Os 7 melhores posts de 2008

Foi um 2008 e tanto. E a publicação do QMaT foi uma das minhas grandes conquistas. Tratava-se de um projeto antigo que estava engavetado e – quase – empoeirado. Desde a estréia, em 5 de maio com o post “Do Canachuê à Tangerina”, até a última terça-feira, foram 108 posts e 3.487 comentários. Isso nos leva à média de aproximadamente 33 comentários por post. Nada mal.

Fechamos o balanço anual com saldo positivo. Mesmo não sendo seu foco principal, o QMaT anunciou para grandes empresas como Axe, Toshiba e Wal-Mart. Foi citado na matéria da Época, indicado ao prêmio de melhor Blog de Cinema, Música e TV do Best Blog Brazil e, o melhor de tudo, manteve um público fiel de leitores e assíduos comentaristas.

Um blog é considerado bom pelo nível seus visitantes. Não basta ter milhares de acessos, o complemento do post está muitas vezes nos seus comentários. Temos um público interessado, que não comenta por comentar. E isso, acreditem, é uma puta vantagem quando comparado com outros blogs.

Assim, influenciado pelos famigerados recessos de fim de ano e ainda embriagado com as uma vez memoráveis comemorações natalinas, entrei na onde retro e decidi reunir os – por mim considerados – melhores posts do QMaT em 2008 num único artigo.

Sete é o número. Pra variar.

Meme: meu jogo inesquecível

“Blog que é blog tem que criar um meme, certo? Certo. E o Quem Matou A Tangerina, no dia que completa 16 dias de vida – mas com corpinho de duas semana -, lança o seu: “Meu jogo inequecível”. Uma partida de futebol que marcou sua vida, que te fez chorar de emoção e/ou desespero, jogar a televisão pela janela, essas coisas.

13, 14, 15

“Coincidências ocorrem o tempo todo. Sou cético em relação a isso. Acho que essas coisas apenas acontecem, distante de ser algo sobrenatural. Principalmente as coincidências inevitáveis sem nenhum significado especial. Mas uma descoberta recente chamou minha atenção.”

As 7 coisas mais legais dos anos 90

“Gosto muito de dizer que filmes, músicas e livros dos anos 80 formaram meu caráter. Mas isso é lenda. Como sou de 85, a minha real década foi a de 90. Sou, digamos, herdeiro dos adventos da democracia, globalização e capitalismo global. Vi também Romário, Senna e a popularização do computador e da Internet.”

Lost in Translation

“Tem coisa pior que encontrar um conhecido e não saber se ele lembra de você? Tem. O conhecido lembrar de você mas desconfiar que você não. Volta e meia o ser humano encontra-se nesse inevitável paradoxo de sua existência. Os minutos seguintes ao encontro costumam ser absurdamente constrangedores. Eu sei como é.”

Quem foi Layla?

“Inglaterra, algum dia de janeiro de 1967. Uma parede da estação metroviaria de Islington amanhece pixada. O ato, de mais puro vandalismo, não trata-se de mais um manifesto contra-guerra de jovens ingleses. Tampouco mais uma crítica dos skinhead, movimento que começava a ganhar forças em Londres. É sim a maior demonstração de idolatria que um músico já havia recebido. Na parede branca a tinta do spray preto afirma: ‘Clapton is God’.

Um mostro…

“no Taco. Talvez eu tenha sido a maior promessa do taquismo amador matogrossense nos últimos 30 anos. Ao lado de meu leal parceiro Cebeve – sigla para Cabelo de Boneca Velha -, tive uma louvável carreira de 137 partidas, sendo 133 vitórias, três cancelamentos devido a bolinha perdida e uma única derrota. A mais dolorosa e sofrível derrota desde o Maracanazo.”

http://www.jogos.antigos.nom.br/tacos.asp

O dia que encontrei Marty Mcfly

“Aquela cafeteria não é como eu imaginava. Não há máquinas de videogame, robôs atendentes ou garrafas de Pepsi surgindo no balcão. Vejo apenas um velho Lou contando os dias para sua aposentadoria. E um cabisbaixo cliente.

