Boobies

Ontem, a Fundação Cultural de Curitiba promoveu uma mesa-redonda sobre o tema “O QUE É SER CURITIBANO?”, reunindo Cristovão Tezza, o jornalista José Carlos Fernandes e a editora Antonia Schwinden.

Eu não sei o que é ser curitibano, mas um OCORRIDO na plateia, repetido por três vezes durante a noite, mostrou um pouco do que talvez seja o espírito da cidade. Uma mulher – ativista e sexóloga, pelo que entendi – por três vezes levantou sua blusa, revelando a todos os participantes do evento seu bem conservado par de seios cinquentenário.

Não sei o que mostrar os peitos tem a ver com ser curitibano, mas aparentemente ela fez isso protestando contra o corte de árvores, a construção de um supermercado e as péssimas condições do IML do Paraná. Foi o que eu entendi. Ativismo.

Ninguém em sã consciência pode reclamar de gente mostrando suas partes em público, e não serei eu quem vai fazer isso. O maior problema da atitude da senhora foi ter despertado no público o desejo de PARTICIPAR do debate, no momento em que o microfone foi oferecido à plateia.

Não sei de você, mas quando vou a um evento ouvir Fulano, Beltrano e Sicrano, espero ouvir Fulano, Beltrano e Sicrano, e não as considerações dos populares. Mas o pessoal gosta de subir no caixote e dar o seu recado. A ponto da pessoa falar, falar e falar e terminar dizendo “bom, era isso o que eu queria dizer”.

Obrigado.

O que EU queria dizer é…

Novos tempos, uma velha cidade

Foto: Orlando Kissner/SMCS
Foto: Orlando Kissner/SMCS

Há mais de um ano este blog não ganhava um novo post. E mesmo antes disso sua atualização era mais do que rara. Assunto? Em tese, não deveria faltar. Mas a experiência ensinou que escrever sobre qualquer coisa é mais difícil do que escrever sobre alguma coisa. Ainda mais se for qualquer coisa sobre si mesmo.

Meu primeiro blog, que existiu no tempo em que não era todo mundo que sabia o que era um blog, chamou-se “Sabblog”, uma terrível evidência da união entre egocentrismo e mau gosto.

O Sabblog perdeu-se no espaço num momento qualquer de bom senso. Junto com ele, foram para as trevas meia dúzia de textos que poderiam ser guardados nem que por mera curiosidade científica. Mas pior: outros, que mereciam ou queimar no fogo ardente ou o esquecimento do fundo de uma gaveta qualquer, permaneceram vivos em outros cantos da rede. Foi quando aprendi que a internet faria uma biografia tosca e enviesada de todos nós, sem direito a edição ou ajustes, escancarando nossos momentos menos criativos e fazendo um retrato desfocado de nossos momentos mais irrelevantes e desimportantes. Um risco a se correr.

Pois depois do Sabblog vieram outros e outros blogs, que seguiram o mesmo caminho do esquecimento voluntário, até o convite dos chapas Inagaki e Edney para fazer parte do condomínio IB, ao lado de algumas figuras bastante salientes da tal blogosfera brasileira.

Só que tal qual o vício na coca-cola normal, a gente não consegue abandonar hábitos arraigados com tanta facilidade. E esta Pandorga, que um dia chegou até a pegar uma boa brisa graças à generosa força do Interney Blogs, cumpriu sua profecia e ao pó retornou, sem causar grande celeuma no nosso meio de escrevinhadores da internet.

Mas quis o destino que ao longo desses últimos dois anos, um post que escrevi por sugestão de outro broder das antigas, o Ian, fosse constantemente visitado por navegantes incautos que vinham parar por aqui por indicação do oráculo googleano. E assim, sem mais ou menos, atingiu um número bastante curioso de acessos, o que me fez parar para pensar um minuto.

E esse pensamento me levou a acreditar que talvez houvesse como ressuscitar esta Pandorga, desde que tivéssemos algo em comum sobre o que conversar, e me pareceu que seria um bom assunto falar sobre a minha cidade, Curitiba, onde vivo há mais de 30 anos, e que aprendi a conhecer e a gostar, e a saber das coisas sobre ela, e a falar dela.

