Meme: meu jogo inesquecível

Blog que é blog tem que criar um meme, certo? Certo. E o Quem Matou A Tangerina, no dia que completa 16 dias de vida – mas com corpinho de duas semana -, lança o seu: “Meu jogo inequecível”. Uma partida de futebol que marcou sua vida, que te fez chorar de emoção e/ou desespero, jogar a televisão pela janela, essas coisas.

Quem observou meu perfil sabe que sou gremista. Vivi nos anos 90 a melhor década do clube, ganhando quase todos os títulos possível (faltou o Mundial Interclubes em 1995). Em 2005 fui testemunha de um dos maiores jogos de futebol da história: A Batalha dos Aflitos. Porém, seria um leve clichê eu citar esse jogo como o inesquecível.

Decidi optar, vejam só, por uma derrota. A mais doce e comemorada derrota da história do Imortal.

Quartas de final da Taça Libertadores da América de 1995. Após massacrar o Palmeiras no primeiro jogo com uma goleada de 5 a 0, parecia impossível o Grêmio perder aquela vaga. No jogo de volta, no Palestra Itália, nem o mais otimista do palmeirense acreditava na virada. A confiança naquela noite era azul, nada mais.

Confiança essa que se expandiu logo aos oito minutos do primeiro tempo. Jardel abriu o placar num gol meio sem querer, pra variar. A vantagem que já era grande agora era astronômica. O Palmeiras precisava fazer seis gols para se classificar. Seis gols na melhor defesa da competição. Era impossível. Mas quase não foi.

O então jovem Cafu, aos 29, e o já jurássico Amaral, aos 29, colocaram o Palmeiras na frente antes do fim da primeira etapa. Restavam 45 minutos. O Grêmio precisava apenas resistir, mesmo podendo sofrer mais três gols. O segundo tempo veio junto com um desespero indescritível.

A direção paulista decidiu agir no intervalo. Oito gandulas de quase 30 anos foram escalados para apressar a reposição de bola. Aquilo tinha se tornado algo maior que um jogo de futebol. Mancuso, Antonio Carlos, Rivarola e Goiano travavam duelos quase sangrentos, dignos de uma madrugada no SporTV.

Veio o segundo tempo e, com ele, o ímpeto demolidor do time paulista. Aos 12min, Alex Alves invadiu a área e tocou para Paulo Isidoro no meio. 3×1. Aos 22min, Antônio Carlos entrou na área, foi derrubado por Arce, perdeu o equilíbrio e caiu. O juiz marcou pênalti. 4 x 1. Aos 39min, Cafu foi lançado na direita e chutou no meio das pernas do goleiro Murilo. 5×1.

Pressão. Brigas. Despero. Um gandula invade o campo e acerta o Paulo Nunes. Eu, que na época morava em Laguna (SC), larguei a TV após o quarto gol. Fui para fora de casa, olhei para o céu e me perguntei porque aquele sofrimento. Por quer um time de futebol poderia fazer aquilo com uma simples pessoa?

Prometi naquele instante que nunca mais acompanharia futebol, Grêmio, nada.

O telefone tocou, era meu pai. De Cuiabá (MT), ele, aos prantos, comemorava e dizia que nunca tinha visto um jogo como aquele. Eu disse que também não. O velho, ainda engasgado do choro, foi sucinto:

- “Tu ainda vais sofrer muito com essa merda de time…”

O jogo terminou 5×1 para o Palmeiras. Como o Grêmio havia vencido a primeira partida por 5×0, foi classificado. O resto da história é história.

E a minha promessa foi pro limbo. Graças a Deus.

Os blogueiros convidados para o meme são: Felipe Neto, DJ Raphael Mendes e Guilherme Lautenschlager. Só truta.

¹ Você tem um jogo inesquecível? Compartilhe nos comentários.

² Fui selecionado junto com outros trastes para a enquete dos 20 blogueiros mais legais do Brasil. :)

³ Já ajudou um DJ hoje?