Aí tem material para perder meia hora fácil. Obrigado pela visita, leitura e bom último final de semana de 2008.

Aposto que isso você não tinha ouvido ainda.

As 7 melhores para ouvir on the road

A Polícia Rodoviária Federal alerta para os perigos nas estradas nesse fim de ano. Com o objetivo de reduzir o número de acidentes, alguns cuidados precisam ser tomados antes de você pegar a estrada: revisão do veículo, conhecimento do caminho a ser percorrido, obter referências sobre possíveis obstáculos e, principalmente, uma trilha sonora adequada.

Exato. Uma bela coletânea para curtir na estrada é essencial. A não ser que você queira percorrer alguns milhares de quilômetros ouvindo rádios mal sintonizadas ou um CD intitulado “Top 10 do Forró 2008″ comprado de última hora num posto de gasolina.

As sugestões abaixo foram escolhidas a partir de um singelo critério: são canções que te fazem pisar fundo. Não que eu esteja incentivando a imprudência no transito, longe disso. Mas algumas músicas te dão a sensação de estar na Route 66 dirigindo um Dodge Charger 68 enquanto, na verdade, você está na Freeway num Pálio Fire quase quitado.

AC/DC – Thunderstruck

A essência do Rock and Roll e a alta voltagem do AC/DC deixam qualquer estrada sublime. É o som para começar a viagem. Quando Brian Johnson libertar o primeiro verso da canção, seguido pelo cartão de visitas do baterista Phill Rudd, você se imaginará sobrevoando uma rampa em slowmotion.

Sem contar que você vai roncar o motor do carro junto com os gritos na metade do terceiro minuto

David Bowie – Rebel Rebel

Baladinha, boa para a digestão depois de almoçar um espeto corrido e tomar caldo de cana. O riff – que já foi tema de um VT da Pepsi – é levemente empolgante. Bowie me lembra muito o Mick Jagger nessa música. Ganhou uma versão porca do Seo Jorge que nem merece ser lembrada.

Sua namorada também vai gostar. Se não, entupa-a de dramim.

Deep Purple – Highway Star

“Ninguém vai pegar o meu carro / Eu vou pisar fundo / Ninguém vai vencer o meu carro / Ele vai romper a velocidade do som”. Com essa letra não preciso dizer mais nada.

Bateria frenética e o solo despretensioso. Rock and Roll, modafóca.

Dire Straits – Sultans Of Swing

A guitarra inconfundível de Mark Knopfler não tem momento mais propicio para ser apreciada do que na estrada. E não me venha com a versão do System of a Down, favor respeitar os clássicos.

Vale até lembrar que era esse o tema da novela Os Gigantes, mas System of a Down não, por favor.

Van Halen – Can’t Stop Lovin’You

O som empolgante do Van Halen vale uma BR com pista duplicada. Se tem uma hora para você acelerar, meu amigo, é agora. De preferência feche os vidros para não perder nenhum detalhe genial de Eddie Van Halen.

E se você for encontrar sua namorada ou coisa parecida, cante.

The Who – Baba O’Riley

Uma das mais hipnotizantes músicas do The Who, cabe perfeitamente para o percurso noturno. Sua primorosa introdução eletrônica vai fazer você reparar nas luzes, estrelas e segredos que as estradas guardam a noite.

Nossa, gastei na filosofia agora.

Duran Duran – Ordinary World

Nem toda a viagem precisa ser porrada, certo? E se você quiser relaxar, que seja do modo certo. O clássico do Duran Duran nos faz refletir sobre muitas coisas, só que não me vem nenhuma na cabeça agora.

Música com potencial, forte e marcante. Passível de trilha sonora da viagem.