Mas é lógico que no primeiro post da retomada, eu acabaria discorrendo mais sobre meu umbigo do que sobre o assunto que me propus a tratar, de modo que vou ficando por aqui mesmo para tentar, daqui em diante, falar mais sobre Curitiba.

Abraços.

Velhice

Paul Newman

Minha mãe nunca teve medo da morte. Sempre disse ter medo de envelhecer. Não sei como o envelhecimento está sendo para ela. Eu não me importo em envelhecer. Acho que a velhice combina comigo. Não me incomodo com cabelos brancos, juntas doloridas, falta de viço. As vezes chego a sentir, em acessos de estresse profundos, os cabelos embranquecendo. Espero que alguma sabedoria venha com a velhice, mas espero sem grandes esperanças. Meu único desejo é ter uma voz parecida com a do Paul Newman em The Hudsucker Proxy.

Valêncio, Adeus

Morreu hoje, dia 5 de dezembro de 2008, em Curitiba, Valêncio Xavier, escritor, cineasta, criador. Figura incomparável da cultura brasileira. Valêncio junta-se a Manoel Carlos Karam, morto no ano passado, e a Jamil Snege, que partiu alguns anos atrás, no panteão de Grandes Curitibanos que nos deixaram recentemente. Sem ele a cidade está mais pobre, mais cinza, mais triste. Fica, claro, sua grande obra, mas desaparece o provocador, o gênio, uma daquelas figuras que não vieram ao mundo para entendê-lo, mas para transformá-lo.

Tive um contato bem próximo com Valêncio quando trabalhava na Gazeta do Povo. O jornal editava uma coleção especial sobre os 310 anos da cidade. Pedi a ele, na época já colaborador eventual do diário, um texto sobre o tema “a cidade do futuro”. Dias depois ele apareceu na redação com um disquete. O texto não fazia qualquer sentido. Era um amontoado de frases desconexas e uma coleção de lugares-comuns. Pensei que, de verdade, faltava a mim capacidade para compreender seu estilo único. Consultei o José Carlos Fernandes, então editor-executivo do caderno de cultura, que confirmou que há muito tempo o Valêncio não escrevia como antes. Voltei para o computador com a vergonhosa tarefa de editar aquele texto e deixá-lo palatável para o leitor médio do jornal. Era o meu trabalho. Mas que trabalho ingrato. Achava que o Valêncio riria de mim quando visse aquilo publicado. E talvez tenha rido mesmo. Se riu, o fez com justiça.

O ano era 2003. Hoje descubro, no texto de Irinêo Netto, que Valêncio foi diagnosticado com o mal de Alzheimer em 2002. Não posso dizer o quanto a doença pode tê-lo afetado naqueles anos em que ainda freqüentava a redação. Que Valêncio ria disso de onde estiver.

***

Alguns anos mais tarde, tive a chance de mediar um debate nas Livrarias Curitiba em que participaram Daniel Pellizzari, Daniel Galera, Paulo Sandrini e Valêncio. Havia um mote qualquer de discussão, tipo “A nova literatura”, que não foi levado a sério por nenhum dos participantes. Por uma questão prosaica, “respeito aos mais velhos”, fiz com que Valêncio falasse por último. Ele sacou do bolso um papel amassado e disse algo como “Bom, vou falar sobre autores importantes pra mim”, e começou a ler uma lista que ia de A a Z dos cânones da literatura e do cinema e mais um par de gente que eu não conhecia. Aquilo durou uns 10 minutos. Os convidados e a platéia em silêncio. Terminada a lista ele agradeceu a oportunidade e meteu o papel no bolso. Não disse muito mais que aquilo o resto da tarde.

***

No fim dos anos 90, eu e o amigo Luiz Andrioli estávamos em vias de formatura. Para algum trabalho da faculdade, fomos entrevistar Valêncio. Lamento não ter mais essa gravação comigo, era digna de ir para o arquivo do Museu da Imagem e do Som. Foi uma das coisas mais sensacionais que ouvi. No fim de tudo ele contou um causo:

“Uma vez estava andando e tive uma idéia genial para o fim de um livro. Imediatamente anotei aquilo num papel e guardei no bolso. Voltei pra casa pensando ‘Porra, isso é fantástico. Depois disso todo mundo vai dizer que o Valêncio é genial, vão me dar um prêmio, vai ser uma coisa maravilhosa’. Só que cheguei em casa e troquei de roupa, e o bilhete se perdeu. Fiquei dias procurando em tudo que era lugar o bilhete com o final mais genial para aquela história. Mas não encontrei. Não lembrava mais o que era. Terminei a história com um final medíocre e ninguém nunca disse nada sobre ela”.

