Blog que é blog tem que criar um meme, certo? Certo. E o Quem Matou A Tangerina, no dia que completa 16 dias de vida – mas com corpinho de duas semana -, lança o seu: “Meu jogo inequecível”. Uma partida de futebol que marcou sua vida, que te fez chorar de emoção e/ou desespero, jogar a televisão pela janela, essas coisas.
Quem observou meu perfil sabe que sou gremista. Vivi nos anos 90 a melhor década do clube, ganhando quase todos os títulos possível (faltou o Mundial Interclubes em 1995). Em 2005 fui testemunha de um dos maiores jogos de futebol da história: A Batalha dos Aflitos. Porém, seria um leve clichê eu citar esse jogo como o inesquecível.
Decidi optar, vejam só, por uma derrota. A mais doce e comemorada derrota da história do Imortal.

Quartas de final da Taça Libertadores da América de 1995. Após massacrar o Palmeiras no primeiro jogo com uma goleada de 5 a 0, parecia impossível o Grêmio perder aquela vaga. No jogo de volta, no Palestra Itália, nem o mais otimista do palmeirense acreditava na virada. A confiança naquela noite era azul, nada mais.
Confiança essa que se expandiu logo aos oito minutos do primeiro tempo. Jardel abriu o placar num gol meio sem querer, pra variar. A vantagem que já era grande agora era astronômica. O Palmeiras precisava fazer seis gols para se classificar. Seis gols na melhor defesa da competição. Era impossível. Mas quase não foi.
O então jovem Cafu, aos 29, e o já jurássico Amaral, aos 29, colocaram o Palmeiras na frente antes do fim da primeira etapa. Restavam 45 minutos. O Grêmio precisava apenas resistir, mesmo podendo sofrer mais três gols. O segundo tempo veio junto com um desespero indescritível.
A direção paulista decidiu agir no intervalo. Oito gandulas de quase 30 anos foram escalados para apressar a reposição de bola. Aquilo tinha se tornado algo maior que um jogo de futebol. Mancuso, Antonio Carlos, Rivarola e Goiano travavam duelos quase sangrentos, dignos de uma madrugada no SporTV.
Veio o segundo tempo e, com ele, o ímpeto demolidor do time paulista. Aos 12min, Alex Alves invadiu a área e tocou para Paulo Isidoro no meio. 3×1. Aos 22min, Antônio Carlos entrou na área, foi derrubado por Arce, perdeu o equilíbrio e caiu. O juiz marcou pênalti. 4 x 1. Aos 39min, Cafu foi lançado na direita e chutou no meio das pernas do goleiro Murilo. 5×1.
Pressão. Brigas. Despero. Um gandula invade o campo e acerta o Paulo Nunes. Eu, que na época morava em Laguna (SC), larguei a TV após o quarto gol. Fui para fora de casa, olhei para o céu e me perguntei porque aquele sofrimento. Por quer um time de futebol poderia fazer aquilo com uma simples pessoa?
Prometi naquele instante que nunca mais acompanharia futebol, Grêmio, nada.
O telefone tocou, era meu pai. De Cuiabá (MT), ele, aos prantos, comemorava e dizia que nunca tinha visto um jogo como aquele. Eu disse que também não. O velho, ainda engasgado do choro, foi sucinto:
- “Tu ainda vais sofrer muito com essa merda de time…”
O jogo terminou 5×1 para o Palmeiras. Como o Grêmio havia vencido a primeira partida por 5×0, foi classificado. O resto da história é história.

E a minha promessa foi pro limbo. Graças a Deus.
Os blogueiros convidados para o meme são: Felipe Neto, DJ Raphael Mendes e Guilherme Lautenschlager. Só truta.
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² Fui selecionado junto com outros trastes para a enquete dos 20 blogueiros mais legais do Brasil.
Fred Fagundes