É claro que somente 7 músicas não vão adiantar muita coisa. Por isso – e para evitar que você fale que não ganhou nada meu nesse Natal – preparei um playlist que está disponível para download nesse link. São 44 canções que vão de Men At Work, Journey, Santana, Cat Stevens, Boston até Toto.

Bom download. E boa viagem.

¹ Não esqueci de Born To Be Wild. Só tentei fugir desse clichê.

² Post com a indispensável ajuda de Dorly Neto.

³ Manhê, to na capa.

Fred Fagundes

Os inesquecíveis games de futebol

Esse final de semana finalizei as comprar de Natal. Entre empurrões, cotoveladas, jingles irritantes e crianças histéricas esparramadas pelo chão do Shopping uma visão me fez parar por alguns minutos: o tal Winning Eleven: Pro Evolution Soccer 2009.

Tchê, como essas coisinhas evoluíram.

Há muito, muito tempo existiam os games em cartucho. Não era qualquer um que podia pirateá-los. Logo, você tinha duas opções: comprar uma versão made in china no camelô ou alugar o game na locadora (aposto que você nem lembrava mais que alugávamos games em locadoras).

O problema é que a maioria das locadoras tinham apenas um exemplar do jogo. Alguns eram disputadíssimos, principalmente os melhores de futebol. E estamos falando deles. Para começar, o que considero do pai de todos os jogos de futebol: Elite Soccer.

A jogabilidade é tão absurda quanto única. Ele só fornecia um tipo de visão, onde você controla os jogadores de frente e costas. Não há opção de passes, só chutes. Contudo, uma opção interativa mexeu com a gurizada na época de seu auge, lá por 1993: era possível alterar o uniforme e o nome dos jogadores. E, cara, isso era maneiro.

Os gráficos estranhos e a jogabilidade eram os pontos fracos. Mas, como até hoje os jogos de futebol exigem, nada como algumas horas para se acostumar tornar o jogo simples.

Ele também sugeria a opção Futsal, algo que não lembro ter visto em outro game. Havia um macete de gol que era barbadíssima: você tinha que cobrar o tiro de meta no limite da pequena área em direção ao meio de campo. Sempre tinha um cara ali que chutava de primeira e fazia o gol.

Depois do merecido fracasso alcançado com o horroroso Megaman’s Soccer, a Capcom surgiu com um game pior ainda. É ruim, mas ruim demais. Porém, vai entender, ao mesmo tempo era divertido. Trata-se do Capcom’s Soccer Shotout.

A jogabilidade, como a maioria dos jogos da época, é ruim e o gráfico horroroso. Isso deixava o jogo ainda mais difícil. Não marcou época e é totalmente justificável. Disputou espaço com bons jogos de futebol, por isso era fácil demais encontrá-lo na locadora.

Ponto positivo: o modo pênalti era maneiro. A visão era das costas do goleiro, diferente da maioria dos jogos que, até hoje, preferem a visão do gol de frente. Ponto negativo: todos os restantes.

E repare que a bola era quase do tamanho da perna do jogador.

Por esse jogo eu tenho um carinho especial. Foi a última fita que eu aluguei em Laguna (SC) antes da mudança para Cuiabá (MT). Vejam você, eu gostava tanto da locadora, mas tanto, que não devolvi a fita e trouxe ela comigo. Bonito isso, não?

Foi um dos primeiro games da inigualável franquia de futebol da FIFA. O FIFA Soccer 1994 tinha um gráfico mais robusto e uma proposta que sugeria a diversão do gamer. Verdade que os jogadores pareciam pedacinhos de madeira uniformizados, mas os gols de fora de área e as pontes dos goleiros eram um show a parte.

Outro destaque do FIFA 1994 era a torcida. Incrível trabalho áudio visual, onde os torcedores vibravam a partir da sua disposição em campo. Muito bem construída, ficou marcada para mim como uma das melhores torcidas para qual joguei. E não é média de jogador, não.

