexicano.

Cito esse fato para comprovar a força que Chaves possui no Brasil. Mesmo sendo repetido há 30 anos, o programa garante com números sua permanência na grande de programação do SBT – mesmo que, ultimamente, com horários péssimos e alternativos.

Baseado em teorias da comunicação e comportamento do ser humano, doutores e estudiosos da mente humana perdem-se na hora de apresentar uma explicação clara e plausível sobre o fenômeno Chaves. Por que as pessoas continuam assistindo esse treco, mesmo sabendo as piadas de cor e salteado?

Pelo mesmo motivo que você gostou da lista das 50 coisa que aprendi jogando videogame. Ou das melhores propagandas, séries e brinquedos dos anos 90. Observem esse dado: no mínimo três gerações cresceram assistindo Chaves. Sendo assim, foi o primeiro programa a emocionar muita gente. Inclusive eu.

Inclusive, eu confesso: chorei assistindo o final daquele episodio de Acapulco.

A primeira emoção indireta. É isso que torna, para mim, Chaves inesquecível. Rever os episódios e lembrar-se das tardes pós- escola, em casa, assistindo o programa. Discutir com amigos os melhores bordões, personagens e comentários. Uma série de fatores que não deixam, jamais, Chaves cair no esquecimento ou desgosto.

Trata-se do melhor programa infatil de todos os tempos. E merece, bem como pediu o leitor Rafael irajá, a lista de 50 coisas que aprendemos o assistindo.

1. Seria muito melhor ter ido assistir o filme do Pelé.

2. As crianças mexicanas tem rugas.

3. JAMAIS enconstar em alguém que esteja tomando um choque.

4. Seu Madruga paga o aluguel todos os meses. Por isso sempre deve 14 meses, não 15, 16, 17…

5. Brasilia já foi carrão.

6. Não basta ser o maior professor do mundo. Tem que ter um pouco de pepsicologia.

7. Pessoas bebem leite de burra.

8. Existe uma fruta chamada tamarindo.

9. O Quico é emo.

10. Devemos deixar os outros fazerem nosso trabalho para evitarmos a fadiga.

11. A vingança nunca é plena, mata a alma e envenena.

12. As tintas verde-limão são as mais baratas no México.

13. Trabalho não é a pior coisa do mundo. Pior é ter que trabalhar.

14. Uma epístola é uma carabina, só que menor.

15. Azul escuro em inglês é blue marinho.

16. Equilibrar cabo de vassoura com o pé é maneiro.

17. Deixar uma casca e banana no chão pode causar um grande acidente.

18. O segundo episodio do Guilherme Tell é o mais caro do mundo. Por isso o Silvio Santos não comprou.

19. Alguns móveis são feitos de isopor.

20. Portas também.

21. Se me acordarem às 11h, tragam o café na cama.

22. Socos têm barulhos de sinos.

23. Sempre tem um filho da puta que rouba as moedas nas fontes dos desejos.

24. Leite é muito parecido com gesso.

25. “Quero ver outra vez seus olhos olhinhos em noite serena” é a talvez a única música mexicana que metade da população brasileira conheça.

