Os 7 momentos mais marcantes da TV nos anos 90

Nem só de coisas “legais” vivemos na década de 90. Momentos tristes e melancólicos ocorridos entraram, infelizmente, para os anais da TV brasileira. Por isso, fazemos hoje uma alteração extraordinária no título da série que vem listando os destaques da década passada. Relembramos a partir de agora, queiram ou não, os momentos mais marcantes da TV brasileira nos anos 90.

Inventar um assassinato nos últimos capítulos da novela costuma ser uma boa jogada. Você mata um personagem importante, enche a trama de suspeitos e pronto. É certeza de pico de audiência na última sexta-feira da trama. Agora, fazer isso desde a estréia – e bem – é para poucos. Ou para Silvio de Abreu.

Durante 203 capítulos, A Próxima Vítima foi tema de discussão em todos os cantos do país. Só se falava na novela e nos possíveis assassinos. O roteiro, muito bem desenhado, primava pela dúvida. O suspense não estava somente em descobrir quem era o assassino, mas também em quem seria “a próxima vítima”.

Com uma média geral de 52 pontos e pico de 70(!) no seu último capítulo, A Próxima Vítima foi também um grande sucesso em países como Portugal e Rússia. A cena do capítulo final – e a revelação do assassino – você assiste logo abaixo.

Observe que o José Wilker era homem. Disso eu não lembrava.

Independente de sua religião ou crença, foi impossível não ficar chocado com aquela cena. Sérgio Von Helder, pastor da Igreja Universal, chutava e socava uma imagem de Nossa Senhora Aparecida durante um programa da TV Record. Ele acusava a Igreja Católica de mercenária, por cobrar algo em torno de R$ 500 pela santa. Não pegou bem.

A atitude revoltou milhares de católicos e, principalmente, evangélicos. Afinal, a discriminação, que já era grande, tinha tudo para aumentar devido a atitude irresponsável do pastor. E foi justamente o que aconteceu. Até hoje o fato é lembrado como um símbolo de intolerância.

Nove anos depois, um boato sobre a conversão do bispo gerou polêmica. A estória foi desmentida após uma reportagem da Istoé revelando que Von Helder trabalha no escritório da Universal, em Nova York, seguindo ordens de Edir Macedo.

Update: o Youtube retirou o vídeo do ar.

Desde a morte de Tancredo Neves, em 1985, o Brasil não via uma comoção daquele tamanho. A queda do avião que levava os Mamonas Assassinas, em dois de março de 1996, foi o mais trágico e assustador acidente da decada de 90. Ídolos nacionais, o jovens deixaram um dos discos mais vendidos na história do mercado fonográfico brasileiro. E uma legião enorme de fãs.

As cenas exibidas dois dias após o acidente, com então exclusividade na TV Globo, foram emocionantes. Os integrantes do grupo brincam com um suposto defeito no avião. Ironicamente, o tecladista Julio Rasec diz que o avião vai cair. Tudo isso seguido de um depoimento primoroso do jornalista Arnaldo Jabor.

Foi de arrepiar.

A história de Fernando de Collor de Mello não é das mais puras. Desde seus aliados até suas armações, há dezenas de fatos, teorias e, principalmente, provas de corrupção e atitudes suspeitas. O pedido de abertura do histórico processo de impeachment foi aprovado em 29 de setembro por 441 votos a favor. Somente 38 votaram contra.

A votação foi transmitida por grande parte dos meios de comunicação, já que todos (inclusive a Rede Globo) haviam abandonado definitivamente Collor. Cada voto positivo merecia vibração só comparável com as da Copa do Mundo. Parecia a reação de um gol. Um título.

E era.

Vou “suitar” o primeiro post da série.

Para os que nasceram na metada dos anos 80, a Copa do Mundo nos Estados Unidos foi a primeira. Poucos lembravam de 1990 – felizmente. Vivi intensamente os meses de junho e julho de 1994 e digo com autoridade: assisti todos as partidas daquele mundial. Eu começava a ficar doente por futebol graças a Copa. Graças a Deus.

O dia que mais me marcou foi a véspera da final. Em Los Angeles, os três tenores – Plácido Domingo e José Carreras e Luciano Pavarotti – fizeram uma apresentação. Na sala de casa, com meu pai, dormi assistindo o show na impecável imagem da TV, fruto de horas de esforço do velho, espetos de churrasco e esponja de aço na antena. Tudo para no outro dia, após o tradicional almoço de domingo, a família inteira pudesse ver a final.

Porém, o realmente inesquecível foi a decisão por pênaltis. O socos no ar de Dunga, a defesa do Taffarel, a gravata torta de um esguelado Galvão Bueno…

Que dia.

O bate boca do então candidato à Presidência da República Oreste Quecia com o jornalista Rui Xavier, da Folha de S. Paulo, foi umas das coisas mais surreais e engraçadas envolvendo política nos anos 90. Aconteceu no programa Roda Viva, da TV Cultura, durante uma série de entrevistas com os candidatos. Foi lindo.

E o saldo final: caluniador (16 vezes); Mentiroso (15 vezes); Mentira (11 vezes); Safado (10 vezes); Canalha (9 vezes) e Malandro (7 vezes).

GP de Imola. 1994. Sétima volta. Tamburello.

Sem mais.

Conheça as outras edições da série As 7 coisas mais legais dos anos 90: propagandas; infância; games, brinquedos e séries.

Fred Fagundes

Minoria silenciosa

Após o grande boom ocorrido em 2006, estamos atravessando por uma notável renovação na já envelhecida blogosfera brasileira. Os responsáveis por esse fenômeno estão distantes do 1milhão de acessos/mês, posts patrocinados ou convites para festinhas de agências. São os blogs nanicos. Blogs que sabem usar como ninguém o corporativismo, uma das maiores virtudes do meio.

Mas o que difere um blog grande de um blog pequeno?

A fidelidade de leitores. Hoje é, não impossível, mas muito difícil um blog sair do 0 e alcançar 60mil acessos/dia no período de um ano. O motivo aparente é o excesso de informação contida na Internet. A cada dia são criados 175 mil novos blogs, segundo o Technorati, um dos mais confiáveis indexadores de diários virtuais. É blog pra dedéu.

Além disso, outro fator evita o crescimento e desmotiva muito blogueiro iniciante: panelinhas. Se preferir, termos como puxação de saco e babação de ovo podem ser utilizados. Os grupinhos que hoje reinam na blogosfera evitam não somente parcerias com quem é de fora, mas simples palavras de apoio à quem está começando. Salvo raras exceções, saiu de cena o blogueiro, entrou a estrela.

Dia desses uma publicitária me procurou. Pediu o contato de 10 bons blogs para uma ação. Ela não precisava pedir, é uma profissional bastante conhecida entre os blogueiros. Questionei porque havia pedido, se estava muito ocupada ou coisa assim. Disse que não estava ocupada, mas já havia esgotado sua cota de paciência com o ego inflado dos blogueiros.

Surge a umbigosfera. Acredite, a estrela já foi um anônimo. Ele já implorou parcerias e links. Ele já abriu a caixa de e-mails torcendo para uma proposta de anúncio. Mas hoje, infelizmente, alguns blogueiros consideram-se os donos da Internet. “Não preciso ser simpático, as agência vão me procurar, afinal, elas precisam da minha audiência”. Há blogueiro com esse pensamento.

Soberba dos grandes. Os nanicos sofriam.

Não há um registro oficial, mas dizem que no final de 2007 o Duquian abriu uma janela do MSN e começou a adicionar todos os blogueiros. Batizaram aquela atitude de Blogzona. Volta e meia a conferência se repetia, quase sempre aos domingo. Tempos depois, já em 2008, Dorly Neto criou o BlogZona, uma janela fixa de MSN que mantém os blogueiros sempre adicionados.

Alguns blogueiros mais populares, também adicionados no serviço, dificilmente aparecem para comentar, dar sugestões ou apenas trocar idéias com os outros blogueiros. Assim, a BlogZona criada por Dorly acabou virando uma interessantíssima rede social de blogs nanicos. Lá são discutidos, desde temas e ferramentas, até soluções para a paz no oriente médio. E o melhor: sem qualquer ataque de estrelismo.