Descanse em paz, Valêncio.

Debate em Curitiba: Valhei-me Deus!


Bozo se espantou com o nível da discussão

Sério. Alguém precisa tomar alguma providêcia em relação a esses debates. A fórmula é pra lá de gasta, e não consigo imaginar cidadão algum que consiga dar alguma atenção à cantilena (quoting Heloísa Helena) batida dos candidatos. Quem assiste esse tipo de coisa fica à espera do primeiro escorregão, do ataque mais incisivo, da tropeçada forte em alguma palavra (ou preferencialmente em algum obstáculo físico, mesmo) pra sentir algum tipo de emoção.

E nesse ponto nós tivemos aqui um que se destacou. Lauro Rodrigues, do PT do B, foi o verdadeiro “vencedor” do debate (como disseram todas as assessorias de todos os participantes, antes e depois do show). Sério. Torçam para que alguém bote um the best of Lauro Rodrigues no YouTube. Logo! O completo desconhecido marcou presença na TV ao se notabilizar por não conseguir falar mais do que 30 segundos em todas as oportundades que teve. Sejamos francos: o problema do homem não era o tempo. Ele não conseguiu sequer pronunciar duas frases seguidas. Nem pra enganar com aquele blá-blá-blá de sempre do tipo “serviços melhores para o cidadão” ou “ninguém agüenta mais fila no postinho de saúde”. O cara se atrapalhou de um tipo que foi realmente notável! No começo ele tentou falar alguma coisa sobre uma de suas “propostas” mas conseguiu misturar alhos com bugalhos de tal forma que, olha… Dalí se impressionaria.

Aliás, perdoem-me os mais polidos, mas acho que o problema ali não era nervoso, não. Era ignorância mesmo. Uma pergunta legal para ele seria algo do tipo “O senhor sabe o que é imposto?”. Ou: “Diz aí, com as suas palavras, mesmo, o que é uma lei orçamentária”. O cara não tem o menor trato com a coisa. O que pelo menos deu um tom divertido à experiência. Assistimos comendo pipoca.

***

O último debate para prefeito que realmente ENTERTEU o povo curitibano que eu lembro foi quando o Cassio Taniguchi (PFL) disputou o segundo turno com o Angelo Vanhoni (PT). Duas perguntas marcaram aquela noite: “O sr. sabe o que é o Procel?” e “O que o sr. pretende fazer para combater a Loxosceles intermedia?”. O Taniguchi começou o segunto turno atrás, mas ganhou a eleição. Nesse mesmo debate, ele foi perguntado sobre o estado dos rios curitibanos. Ao responder, sacou uma fotinha muito bucólica e disse algo como “Este é um rio em que eu pesco freqüentemente”! Yay!

***

Mas, enfim, voltando ao embate de ontem. Não consigo lembrar de nada útil que alguém tenha falado. Exceto, talvez, pelo outro “notável” da noite, o Maurício Furtado, do PV. Lembro que no meio das falas ele saltou alguma coisa como “comida sintética” e “peixes que nadam na água”. Hmmm. Na hora pareceu engraçado, pelo menos. O resto, não. Ninguém ali dá pra comediante.

Anotações sobre filmes vistos recentemente

Agente 86 (Get Smart, dir. Peter Segal)

Steve Carell presta uma bela homenagem a Don Adams, o Maxwell Smart original. E isso não é pouco, meus amigos. O filme consegue ser uma bela lembrança do quanto a série de Mel Brooks era realmente boa, especialmente se você a assistia no sofá, de pijamas, comendo bolacha de chocolate recheada e tomando nescau frio. O roteiro, apesar de apostar numa trama fraquinha, não tem medo de reeditar a Guerra Fria, o que evidentemente é mais interessante do que se a C.O.N.T.R.O.L.E. enfrentasse terroristas muçulmanos ou algo assim. A Agente 99 não era tão babaca quanto a personagem de Anne Hathaway, mas à peida com isso, porque ela está uma gracinha no filme. Depois de Carell, o melhor de Agente 86 são as incontáveis referências – tanto à série original quanto a outros clássicos do gênero, como Dr. Fantástico. Vale o ingresso. Mas, e aí, alguém sabe o nome do Chefe?