Claro, não havia chutes especiais, lançamento ou dribles maravilhosos. Mas a simplicidade do game acabou caindo no gosto de muitos, tornando-o um sucesso durante curto período. Até hoje merece ser jogado de vem em quando. Mesmo que seja para rirmos da bizarrice que nos divertia outrora.

Assim como o Winning Eleven, esse próximo game caiu no gosto da pirataria. Por ano, no mínimo umas 7 versões eram lançadas. Discutiremos somente a mais popular, responsável por dezenas de campeonatos que varavam a madrugada e também por trabalhos escolares entregues com atraso. International Superstar Soccer… [ECO] Deluxe[/ECO]!

É, sem contestação, o jogo de futebol mais popular do Super Nintendo. Ele possui elementos que nenhum outro jogo havia disponibilizado, como dribles e transformar o juiz num cachorro.

A jogabilidade é bastante simples, mas altamente fiel ao movimento dos jogadores. O cansaço dos jogadores representados pela cor da bolinha também era um show a parte. Se o desgaste era muito grande, o atleta ficava com as mãos no joelho e mal conseguia se mover em campo.

Chutar a bola no fotógrafo, a narração em espanhol (?), os jogos na chuva e na neve, o Allejo, esses pequenos mas significativos detalhes fizeram – e fazem – o International Superstar Soccer um dos melhores jogos de futebol para vídeo-game.

Winning Eleven 2009? Não sei. Custava R$139,00. Mas parece ser legal.

Continuo com o meu WE 2006 por aqui. Foda é jogar com Tuta e Marcel no ataque.

¹ Claro que alguém vai discordar dessa lista. Assim espero.

² Dica para quem deseja matar a saudade desses clássicos: o Snes Classics oferece centenas de Rom’s e Emuladores.

³ Férias! Um post por dia, como nos velhos tempos? Tentarei. :)

Natal dos Blogueiros

Ok, talvez eu até seja um pouco suspeito para falar. Mas é muito gratificante ver o crescimento da campanha Natal dos Blogueiros (que já foi Papai Noel Blogueiro, Adote uma Carta e Natal dos Correios). Num meio tão egocêntrico e vaidoso, bondade cai bem.

O Natal dos Blogueiros foi criado em 2006. Já havíamos gravado o Papai Noel de Rua quando soubemos da campanha dos Correios. Em parceria no nosso antigo patrocinador gravamos um vídeo que repercutiu muito bem na blogosfera, pois tratava-se de uma ação pioneira. Além disso, muitas pessoas só ficaram sabendo que podiam adotar essas cartas através do vídeo produzido, sendo assim agradecidas pela divulgação.

No ano seguinte a idéia foi expandir a campanha para outros municípios. Surgiu a opção de cada blogueiro gravar um vídeo adotando sua cartinha. Quem não tivesse como comprar um presente poderia ajudar somente linkando a campanha – não o blog. Todo esforço era válido. O vídeo contou o apoio de muitos blogs e gerou mídia espontânea em diversos veículos de comunicação.

Em 2008 a fórmula não é diferente. Formadores de opinião da blogosfera se reuniram não somente para participar da campanha, mas também para incentivar seus leitores a fazerem o mesmo.

Impossível fugir do clichê nesses casos. Mas, mesmo assim, evito deixar de lado meu pedido para que você também compartilhe esses gestos de bondade. Pesquise sobre campanhas sérias nesse Natal. Ajude quem precise. Algumas vezes, nem é preciso presentes. Talvez um gesto, um sorriso ou um abraço transforme o Natal de alguém.

Não projete milagres. Construa-os.

¹ Eu não entendi a piada do Diogo Portugal. Ou ela é muito ruim mesmo.

² DJ Raphael Mendes cada vez mais parecido com a Edinanci Silva.

³ Pesquisa: Os Mais ou Menos de 2008.