“Eu notei que muitos blogs aumentaram suas visitas depois BlogZona. Acho que é a troca de informações que ela [BlogZona] proporciona. Além que os blogueiros passaram a se conhecer melhor e a ver que a blogosfera é feita de pessoas”, diz Holy Sepulchre, criador do ManicomioSA e um dos participantes mais ativos da BlogZona. Segundo ele, “os blogs pequenos estão se unindo cada vez mais e crescendo juntos”.

Outro blogueiro que relata a importância da BlogZona é Diego Dias, do FesterBlog. Para ele, a relação entre os blogueiros pequenos mudou muito. “a união dos blogs menores é evidente. Antes era cada um por si. Cada um querendo ser melhor que o outro. A BlogZona melhorou bastante a relação, existindo inclusive um maior respeito entre os blogueiros”, ponderou.

Motivados pela BlogZona, Holy e Volkmer criaram uma barra de links. Doze blogs adicionaram essa barra no topo do layout. Não chega a ser um condomínio de blogs e não há divisão de receita. É somente uma forma de divulgar o parceiro. Ou seja, parceria no melhor sentido da palavra.

Não há medo de linkar, como há entre os grandes blogs. Usura, se preferir. Ninguém liga o computador para ler um ou dois blogs. Não é porque alguém achou um blog levemente melhor que o seu que ele vai deixar de ler sua página. Afinal, a dica foi sua. O leitor vai procurar outras dicas. E ele vai saber, sempre, onde procurar.

Vou ser sincero, o motivo disso tudo é fazer com que alguns blogueiro revejam suas ideologias. Vocês que trabalham em agências, por exemplo. Vocês devem saber melhor que eu. Os clientes estão cada vez mais preocupados com o conteúdo do blog, não só com a visibilidade. Além da qualidade dos comentários. Portanto, um link ou uma palavra qualquer de apoio ao blogueiro iniciante não vai doer.

Os nanicos estão cada vez maiores. E, principalmente, dando uma aula de corporativismo para os grandes blogs. Aliás, se você, magnamio blogueiro, quiser aprender, basta procurar um desses blogs.

Acredite. Você será muito bem tratado.

¹ Contribuiram nesse post, além do Holy e do Diego, Thiago Loch e Gustavo.

Fred Fagundes

Há 25 anos

O gremista é o único torcedor da América do Sul capaz de gostar mais da Taça Libertadores do que o Mundial Interclubes. Essa competição, especialmente a de 1983, transformou o Grêmio no símbolo maior de futebol força, raça e valentia. O tricolor gaúcho tornou-se um verdadeiro “cântico à bravura e ao poder do coletivo sobre firulas individualistas. O clube da essência de mal traçadas linhas“.

As palavras sempre tão bem utilizadas pelo escitor Eduardo Bueno são as que mais se aproximam de uma aparente tradução lógica da relação gremista com a Taça Libertadores.

Parabéns, nação tricolor. Parabéns, Grêmio. O Grêmio de Mazarópi, Paulo Roberto, Baidek, De León e Casemiro. China, Osvaldo e Tita. Renato, Caio (César) e Tarciso. Grêmio de Valdir Espinosa e Felipão. Grêmio de Fábio Koff e Cacalo.

Grêmio da Azenha, da Carlos Barbosa, da Cascatinha e do Largo dos Campeões. Grêmio de Dinho, Emerson e todos os volantes. Grêmio de Catimba e da catimba. Grêmio de Alcindo, Tarciso e Jardel. Grêmio de De León, Rivarolla e Arce.

Grêmio dos grandes jogos perdidos, do sofrimento e do gol no último minuto. Grêmio da Batalha de La Plata, da Batalha dos Aflitos e do Inacreditável.

Grêmio copeiro, carrasco e de carrinhos. Grêmio da Geral, da avalanche e do alento.

Grêmio Futebol Porto-Alegrense. Futebol de verdade.

Porque futebol-arte, você sabe, é coisa de fresco.

¹ Eduardo Bueno é jornalista, escritor, historiador e levemente gremista.

² Absolutamente imperdível o especial Planeta Azul da Zero Hora.com.

³ O site oficial do Grêmio transmite hoje, ao vivo, a festa do título direto de Porto Alegre.

Fred Fagundes

A vingança de Cecília

A feia. A recatada. A moça que se veste como se vivesse num país comunista imaginado por americanos em 1967. Toda cidade tem a sua. Em Passadeiro, interior da Bahia, ela atendia por Cecília. Apesar do nome, digamos, sensual, Cecília era tão excitante quanto uma, digamos, pia de banheiro.

Magra, alta e desengonçada, Cecília passava maior parte do dia no trabalho. Era radialista, tinha uma voz aveludada, leve, doce e serena como os primeiros raios de sol. Apresentava o jornal da manhã e do final de tarde na única emissora de Passadeiro. Seu sonho era trabalhar na TV, mas era feia, muito feia. E pessoas feias ou trabalham em rádios ou viram pro-bloggers.

Havia tentado também um emprego de assessora de imprensa do Atlético, time amador de Passadeiro. Desistiu minutos antes da entrevista. Ao chegar no clube, viu que um grupo de jogadores imitava o seu modo estranho de caminhar. E riam. Riam e olhavam com menosprezo para Cecília. Ela odiava isso.

Mas não era a primeira vez. Cecília foi motivo de chacota desde o ensino fundamental. Nunca mudou seu estilo, parecia usar a mesma armação de óculos a vida inteira. E as roupas, bem, as roupas eram costuradas por ela mesmo. Saias longas, muito longas e blusas com botões enormes e repletas de babados. Provavelmente usava também uma enorme calcinha bége. Era de arrepiar. Era uma vasectomia ambulante.

Cecília não namorava. Não tinha amigos. Um desastre de vida, um desastre.

Cansada da mesmice e do nada, Cecília decidiu procurar uma vida nova em Salvador. Cidade grande, muitas oportunidades e muitas pessoas. Não perderiam tempo reparando e falando mal de seu estilo, como era em Passadeiro. Tinha 20 anos, os novos 10. Queria estudar, aprender, conhecer pessoas, lugares, ouvir sons, ver filmes, adquirir uma cultura que nunca teria conhecimento no interior.

Graças ao trabalho na rádio, conseguiu estágio numa revista de entretenimento. Demorou poucos meses até ser convidada para a reportagem. Durante três anos foi reporter de TV e música. Estudou, aprendeu, conheceu pessoas, lugares, ouviu sons, viu filmes e adquiriu aquilo tudo que queria e foi citado no final do parágrafo anterior.

Tirou férias. A segunda, na primeira, no ano interior, ela fez um tour por 13 paises da Europa. Dessa vez, queria algo mais tranquilo. Decidiu visitar Passadeiro. Estava com saudades da família, só, pois nada o prenderia naquele muquifo. Passaria lá o mês de março inteiro. Março, inclusive, que é o mês em que ocorre a Copa Berimbau, competição tradicional que reunia os menores times do interior baiano.

As coisas começavam a ter um sentido.

“Como ela mudou assim, de ontem pra hoje”? O questionamento da população passadense mostrava como Cecília era ignorada no município. Mesmo três anos morando longe, era de desconhecimento geral que ela havia deixado Passadeiro. As mulheres, que até ontem eram belas, hoje não passam de bonitinhas. Cecília elevou o padrão de beleza de Passadeiro. Sua chegada foi triunfal, ah, foi.

Chegou dirigindo um conversivel vermelho. Ao deixar o carro, benzadeus. Perna, perna, perna, perna, a perna da mulher não acabava. Finalmente, Cecília. Linda. Fogosa. Balançou os cabelos louros em câmera lenta. O único semáforo de Passadeira deu tilt, alarmes de carros dispararam e sorvetes num raio de 20 metros derreteram.

A notícia de sua volta chegou até a concentração do Atlético, que se preparava para a estréia na Copa Berimbau. Aliás, um baita time o daquele ano. Campeão invicto da terceirona do estadual, era o melhor plantel dos últimos 10 anos e o favorito ao título

O atacante Nenéca lembrou que foi vizinho de Cecília e sabia onde a família dela morava. Aguçado pela sua curiosidade, pulou o muro da concentração e foi até a residência. Chegando lá, encontrou o portão encostado. Entrou. Três passos depois, uma janela aberta. Ao aproximar-se, viu Cecília. Ela estava deitada no sofá de lingerie vermelha e um cigarro entre os dedos médio e anelar.