Hancock (dir. Peter Berg)

Li por aí que o pior desse filme era o Will Smith. Não é verdade. Will Smith até que faz o filme ser mais suportável do que deveria. O personagem do super-herói politicamente incorreto é até que bem engraçado no começo do filme. Só piora quando ele descobre quem é, sua missão de salvar a humanidade etc. O que faz de Hancock um filme inapelavelmente ruim é, em primeiro lugar, o roteiro (de Vincent Ngo e Vince Gilligan, ambos vindos da TV), e, em segundo, a direção de Peter Berg (ator de longa carreira na TV e diretor anunciado da refilmagem de Duna (!)). Hancock é primário e confuso. Foi a única vez na vida (exceto em filmes como O Homem Elefante ou Norbit, óbvio) que reparei na maquiagem dos atores. Em suma, o que é ruim supera o que há de bom.

Wall-E (dir. Andrew Stanton)

Redundante dizer que qualquer animação da Pixar é excelente. Wall-E não é diferente. Meu objetivo particular, após assistir um novo filme animado, é atualizar meu ranking pessoal das melhores animações pós-Toy Story. E aí devo dizer que Wall-E é maravilhoso, mas não entra no panteão dos melhores-melhores, formado por Procurando Nemo, Shrek 2, Shrek, O Espanta-Tubarões, Os Sem-Floresta, Monstros S/A, Formiguinhaz, Carros… Bem, a lista é grande, e completamente pessoal. Esses são os filmes que me fizeram chorar de rir e criaram uma experiência de entretenimento realmente única. Então se você disser que, para você, Wall-E é o melhor de todos, não terei problemas com isso. O desafio me parece manter a espantosa qualidade desses filmes a cada novo projeto. Aliás – essa teoria não é minha –, a impressão é de que toda a qualidade que resta em Hollywood está concentrada nos filmes de animação. Não sei até que ponto eles conseguirão manter isso (Shrek 3 é um sinal evidente de decadência). Mas se existe algma coisa realmente original no cinema americano de hoje são os filmes animados.

Jogos do Poder (Charlie Wilson’s War, dir. Mike Nichols)

O roteirista Aaron Sorkin é o criador da (excelente) série de TV The West Wing, aquela do dia-a-dia na Casa Branca em que o presidente era o Martin Sheen. Jogos do Poder não é sua primeira incursão no cinema, embora pareça uma chance que Sorkin teve de desenvolver algumas idéias com uma profundidade que a TV não permitiria. Bem, devo dizer que esse é um problema do filme, se você compará-lo a qualquer episódio de qualquer temporada de The West Wing. O que não chega a prejudicá-lo. Para quem, como eu, gosta de filmes sobre bastidores da política (ia escrever “cinema político”, mas Deus nos livre do que essa expressão poderia significar), ainda é um prato cheio. Os diálogos são muito bons e Philip Seymour Hoffman está, para variar, incrível. Esse cara é muito bom ator, impressionante mesmo. O filme ainda tem a qualidade de falar sobre um tema bastante polêmico na história política recente americana – o armamento da Al-Qaeda pelos EUA durante o conflito do Afeganistão contra a então URSS – sem cair numa babaquice do tipo “colocar o dedo na ferida”. A coisa é o que é e ponto.

E, em breve, claro, algumas mal-traçadas sobre o BÁTIMA.
Como puta paga, porra?
Chefe O’Hara: Como puta paga, porra!?

Historinha paranaense e lição de moral propriamente dita

Há algumas semanas o setor de Comunicação Social do governo do Paraná deflagrou uma campanha, que poderíamos apelidar de “Censura, não!”, que reúne em seu site de notícias depoimentos de personalidades diversas – a maioria de políticos do partido do governador, o PMDB – criticando a determinação judicial que impede o governador Roberto Requião de achincalhar adversários, imprensa e outras instituições na TV Educativa do estado, que todas as terças exibe ao vivo “para toda a América Latina”, se você acredita, o programa “Escola de Governo”, reunião semanal do governador com secretários de estado, demais lideranças, aspones e puxa-sacos em geral.