Fred Fagundes

O dia em que Stewie foi William Shatner

A maioria já sabe o quanto sou fã de Family Guy. Porém, infelizmente, não tanto quanto queria. Não tenho coleções de DVD’s, não faço idéia de que horas ou dia passa na FX, não sei quantas temporadas a série tem e muito menos sei se ela ainda é produzida. Fã de araque, pode falar. Mas sei o suficiente para afirmar (ou reafirmar): Family Guy é melhor que Simpsons.

O que me espanta nesse desenho é a cultura pop de seus criadores. Algo próximo de 30% das piadas somente é entendível caso você conheça razoavelmente do que ou quem ele está falando – principalmente em algum momento de flashback da família Griffin. E, muitas vezes, são analogias indiretas em que você precisa entender mais do que um fato isolado.

Complicou, né? Vou exemplificar.

Dia desses assisti um episodio em que o Stewie fazia uma leitura dramática do clássico Rocket Man, do Elton John. Algo comum, banal, até sem graça, que passaria despercebido.

Não para olhos destreinados, não mesmo.

O vídeo logo abaixo é de 1978. William Shatner, imortalizado no cinema, na TV e no hiperespaço como Capitão Kirk em Jornada na Estrelas, foi convidado para apresentar uma de suas interpretações melódicas. Ah, sim, antes que eu esqueça: Shatner, quando não vestia o colant cor-de-burro-quando-foge, gostava de cantar. E até gravou um disco intitulado The Tranformed Man, em 1968.

Esse disco, ao longo dos anos, tornou-se um bem raríssimo para os fãs de Jornada nas Estrelas. A obra conta com versões bem pitorescas de Mr. Tambourine Man, de Bob Dylan, Lucy in the Sky With Diamonds, dos Beatles, e até mesmo de Insensatez, de Vinícius de Moraes. O que levou o disco a tornar-se um fenômeno foi dúvida gerada em cima da veracidade do álbum. Era sério ou somente uma “tiração de sarro” do Shatner?

Pois bem, voltamos ao final dos anos 70. O número musical de Shatner era umas das atrações mais aguardadas no Science Fiction Awards. O ator foi apresentado por Bernie Taupin, excepcional letrista e um dos parceiros mais importantes da carreira de Elton John. Shatner surgiu sentado num banco, elegante, com um cigarro entre os dedos médio e indicador.

Os minutos seguintes foram antológicos. Queiram ou não, realmente foram.

Mesmo esquecida, muito se discute sobre essa apresentação. Enquanto alguns defendem, dizendo que foi uma interpretação genial, outros definem esse momento como uns dos mais trash’s da historia da TV americana.

O que trouxe essas imagens de volta à agenda setting do entretenimento americano foi justamente a piada feita pelo Family Guy (vide comentários no Youtube). Uma piada com referencia e humor despretensioso que não vai fazer você rolar de rir. Mas pensar: “Putz, como não pensei nisso antes?”

Não é hilário. É apenas genial.

Digo, “apenas”.

¹ Os 10 maiores virais de 2008 segundo a Times.

² Última prova do desafio LG: Ian maniac on the floor.

³ De uma chance para o Saco – Sociedade de Apoio aos Cabeludos Oprimidos.

Fred Fagundes

Lupicínio Rodrigues, Bob Dylan e as pedras rolantes

Lupicínio Rodrigues. Gaúcho, boêmio e autor de uma série canções que o fizeram ser considerado o pai da dor-de-cotovelo. Foi mestre na arte de sentar-se no balcão do bar, cravar os cotovelos no mesmo, pedir um Whisky duplo, fazer bolinhas com o fundo do copo e, assim, chorar o amor que perdeu.

Teve três grandes paixões: mulheres, bares e futebol.

