Cerca de 98% dos blogueiros são fãs e seguidores fiéis de séries como House, Lost e Heroes. Eu faço parte dos outros 2%. Abro exceções para os ótimos The Office, Scrubs e Everybody Hate Cris. Mas sempre preferi o formato de sitcom com “clac”, aquela risadinha de fundo, manja? Então.
Em meados da década de 90, no início da invasão das TV’s por assinatura (Sky, DirecTV, Net) no mercado brasileiro, o telespectador começou a curtir e conhecer melhor esse formato de humor. Algumas sitcoms marcaram época. Mais do que isso, entraram no nosso cotidiano e fizeram moda.
Friends, por exemplo. De longe a mais bem sucedida sitcom de todos os tempos. Com um elenco absolutamente impecável, Friends ficou 10 anos no ar, tendo sua estréia em setembro de 1994. Ao fim da 10ª temporada, cada um dos seis atores recebia US$ 1.000,000 por episódio, totalizando 18 milhões de dólares para cada.
O programa virou grife. Foi um raro modelo de sitcom em que não havia um único personagem central. O programa focou-se, sempre, na vida do sexteto. Contudo, todos os atores tiveram a chance de brilhar, como Phoebe (Lisa Kudrow) na sua gravidez; Chandler (Matthew Perry) e Monica (Courteney Cox) escondendo o relacionamento; Joey (Matt LeBlanc) e suas tentativas de ser ator e, é claro, Ross (David Schwimmer) e Rachel (Jennifer Aniston).
Ross e Rachel foi o casal mais famoso da televisão da década de 90. Entre idas, vindas e casamentos, o mistério só foi desvendado no último episódio e assistido por mais de 50 milhões de pessoas nos Estados Unidos.

Married With Children é a melhor série de humor já produzida. Quebrando totalmente os estereótipos e velhas fórmulas, Married With Children tinha em seu ponto alto o chefe da família, Al Bundy. Al é um dos mais criativos e carismáticos personagens que a cultura pop criou nos anos 90. A família ainda era composta por Kelly Bundy (Christina Applegate), filha loira e burra; “Bud” Bundy (David Faustino), o filho mais novo que se acha incrivelmente sexy e atraente, e Peggy (Katey Sagal), esposa e mãe preguiçosa.
A família Bundy era mal educada, interesseira, com um senso de humor ácido e agressivo e dando uma paulada atrás da outra no bom e velho american way of life – que é, aliás, sua principal fonte de gozação. A série não poupava ninguém. Todos os personagens da série eram repletos de defeitos. Eles só dividiam o mesmo teto porque sinceramente não tinham mais o que fazer.
Al é um americano típico: vendedor de sapatos com um salário medíocre, mas que adora salgadinhos, cerveja, futebol americano e mulheres peitudas. Confira algumas frases desse gênio da nossa era:
“Entrou uma mulher tão gorda na loja hoje, mas tão gorda, que haviam duas mulheres menores orbitando em torno dela.”
“Só é trapaça quando se é pego.”
“Filho, já te disse para não casar? Já te disse para não ser vendedor de sapatos? Ótimo, já te ensinei tudo que sei.”
- “Ei, Peggy. Já disse que te amo hoje?
- Não.
- Ok.“

Nenhuma série “infantil” tratou tão bem os problemas sociais como Anos Incríveis. Exibido no Brasil pela TV Cultura e Bandeirantes, Anos Incríveis narrava os fatos históricos ocorridos no final dos anos 60 e início dos anos 70 através dos olhos do protagonista Kevin Arnold (Fred Savage), de 12 anos.
O mais interessante dessa série é que, enquanto se passam as histórias, os acontecimentos são narrados por um Kevin mais velho e experiente, que descreve o que acontece e conta o que aprendeu de suas experiências. Técnica essa utilizada anos mais tarde pelo roteirista Mark Levin no longa ABC do Amor.
A trilha sonora era um show a parte em Anos Incríveis. A música tema da abertura e encerramento do programa era With a Little Help from My Friends, dos Beatles e na voz de Joe Cocker. Já o primeiro beijo de Kevin em Winnie (Danica McKellar) é ao som de Blowing In The Wind, clássico de Bob Dylan interpretado pela tão genial quanto Joan Baez.
Anos Incríveis teve seis temporadas. O episódio final acontece em 4 de julho de 1973, dia da comemoração do 197º aniversário da independência dos Estados Unidos. Segundo consta na Wikipédia, foi mais ou menos assim:
Refletindo sobre como todos crescem e a infância chega ao fim, Kevin e Winnie têm seu último dia de paixão juntos antes de seguirem caminhos separados para sempre. Winnie vai à Europa para estudar história da arte, enquanto Kevin permanece nos Estados Unidos, casa-se e tem um filho. Eles mantêm correspondência por cartas durante oito anos. O pai de Kevin morre de ataque cardíaco dois anos depois e Wayne assume o negócio familiar de mobília. Os destinos de muitos personagens são resolvidos enquanto o narrador (Kevin adulto) nos diz:
Crescer é algo muito rápido. Um dia você usa fraldas e no outro você vai embora. Mas as memórias da infância permanecem com você. Lembro-me de um lugar, uma cidade, uma casa como várias outras casas, um quintal como vários outros quintais, em uma rua como várias outras ruas. E o fato é que, após todos estes anos, eu ainda olho para trás: foram anos incríveis.