Desde o início das transmissões, lá por 2002, Requião sempre esteve à vontade para bater em quem quisesse. Não só durante a Escolinha, diga-se. As intervenções do governador na programação da TV estatal são comuns e feitas de variadas formas. Desde a veiculação de boletins virulentos – sob a forma de letterings frente a uma tela azul – até depoimentos gravados em que o governador é o protagonista do recado. Isso sem falar nas aparições durante a programação jornalística da TV – que segue o governador em todas as suas ações pelo estado e até fora do país.

Há alguns meses – não há rigor jornalístico algum aqui – Requião subiu o tom do discurso contra o Ministério Público, motivado, se não me engano, por ações que visavam comabter o nepotismo no governo estadual – mirando especificamente os irmãos governador, o então secretário da Educação, Maurício, e o superintendente dos Portos de Paranaguá e Antonina, Eduardo. A metralhadora do governador atingiu muita gente boa (seu contra-ataque falava em “abrir a caixa preta” das aposentadorias do órgão). Pouco depois foi expedida a ordem judicial que proíbe o governador de bater nos adversários, sob pena de multa de R$ 200 mil para cada bravata desferida.

A medida fez com que o Requião arrefecesse os ânimos na “Terça Insana”, e desde então foi só choradeira contra a “censura”. A cada vez que o governador era acometido pelo ímpeto de lascar a lenha num desafeto, a razão lhe falava mais alto e tudo o que ele fazia era lamuriar contra a ordem do juízo.

Até que a Justiça resolveu lhe multar retroativamente a um impropério bradado em março último. Nenhum dos piores, anote-se. Mas a canetada significou 200 mil pratas a menos no bolso do gov – que não foram ainda pagas, porque à coisa toda cabe recurso etc e tal. E aí a maionese desandou. Se mesmo “contido” o governador foi multado, de que adiantava segurar a onda sobre o que pensa de tudo e de todos? Requião mandou a decisão do Judiciário às favas e voltou a detonar quem ou o que melhor lhe conviesse na TV pública. “Multem à vontade, mas meu silêncio não vão conseguir”, disse.

E foi mais ou menos nessa hora que a Comunicação do governo entrou em ação, colhendo depoimentos contra a “censura” – como o mais recente, do senador José Sarney – imposta ao governador. Além de políticos, compõem a lista alguns jornalistas (talvez aqueles não se enquadrem nos limites da “imprensa canalha”, a qual o governador gosta de espezinhar, hmmm).

Rotulada de “censura”, a questão ganha facilmente o apoio de entidades civis e personalidades. A estratégia é vitimizar o governador e relembrar os anos de chumbo. A decisão – que, certa ou errada, foi tomada sob a égide dos usos que o governo faz da TV estatal –, então, passa a ser completamente antipática. “Indo de encontro ao Estado de Direito Democrático brasileiro”, clamariam alguns. Como a relação entre o governador e a imprensa local é terra arrasada, os depoimentos não ganham repercussão alguma além do sítio oficial do governo. E vamos em frente.

Ao mesmo tempo (literalmente), o governador emplaca o irmão no cargo de conselheiro do Tribunal de Contas, vitalício. Sim, o Tribunal que julga as contas do estado. Hmmm. E ganha apoios até inesperados, como do próprio presidente da Assembléia Legislativa (de partido que, em tese, é oposição ao governo, DEM), que, ao menor sinal de tentativa de impedimento judicial da posse do caçula, é o primeiro a questionar formalmente qualquer medida que impeça o trabalho do novo membro da côrte. Questionamentos, aliás, que costumam ser atendidos com assombrosa rapidez por desembargadores do Tribunal de Justiça do estado (a tal “censura” foi imposta por tribunal federal).