Fred Fagundes

15 Minutos

Em 2007 a MTV mudou. Por decisão da cúpula da empresa, o canal deixou de exibir programas exclusivos para videoclipes. De acordo com Zico Góes, diretor de programação, os videoclipes “não colaboram para o avanço televisivo e apostar neste formato é receita para a queda de audiência”. Assim, programas como Disk MTV e o Chapa Coco, que fizeram um relativo sucesso, foram para o limbo.

Com a retirada, a MTV investiu em interação tecnológica, criando diversos meios do telespectador opinar nas direções do canal. Um deles, e que já demonstrou um resultado considerável, é o MTV Overdrive, portal online que reúne clipes, informações de bandas e possibilidade de postar vídeos e músicas de autoria própria.

Hoje, a MTV conta com um formato pronto. Seus programas puxam consideravelmente para o lado do humor, seja com o Lobão ou com a Penelope Nova, seres tão engraçados quanto uma pia de banheiro. Entre fracassos (Daniela Cicarelli), sucessos (Paulo Bonfá e Marcos Bianchi) e repatriações (Marcos Mion), um rapaz vem se destacando – e muito: Marcelo Adnet.

O apresentador do programa 15 Minutos tem um passado interessante. Formado em jornalismo, Adnet atuou em quatro filmes, sendo um da Xuxa. Além de Xuxa em Sonho de Menina (2007), ele contracenou em Podrecrer (2007), O Diário de Tati (2008) e Polaróides Urbanas (2008), de Miguel Falabella. Na TV Globo ele fez ponta em três sitcoms: Minha Nada Mole Vida, A Grande Família e Toma Lá Dá Cá.

Tem mais. Adnet ainda apareceu na novela Pé Na Jaca e na série Mandrake.

Apesar de passar por TV Globo e HBO, o humorista só foi encontrar a fama no canal jovem. Fama merecida, diga-se de passagem. O estilo de apresentação de Adnet é cativante, dá uma idéia de improviso frenético durante todo o programa. O apresentador também sabe usar com maestria o seu dom de imitação, fazendo misturas interessantes.

Um exemplo está logo abaixo. Já imaginou Silvio Santos cantando Sweet Child O’ Mine?

O programa, de cenário único e roteiro simples, tem sido uma grata surpresa na programação de 2008 da MTV. E Adnet uma excelente revelação. Ao lado de seu fiel companheiro Kiabbo – personagem que interage com o apresentador enquanto toca violão ou joga video-game -, o humorista tem usado com eficácia o espaço na TV para exibir seu talento. Azar dos produtores da Globo que não viram isso antes.

O 15 minutos é exibido na MTV de segunda a quinta às 21h45. Experimente, não custa nada.

Se você não gostar, desligue a TV e vá ler um blog. :)

Fred Fagundes

As 7 coisas mais legais dos anos 90

Gosto muito de dizer que filmes, músicas e livros dos anos 80 formaram meu caráter. Mas isso é lenda. Como sou de 85, a minha real década foi a de 90. Sou, digamos, herdeiro dos adventos da democracia, globalização e capitalismo global. Vi também Romário, Senna e a popularização do computador e da Internet.

Os anos 90 foram incriveis. Com alguns exageros, mas com temas e personsagens marcantes. Por isso, listo abaixo as 7 coisas mais legais dos anos 90.

Para os que nasceram na metada dos anos 80, a Copa do Mundo nos Estados Unidos foi a primeira. Poucos lembravam de 1990 – felizmente. Vivi intensamente os meses de junho e julho de 1994 e digo com autoridade: assisti todos as partidas daquele mundial. Eu começava a ficar doente por futebol graças a Copa.

O dia que mais me marcou foi a véspera da final. Em Los Angeles, os três tenores – Plácido Domingo e José Carreras e Luciano Pavarotti – fizeram uma apresentação. Na sala de casa, com meu pai, dormi assistindo o show na impecável imagem da TV, fruto de horas de esforço do velho, espetos de churrasco e bombril na antena. Tudo para no outro dia, após o tradicional almoço de domingo, a família inteira pudesse ver aquela fantástica e inesquecível final.