- “Eu esperava um de vocês”, disse, antes de tragar. “Entra”, completou.

Nenéca e Cecília fizeram sexo durante uma noite inteira. O jogador só voltou, exausto, na manhã seguinte para a concentração. Dormiu até pouco antes do jogo. Sentia-se recuperado. No caminho até o estádio revelou as últimas paralavras de Cecília: “conta pros teus amigos. Eu vou esperar eles”. Jurou, Nenéca. Jurou que ela disse aquilo.

“Ela é uma santa, é uma santa”, vibravam os atletas.

A partida começou no horário previsto. Nenéca, atacante, era a maior esperança de gols do Atlético. Havia mostrado um bom trabalho e desempenho nos treinos. E ainda estava, mais do que nunca, animadíssimo. A primeira bola recebida por Neneca foi aos 3 minutos. Ele tentou um drible, pisou na bola, e caiu de bunda. Lance ridículo. Mais ridículo seria o seguinte, quando ele chutou o chão e quase se lesionou.

Nenéca estava irreconhecível. Foi substituído pouco antes do final do primeiro tempo. Perdeu a vaga no time. Nunca mais foi titular. Nunca mais fez um gol.

A cerimônia se repetiu na véspera da partida seguinte. O jogador da vez era o Flávio Bicudo, béque tipo becão mesmo. Anotou o endereço da felicidade e foi-se, todo faceiro. A situação era a mesma relatada por Nenéca. Portão encostado e uma janela aberta. Dentro da casa, Cecília o esperava apenas com o perfume em seu corpo. Noite feliz, noite feliz…

Bicudo era capitão daquele time. Era popular por sua sorte, jamais havia perdido um cara e coroa, jamais. No dia seguinte, já no jogo, a moeda arremessado com o dedão pelo árbitro subiu, o sol atrapalhou a visão de Bicudo e caiu no olho do jogador. Acabou substituído antes do apito inicial. Fez uma cirurgia, mesmo assim perdeu parte da visão. Deixou o futebol. A sorte, enfim, o abandonaria.

Uns seis dias depois foi a vez do Pepeu, meia direita. Foi para a cama com Cecília, aquela loucura. No dia do jogo torceu o tornozelo saindo do vestiário. Benfica, o goleiro de quase dois metros. Chegou na concentração fumando um cigarrinho. No jogo, deu com a cabeça na trave e sofreu traumatismo craniano.

A coincidência começava a levantar suspeitas. Todo jogador que dormia com Cecília sofria, de uma forma ou outra, dentro de campo. Alguns não superticiosos discordavam. O Greco, por exemplo. Era banco, nunca entrava. O time preferia jogar com 10 do que escalá-lo. Decidiu passar a noite com Cecília. Passou. Na tarde seguinte, um raio caiu no banco de reservas e levou Greco ao coma. Somente ele, os outros nada sofreram.

O recado, enfim, era compreendido. Cecília tinha uma maldição entre as pernas. Vingança, isso que ela desejava, isso que a fez voltar para Passadeiro. As mulheres são assim. Para elas, não basta ser a melhor. A honra e orgulho recuperados de um passado negro podem ser mais relevantes que um presente digno. Cecília adorava isso. Ela se vingou dos que à ofenderam um dia, um por um.

E os jogadores aprenderam. De nada adianta ter talento. Não só no futebol, mas é imprescindível ter humildade. É imprescindível saber respeitar as mulheres.

Principalmente se ela for uma bruxa.

Fred Fagundes

Dossiê Forrest Gump

Após o dossiê que reuniu todas as referências, curiosidades, easter eggs e homenagens subiliminares descobertas por fãs da trilogia De Volta Para o Futuro, chegou a vez de desvendarmos segredos e até algumas dúvidas deixadas em Forrest Gump (1994).

Trata-se de um dos mais brilhantes roteiros já escritos. Como perfeitamente definiu o popular crítico americano Roger Ebert, “Forrest Gump tem a complexidade da ficção moderna, uma história rica em grandes risadas e tristes verdades”. Representou, sem qualquer sombra de dúvida, uma das mais claras linhas divisórias do cinema.

Forrest Gump, um homem que sabe melhor do que ninguém que o idiota é quem faz idiotices, vive intensamente duas conturbadas décadas: 60 e 70. Mais do que isso, ele conhece pessoalmente celebridades, autoridades e é testemunha de verdadeiros marcos na história da humanidade.

Passagens de Forrest Gump retratam com altíssima sensibilidade fatos marcantes. Algumas com tanta, mas tanta sensibilidade que a referência passa despercebida.

Vamos começar pelo início. A pena. Antes de cair no colo de Forrest Gump, ela flutua tendo, além de um esplêndido céu azul, a premiada trilha sonora de Alan Silvestri de fundo. Cena essa repetida em O Expresso Polar (2004), também dirigido por Robert Zemeckis. Na animação, um bilhete perdido lembra muito o início de Forrest Gump.

O nome de Forrest é uma homenagem ao herói da Guerra Civil Americana (1861-1865) Nathan Bedford Forrest. Segundo a mãe do protagonista, ele tem esse nome para lembrar que as pessoas fazem, as vezes, coisas sem sentido. Nathan Bedford, em 1865, fundou o Klu Klux Klan.

O livro que a mãe de Forrest lê para ele todas as noites – e o que ele leva na mala – é Curious George, de Hans e Margret Rey.

Em 1955 um jovem músico ficou hospedado na “Pensão Gump”. Forrest, ainda com o grotesco aparelho nas pernas, dançou aquele som agradável do violão. Meses depois, mais exatamente em 5 de junho de 1956, o tal hóspede se apresentava na TV como Elvis Presley. No palco do Milton Berle Show, o Rei exibiu pela primeira vez os passos aprendidos com Forrest.

Ah, e na cena anterior, quem faz a voz de Elvis é Kurt Russell.

Na cena em que os primeiros estudantes negros entram na Universidade, Forrest aparece na imagem para pegar um livro que Vivian Malone – a primeira univesitária negra – deixa cair. Essa técnica de manipulação de imagem foi muito usada no filme, colocando o personagem de Tom Hanks em dezenas de fatos.

Selecionado para a Seleção Americana, Forrest Gump foi à Casa Branca em 1963 e conheceu J.F. Kennedy. No banheiro, após Forrest tomar 15 refrigerantes, é possível observar uma foto autografada por Marilyn Monroe.

Forrest Gump se alistou no exército em 1968, em meio a Guerra do Vietnâ e logo após concluir a faculdade. No ônibus do exército ele conhece Bubba, jovem que o ensinaria tudo sobre camarão. Mais tarde, Forrest abre a Bubba Gump. Que, aliás, existe. Bubba Gump Shrimp já era uma bem sucedida marca nos Estados Unidos na época do lançamento do filme.

Segundo o agora “soldado Gump”, não é difícil servir o exército. “Basta saber fazer cama direito, estar sempre em pé e reto e responder todas as perguntas dizendo: ‘sim, sargento’”.

Quando Bubba e Forrest chegam à base americana no Vietnã, surpresa: parecia que eles não haviam saído dos EUA. Engradados de Budweiser e Coca-Cola, além de uma vitrola tocando The Four Tops, resumiam como os americanos se prepararam para aquela guerra.

O tenente Dan Taylor, futuro grande amigo de Forrest, teve parentes mortos em todas as guerras com participação americana até o Vietnã: Guerra Civil (1861-1865), Revolução Americana (1775–1783), Primeira Guerra Mundial (1914–1918) e Segunda Guerra Mundial (1939–1945).

Durante a patrulha, Forrest dizia que os soldados estavam sempre procurando um cara chamado “Charlie”. Victor Charlie, ou somente VC, era a forma como os militares americanos chamavam os vietcongs.

Após salvar boa parte do pelotão, inclusive o tenente Dan Taylor, Forrest foi pela segunda vez até a Casa Branca. Dessa vez, para receber a Medalha de Honra ao Mérito do presidente Lyndon Johnson.