26. Um cabo de vassoura com um lençol amarrado na ponta equivale a uma mala.

27. O pai do Quico na verdade está vivo, ele simplesmente fugiu de casa.

28. Alguns alunos são tão tímidos que nem os professores percebem sua presença em sala de aula.

29. Uma caveira significa prerigo. PRE-RI-GO.

30. Ninguém tranca as portas nas vilas mexicanas.

31. As marcas de catapora feitas com caneta hidrocor ficariam muito estranhas na TV Digital.

32. Qualquer Mcdonalds da América do Sul lucraria caso vendesse o Mc Sanduíche de Presunto.

33. Hector Bonilha é o Antonio Fagundes acima da linha do Equador.

34. As pessoas boas devem amar seus inimigos.

35. Deus é um cara legal por não deixar as vacas voarem.

36. Os carrinhos feitos com caixas de sapatos são os mais maneiros.

37. Não é indicado deixar uma máquina de lavar no meio da sala.

38. Nunca acredite em boatos de que seus ídolos morreram num acidente de avião.

39. Bolinhas de tênis de mesa são parecidíssimas com ovos.

40. Pirulitos podem ter o tamanho de raquetes de tênis.

41. O trabalho infantil é legalizado no México.

42. Os roteiristas da série não sabiam o que era a aritmética.

43. O estilingue pode ser uma arma mortal.

44. Tem vez que Acapulco é no Guarujá.

45. Se você é jovem ainda um dia velho será.

46. Pouco me importa se você quer. Compre.

47. Algumas pessoas são idiotas a nível executivo.

48. As dívidas são sagradas.

49. Se você quiser vir a ser alguma coisa, que devore os livros.

50. Se capivaras tivessem trombas seriam trapezistas em um circo tchecoslovaco.

Desculpe-me a geração Pokemon, mas nós tivemos muito mais sorte que vocês.

¹ Salve, Dom Ramóm Valdez.

² Campanha: Associação Aliança dos Cegos. Muito importante.

³ Saudações: Gabriel Sampaio, estudante de medicina de Teresina (PI). Ele mandou um e-mail bem simpático, contando que apresentou o QMaT para sua colega de plantão. Valeu, rapá!

Ah, um aviso para o Luciano Prestes: seu pedido foi anotado. Em breve teremos um dossiê A História Sem Fim. :D

Fred Fagundes

A primeira ação de guerrilha da história

Guerrilha, na linguagem publicitária, classifica-se como:

Tipo de publicidade não convencional no qual o principal estratagema é a extrema mobilidade dos anunciantes. Se por um lado os anunciantes muitas vezes carecem de equipamento e grandes pacotes de mídia adequados, por outro contam com a ajuda de populações que os defendem.

Guerrilha é surpreender. Colocar sua marca onde ninguém colocou de forma inteligente e perspicaz. Saber usar as ferramentas e marcar seu território.

O seeding, a infinita criação de sites de compartilhamento de mídia e a popularização do famigerado viral, termo que de certo modo designa o sucesso da guerrilha, contribuíram para o aperfeiçoamento da tática. Mas até hoje não se tem uma resposta concreta para: quem inventou o marketing de guerrilha?

Teorias existem várias. Cada pseudo-intelectual (leia-se blogueiro metido a besta) tem a sua. Inclusive eu. Ela pode até não ser a mais correta, mas com certeza é a mais romântica.

Em 30 de janeiro de 1969, nos telhados da Apple Studios, os Beatles surgiram sem aviso prévio e fizeram aquela que seria a última apresentação do quarteto em público. E talvez a mais bem sucedida guerrilha de todos os tempos.

A idéia de subir até o rooftop da gravadora e realizar uma apresentação perde-se na história. Em entrevista à revista Rolling Stones em 77, Lennon afirmou que Brian Epstein – lendário empresário do Beatles morto em 1967 vítima de uma overdode de calmantes – costumava ironizar: “o dia que vocês quiserem realmente aparecer, cantem no meio do asfalto e de graça”.

Tal comentário de Epstein teria sido lembrado por Ringo Star na manhã daquele dia, quando os Beatles (mais Yoko Ono) se reuniram no estúdio para definir as canções do álbum Let It Be. O baterista sugeriu que aquela era a oportunidade de ganhar mídia espontânea e gratuita, fazendo uma aparição surpresa em pleno centro de Londes.

Outra tese, e bem mais defendida pelos céticos e chatos críticos musicais, é que tudo estava planejado há semanas pela Apple. Com a intenção de lançar o disco e provar em público que os Beatles estavam em sintonia, a gravadora já havia preparado aquele show e – inclusive – avisado dezenas de veículos de comunicação alguns minutos antes.

Armado ou arranjando de última hora, essa guerrilha acabou virando filme. Intitulado Live, o curta mostra passo a passo desde a chegada dos Beatles à gravadora, passando por entrevistas com incrédulo fãs na calçada até a polícia mandar o grupo parar de tocar tamanho era o tumulto causado.

A apresentação não dispensa comentários. É notório o constrangimento dos Beatles durante as músicas. Aliás, George Harrison já havia demonstrado desgaste comentando meses antes que deixaria o grupo. John Lennon concordou, dizendo que ele poderia ser substituído por Eric Clapton. Mas Paul Mccartney foi efusivo ao afirmar que “não existiria Beatles com outra formação”.