“Preciso alimentar meu filho”. “Ai, ele quer dormir”. “Acho que dei comida demais para ele…”. Essas frases ditas por crianças de 5 a 10 anos eram comuns na décade de 90. Mas acalme-se, os tempos não mudaram tanto. O culpado disso era o maldito Tamagotchi. A inveção da Bandai, lançada em 1996 no Brasil, rapidamente tornou-se uma febre.

A motivação do brinquedo consiste em cuidar do animalzinho virtual como se fosse real, dando-lhe carinho virtual, comida virtual, banho virtual, cuidados virtuais, etc. Onde você ia, tinha alguém com seu Tamagotchi.

O brinquedo tinha uma opção reset que zerava a vida do perfil. Em 1999, um menino de 11 anos foi morto em São Caetano (SP) pela irmã dois anos mais velha após ativar o reset. Pois é, alguns levavam o trequinho muito a sério.

Hoje o brinquedo – que na época chegou a custar R$ 60 – ainda é facilmente encontrado em camelôs e custa cerca de R$ 10.

Acredite, houve uma época que essa novelinha era um barato. Sempre aos fins de tarde, Malhação teve sua estréia em 24 de abril de 1995 e foi logo um sucesso. Na primeira temporada o destaque era Héricles (Danton Mello), um rapaz ingênuo que vai para o Rio de Janeiro estudar e emprega-se na academia.

Bastou pouco para o judoca Romão (Luigi Baricelli) arrumar uma treta com o rapaz, que logo torna-se uma paixão proíbida de Isabella (Juliana Martins), namorada do lutador. (Obrigado, Regina).

Dica: Ronaldo faz participação especial em Malhação. |-|

Como você pode ver, o enredo não mudou absolutamente nada. Traições e amores impossíveis são sempre a base de Malhação. Mas que nessa época de academia o programa era mais maneiro, ah, isso era. Virou até revista.

Em 1998 Malhação foi ao vivo. Chamava-se Malhação.com e resumia-se no André Marques lendo e-mails dos telespectadores.

A partir daí, o Mocotó foi pro brejo.

Nerd que é nerd teve – e ainda tem – ICQ. O mais popular programa de Instant Messenger (IM) dos anos 90 era extremamente útil na época da conexão discada. Se você hoje usa e abusa do MSN Messenger ou do Gtalk, é porque um dia o ICQ existiu e obrigou as concorrentes a criarem seu IM.

O ICQ foi o pioneiro desta tecnologia tendo sua primeira versão lançada em 1997 por uma empresa israelita chamada Mirabilis. Em 1999 a AOL adquiriu a Mirabilis, englobando o serviço. A empresa nunca se definiu sobre seu mensageiro instantâneo padrão e desenvolveu um próprio: AOL Instant Messenger (AIM).

São poucos os que ainda usam o ICQ. Mas, como disse, nerd que é nerd ainda tem iCQ. Logo, meu UIN é: 217384898.

Talvez nenhum programa de TV tenha feito tanto sucesso no Brasil como este. O Sai de Baixo foi exibido nas noites de domingo pela Rede Globo entre 31 de março de 1996 e 31 de março de 2002. A primeira formação ficou marcada como uma das melhores que já passou pela TV brasileira.

O programa fez muito sucesso em seu início por ser diferente – era gravado em um teatro de São Paulo (Procópio Ferreira), o que aumentava a interação com o público. O final de cada episódio era amplamente aguardado, pois reservava os erros dos atores. Cada improviso era simplesmente hilário.

O elenco original contou com os atores: Miguel Falabella (Caco Antibes), Marisa Orth (Magda Salão Antibes), Aracy Balabanian (Cassandra Mathias Salão), Luís Gustavo (Vavá), Cláudia Jimenez (Edileuza) e Tom Cavalcante (Ribamar).

Era acabar o Sai de Baixo que todo mundo corria até o SBT para ver o finalzinho do Topa Tudo Por Dinheiro.

Né?

Esse selecionado é onde os adolescentes da época guardam suas melhores lembranças. Acredite, a puberdade de muitos homens agradece pela existência desse quadro. Estamos falando da Banheira do Gugu.

