Todo clube de futebol tem uma personalidade, uma características que o diferencia frente aos adversários. São ícones impagáveis aos torcedores e repetidamente citados na hora de relembrar atos heróicos e notáveis. Imortal, fiel e time do povo são alguns exemplos de rótulos identificados ao clube e, em alguns casos, muito bem trabalhados pelos departamentos de marketing.
Essa série de características que simbolizam os times trata-se do resultado de anos de historia. Estamos falando de um conceito impregnado sobre a camiseta. São fatores de identificação gerados naturalmente e mantidos graças à fidelidade do consumidor. No caso, o torcedor. Ele, certamente mais do que os jogadores brasileiros, defende e exige que esses símbolos sejam mantidos e, se possível, fortalecidos ao passar dos anos.
Mas nem em todo clube somente o torcedor respeita esse, digamos, planejamento estratégico. Há um caso recente de trabalho de marca e historia que vem colhendo infinitos frutos.
Claro que é o Barcelona.

Atualmente, não basta analisar a estrutura tática e técnica do Barcelona. Precisamos ir além. É evidente que o time tem os três melhores jogadores do mundo. Não só de esforço e bons homens vive um time de futebol. Mas o Barcelona, esse grupo de jogadores do Barcelona, respeita a frase estampada no anel central do Camp Nou (mais que um clube). O Barcelona é formado por um grupo de jogadores que espelham a historia e marca do clube.
Dos 11 titulares do time campeão europeu no ultimo final de semana, sete são formados na categoria de base do Barcelona. São jovens que cresceram ouvindo a historia dos times de Zamora e Cruyff, da resistência na Guerra Civil, do orgulho catalão frente a Madrid e, especialmente, da disciplina tática e ética que precisa ter um jogador de futebol daquela cidade.
A impressão que temos quando assistimos um jogo do Barcelona é de uma entrega fora do normal. A formação de jogadores ainda nas categorias de base, mais do que física, tática e técnica, preza pela identificação do mesmo com a camisa. O jogador do Barcelona parece que nasce para correr incansavelmente. O futebol ofensivo e vistoso do clube catalão é a essência do futebol colaborativo.
Soma-se tudo isso a coragem de apostar nesse trabalho de base. O treinador Pep Guardiola, quando assumiu, dispensou medalhões como Ronaldinho e Etoo para apostar em Pedro e Villa. Parecia uma loucura, mas esse era o momento de acreditar no trabalho gradativo de formação de atletas identificados com o conceito Barcelona. Hoje, no Barcelona B, está sendo formado o futuro técnico do time principal: Luis Henrique, ex-atacante do clube que jogou as Copas de 94, 98 e 2002.
O fato é que o Barcelona consegue fazer um futebol a moda antiga também fora de campo. É uma renovação de atletas e forma de administrar um time. Assim como tínhamos o Santos dos anos 60 e o Internacional dos anos 70 no Brasil, quando os clubes acharam um modo de concretizar um sonho de como jogar futebol, o Barcelona faz isso em tempos muito mais competitivos.
O Barcelona segue um planejamento centenário. Respeita sua historia, suas cores e seu conceito.
Por isso que ganha.