Robert Allen Zimmerman, mais conhecido como Bob Dylan. Norte-americano, músico e gênio. Conhecido, também, por suas músicas agressivas e personalidade fortíssima. Suas canções carregam uma mistura de protesto e fúria, causando polêmica ao longo dos anos.

Homem de frases como “a felicidade não está entre as minhas prioridades”. Absolutamente avesso ao estrelato.

Agora, o que Bob Dylan tem a ver com Lupicínio Rodrigues? Algo.

Em 1990, ao lado de Bon Jovi, Marillion e Eurythmics, Bob Dylan era um dos shows mais esperados do Hollywood Rock. O gaúcho Eduardo Bueno (Peninha), então funcionário de um periódico do Rio Grande do Sul, foi até São Paulo com a difícil missão de entrevistar o músico. “A gente ficou, na medida de que se pode usar essa palavra para o Bob Dylan, amigo“, diz Peninha.

Eles conviveram durante um tempo e Peninha fez turnês com a equipe de Dylan pela América Latina. Em 1991, já em Porto Alegre, mais precisamente no Hotel Plaza São Rafael, o escritor apresentou para Bob Dylan uma fita com canções de Lupicínio. Quando viu que a primeira música de chamava Revenge, Bob Dylan pediu uma tradução .

Peninha deu o tom e disse que, em 1951, Lupicínio havia escrito “Ela há de rolar como as pedras que rolam na estrada”, exatamente o mesmo teor de Like a Rolling Stone do americano. Começam a surgir coincidências.

Bob Dylan admitiu que teve como inspiração para compor Like a Rolling Stones o blues Rolling Stones do Muddy Waters. E essa canção foi composta também em 1951, ano em que Lupicínio escrevia Vingança.

A diferença está no contexto das obras. Enquanto o blues é bem mais positivo, dizendo “pedras que rolam não criam limo”, algo que remete ao “não fique parado, mova-se pra não se enferrujar”, a do Lupicínio é exatamente o contrário, desejando uma maldição.

Da mesma forma, Like a Rolling Stones é furiosa. Dylan fala algo do tipo “como você se sente agora que você não tem casa, que você rola como uma pedra a beira do caminho”. A diferença é que Vingança foi escrita em 1951, já Like a Rolling Stones em 1965.

Dylan, como não podia ser diferente, ficou interessadíssimo na obra de Lupicínio. E a música seguinte na fita de Peninha chamou muito sua atenção. Era o hino do Grêmio, composto por Lupicínio em 1953 durante comemoração do cinqüentenário do Imortal.

O hino on the road, em tom de marcha, deixou Dylan encantado. Nascia aí uma nova lenda: Bob Dylan teria sido visto num Grenal na Baixada, antigo estádio do Grêmio, vestido com a camisa tricolor. Mas essa é outra história para outro momento.

Esses registros históricos são fascinantes. Eles mesclam a veracidade dos fatos com incomparável poder criativo do imaginário popular. Verdade ou não, fica por sua conta. Mas eu não duvido que Lupicínio teve seu momento bluesman.

Nem que o Guaíba possa ser inspirador quanto o Mississipi.

¹ Um pouco mais sobre a vida e obra de Lupicínio Rodrigues.

² Essa história foi contada pelo Peninha há alguns anos durante o programa Bola da Vez.

Perspectivas 2009

Com o final de ano chegam centenas, milhares de retrospectivas. Verdade que saudosismos é praticamente a extensão desse blog, mas hoje, excepcionalmente hoje, trataremos de prováveis fatos de 2009. Não que 2008 tenha sido desprezível, absolutamente pelo contrário. O ano de 2008 foi repleto de coisas ruins. E os anos ruins são sempre os melhores.

Vai entender, mas eu acho.