É bastante provável que, se você, estimado e improvável leitor, não tiver qualquer ligação particular ou afetiva com o Paraná, esteja bocejando ao saber dessa lenga-lenga irritante. Realmente não é coisa para se dar importância para além dos muros da província. Só trouxe o tema a tona para tratar de uma questão mais específica, que talvez seja efetivamente compartilhada por toda a nação: Por favor, vamos parar com o moralismo. Vamos abandonar qualquer idéia de que aquilo (aquilo!) que acontece na esfera pública que fingimos nos causar espanto é “errado” e que o “certo” está do lado de cá. Vamos combinar que, se o “certo” existir, não é desse lado do quintal que ele mora. Não somos depositários de moral alguma. Somos, em essência, imorais. E, por imorais, não temos moral alguma (opa) para criticar a imoralidade alheia. Aliás, nesse jogo não há alheios. Somos definitivamente farinha do mesmo saco.

Lambaeróbica

O doce da vida jornalística me permite encontrar coisas assim (grifos meus):

O Vereador, Roberto Hinça infra-assinado(a)(s), no uso de suas atribuições legais, submete à apreciação da Câmara Municipal de Curitiba a seguinte proposição:

Projeto de Lei Ordinária
SÚMULA:
“Institui o DIA DA LAMBAERÓBICA no âmbito do Município de Curitiba e dá outras providências.”

Art. 1º – Fica incluído no Calendário Oficial do Município de Curitiba o DIA DA LAMBAERÓBICA.
Art. 2º – A referida comemoração dar-se-á anualmente no dia 26 de novembro.
Art. 3º – Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Roberto Hinça
Vereador

Justificativa

A proposição em tela, tem a sua finalidade essencial de incentivar a pratica da lambaeróbica a nível Municipal, tendo em vista, que a rica cultura merece ser lembrada, bem como, vivenciada por toda a nossa coletividade, principalmente, entre os praticantes e simpatizantes da cultura afro-baiana, que são em grande números e nossa Capital e tem o axé como a sua música oficial.
Conceitualmente, a lambaeróbica não significa lambada com aeróbica e sim movimentos de aeróbica com música baiana. A lambaeróbica veio da lambada, na década de 80, foi criada no sul do Pará e teve sua maior repercussão na boca da barra em Porto Seguro-Bahia, onde a lambaeróbica era chamada de refresco da lambada, pois nos seus intervalos os dançarinos animavam as pessoas com as músicas da Xuxa, não se sabe ao certo quem deu este nome, dizem que a própria cidade adotou.
Esta atividade física, hoje em dia, ganhou proporção nacional, devido à expansão e aceitação pública do Axé Music e do surgimento de vários grupos, que ajudaram a difundir este ritmo baiano para todo o Brasil. Com isso, a lambaeróbica deu uma grande contribuição para que a sociedade brasileira resgate suas raízes culturais, valorizando um ritmo musical genuinamente brasileiro.
Os objetivos da lambaeróbica são desenvolver a coordenação motora, realizar um trabalho cardiovascular e queimar gorduras. As aulas de lambaeróbica são descontraídas, conduzidas somente pela música que irá embalar as coreografias, mas como toda atividade física requer atenções como aquecimento e resfriamento em todas as aulas. Geralmente composta por turmas heterogêneas, por ser de fácil aceitação e não impondo nenhum tipo de limitação, pode ser feito por homens e mulheres de todas as idades, basta ter um pouquinho de força de vontade e ritmo. As aulas de Lambaeróbica consistem em dois pontos principais: Axé: Movimentos de rebolado e requebro, que fazem com que as pessoas se envolvam no ritmo baiano; e a Aeróbica: Movimentos com força, energia e sincronismo, fazendo com que as pessoas mantenham uma postura correta durante a aula.
A presente homenagem também pretende, incentivar a comunidade local a participar do desenvolvimento cultural da cidade, agregando atividades que unem arte, saúde, história, cultura e dança.
Eis, uma nova matéria ora proposta para debate, que este Autor pretende fazer Lei em Curitiba, contando sem sobra de dúvida com a prudente, sábia e séria ajuda dos Ilustres membros desta respeitável Casa de Lei.

E assim:

O Vereador, Serginho – do Posto infra-assinado, no uso de suas atribuições legais, submete à apreciação da Câmara Municipal de Curitiba a seguinte proposição:

Projeto de Lei Ordinária: Denominação de bem público especificada
SÚMULA:
“Denomina de Paulino José Schmitt, um dos logradouros públicos da Capital, conforme especifica.”