Podem achar ultrajante, de mau gosto e aproveitador, mas esse game (?) formou o caráter a as primeiras espinhas de milhares de adolescentes. Era o máximo tocer para ver pelo menos um peitinho da Luiza Ambiel. Isso sem contar quando a Carla Perez ia ao programa.

Pena que o Ministério da Justiça considerou o quadro não adequado para o horário, pois, segundo a justiça, apresentava cenas de nudez parcial.

Esse parcial é bondade deles.

Ainda há de surgir um grupo musical com o carisma e popularidade deles. Chama-se Mamonas Assassinas a coisa mais legal que aconteceu no Brasil durante a década de 90. É assim chamado também o maior fenômeno musical que já passou por esse país.

Não importa se o segundo disco faria tanto sucesso quanto o primeiro. O fato é que o grupo de Santos Guarulhos (SP) fez história. Com um rock satírico, o grupo vendeu mais de 2,3 milhões de cópias de seu álbum homônimo.

Em dois de março de 1996 eles foram vítimas de um trágico acidente de avião.

Em 2006 foi anunciado um filme da história da banda, baseado em Blá, Blá, Blá – A Biografia Autorizada dos Mamonas Assassinas, do gaúcho Eduardo Bueno. Maurício Eça deve dirigir o longametragem sobre a banda que fazia incríveis cinco shows por final de semana.

Claro que, como qualquer outra lista, há injustiças. O que dizer da Macarena ou da novelinha mexicana Carrossel? E o Chupa-Cabras e o ET de Varginha? E o SNES, a coleção de cartões telefônicos e o Windows 95?

É, talvez o Windows 95 não tenha sido tão legal… Mas e o CD!?

A década de 90 merece muito mais do que um simples post.

¹ O Silvio Essinger lançou o Almanaque dos Anos 90. Obra-prima.

Fred Fagundes

Humor Luso

A British Comedy teve seu auge nos anos 70, com o Monty Python’s. Esse extraordinário grupo – que fez estrondoso sucesso com o programa Monty Python’s Flying Circus na TV inglesa (BBC) de 1969 a 1974 e posteriormente no cinema com verdadeiras obras-primas – redefiniu o humor britânico e o colocou no topo.

Durante décadas ninguém fez humor como os súditos da rainha. Alguns chegaram perto, como os americanos. Outros, muito perto, como a atual safra do humor luso. Programas como Gato Fedorento e Pior Que Estragado têm alcançado um nível altíssimo de qualidade, que praticamente beira a perfeição.

Graças à Internet – essa tal Internet vai longe, anote isso – podemos ter conhecimento do que nossos patrícios estão fazendo por aquelas bandas. O primeiro exemplo é uma brincadeira que eles fazem com o fanatismo religioso do jogador brasileiro.

A camisa, claro, tinha que ser do time de Cabral.

A ironia e o cinismo são claramente heranças de uma influência deixada pelo British Comedy. Esse humor non-sense é delicioso e de primeira linha. O vídeo abaixo é uma suposta entrevista com o mister da seleção portuguesa, Luiz Felipe Scolari, logo após o jogo em que ele socou um adversário.

É importante saber falar português para entender o vídeo.

Sem ser inconveniente, sem fazer o público de idiota e sem piadas forçadas.

Eles sabem o que estão fazendo. E cada vez melhor.

¹ O primeiro vídeo é uma dica do Pipo, da Pentescopéia.

² Rafinha Bastos representou muito bem o humor brasileiro em Portugal.

³ Os MM também.

Fred Fagundes

Brothers Of Brazil

Supla parece, finalmente, ter acertado. Ao lado do irmão, João Suplicy, o punk mais bem vestido do mundo forma o Brothers Of Brazil, dupla com uma musicalidade deveras interessante. Num estilo bossa-nova acústico e frenético, o duo fez sucesso com a recente turnê que contou com shows na França, Estados Unidos e Inglaterra.

É uma mistura, digamos, excêntrica. João tem formação clássica, é autor de discos de bossa-nova e samba. Já Supla, bem, é o Supla. O eterno papito, punk de boutique, japa girl, Piores Clipes do Mundo e Casa dos Artistas.