Além disso, havia o fator Yoko Ono. E que fator. Ela participou ativamente das gravações de Let It Be, dando pitacos sobre as músicas. A apurrinhação foi intensa. E as brigas entre o grupo era quase rotina.

Esse último show teve como grande ponto positivo a aparição de Billy Preston, o considerado quinto-beatle. Tecladista, Billy introduziu em Let It Be uma sonoridade mais original e moderna para época, atitude condizente para a banda que introduziu a cítara no Rock e fez desse instrumento uma marca registrada do psicodelismo.

Foi uma despedida do tamanho dos Beatles? Certamente não. Mas o som precário, o clima ruim e as paredes sujas talvez tenham conseguido passar a nós, fãs, o que os quatro estavam sentido há anos. Cansaço, distância e desentrosamento. John, Paul, Ringo e George se viam como quatro estranhos.

Não havia mais diversão no palco. Eram os últimos acordes do maior grupo de todos os tempos.

Os Beatles estavam acabando.

Let It Be foi lançando em 8 de maio de 1970, paralelamente com o filme Live. O filme ganhou o Oscar de melhor trilha sonora original. A canção que leva o nome do álbum chegou ao topo da Billboard em 13 de junho, onde permaneceu quatro semanas.

E nem rolou post pago.

¹ Galera, é o seguinte. O Quem Matou a Tangerina??? está concorrendo ao prêmio de Melhor Blog do Brasil na categoria Cinema, Música e TV. Se você concorda com isso, vá até o site do Best Blogs Brasil e confirme seu voto. Antes, é preciso fazer um rápido cadastro.

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Fred Fagundes

50 coisas que aprendi jogando video game

No final dos anos 90, guinados pelo caso Matheus da Costa – o adolescente que entrou numa sala de cinema do Morumbi Shopping e disparou tiros contra a platéia -, veículos de comunicação como Globo e TV Record iniciaram uma forte campanha contra games violentos. Os alvos eram: Duke Nukem 3D, justamente por ter uma fase que se passa dentro do cinema, e Grand Theft Auto, game popular pela violência explicita.

Cumprindo minha função de fã dos jogos – especialmente do segundo – e de estudante secundarista desocupado e sem muitas preocupações, decidi escrever uma carta de próprio punho para a direção das emissoras. Hoje, agradeço por não ter guardado minha cópia. Se não consigo ler nem o que escrevi há 10 meses, o que dizer de 10 anos?

A essência da carta era baseada em pontos positivos dos games. Citando que os games não incentivam a violência, mas sim à velocidade de raciocínio e coordenação motora, além de serem fontes de entretenimento inesgotáveis, acusei as emissoras de manipularem a opinião pública com aquela atitude. Anos depois percebi que, na verdade, eles devem ter lido – se leram – como um elogio.

De certa forma, mantenho essa posição. Considero games importantes para a formação de uma criança. A chamada cultura inútil que eu tanto prezo passa diretamente por alguns jogos. Um exemplo recente é essa tirinha. Veja, depois leia o restante do post:

Faça um teste. Observe as pessoas que vão entender essa tirinha. Provavelmente, um PhD em Física Quântica vai achar mais graça na tabela periódica. Agora, nós, Nerds que sempre bombamos em Exatas e ficávamos de PF sem o mínimo de vergonha na faculdade, vamos dar risada.

Qual a vantagem? Talvez nenhuma. Mas será que dominar a teoria completa de W. Röntgen e a estrutura daquele tubo maldito desgraçado tão útil na sociedade moderna e no ciclo social quanto ter na ponta da língua IDDQD e IDKFA?

Sempre defendi que o game é arte. Assim, em parceria com o amigo Wallace Souza do Snes-Classics, foi criada a seguinte série: 50 coisas que aprendi jogando video game.

Tirei grandes lições de alguns jogos. Informações que não pretendo esquecer e, de vez em quando, ainda aprimoro com um emulador. Afinal, nunca é demais lembrar das origens.

1. As tartarugas vermelhas são mais inteligentes (e perigosas) que as verdes.

2. Se você estiver dirigindo e ver um raio brilhante ou qualquer objeto estranho de cores chamativas e agradáveis, passe por cima. Se X acelera, A é o turbo.