Blogs
- Algum blogueiro vai ganhar um quadro e/ou programa na TV;
- Serão criados mais uns 47 rankings. E quem não tiver inserido vai chiar;
- Um blogueiro vai pro Big Brother. E, quando sair, vai falar: “sou o primeiro blogueiro a participar do Big Brother”.
- Os blogueiros continuarão adorando falar “sou o primeiro blogueiro a…”;
- Mais e mais sites com de tirinhas feitos em WordPress serão chamados de blogs;

- Vai rolar um reality-show de blogueiros. E vai passar na MTV;
- Blogueiros que sempre falaram mal de novelas vão falar bem. Muito bem;
- Muitos sacos seguirão sendo puxados.

Blogueiros
- Felipe Neto não vai ganhar um Oscar;

- Carol Bicudo vai entrar na faculdade de publicidade erradamente. Ela devia fazer jornalismo. Eu acho;
- Eu e o Guilherme Lautenschlager vamos conhecer Dubai em dezembro.
- Caio Novaes vai ser o primeiro blogueiro milionário do Brasil. E vai dizer: “eu sou o primeiro blogueiro a ganhar um milhão”.

- Muriacy Jr. vai aumentar a freqüência de posts;
- Blogueiros serão sondados para trabalharem na campanha política de candidatos a presidência em 2010;
- Daniel Soares vai ser eleitor Deputado Estadual em Fortaleza;
- Tio Dino voltará;

- Celsinho Sandoval seguirá com a mais longa enquete da Internet Brasileira: “como você acha que o Jô Soares limpa a bunda se ele não consegue nem levantar o braço para pentear o cabelo?”;
- Dj Raphael Mendes vai abrir um
petshop.

- Todos continuarão achando que jornalista é coisa do capeta.

Twitter
- Ninguém vai descobrir para que ele serve;
- Não vai virar um Orkut de popularidade no Brasil, pois é composto de textos e quase não tem figurinhas;
- As agência de mídias digitais vão fechar pacotes de “comentários elogiosos” com blogueiros super seguidos;

- Vai virar mais um site do Google;
- Será capa de uma revista lá por abril e a mesma vai dizer que se trata de “a nova mania da Internet”;
- Em agosto o Fantástico vai fazer uma matéria de sobre Twitter;
- Haverá o primeiro caso de pessoa que avisou no Twitter antes de cometer suicídio.

Música
- Haverá rumores de que a Mallu Magalhães tirou a virgindade do Marcelo Camello;
- A Ivete Sangalo não vai ganhar um programa na Globo;
- A Sandy vai gravar um especial de fim de ano;
- Uma banda esquecida voltará através de um acústico MTV;

- A MTV continuará fudendo com a música;
- O VMB terá as mesmas piadas sem graça de todos os anos;
- O Multishow vai criar o prêmio “Melhor Álbum Baixado em MP3″;
- Póparacompó será música mais tocada no Carnaval.

TV
- Maísa vai se consagrar;
- Maísa vai fazer um filme com o Renato Aragão (mesmo sem ter a mínima idéia de quem é aquele senhor);
- Maísa vai ser pivô da separação de Mallu Magalhães e Marcelo Camello;

- Maísa vai fazer a piada do bambu com o Silvio Santos;
- Maísa vai perder espaço no SBT;
- Maísa será esquecida;
- Maísa será internada numa clínica de desintoxicação após entrar em depressão profunda;

- Maísa encontrará Jesus;
- Maísa gravará um CD de música evangélica;
- Maísa voltará com um programa infantil na Record.

Cinema
- Star Trek vai ser um tremendo sucesso;
- Alguém vai pedir De Volta Para o Futuro 4;
- O filme nacional mais assistido do ano será da Xuxa ou do Renato Aragão;
- Rodrigo Santoro e Alice Braga vão fazer pontas em filmes americanos e serão chamados de “estrelas hollywoodianas” por aqui;
- Serão feitos mais uns sete filmes sobre a ditadura nos anos 70;

- O vencedor do Oscar será o ator que interpretar um retardado (esse é o segredo. Sempre);
- Lázaro Ramos e Wagner Moura estarão em todos os filmes nacionais;
- A crítica de Tropa de Elite 2 será: “um filme bom, mas sem a força da primeira versão”.