Mas, nas artes, perfis distintos e em sincronia costumam resultar em algo de qualidade.

E essa incoerente regra vale com os irmãos Suplicy.

Sincronia, de novo, talvez seja a melhor palavra para definir o som que o Brothers Of Brazil está fazendo. “Vocês parecem irmãos”, ponderou Serginho Groisman no último Altas Horas. Tão óbvia quanto infame, a informação é oportunista e bastante coesa. Afinal, nem todos sabem – principalmente fora do país – que eles são irmãos.

A música – com Supla na bateria e João no violão – não é algo totalmente samba ou bossa-nova. A influência do rock é observada em algumas cancões, como em Samba Around the Clock e a belíssima Remind You. Já a batida soul de Wilson Simonal é facilmente percebida pelos privilegiados na canção que leva o nome da dupla.

O primeiro disco ainda não tem previsão de lançamento. Porém, é algo de se esperar com entusiasmo. A cultura musical dos irmãos – influenciados diretamente pelo bom gosto do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) – é invejável. Está para nascer, talvez, uma boa surpresa no mercado fonográfico nacional, principalmente para aqueles que não conseguem desvincular a imagem de Supla do punk rock.

O sucesso feito na Europa pode ser conquistado em terra brasilis, mas é muito mais difícil. Não pelo fato das músicas serem em inglês. A barreira é ironicamente a alta qualidade das canções. E música muito boa não é música popular.

Aqui eles correm o risco de serem vistos como algo meio brasileiro tentando ser o que o resto do mundo espera do brasileiro.

Sinceramente, não sei quais as pretensões do Brothers Of Brazil. De toda forma, estão no caminho certo e já no meu playlist.

Fred Fagundes

Weezer tranforma hit’s da Internet em videoclip

Reúna algumas das principais celebridades e “memes” da Internet no videoclipe da sua música. Foi essa a genial idéia da banda californiana Weezer na canção “Pork and Beans“.

O resultado – simplesmente espetacular – é pra fazer qualquer blogueiro torna-se fã do som dos caras.

Lembrou de alguém? Só eu listei, por cima, Evolution Of Dance, Chocolate Rain, Drama Prairie e outros que não me recordo o nome. :)

Alguma banda brazuca arrisca fazer uma versão com Jeremias, Ruth Lemos e a trupe?

¹ Dica do Guilherme Lautenschläger.

² Faltou o SWK. Mas aí já era pedir demais.

Fred Fagundes

Indiana Jones 4

Posso dizer com o solitário orgulho da certeza que, depois de Rocky Balboa, somente Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal me fez ir ao cinema com tamanho entusiasmo para ver uma franquia. A série do arqueólogo-explorador sempre foi a minha favorita do gênero. Achei que morreria com o amargo peso de ter nascido tarde demais para assistí-la na tela grande. Achei errado.

O quarto filme, que estréia oficialmente hoje, mescla os elementos essenciais que fizeram de Indiana Jones um símbolo da década de 80: ação deliciosamente exagerada e humor, esse sim, na dosagem perfeita.

Indy está velho, 65 anos, um veterano do chicote. Mas isso não o impede de arrumar uma treta das brabras com soviéticos em plena Guerra Fria. Pressionada, a universidade onde leciona é obrigada a demiti-lo. Fora da cidade, ele encontra o rebelde Mutt Willians (Shia LaBeouf), que convence o professor a ajudá-lo numa das mais espetaculares descobertas da história: a Caveira de Cristal de Akator.

Nota: As roupas de Shia LaBeouf e, obviamente, a motocicleta fazem o ator lembrar – e muito – Marlon Brando em O Selvagem.

A partir da viagem da dupla ao Perú, local onde está o lendário objeto de fascinação, começa aquilo que você realmente queria: tumbas ancestrais, armadilhas e, como já era de se esperar, concorrências. Os soviéticos também estão a procura da Caveira. Eles acreditam que ela possa ajudá-los a dominar o mundo, sabe lá Deus como.