A cena seguinte é particularmente uma das minhas preferidas. Abordado por pacifistas, Forrest é confundido com um militar que discursaria para a multidão. Após Forrest subir ao palco e comentar o que viveu no Vietnã, surge no espelho dágua do “Monumento a George Washington” a sua amada Jenny Curran. Eles correm e se abraçam numa cena repleta de esperança e significado, para delírio da multidão.

Jenny apresenta Forrest para seus novos amigos. São integrantes do partido revolucionário Panteras Negras, grupo marxista que protestou em Washington em 1968.

Quando Jenny conta a Forrest suas “viagens” e formas como viveu em “harmonia”, ela aparece tocando violão na calçada da fama de Hollywood. E bem próximo da estrela de Jean Harlow, símbolo sexual dos anos 30.

Na cena em que Forrest Gump está sentado ao lado de John Lennon no The Dick Cavett Show, estava naquele banco, na verdade, Yoko Ono. Isso foi em 1971.

Nessa mesma cena Forrest Gump diz que “na China as pessoas não tem nada. E não tem religião”. Dick Cavett comenta “é difícil imaginar”. E Lennon responda: “é fácil se você tentar”. Ou seja, trechos da maior música de todos os tempos: Imagine. Depois de Elvis, Forrest inspirava John Lennon.

Em 1974 Forrest vai, pela terceira e última vez, à Casa Branca. O presidente daz vez era Richard Nixon, que homenageou à equipe de pingue-pongue americana.

Do quarto de hotel onde está hospedado, Forrest liga para a recepção e diz que alguém com lanternas estava procurando “fusíveis ou coisa assim” no prédio da frente. Ao desligar o telefone, aparece o nome do hotel onde está Forrest: Watergate. Tratava-se do assalto que motivou a renúncia do presidente americano Richard Nixon. Somente em 2005 o autor da denúncia foi reconhecido. Durante anos ele ficou conhecido como Garganta Profunda.

O Furacão Carmen que destruiu todos os barcos pesqueiros – menos o de Forrest – realmente aconteceu. Em 29 de setembro de 1974 ventos de 130 km/h atingiram fortemente a Louisiana.

Enquanto cuidava da administração da Bubba Gump Shrimp, Dan decidiu investir em outro negócio. Forrest disse que se tratava de algo com frutas. Na verdade, era a Apple Computers.

Há uma série de curiosidades durante a corrida de Forrest pelo país. Não é definida quantas vezes ele vai de costa a costa, mas, segundo meus cálculos, foram 4 idas e vindas. Ou seja, ele teria percorrido algo em torno e 17.000 km.

O real inventor da frase “shit happens” (merdas acontecem) é desconhecido. Mas, segundo o filme, após pisar em um monte de merda, Forrest diz: “acontece”. O cara que havia pedido ajuda para uma frase fica admirado com a idéia. E, no pouco depois, rico com seus populares adesivos “shit happens”.

O inventor do smile é o americano Harvey Ross Ball. No filme, mas uma vez Forrest tem influência nesse símbolo pop. Ele limpa o rosto com uma camiseta amarela, formando assim o :)

A cena em que Jenny conta a Forrest que tem um filho com ele é absolutamente significativa. Pois, a reação de Forrest é de medo. Ele pergunta se o garoto “é igual ele”. Ou seja, somente quase no final do filme que temos a revelação: Forrest sabia que tinha um problema mental.

O garotinho que faz Forrest Jr. é o ator Haley Joel Osment (Sexto Sentido, I.A.).

O livro que Forrest Jr. leva para a escola é o mesmo que a mãe de Forrest lia para o filho: Curious George.

Ao ser aberto, aquela pena que Forrest havia guardado no começo do filme cai. E o filme acaba. Com a mesma simplicidade de sua introdução e doce como uma caixa de chocolates.

¹ Forrest Gump ganhou 6 Oscars: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Tom Hanks), Melhor Roteiro Adaptado, Melhores Efeitos Especiais e Melhor Montagem. Além disto, foi indicado em outras 7 categorias: Melhor Ator Coadjuvante (Gary Sinise), Melhor Fotografia, Melhores Efeitos Sonoros, Melhor Trilha Sonora, Melhor Maquiagem, Melhor Direção de Arte e Melhor Som.

² Ganhou 3 Globos de Ouro: Melhor Filme em Drama, Melhor Diretor e Melhor Ator em Drama (Tom Hanks), além de ter sido indicado em outras quatro categorias: Melhor Trilha Sonora, Melhor Ator Coadjuvante (Gary Sinise), Melhor Atriz Coadjuvante (Robin Wright) e Melhor Roteiro.

³ Sou obrigado a citar a visita ilustre que o QMaT teve essa semana. Wandeko Pipóka, o Bozo deixou um comentário na sua entrevista feita pelo Daniel. Muito obrigado, Wandeko :D

Fred Fagundes

Álbum Campeonato Brasileiro 2008

Após meses de sondagem, expectativa e muito mistério, enfim, chegou. Recebi ele ontem, lá pelas 13h, da minha namorada. Isso talvez porque, segundo ela, desde maio eu não sabia falar de outra coisa. Me perguntou o motivo de tanta ansiedade. Disse que seria difícil explicar. Agradeci, claro, e pedi que ela lesse o post de mais tarde no QMaT.

2008 começou hoje para mim. O motivo? Simples.

Ganhei o Álbum do Campeonato Brasileiro.

Mas você não tem 22 anos, catzo?

Sim, tenho 22 anos. Mas tenho também uma história interessante (ou não) sobre o Álbum do Campeonato Brasileiro. Tudo começou em 1996, ano em que completei, na raça, o meu primeiro álbum. Lembrando que eu fazia coleção das figurinhas desde o Campeonato Brasileiro de 1994, mas sempre sem completar. Pois bem, em 1996, finalmente, juntei todos os jogadores daquele ano no livro. Hora trocando, hora no bafo. Sim, no bafo.

Não sei como esse grande esporte se chama na sua cidade, mas em Porto Alegre (RS) é bafo mesmo. Depois do futebol, é o maior responsável pelas brigas e competições escolares. Consiste em juntar as figurinhas de cabeça para baixo numa pilha e tentar virá-las batendo com a mão. Quem virar, leva.

Atenção: não é permitido encostar na figurinha.

Naquele período de 1996 o comércio de figurinhas em bancas e padarias já havia terminado. No meu álbum só faltava um rosto: o César Prates, do Inter. Fui até diversos pontos de troca. Em vão. Comecei a achar que aquele seria mais um álbum incompleto. Até que surgiu a notícia. “Acharam, acharam o Cesar Prates” dizia o JH, um rapaz inocente que havia perdidos todas as suas figurinhas no bafo. Disse ele que o Pires da sétima série tinha o então lateral colorado.

Justo o Pires da sétime séries, responsável por “rapar” o JH. Pires era tipo o melhor do bafo. Tinha a maior coleção de todos os guris. Era ele o Pelé do bafo. O Michael Jordan. O Zorro. O Sampson Moreira.

Pires era conhecedor dessa minha necessidade. Era ele ou ninguém. Assim, propôs o Cesar Prates contra meu álbum. “Ohhhhhhh…” fez-se nos pátio. Pedi para ver o Cesar Prates. Estava lá, em bom estado. Pensei duas, três vezes, não podia ratiar. “Ok”, concordei. Aplausos, gritos, nunca o Odila havia visto um acontecimento daquele tamanho tirando a famosa bomba no banheiro de 1992.

Ele colocou o Cesar Prates virado no chão e aguardou meu movimento. “Matar ou morrer”, disse. Ou seja, se eu virasse, era minha. Se eu falhasse, ele levava o álbum. Aceitei mais uma vez. Que pena que as câmeras digitais não era populares naquele época, que pena.

Levei minha mão sobre o ombro direito. A respiração de todos num raio de 30m simplesmente parou. Quando esperavam meu tapa, surpreendi. Saquei o Dinho, capitão do Grêmio em 1996, e o coloquei no agora monte. Antes que o Pires da sétima série ameaçasse qualquer reação, lembrei a todos que eu havia, até aquele momento, acatado todas as exigências do meu adversário. Ou seja, ele não tinha moral para discutir.