Mídia

- Dado Dolabella não será preso;
- Luana Piovani será presa roubando calcinhas;
- Silvio Santos vai dizer que essa tal Internet nunca vai dar certo;
- Faustão não deixará seus entrevistados falarem;

- Casseta Planeta, durante um ano inteiro, vai fazer você esboçar um leve sorriso;
- O Pânico na TV vai sair do ar;
- O Vesgo e o Silvio vão trabalhar na Record;
- Milton Neves será assassinado;
- Pedro Bial vai fazer poesia sobre a semelhança entre a lua e uma lata de azeite;

- O Big Brother Brasil 9 vai levantar polêmica sobre baixaria na TV. E as revistas vão, insaciavelmente, falar sobre isso. Afinal, BBB vende;
- Tadeu Shimidt vai ganhar um papel em alguma novela da Globo;
- Jô Soares vai passar aquelas antigamente engraçadas vinhetas gravadas nas Olimpíadas de 2000.

Futebol
- O Flamengo será campeão carioca e vai iludir milhares de torcedores;

- Dunga continuará escalando o Gilberto Silva;
- O Vasco baterá todos seus recordes de público numa temporada;
- Pato seguirá sendo uma promessa;
- Ronaldo seguirá com seu eterno tratamento de recuperação;

- A maior revelação do seu time este ano vai jogar na Europa;
- O Grêmio vai vibrar por não ter STJD e CBF na Libertadores da América;
- O São Paulo vai fazer uma pesquisa para saber quais shows musicais os árbitros brasileiros gostariam de assistir.

Mundinho frágil. Tão previsível quanto impressionante.

Anotem tudo e me preocurem em dezembro. Estarei por aqui. Pelo menos disso eu tenho certeza.

¹ Alguma sugestão de tema para pitacos sobre 2009? Deixe aí nos comentários que o post pode ganhar um UPDATE.

² Repito o que citei ontem no Twitter: o discurso do Simon foi a coisa mais foda que aconteceu na entrega dos melhores do Campeonato Brasileiro.

³ Essa madrugada o Jornal da Globo exibiu uma matéria sobre Blogueiros Profissionais. Para quem não viu, eis um resumo-quase-tutorial.

Promoção Plug TV DT

Manja o Plug TV DT 1020 da Semp Toshiba? Trata-se de um adaptador USB para TV Digital de apenas 15 gramas. Mesmo medindo apenas 2,0 x 1,1 x 5,9 cm (LxAxP) o Plug já vem com duas antenas: uma interna do tipo ROD e outra externa com cabo de 3 metros e sensibilidade de 97dBm.

Esse brinquedinho capta sinais de TV digital padrão no UHF dos canais 13 até 39. Mais do que uma placa de TV móvel, é um dispositivo… de TV digital, sei lá, só sei que presta. Além disso, ele acompanha um software completíssimo que busca canais automaticamente, captura telas e grava a programação direta para o computador.

Bom para caraléo. Mas porque diabos, motivo, razão ou circunstancia eu estou falando disso? É que a Semp Toshiba decidiu presentear os leitores do Ah! Tri Né! com um aparelho desses. Para participar da promoção é barbadíssima: basta acessar o site Um País Chamado Sem Toshiba – onde você concorre a prêmios como TV’s, celulares e laptops – e depois comentar aqui no blog da Dani.

Assim era a Dani com 14 anos e ainda anônima. Ou “não tão famosa”.

O nome do vencedor será divulgado em 12 de dezembro. Dá-lhe!

¹ Esse post foi um publieditorial.

² Os dados técnicos do Plug TV DT 1020 eu achei no Zumo.

³ Parabéns ao São Paulo pelo título de Campeão Brasileiro de 2008. Até a Libertadores. E sem a CBF.