O filme é um pouco enrolado no início, titubeia até encontrar o ritmo dos filmes atuais. Logo, no entanto, a história engrena, trazendo cenas eletrizantes – algumas rodadas em Foz do Iguaçu – com seqüências de pura comédia.

Uma ótima sacada do filme, como bem me lembrou o Lerina, é a influência usada para datar a narrativa. Filmes B de espionagem e de ficção científica dos anos 50, paranóia anticomunista ao medo da bomba atômica, fascínio pelos extraterrestres e nascimento do rocknroll são tratados de forma maestral.

Spielberg fez, definitivamente, com que o filme tivesse o formato de seus antecessores. Do riso ao medo, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal cativa o publico com facilidade, desde os fiéis fãs da série até os jovens que vão sair do cinema com a sensação de “A Lenda do Tesouro Perdido who?”.

Outra boa notícia é que George Lucas – criador do personagem – e Spielberg mantém a idéia de um quinto filme para fechar a série. Então, que venha logo! Harrison não aguentaria esperar mais 20 anos para salvar o mundo de mentes malignas.

Apesar que esse herói está longe de passar o chapéu adiante.

Literalmente.

¹ João Pedro falou, João Pedro avisou: Desaforo até nos parceiros.

² Dorly Neto fez a minha versão dos Simpsons. Valeu :)

³ Boa notícia: meu amigo Duquian se recupera bem da lesão sofrida após um acidente de motocicleta. Ele deve ser liberado pelo departamento médico nos próximos dias.

Fred Fagundes

Gringos made in Brazil

Na primeira metade dos anos 70 surge uma leva de cantores e grupos brasileiros que adotam pseudônimos estrangeiros e passam a gravar músicas em inglês. Bizarro? Sim, mas era moda e as novelas adoravam, principalmente porque a música internacional tomava conta do nosso mercado fonográfico.

Para isso, cantores tiveram que adotar nomes artísticos em inglês. Fábio Jr., por exemplo, era Mark Davis e fez grande sucesso com Don’t Let Me Cry. Já Morris Albert – ou Maurício Alberto Kaisermann – emplacou simplesmente a música mais regravada da história: Feelings.

Entre tanto cantores que pareciam ter saído de uma festa de casamento, existiu um grupo se destacou como um dos melhores da geração: Pholhas.

Quem tem mais ou menos 22 anos e um pai que viveu intensamente os anos 70 certamente acordou um domingo ao som de “I Never Did Before”, My Mistake” ou “Forever”. Você já levantava aos prantos.

Em 1977, após 4 anos de seguidos sucessos, a banda viu-se um pouco perdida no meio da nova onda mundial: a “discotheque”, tipo de música “mecânica” que reinou absoluta em todas as casas de shows, clubes, rádios e TVs.

O Pholhas, não disposto a fazer esse tipo de música, preferiu dedicar-se mais à montagem do próprio estúdio de gravações e ensaios. Mas, por força de contrato e cedendo às fortes pressões da gravadora, lançaram o LP “O som das discotheques” contendo “covers” dos principais sucessos do gênero chegando a vender 150.000 cópias.

Criada em 1969, a banda continua na estrada com a formação dos anos 78-79: Bitão (guitarra), Paulo Fernandes (bateria), Marinho (teclados) e João Alberto (baixo). Além de couvers de sucessos do rock inglês e norte-americano, especialmente de Bee Gees, Creedence Clearwater, Elvis Presley, Rolling Stones e Beatles, o Pholhas retomou a tradição de compor em inglês.

No atual show não falta – e nem deveria – o hino dos que curtem uma fossa: “Tell Me Once Again”.