Art. 1º. Fica denominado de Paulino José Schmitt, o logradouro público código PS 45A, localizado na Rua Francisco Licnerski esquina com a Rua Mariano da Luz, Bairro Marumbi / Uberaba nesta capital.
Art. 2º. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Serginho – do Posto
Vereador

Justificativa

Paulino José Schmitt ou simplesmente Schmitt, o santeiro, nasceu em Florianópolis-SC em 14/08/1936, filho de José Pedro Schmitt e de Maria Junkez. Seu pai era agricultor em Biguaçú, perto de Florianópolis, onde viviam num sítio chamado “Muquem”. Quando Schmitt tinha uns quatro anos, perdeu a mãe que morreu de parto. Aí as coisas começaram a mudar, o pai casou de novo, ele não se dava bem com a madastra e a situação do pai nos negócios pioraram. Assim memso, ele conseguiu estudar, fazendo o curso primário no Colégio Lauro Mueller e depois o curso complementar no Colégio José Boiteux, ambos em Florianópolis.

É ou não é uma boa justificativa!?

O pacifismo burro

Não consigo entender porque, depois de um crime bárbaro como o assassinato da Pró-Reitora da Universidade Federal do Paraná Maria Benigna, a única reação social que se vê é a promoção de mais um “manifesto pela paz” em praça pública.

Óbvio que o pacifismo – como “filosofia de vida”, vamos dizer assim – é uma alternativa mais civilizada que o belicismo. Não podemos esperar que o cidadão de bem vá às armas para vingar qualquer ato violento. Mas essa reação do tipo vamos-nos-vestir-de-branco-e-dar-as-mãos-contra-a-violência é tão inócua que soa quase como ofensa aos parentes das vítimas.

E vítimas somos todos nós, ao menos em potencial. Maria Benigna foi assassinada porque bandidos a seguiram depois que ela sacou R$ 4 mil de um banco na Rua Augusto Stresser, em Curitiba, no bairro Jardim Social, um dos mais ricos da cidade. É um lugar que está longe de parecer perigoso.

A coisa toda aconteceu perto das 13h30. Eu próprio freqüento as agências bancárias dessa rua nesse horário. Não seria exagero dizer que poderia ser eu no lugar dela. Logo, me sinto como vítima em potencial desse crime.

Mas nós brasileiros, cordiais que somos (é da nossa essência), conseguimos no máximo, depois de tal barbaridade, vestir camisetas com a pomba da paz e pedir “basta!”.

É tão absurda nossa relação de complacência com a violência urbana que vestir camisetas brancas é o máximo que conseguimos fazer como resposta. Damos um grito no vazio, na esperança de que alguma autoridade o ouça e se comova com aquilo, e logo voltamos para nossos afazeres. Se um dos assassinos de Maria Benigna aparecesse no manifesto pela paz, poderíamos atirar nele uma margarida branca. Seria um gesto de nossa revolta contra o crime que ele cometeu. Ele poderia voltar para casa e refletir sobre a natureza de seus atos.

Ainda em Curitiba, o delegado da Polícia Federal que prendeu Juan Carlos Abadía assume uma recém-criada secretaria antidrogas do município. Sua primeira atitude no cargo: convocar voluntários de ONGs para distribuir panfletos sobre prevenção de drogas em show na Pedreira Paulo Leminski.

Acho que o delegado Francischini não assistiu Os Intocáveis. Se tivesse, talvez lembrasse da cena em que o personagem de Sean Connery ensina a Eliot Ness como prender de verdade os contrabandistas. Basta ir aos lugares certo. Todo mundo sabe onde eles estão. É a mesma coisa com o tráfico. Todo mundo sabe onde encontrar traficantes (quer uma dica? Fique dando bobeira nos bares em frente à PUC). Mas melhor é distribuir panfletos. Assim quem sabe eles se conscientizam dos males que provocam e deixam de besteira.