Virou um Grenal no bafo. O negócio ficou pessoal. Tranquei a respiração, fiz o movimento característico dos grandes jogadores de bafo e dá-lhe bangornada. Levantei a mão poucos centimetros do chão e mantive meus olhos fixos nas figurinhas. Tanto o Cesar Prates quanto o Dinho subiram, rodaram e cairam. Em pé! Ambas, encostada uma na outra. Silêncio. Qualquer movimento poderia interferir no desfeixo.

As figurinhas começaram a escorregar, uma de frente para a outra e cairam. De um lado, o Dinho. Do outro, um Cesar Prates olhando para o alto esorridente, certamente por estar à caminho do meu álbum. Aquele dia entrou para a hitória do bafo gaúcho, sendo lembrada até hoje por quem estava lá. E quem não estava, jura que viu de longe ou pelo menos ouviu os gritos.

Tudo isso pra dizer que: com meu álbum completo, o Grêmio foi campeão brasileiro. Continuei comprando o álbum de 1997 até 2007, mas nunca mais o tricolor levou esse título. E eu sempre carreguei esse peso. Sempre achei que o Grêmio nunca mais foi campeão porque não completei mais o álbum.

Mas esse ano vai ser diferente. Ah, vai.

Sobre o álbum

Apesar das ausências de Atlético Paranaense, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro e Santos, o livro deste ano está infinitamente superior ao do ano passado. Começando pelo preço, bem acessível. O álbum custa R$3,90, já um evelope com 5 cromos, R$0,60.

Comprei R$10 de figurinhas. Só que a mulher deu um envelope a mais. Que foi? Eu só vi em casa, não me culpem. Ou seja, reuni 85 cromos. No início da colagem, adivinhe qual o primeiro jogador que aparece.

Pereirão Tower, o Empire States Building da defesa gremista. Que espetáculo, rapaz. Bom sinal, bom sinal.

A diagramação interna, além de informativa, é bastante moderna. Nas páginas dos clubes da primeira divisão há um perfil básico de cada jogador (nome, idade, origem e último clube), a classificação do time nos últimos cinco anos e curiosidades como o nome do maior artilheiro do clube em todos os tempos, do maior artilheiro em um único campeonato e o recordista de jogos.

Além disso, consta também uma interessante tabela com o histórico de confrontos do clube no brasileirão, entre outros detalhes inúteis que adoramos.

Os escudos (símbolos) dos clubes deixaram as páginas de jogadores e foram para o início do livro. No seu lugar, uma interessante novidade. O uniforme do time num tipo de papel que lembra BOPP fosco e em alto relevo. Um material semelhante ao pano.

Bom, eu acho.

Na série B, maldade com os jogadores. As fotos são menores. Mas bem menores. Em cada cromo vem dois adesivos. Os dados também são limitados, sendo uma página somente por clube. Em compensação, há quatro páginas especiais com um resumo da competição e todos os campeões.

Dei uma sorte danada nessa primeira leva e não repeti uma única figurinha. Como sou um cara tradicional e absolutamente supersticioso, entendi isso como um sinal para seguir com a coleção. Não vou sossegar até completar o álbum. Pode anotar: o tri é uma questão de figurinhas.

Vou exibir aqui os números repetidos. Portanto, interessados em trocas podem entrar em contato pelo e-mail fagundes.fred@gmail.com.

Desafiantes no bafo, também.

Fred Fagundes

Eles tentaram derrubar o Batman

Vilões sempre foram mais interessantes. Porém, pela primeira vez, um herói tornou-se coadjuvante. Em Batman – O Cavaleiro das Trevas o assustador Coringa interpretado por Heath Ledger (que morreu em janeiro aos 28 anos em decorrência de uma overdose causada por remédios prescritos) é a principal atração. Não somente por ser o último filme de Ledge, mas por se tratar de uma das mais surpreendentes e brilhantes atuações dos que já tentaram dar um sacode no homem morcego. E olha que a lista é grande.

Em 1966, Bob Kane sugeriu aos produtores da ABC uma sátira dos quadrinhos do Batman. A produção se tornou um sucesso incrível, sendo até hoje comercializada em DVD’s e em especiais para TV. O colant cinza vestido por Adam West (Batman) e o modo afeminado do Burt Ward (Robin) são até hoje lembrados como símbolos da chamada Trash TV dos anos 60.

O primeiro Coringa, vejam vocês, tinha origem cubana. Cesar Romero era um dançarinho desconhecido da Broadway até 1934, quando estreou no cinema em A Ceia dos Acusados. Sua atuação em alguns filmes de TV chamaram a atenção de Bob Kane, que o convidou para viver o hilário Coringa. Romero aceitou, mas apenas com uma condição: não precisar raspar o bigode. Fechado.

Romero foi um grande amigo de Carmen Miranda. Além disso, esteve duas vezes no Rio de Janeiro, uma delas no Carnaval de 1946 ao lado do ator Tyrone Power (Fio da Navalha 1947).

Morreu em 1º de janeiro de 1994.

Perdendo em popularidade somente para o Coringa está o Pingüin. O grande Burgess Meredith (o Mickey Goldmill, treinador do Rocky Balboa) incorporou com maestria o vilão dos quadrinhos. Foi ele que inventou aquele andar estranho e o som de pato. Um verdadeiro cavalheiro do mal com seu fraque, monóculo e cartola.

O pássaro que não sabia voar foi um dos mais implacáveis inimigos do Batman.

Morreu aos 89 anos, em setembro de 1997.

O Charada, ou Riddler, é, particularmente, o meu vilão favorito da série de TV. Interpretado originalmente por Frank Gorshin, ganhou o público com seu carisma e aguçado senso de humor. O uniforme é fiel aos quadrinhos: uma malha verde com um enorme ponto de interrogação no peito, luvas e uma faixa na cintura roxa.

Gorshin foi um grande ator. Ficou muito conhecido, também, por suas aparições no Ed Sullivan Show e no The Tonight Show, com Steven Allen. Em Os 12 Macacos (1995) ele faz uma participação como um dos médicos do hospício onde estão internados James Cole (Bruce Willis) e Jeffrey Goines (Brad Pitt). Na cena em que Cole desaparece, Gorshin faz o mesmo barulho engraçado com a língua que fazia no papel de Charada.

Sua última charada foi feita em maio de 2005, aos 68 anos.

A Mulher-Gato teve várias versões. Ganhou até um filme em 2004, horrível por sinal. Contudo, a bela Julie Newmar será para sempre a eterna dona do chicote. Foi a vilã que conseguiu balançar o coração do Batman. Tudo graças ao seu corpo perfeito e movimentos ousados para a época.

O traje de lurex (lycra brilhante como purpurina) foi considerado um escândalo. Aquela roupa desenhava bem as formas de dançarina de Julie. Tinha como acessórios um colar de ouro que servia como walktalkie, um cinturão dourado e botas de salto alto com pinos de metal. A felina roubava a cena fácil.

Julie foi substituída por outras duas atrizes no papel: Lee Mariwether, que só participou do filme para o cinema, e Ertha Kitt. Com a cantora e atriz Eartha Kitt, os fãs da Mulher Gato tiveram a oportunidade de ver pela primeira vez a vilã negra. Kitt foi contratada para dois dos episódios de Batman e seu rosnado também ficou bem conhecido.

Foi um famoso diretor de cinema, Otto Preminger, o primeiro o Mr. Freeze. O homem que queria congelar o coração do Batman apareceu poucas vezes, mas ficou marcado. Era o, digamos, “menos pior” dos vilões. Na verdade, Freeze queria somente descobrir a cura de um mal desconhecido que fazia sua esposa sofrer. Infelizmente, para isso, ele entra na vida do crime.

Otto trabalhou ainda em filmes com Frank Sinatra e Marilyn Monroe. Morreu em 1986, vítima de câncer.

Em 1989, Tim Burton surpreendeu. Além de não convocar Johnny Depp para o papel de principal, Burton levou às telas um Batman mais sombrio e quase assustador. Foi a produção mais lucrativa daquele ano.

O vilão escolhido para a estréia do homem morcego nas telonas foi o Coringa. Para interpretar o antigo personagem de Cesar Romero, simplesmente Jack Nicholson. Além de uma indicação ao Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante, Jack levou cerca de 60 milhões de dólares por conta de um contrato que previa, além do cachê, uma porcentagem do valor total da bilheteria.