Sente a dramaticidade da letra:

GIVE ME YOUR SMILE AGAIN

Dê-me seu sorriso novamente

I’D LIKE TO BE WITH YOU
Eu gostaria de estar com você

WITH THE THINGS I WOULD LIKE TO KNOW
Com as coisas, que eu gostaria de saber

DARLING, BE HAPPY WITH ME
Querida, seja feliz comigo

AND TELL ME ONCE AGAIN

E diga-me uma vez mais

THAT YOU KNOW THAT I’D DIE
Que você sabe, que eu morreria

FOR YOUR LOVE TELL ME WHY
Pelo seu amor, diga-me por que

LIKE A DREAM
Como um sonho

BE CARE WITH THE WORDS YOU SAY

Tome cuidado com as palavras que você diz

MY HEART IS OPEN
Meu coração está desprotegido

BUT BELIEVE IN THE WAYS OF SORROW
Mas acredita nas coisas tristes

AND TRY TO FIND SOMEBODY LIKE ME

E tenta encontrar, alguém como eu

AND TELL ME ONCE AGAIN
Então diga-me uma vez mais

THAT YOU KNOW THAT I’D DIE
Que você sabe, que eu morreria

FOR YOUR LOVE TELL ME WHY
Pelo seu amor, diga-me por que

LIKE A DREAM
Como um sonho

“SIT ON A CHAIR NEAR ME
Sente-se numa cadeira perto de mim

OR IN A PLACE YOU’D LIKE TO BE
Ou num lugar, que você queira estar

I WILL TELL YOU SOMETHING NEW
Eu lhe direi, algo novo

ABOUT LIFE AND THE THINGS THAT WE’LL DO”
Sobre a vida, e as coisas que nós faremos

Se deu vontade de chorar lendo, imagine com uma trilha melosa, arrastada, com coral e cheia de guéons, guéons da guitarra.

Conheça o Pholhas, mas com moderação. Ouvir essas músicas exageradamente pode causar uma depressão profunda.

Vai por mim.

¹ Last.FM.

Fred Fagundes

Matou a mulher e correu para a pequena área

Que crime horrendo foi aquele. Sábado, 10h. A Polícia chega após uma denúncia anônima. Na casa, restos do que aparentava um conflito campal. Flavia, Flavinha como era chamada, foi encontrada no quarto brutalmente decapitada.

Vizinhos afirmaram que gritos pela manhã chamaram a atenção. Os investigadores concluíram que esses gritos eram direcionados à Tarciso, marido da vítima.

Pausa.

Homens adeptos ao futebol de várzea são tradicionalistas. Sábado é dia de jogo no campo do Itapajé. E não seria aquele assassinato que cancelaria a peleja. Terremoto, furação ou meteoro em rota de colisão com a terra, talvez. Mas óbito, não.

O jogo começou na hora de praxe, 17h. Era uma partida especial, confronto atípico contra o Sindicato dos Cobradores e Motoristas de Ônibus. E, desde a preleção no bar da Bete, todos sentiram falta do terceiro zagueiro Tarciso. O homem estava desaparecido desde a manhã daquele dia. “Se alguém for achá-lo, será a policia”, concluíram.

A falta que Tarciso fazia ao time foi comprovada logo no minuto oito. Tabela rápida, caixa. Um a zero. Gol daquele cobrador de um braço só, rapaz beneficiado pelo sistema de cotas da Secretaria de Transportes. O Itapajé mal chegava ao ataque. Quando conseguiu, conquistou um chorado escanteio.

Lídio dirigia-se para a cobrança quando ouviu uma voz vinda do sudoeste, ou simplesmente por cima de seu ombro esquerdo:

“- Põe no segundo pau, na pequena área”. Era Tarciso, já uniformizado, com a 3. Pediu a braçadeira de capitão, mandou seu suplente sentar-se e correu até a área.

O time, atônito, não disse nada. Todos observavam aquele homem, que até pouco tempo era acusado de assassinar a esposa e foragido, correr para a pequena área num efeito de câmera lenta, tipo um estudante adolescente em filme americano.

A bola foi levantada e a cabeçada de Tarciso certeira. Antes ainda tocou no travessão – que tremeu -, bateu no chão, voltou a bater no travessão e morreu mansamente no gol, sem tocar na rede. Gol. Tarciso, de punhos fechados, apenas voltou para sua área, seu território, disposto a terminar o jogo.

A vitória do Itapajé veio com facilidade. Já certo da segurança na defesa, os laterais se jogaram para frente e fizeram um gol cada. A celebração, como de costume, foi no bar da Bete. E com Tarciso.