3. Atirar na cabeça é mais eficaz que em qualquer outra parte do corpo.

4. Allejo foi melhor que Pelé.

5. Nem todas as caixas podem ser empurradas. Muito menos todas as portas podem ser abertas.

6. Só pise no acelerador quando o sinal abrir.

7. Jamais corra fora da pista.

8. Se você não tiver armas ou não souber dar socos, pule na cabeça do desgraçado.

9. Em alguns casos, estrelas são mais importantes que moedas.

10. Não importa qual a distância que você esteja do gol, sempre chute da lateral.

11. Carrinho de lado não é falta.

12. Falta no goleiro leva à expulsão.

13. Golpes especiais, como saltar e dar um soco, fazem você perder vida (desde que você acerte o oponente).

14. Com socos e chutes você quebra carros com mais facilidade do que usando barras de ferro.

15. Não importa o modelo. O carro azul corre mais.

16. Gol olímpico é mais fácil que gol de falta.

17. Nunca é a última fase.

18. Select é tão útil quanto o Scroll Lock ou um bloco amarelo com uma exclamação.

19. Um ataque de zumbis não é nada caso você tenha uma Glock com 10 balas e uma boa mira.

20. Às vezes, uma facada funciona melhor que um tiro.

21. A vida não tem continues infinitos.

22. “Winners don’t use drugs – William S. Sessions – FBI”

23. Não importa qual o seu problema, ele pode ser resolvido com um lança chamas.

24. Ninjas sabem jogar golfe.

25. Você pode construir uma civilização somente com pedras, ouro e madeira.

26. Quando uma pessoa morre ela pisca até desaparecer.

27. Vampiros? Arrumem uma corrente.

28. Meia lua para frente + soco forte = algo interessante.

29. Paredes com rachaduras costumam guardar segredos.

30. Quanto maior o lutador, pior ele é.

31. O reforço sempre chega depois que você mata todo mundo.

32. Nem tudo na vida é Save Game. Portanto, nunca deixe de anotar o password.

33. No final das contas, você se fode para salvar o mundo ou uma mulher.

34. Dirigir pode ser muito mais interessante caso você esteja ouvindo “Highway Star”, “Paranoid” ou “Born to Be Wild”.

35. As melhores épocas de nossas vidas são as fases bônus.

36. PAC MAN nada mais é que correr atrás de balinhas enquanto se ouve uma música repetitiva. Ou seja, uma rave.

37. Você não precisa saber uma única nota musical para ser um astro do rock. Basta ter coordenação motora.

38. Paradas para abastecer o carro ou o avião atrapalham muito.

39. Nem todas as caixas de madeira são quebráveis. Só as mais brilhantes.

40. Barris explosivos são muito bons para matar um grande grupo de pessoas. Basta um tiro certeiro.

41. Nem todos os canos verdes o levam até o esgoto.

42. Não existem castelos sem lava.

43. Quase todos os heróis começam a vida deitados numa cama.

44. Pouco me importa se não adianta nada. Morrermos apertando Start para a introdução passar mais rapidamente.

45. As chaves podem ser do seu tamanho, mas você acha um lugar para guardá-la.

46. Correr no gelo escorrega. Muito.

47. Nem todos os rios estão para nado.

48. Comidas costumam te encher de vida.

49. Seu carro capotou, saiu da pista e explodiu? Ok, aguarde um instante que ele vai voltar piscando.

50. Cogumelos verdes. Não morra antes de provar pelo menos um.

Caso você tenha uma sugestão e queira dar sequencia a essa série, insert coin nos comentários.

Se chegarmos a 100 ganhamos um Continue.

¹ A tirinha do Street Fighters eu encontrei no Linkey.

² Descobri há pouco que existe uma lista semelhante no Game Radar. Vale dar uma conferida.

³ Adote um vira-lata. Essa ação visa tirar os cães das ruas e, principalmente, dar um lar aos bichinhos. Trata-se de algo sério, grande e que merece toda nossa atenção.

A campanha também pretender mostrar que cães adultos não devem ser rejeitados na hora de levar um vira-lata pra casa. Eles são companheiros e bacanas. Muitas pessoas compram animais. Mas não deveriam. Desculpe a frase feita, mas é verdadeira: ninguém compra um amigo. Compartilhe!

Fred Fagundes