No longa, o Coringa surge quando Jack Napier cai em um tonel de produtos químicos enquanto foge de Batman. Além disso, nessa versão, o personagem é responsável pela morte dos pais de Bruce Wayne.

Em 1992, também com Tim Burton na direção e Michael Keaton no Batmóvel, foi lançado Batman – O Retorno. Desta vez com trabalho dobrado para o dono do filme: Mulher-Gato e Pinguim. Pinguim, aliás, muito bem interpretado por Danny DeVito. Atarracado, feio e disforme, o vilão é um prodígio de maquiagem.

Michelle Pfeiffer está maravilhosa como Mulher-Gato. A cena em que a loira ameaça engolir o passaro do Pinguim é antológica.

Balançou, também, o coração de Bruce Wayne.

Batman Forever (1995) tinha tudo para dar certo. Grande elenco, ótimos vilões (Charada e Duas Caras) e um excelente diretor: Joel Schumacher. Só erraram numa escolha. O ator que faria o Batman. Antes tivesse colocado o barrigudo Adam West, pois Val Kilmer foi, de longe, o pior Batman de todos os tempos.

Quando eu digo que tinha tudo para dar certo é porque, para interpretar os vilões, a Warner escalou Jim Carrey e Tommy Lee Jones, atores de altíssimo nível. O Charada, com cabelos da cor laranja, manteve o físico de borracha herdado da série de TV. Com um improviso facial marcante, o papel fez Jim Carrey ficar conhecido mudialmente.

Já Tommy Lee mudou totalmente a característica de Duas Caras. De um vilão sério e impiedoso, Duas Caras se transformou num sujeito palhaço e brincalhão. Só não foi pior que o Val Kilmer.

Também foi esse o primeiro filme do Robin, vivido por Chris O’Donnell.

Batman & Robin (1997) trazia, além da dupla dinâmica, a Batgirl Alicia Silverstone. Justo auxílio para combater vilões de peso: o gélido Mr. Freeze (Arnold Schwarzenegger) e a delicada botânica que, ao sofrer um acidente, transforma-se na perigosa e vingativa Hera Venenosa (Uma Thurman). No papel de Batman, o dr. Doug Ross. Ou George Clooney.

Hera não teve a chance de aparecer na série de TV. Sobrou para Thurman, que já era uma estrela na época, criar os trejeitos e olhares que por pouco não acabaram com a parceria de Batman e Robin. Foi uma grata surpresa daquele fraco filme.

Schwarzenegger me convenceu no papel de Mr. Freeze. Como era de se esperar, chamou mais atenção que os próprios heróis.

Ainda houve tempo para o aparecimento de Bane. Ele vive um ajudante de Hera. Ao contrário do original, o Bane do cinema é somente um capanga sem opinião. Bem, bem diferente dos quadrinhos.

Espantalho, o “mestre do medo”, ganhou vida em 2005 no filme Batman Begins (2005). Interpretado por Cillian Murphy, Espantalho quase nem é lembrado. Culpa da grande interpretação de Liam Neeson como Henri Ducard, o verdadeiro vilão de Batman Begins.

Uma curiosidade: antes do início das filmagens, o diretor Christopher Nolan reuniu todo o elenco para uma sessão privada de Blade Runner, o Caçador de Andróides (1982). Após o encerramento do filme, Nolan disse a todos que era daquele jeito que queria que fosse Batman Begins.

Não seria impossível, mas definitivamente trabalhoso citarmos as características de todos os vilões do Batman. Eu explico. Batman tem, de Homem-Pipa passando pelo Flagelo da Noite até o Doutor Fosfóro, nada menos que 158 inimigos.

Portanto, mantenha o Bat Sinal em stand by. Gotham agradece.

¹ Com auxílio do DKF e BAT.

Fred Fagundes

As 7 coisas mais legais dos anos 90: Séries

Cerca de 98% dos blogueiros são fãs e seguidores fiéis de séries como House, Lost e Heroes. Eu faço parte dos outros 2%. Abro exceções para os ótimos The Office, Scrubs e Everybody Hate Cris. Mas sempre preferi o formato de sitcom com “clac”, aquela risadinha de fundo, manja? Então.

Em meados da década de 90, no início da invasão das TV’s por assinatura (Sky, DirecTV, Net) no mercado brasileiro, o telespectador começou a curtir e conhecer melhor esse formato de humor. Algumas sitcoms marcaram época. Mais do que isso, entraram no nosso cotidiano e fizeram moda.

Friends, por exemplo. De longe a mais bem sucedida sitcom de todos os tempos. Com um elenco absolutamente impecável, Friends ficou 10 anos no ar, tendo sua estréia em setembro de 1994. Ao fim da 10ª temporada, cada um dos seis atores recebia US$ 1.000,000 por episódio, totalizando 18 milhões de dólares para cada.

O programa virou grife. Foi um raro modelo de sitcom em que não havia um único personagem central. O programa focou-se, sempre, na vida do sexteto. Contudo, todos os atores tiveram a chance de brilhar, como Phoebe (Lisa Kudrow) na sua gravidez; Chandler (Matthew Perry) e Monica (Courteney Cox) escondendo o relacionamento; Joey (Matt LeBlanc) e suas tentativas de ser ator e, é claro, Ross (David Schwimmer) e Rachel (Jennifer Aniston).

Ross e Rachel foi o casal mais famoso da televisão da década de 90. Entre idas, vindas e casamentos, o mistério só foi desvendado no último episódio e assistido por mais de 50 milhões de pessoas nos Estados Unidos.

Married With Children é a melhor série de humor já produzida. Quebrando totalmente os estereótipos e velhas fórmulas, Married With Children tinha em seu ponto alto o chefe da família, Al Bundy. Al é um dos mais criativos e carismáticos personagens que a cultura pop criou nos anos 90. A família ainda era composta por Kelly Bundy (Christina Applegate), filha loira e burra; “Bud” Bundy (David Faustino), o filho mais novo que se acha incrivelmente sexy e atraente, e Peggy (Katey Sagal), esposa e mãe preguiçosa.

A família Bundy era mal educada, interesseira, com um senso de humor ácido e agressivo e dando uma paulada atrás da outra no bom e velho american way of life – que é, aliás, sua principal fonte de gozação. A série não poupava ninguém. Todos os personagens da série eram repletos de defeitos. Eles só dividiam o mesmo teto porque sinceramente não tinham mais o que fazer.

Al é um americano típico: vendedor de sapatos com um salário medíocre, mas que adora salgadinhos, cerveja, futebol americano e mulheres peitudas. Confira algumas frases desse gênio da nossa era:

“Entrou uma mulher tão gorda na loja hoje, mas tão gorda, que haviam duas mulheres menores orbitando em torno dela.”

“Só é trapaça quando se é pego.”

“Filho, já te disse para não casar? Já te disse para não ser vendedor de sapatos? Ótimo, já te ensinei tudo que sei.”

- “Ei, Peggy. Já disse que te amo hoje?
- Não.

- Ok.

Nenhuma série “infantil” tratou tão bem os problemas sociais como Anos Incríveis. Exibido no Brasil pela TV Cultura e Bandeirantes, Anos Incríveis narrava os fatos históricos ocorridos no final dos anos 60 e início dos anos 70 através dos olhos do protagonista Kevin Arnold (Fred Savage), de 12 anos.

O mais interessante dessa série é que, enquanto se passam as histórias, os acontecimentos são narrados por um Kevin mais velho e experiente, que descreve o que acontece e conta o que aprendeu de suas experiências. Técnica essa utilizada anos mais tarde pelo roteirista Mark Levin no longa ABC do Amor.

A trilha sonora era um show a parte em Anos Incríveis. A música tema da abertura e encerramento do programa era With a Little Help from My Friends, dos Beatles e na voz de Joe Cocker. Já o primeiro beijo de Kevin em Winnie (Danica McKellar) é ao som de Blowing In The Wind, clássico de Bob Dylan interpretado pela tão genial quanto Joan Baez.