O constrangimento era visível. Quando o silencio começava a ficar assustador, Bira, meia e padeiro, falou:

“- Eu sabia que não tinha sido você, Tarciso”.

“- Eu também”, fortaleceu Neto, intrometido como qualquer goleiro.

O resto do time, solidário, afirmou apoio incondicional à Tarciso. Inclusive ajudando-o a descobrir quem foi o desgraçado que matou sua esposa. Tarciso apenas balançava a cabeça positivamente, bebericando e, volta e meia, suspirando, num misto de saudade e agonia, o nome:

“- Flavinha…”

O primeiro engradado já estava quase completo quando Tarciso levantou-se e foi até o banheiro. Somente após 15 minutos o time se deu conta que o zagueiro não voltaria. Fugira da policia, dos amigos, da realidade. Havia sido ele.

Todos se viram numa situação tenebrosa. Estavam com Tarciso ali, na mesma mesa, mas o deixaram escapar. Pavor. Não havia mais o que fazer. Eles precisavam agir imediatamente.

Mas o time sabia que seria em vão.

Nunca encontrariam um zagueiro como aquele a tempo do próximo jogo.

¹ DJ Rapahel Mendes se recuperou da lesão e já está trabalhando com bolas.

² Walter Carrilho não entende mais nada. Nem eu.

³ Já sabe quem matou a tangerina? Então diga!

Fred Fagundes

Star Wars Kid e Cia.

Não é novidade que sou um baita admirador das chamadas celebridades da internet. Gosto de estudar algumas figuras, tanto que esse assunto acabou virando tema da minha monografia – Célebres Anônimos: A Virtualidade da Fama na Cybercultura. Hoje, recordei-me do que considero o primeiro caso desse fenômeno: o saudoso Star Wars Kid.

Quatro de novembro de 2002. O jovem Ghyslain Raza, então com 14 anos, decide fazer graça para uma câmera no estúdio de sua escola em Quebec, Canadá . Com um bastão, ele faz golpes digno de um Jedi e efeitos sonoros dignos de um Oscar.

Para o azar de Raza, a gravação caiu em mãos erradas. Sites e programas de compartilhamento de arquivos da época, como o Kazaa, viralizaram o vídeo numa velocidade assustadora, transformando o jovem num ícone dos nerds around the world.

Em maio de 2003 a família de Raza decidiu processar os responsáveis pela divulgação indevida em CA$450,000.00. Segundo eles, o menino estava abalado e com problemas psicológicos. Em abril de 2006 a justiça canadense determinou que os quatro estudantes responsáveis pelo compartilhamento do vídeo no Kazaa pagassem a singela bagatela de CA$351,000.00 à família de Raza.

No dia 27 de novembro de 2007, segundo o site The Viral Factory, o vídeo original do Star Wars Kid já havia sido visto 900 milhões de vezes, tornando-se o viral mais assistido da Internet.

Não se tem informações de onde e como estará Raza. Se você é ele, deixe um recado nesse post que entraremos em contato o mais rápido possível. :)

O mais bacana é que isso foi numa época sem Youtube e Orkut, importantes meio de divulgação. Isso só fortalece a relevância que Star Wars Kid teve sobre essa popular mania de culto ao desconhecido.

No Brasil a cybercelebridades mais popular ainda é Jeremias José do Nascimento. “Cabra home”, mas mora numa casa com muro cor-de-rosa (Sampson Moreira viu e não me deixa mentir). Nenhum outro brasileiro conseguiu superar Jeremias em popularidade na Internet.

E nem vai. Hoje, as celebridades da Internet são cada vez mais raras. Hora pelo excesso de informação, hora pela “forçação de barra”. O amadorismo e espontaneidade que fizeram dessas figuras celebridades, morreu. Existe hoje um certo desespero pelo sucesso. Uma ânsia pela fama.

E vontade não basta. A verdadeira cybercelebridade não se cria, ela simplesmente surge.

Acredite. Seja com uma garrafa de Pitú ou delay no retorno, volta e meia elas aparecem.

Fred Fagundes