Não se pode esperar que o chefe da polícia, o secretário da segurança, o ministro da Justiça ou quem quer que seja erga-se de sua confortável poltrona e, de uma hora para outra, resolva o problema da violência urbana com apenas “vontade política”. Porque essas figuras representam meramente o anseio da sociedade sobre esses temas. E nossa vontade, ao presenciar tais crimes bárbaros, é sair às ruas vestindo camisetas brancas. É mais ou menos o que eles fazem quando, ao comentar a “questão” da violência, responsabilizam uns aos outros ou, na falta de um culpado com a arma do crime na mão, se voltam contra nossa herança colonial. É o bode expiatório portuga.

E nessa toada seguimos nós com nossa cordialidade, nosso pacifismo. Se um dia acontecer com você ou com alguém de sua família, não se preocupe. Lá estaremos nós em vigília silenciosa zelando pela tranqüilidade de seu espírito. E basta de violência.

E-mail enviado com sucesso!

Olá. Escolhi na guia ‘Serviço’ NET Fone, mas poderia ter escolhido tanto TV por Assinatura quanto NET Vírtua. Tanto faz, porque nenhum deles está funcionando, mesmo. Escrevo porque não agüento mais discutir com os atendentes pelo telefone (de onde ligo do meu celular, por razões óbvias), explicar mil vezes a mesma coisa e não conseguir resultado nenhum. Então vamos tentar por aqui. Talvez lendo por escrito minha história triste, alguma boa alma se compadeça da minha pobre condição de assinante: No dia 15 de fevereiro entrei em contato pela Central de Relacionamento relatando problemas técnicos no meu ponto adicional de TV, no NET Fone e no NET Vírtua. Nenhum está funcionando (protocolo 16891721). Depois de efetuados todos os testes, agendaram uma visita técnica para o dia 17 (domingo), entre 14 e 17 horas. No domingo, esperei até 17 horas e ninguém apareceu. Liguei para a Central de Relacionamento e me informaram que o técnico afirmava ter ido até o endereço de instalação às 15h22, não encontrado ninguém e ido embora. Como se tratava de uma inverdade, insisti com o atendente, pedindo uma nova visita com urgência. O atendente Miguel me repassou para um supervisor (protocolo 16923529). O supervisor Rodrigo me colocou imediatamente em espera e, cerca de 15 minutos depois, a ligação caiu. Liguei novamente para a Central, quando um novo atendente, Joseph, me explicou que, na verdade, o técnico não havia ido até meu endereço por problemas pessoais (motivo de saúde ou falecimento na família, não se sabe) e que, em vista disso, ele pediria que a central de agendamento de visitas técnicas entrasse em contato comigo marcando uma nova data para a visita (protocolo 16923709). O telefonema da central aconteceria em até duas horas. Para isso, forneci dois números de celular para contato. Esperei as ditas duas horas e ninguém me telefonou, em qualquer dos números que forneci. Entrei em contato novamente com a Central de Relacionamento. Desta vez, a atendente Valdirene me informou que a central de agendamento havia tentado entrar em contato comigo, mas que o telefone tocou, tocou e ninguém atendeu (muito embora eu estivesse com os dois celulares no bolso durante todo o período). A solução proposta por ela foi abrir uma nova ocorrência na central de agendamento para que eles ligassem para mim (no máximo até as 10 horas do dia seguinte) marcando uma nova visita (protocolo 16924883). Pois bem. Hoje é segunda-feira, passam das 10 horas e, adivinhem só… Ninguém me ligou! Inacreditável, não? Pois é, também estou pasmo. Claro que me parece inútil entrar em contato com a Central de Relacionamento e relatar o problema mais uma vez. Posso apostar que se ligasse para lá de novo, ouviria provavelmente que a central de agendamento tentou, sim, me telefonar, mas o número fornecido dava numa casa de massagens tailandesa. Eu responderia que, não, que os números são meus mesmo. E o atendente diria: “Bem, senhor, é o que consta no sistema”. E com o sistema, eu aprendi, não se discute! Então me parece claro que o sistema da NET me considera um cliente com faculdades mentais abaladas, uma vez que, mesmo sem desfrutar das maravilhas do NET Combo desde quinta-feira (dia 14), eu vivo pregando peças nos atendentes e técnicos, tipo fugindo de casa na hora marcada, não atendendo de propósito o telefone ou fornecendo números do disque-gnomos para a central de agendamento. Então será que alguém pode tentar resolver o problema de verdade ou serei obrigado a falar diretamente com o coronel Tutchenko? Skavurska!