Anos Incríveis teve seis temporadas. O episódio final acontece em 4 de julho de 1973, dia da comemoração do 197º aniversário da independência dos Estados Unidos. Segundo consta na Wikipédia, foi mais ou menos assim:

Refletindo sobre como todos crescem e a infância chega ao fim, Kevin e Winnie têm seu último dia de paixão juntos antes de seguirem caminhos separados para sempre. Winnie vai à Europa para estudar história da arte, enquanto Kevin permanece nos Estados Unidos, casa-se e tem um filho. Eles mantêm correspondência por cartas durante oito anos. O pai de Kevin morre de ataque cardíaco dois anos depois e Wayne assume o negócio familiar de mobília. Os destinos de muitos personagens são resolvidos enquanto o narrador (Kevin adulto) nos diz:

Crescer é algo muito rápido. Um dia você usa fraldas e no outro você vai embora. Mas as memórias da infância permanecem com você. Lembro-me de um lugar, uma cidade, uma casa como várias outras casas, um quintal como vários outros quintais, em uma rua como várias outras ruas. E o fato é que, após todos estes anos, eu ainda olho para trás: foram anos incríveis.

“A melhor série sobre o nada”. Foi assim que Jerry Seinfeld definiu uma das melhores e mais premiadas sitcoms de todos os tempos. Exibida originalmente de 5 de julho de 1989 até 14 de maio de 1998, a série retrata a narcisista e irônica personalidade de 4 amigos em Nova York. Em 2002, o TV Guide elegeu Seinfeld o melhor programa de televisão de todos os tempos.

O grande barato de Seinfeld era justamente a falta de assunto relevantes. A maioria da comédia era baseada em factos corriqueiros do dia-a-dia com pontos de vista excêntricos. Os personagens, altamente imorais, deixavam o sentimentalismo de lado. Não havia um momento para aprender. Os criadores sempre quiseram mostrar as atividades de pessoas reais, ao invés de igualar-se a outras séries.

Jerry Seinfeld fazia seu próprio papel. Um humorista à procura de relações com mulheres atraentes, que raramente duram mais do que um episódio. Geralmente detecta logo algum minúsculo defeito nelas, que exagera, levando-o a terminar a relação imediatamente. É obcecado por limpeza, cereais de pequeno-almoço, ténis (calçado) e super-heróis, em especial o Super-Homem.

O personagem de Michael Richards, o Cosmo Kramer, é outro grande destaque. É famoso pelas suas entradas no apartamento de Jerry, abrindo a porta rapidamente e deslizando para dentro. Usa mais a comédia física para arrancar risadas do público.

O episódio final de Seinfield foi visto por 76 milhões de americanos, a terceira maior audiência de uma final de série – perdendo somente para Cheers (80.4 milhões) e M*A*S*H (106 milhões). O final, como não poderia ser diferente, foi rodado do polêmicas. Jerry, Crames, Elaine e George são julgados por quebrarem a “lei do bom samaritano” e condenados à prisão.

As meninas vão adorar essa. Beverly Hills 90210 – ou apenas Barrados no Baile – fez tanto sucesso, mas tanto sucesso que nenhum ator da série conseguiu livrar-se do papel. O programa era exibido, também, aos sábado na TV Globo, lá pelas 14h, no início da década de 90.

A história da série começa com a mudança da família Walsh da pacata Minessota para a badalada Beverly Hills, mostrando as experiências, dificuldades e realizações dos gêmeos Brandon e Brenda. Ambos enfrentam a discriminação da sociedade, além da difícil adaptação na nova realidade.

A série seguia as vidas de um grupo de adolescentes que morava numa comunidade elitista e rica de Beverly Hills e estudava no West Beverly High School. Temas polêmicos como drogas, a gravidez na adolescência e o suicídio eram abordados. O “90210″ no título, você sabe, refere-se ao Código Postal da zona de Beverly Hills.

Trata-se de um marco na TV, pois atingiu com grande eficácia o público adolescente e adulto exibindo uma concepção renovadora. Um modelo infinitamente copiado anos mais tarde.

E maio surgiu a notícia de que uma nova versão de Barrados no Baile será lançada ainda este ano. O episódio piloto foi escrito por Rob Thomas, indicado para melhor roteiro nos prêmios WGA pela série Veronica Mars e a direção ficará a cargo de Mark Piznarski (Gossip Girls e Everwood).

Ele invadia as manhãs de domingo após a Fórmula 1. Exatamente. MacGyver Profissão: Perigo foi sensacional.

O que esperar de Angus “Mac” MacGyver? Tudo. MacGyver era um agente secreto que não usava armas e resolvia os seus problemas graças aos conhecimentos científicos, engenhocas, e seu bem amado canivete suiço. Isto permitia que ele criasse uma variedade de soluções improvisadas, para escapar da captura, do desastre mundial ou apenas pedir uma pizza. Virou sinônimo de gambiarra e improviso.

Em fevereiro deste ano, o Mythbusters, popular programa transmitido pelo canal da televisão a cabo Discovery Channel, realizou um programa especial para desvendar algumas das mais populares táticas do MacGyver, como a bomba feita com pilhas AA e a cola de amônia e suco de laranja que gruda até 150kg. E funcionou.

Na verdade, eu não sei se funcionou. Mas vamo acreditar que sim e manter a magia. :)

E lembre-se: o que Jack Bauer faz explodindo três quarteirões, MacGyver fazia com a tranquilidade de um passeio no parque.

E porque não? A mais genial e bem elaborada série da América Latina é até hoje uma pedra no sapato das emissoras concorrentes ao SBT. Mesmo eternamente reprisada, Chaves garante bons números e a renovação de seus fãs.

Criada, escrita e interpretada pelo humorista e dramaturgo Roberto Gómez Bolaños, El Chavo Del Ocho explora situações do dia a dia e mal entendidos cômicos com uma ótica otimista, sob a pele do garoto Chaves. O abismo social entre vizinhos, a fome e o desamparo das crianças de rua conquistou o público e a crítica em dezenas de países, hispânicos ou não.

O programa começou em 1971, depois que seu protagonista, Chaves, apareceu junto com outra personagem, a Chiquinha, em um programa de televisão popular no México. A princípio se dirigia a um público maduro, mas se mostrou extremamente bem-sucedido entre as crianças mexicanas. Decidiu-se então “redirecionar” o programa ao público infantil. O nome “El Chavo del Ocho” é uma referência à emissora de TV que o produzia, a Televisa, cujo canal era o 8.

O melhor, ou não, é que Chaves virou algo cult. Hoje nos divertimos com diálogos e frases marcantes do programa. Algumas cenas são eternas na nossa memória, assim como a principal característica de cada personagens.

Chaves é, e sempre será, a nossa melhor lembrança da infância.

Frase mais marcante de Chaves? fico com “eu sabia que você era idiota, mas não a nível executivo” e “não há nada mais trabalhoso do que viver sem trabalhar”, ambas do saudoso Don Ramón Valdés, o Seo Madruga.

¹ Dados obtidos em BSéries e Wikipédia.

² Conheça as outras edições da série As 7 coisas mais legais dos anos 90: propagandas; infância; games e brinquedos.

Fred Fagundes

Fabio Jr. é um cara legal

E eu explico.

Fábio Jr., ainda moço, foi Mark Davis. Conquistou a fama com Don’t Let Me Cry e I Want to Be Free Again. Na década de 80, já com a atual alcunha, deixou a disco music de lado e foi se aventurar no pop-brega-temadenovela-rádioam. Ritmo melhor usado somente por um cantor. Este será citado no presente post, fique atento.

Fábio Jr. cantou Pai na minisérie Ciranda Cirandinha e fez todos chorarem num dos momentos mais emocionantes da TV brasileira. Fábio Jr. gravou antes de todo mundo músicas que fizeram sucesso nas vozes de Sandy e Junior a Raimundos – Enrosca e Vinte e Poucos Anos. E ainda cantou Caça e Caçador, Esqueça, Alma Gêmea e Só Você, entre muitas outras.

Fábio Jr. foi o primeiro “primo Luis” da novela Cabocla (1979), papel que foi interpretado por Daniel de Oliveira no remake hoje exibido em Vale A Pena Ver de Novo. Aliás, foi nessa novela que Fábio Jr. conheceu Gloria Pires (Zuca de 1979) e começou a fila. Fábio Jr. já deu um toco em: Tereza de Paiva, Glória Pires, Cristina Karthalian, Guilhermina Guinle, Gil da Banda Beijo e Patrícia de Sabrit. Oficialmente.