“A melhor série sobre o nada”. Foi assim que Jerry Seinfeld definiu uma das melhores e mais premiadas sitcoms de todos os tempos. Exibida originalmente de 5 de julho de 1989 até 14 de maio de 1998, a série retrata a narcisista e irônica personalidade de 4 amigos em Nova York. Em 2002, o TV Guide elegeu Seinfeld o melhor programa de televisão de todos os tempos.
O grande barato de Seinfeld era justamente a falta de assunto relevantes. A maioria da comédia era baseada em factos corriqueiros do dia-a-dia com pontos de vista excêntricos. Os personagens, altamente imorais, deixavam o sentimentalismo de lado. Não havia um momento para aprender. Os criadores sempre quiseram mostrar as atividades de pessoas reais, ao invés de igualar-se a outras séries.
Jerry Seinfeld fazia seu próprio papel. Um humorista à procura de relações com mulheres atraentes, que raramente duram mais do que um episódio. Geralmente detecta logo algum minúsculo defeito nelas, que exagera, levando-o a terminar a relação imediatamente. É obcecado por limpeza, cereais de pequeno-almoço, ténis (calçado) e super-heróis, em especial o Super-Homem.
O personagem de Michael Richards, o Cosmo Kramer, é outro grande destaque. É famoso pelas suas entradas no apartamento de Jerry, abrindo a porta rapidamente e deslizando para dentro. Usa mais a comédia física para arrancar risadas do público.
O episódio final de Seinfield foi visto por 76 milhões de americanos, a terceira maior audiência de uma final de série – perdendo somente para Cheers (80.4 milhões) e M*A*S*H (106 milhões). O final, como não poderia ser diferente, foi rodado do polêmicas. Jerry, Crames, Elaine e George são julgados por quebrarem a “lei do bom samaritano” e condenados à prisão.

As meninas vão adorar essa. Beverly Hills 90210 – ou apenas Barrados no Baile – fez tanto sucesso, mas tanto sucesso que nenhum ator da série conseguiu livrar-se do papel. O programa era exibido, também, aos sábado na TV Globo, lá pelas 14h, no início da década de 90.
A história da série começa com a mudança da família Walsh da pacata Minessota para a badalada Beverly Hills, mostrando as experiências, dificuldades e realizações dos gêmeos Brandon e Brenda. Ambos enfrentam a discriminação da sociedade, além da difícil adaptação na nova realidade.
A série seguia as vidas de um grupo de adolescentes que morava numa comunidade elitista e rica de Beverly Hills e estudava no West Beverly High School. Temas polêmicos como drogas, a gravidez na adolescência e o suicídio eram abordados. O “90210″ no título, você sabe, refere-se ao Código Postal da zona de Beverly Hills.
Trata-se de um marco na TV, pois atingiu com grande eficácia o público adolescente e adulto exibindo uma concepção renovadora. Um modelo infinitamente copiado anos mais tarde.
E maio surgiu a notícia de que uma nova versão de Barrados no Baile será lançada ainda este ano. O episódio piloto foi escrito por Rob Thomas, indicado para melhor roteiro nos prêmios WGA pela série Veronica Mars e a direção ficará a cargo de Mark Piznarski (Gossip Girls e Everwood).

Ele invadia as manhãs de domingo após a Fórmula 1. Exatamente. MacGyver Profissão: Perigo foi sensacional.
O que esperar de Angus “Mac” MacGyver? Tudo. MacGyver era um agente secreto que não usava armas e resolvia os seus problemas graças aos conhecimentos científicos, engenhocas, e seu bem amado canivete suiço. Isto permitia que ele criasse uma variedade de soluções improvisadas, para escapar da captura, do desastre mundial ou apenas pedir uma pizza. Virou sinônimo de gambiarra e improviso.
Em fevereiro deste ano, o Mythbusters, popular programa transmitido pelo canal da televisão a cabo Discovery Channel, realizou um programa especial para desvendar algumas das mais populares táticas do MacGyver, como a bomba feita com pilhas AA e a cola de amônia e suco de laranja que gruda até 150kg. E funcionou.
Na verdade, eu não sei se funcionou. Mas vamo acreditar que sim e manter a magia.
E lembre-se: o que Jack Bauer faz explodindo três quarteirões, MacGyver fazia com a tranquilidade de um passeio no parque.

E porque não? A mais genial e bem elaborada série da América Latina é até hoje uma pedra no sapato das emissoras concorrentes ao SBT. Mesmo eternamente reprisada, Chaves garante bons números e a renovação de seus fãs.
Criada, escrita e interpretada pelo humorista e dramaturgo Roberto Gómez Bolaños, El Chavo Del Ocho explora situações do dia a dia e mal entendidos cômicos com uma ótica otimista, sob a pele do garoto Chaves. O abismo social entre vizinhos, a fome e o desamparo das crianças de rua conquistou o público e a crítica em dezenas de países, hispânicos ou não.
O programa começou em 1971, depois que seu protagonista, Chaves, apareceu junto com outra personagem, a Chiquinha, em um programa de televisão popular no México. A princípio se dirigia a um público maduro, mas se mostrou extremamente bem-sucedido entre as crianças mexicanas. Decidiu-se então “redirecionar” o programa ao público infantil. O nome “El Chavo del Ocho” é uma referência à emissora de TV que o produzia, a Televisa, cujo canal era o 8.
O melhor, ou não, é que Chaves virou algo cult. Hoje nos divertimos com diálogos e frases marcantes do programa. Algumas cenas são eternas na nossa memória, assim como a principal característica de cada personagens.
Chaves é, e sempre será, a nossa melhor lembrança da infância.

Frase mais marcante de Chaves? fico com “eu sabia que você era idiota, mas não a nível executivo” e “não há nada mais trabalhoso do que viver sem trabalhar”, ambas do saudoso Don Ramón Valdés, o Seo Madruga. 

¹ Dados obtidos em BSéries e Wikipédia.
² Conheça as outras edições da série As 7 coisas mais legais dos anos 90: propagandas; infância; games e brinquedos.
Fred Fagundes