Pois, lembre-se: a cada duas brasileiras, uma foi casada com Fábio Jr. Se sua amiga não foi, você é e nem sabia.

Fábio Jr. fez um filme do grande Cacá Diegues. Fábio Jr. fez seis novelas na Globo e uma no SBT. Em Roque Santeiro Pedra Sobre Pedra (1992), as mulheres comiam as plantas mijadas pelo personagem de Fábio Jr. Na vida real, também. Centenas de casos de intoxicação foram registrados naquele ano.

Fábio Jr. fez vasectomia. E a desfez. Duas vezes.

Fábio Jr. é o cantor preferido de qualquer mãe do planeta. E um cara que eu nunca apresentaria para a minha.

Fábio Jr. é o único músico com sustentabilidade ética e envergadura moral para lançar, todos os anos, desde 1999, uma coletânea com seus maiores sucessos. Só muda a capa. E as tias compram.

Fábio Jr. não quis renovar com a Globo. E o controle de natalidade do Projac começou a funcionar.

Fábio Jr. tentou convencer Cleo Pires que ela era adotada. Quase funcionou.

Fábio Jr. foi a inspiração de Michael Dougas em Instinto Selvagem (1992). Até no cabelo.

Chuck Norris faz sexo com 30 mulheres por dia. Fábio Jr. chama isso de uma “quinta-feira morna”.

Enfim, descobriu qual o outro cantor do estilo pop-brega-temadenovela-rádioam, né? Roberto Carlos. Agora, peloamordedeus, não quero e nunca vou comparar o Fábio Jr. com Roberto Carlos. O Rei é incomparável. É o nosso Frank Sinatra. Sou fã do Rei. O maior cantor romântico do Brasil.

Mas, até quando?

Não existe no Brasil outro cantor basicamente romântico tão popular e carismático como Fábio Jr. Ele é bom compositor. É galã. Tem uma filha famosa, algo que ajuda a deixá-lo em evidência. Não arruma confusão. Volta e meia se divorcia, se casa, só. É um fenômeno que absolutamente não saiu de moda nos últimos 30 anos.

Existem semelhanças entre Fábio Jr. e Roberto Carlos que vão além do corte de cabelo mullet. Ambos são estrelas e complexos. Adoram uma regravação. E o principal: carisma. Não vou cair na bobagem de dizer que apenas as donas de casa com mais de 40 anos gostam Fábio Jr. e Roberto Carlos. Claro que não. Mas esse é o, digamos, target deles. Saca? Funciona há anos.

Roberto Carlos, infelizmente, não é imortal. Suas músicas sim, essas povoarão corações apaixonados de milhares de fãs e blábláblá. Mas e quando o Rei se for? O que vai acontecer? Bom, além da produção de um Globo Repórter especial e surgimento da notíca que a protese do Rei está em leilão no Mercado Livre, abrirá uma vaga de maior cantor romântico do Brasil.

“Estamos aí”, diria Fábio Jr.

E eu continuo achando esse rapaz um cara legal.

¹ Entre tantas ironias, uma verdade: sou fã do Rei.

Fred Fagundes

Arrogância no apito

Aconteceu no Grêmio e Portuguesa, o útimo jogo da rodada deste final de semana do Campeonato Brasileiro. Aos 48 minutos do segundo tempo, numa partida definida, o árbitro Marcelo de Lima Henrique marcou falta do zagueiro paulista Hálisson em Soares. O homem de preto caminhou em passos curtos com o cartão amarelo até o local da infração, já o zagueiro deu as costas e volto para a área. Não devia.

Marcelo de Lima apitou uma vez. Apitou duas. E o Hálisson nem tchum. Apitou três. E o zagueiro, com a cabeça quente depois de tomar a virada num jogo em que seu time dominou os 90 minutos, seguiu caminhando até sua posição. Aí o árbitro despirocou de vez. Correu de forma surpreendente, tirou o cartão vermelho do bolso, olhou feio para o atleta e o expulsou. Expulsou com força. Quase, mas quase mesmo, esfregando o cartão e o apito na cara do jogador.

Agora, vem cá. Não é um exagero?

Não é de hoje que observamos uma prepotência imensurável na arbitragem brasileira. Criou-se sobre esse cidadão um status de excelência e absoluta autoridade reforçado pelas punições absurdas do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Um jogador de futebol pode ser punido de 2 jogos até 120 dias longe dos gramados. O árbitro, não. No máximo uma rodada na geladeira sem apitar.

Dar todo esse poder ao árbitro de futebol é um grande erro. Isso não só inibe o jogador como também dá brechas para o apitador fazer o que bem entende. Os campos brasileiros estão repletos não somente de péssimo ábritros, mas também de figuras arrogantes. Observe como a antipatia do torcedor com a arbitragem, em outrora folclórica, passou a ser algo pessoal.

Sim, as transmissões de TV e as dezenas de ângulos contribuem para que os equívocos sejam comprovados. Porém, são com essas mesmas imagens que o STJD registra a simulação, a falta violenta ou a atitude antidesportiva que pune o atleta. Ou seja, a tecnologia não é usada, com a mesma frequência, para discutir a atuação do árbitro.

Hoje, o tempo que o árbitro fica dando uma “punição verbal” – como dizem os comentaristas – é altamente perdido. Ele tem dois cartões para justamente não precisar falar. Procure ver o esporro que o Carlos Eugênio Simon deu no Valdívia no jogo de domingo contra o São Paulo. Desnecessário. Tempo de bola parada. E quem perde é o torcedor.

Existem técnicos que não sabem qual time escalar sábado, pois três jogadores vão a julgamento quinta-feira por uma expulsão mês passado. O Roger Flores, por exemplo. Aquele que foi jogar no Oriente Médio, ex-Grêmio. Caso volte para jogar em clube do Brasil daqui, sei lá, três anos, o Roger vai ter que ficar cinco jogos de fora. Isso porque escondeu um radinho de pilha atirado no gramado do estádio Olímpico no Grenal.

Sabe, coisas tão idiotas, tão ridículas. Ao invés de se preocuparem com a qualificação da arbitragem e, quem sabe, profissionalizar a classe – sim, árbitro não é profissão. O Simon, por exemplo, é jornalista. E o Márcio Rezende de Freitas tem uma imobiliária -, o STJD e a Comissão Nacional de Arbitragem procuram essa picuinhas, essa atitudes deploráveis, pequenas.

Um árbitro está sujeito a erro, sim. Mas são raríssimos os que assumem. Não vai mudar nada, é verdade. Mas pedir desculpas é uma atitude nobre. O problema é que sempre surge uma desculpa do tipo “havia um outro jogador na frente que atrapalhou a visão do árbitro”. E o que ele aprende na escolinha de arbitragem, cáspita? Será que na grade não existe uma disciplina ou módulo “posicionamento”.

Nossos árbitros são péssimos, burros e arrogantes. E isso é péssimo. Um erro pode mudar a sequencia de todo um campeonato (vide Márcio Rezende de Freitas em 2005). E muitas vezes esses erros bobos são causados pela falta de preparo, estudo, qualificação. Falta de vergonha na cara, de humildade em admitir que não está bem e precisa estudar.

Outra coisa: comentarista de arbitragem. O Arnaldo Cesar Coelho foi até um bom árbitro e merece desconto por aguentar o Galvão Bueno tanto tempo. Agora, José Roberto Wright é sacanagem. Além de garfar o Atlético MG na Libertadores de 1981, Wright chegou a entrar com um, vejam vocês, microfone escondido no uniforme.

Na época, jogadores de Flamengo e Vasco admitiram que Wright exagerou nas broncas só para “aparecer”.

A arrogância no apito não é de hoje. Percebe-se.

Aliás, hoje, quando o jogo é importante, a maior dúvida da torcida não é o ataque ou o esquema tático. É quem apita. O árbitro está tomando toda a atenção do espetáculo. Não pode.

Ou mudam isso, ou vamos providenciar de uma vez por todas a ida dos nossos árbitros, também, para o Catar.

Carimba, leitor. Carimba.

Fred Fagundes