
Afinal de contas, Os Vingadores não é um sucesso absoluto. É a apoteose de um longo planejamento entre produtores e profissionais do cinema para finalmente vermos realizado aquele velho sonho de criança de ver nossos heróis marvetes favoritos. Mas o que falta para a Warner/DC fazer o mesmo? Ao menos cinco coisinhas…

A Warner pega um herói clássico e certinho com todo manjado drama da superação de vagaba-se-tornando-em-algo-melhor e transforma o Lanterna Verde em um I Know, Right?. Se compararmos a outras épocas piores, o filme até que respeita muita coisa da mitologia do herói, mas tenta diversas vezes transformar um personagem bacana em um amontoado de CG – que nem é algo de mais – e muitas explosões.
Eu, você e as minhas fakes curtiram todos os momentos momentos Massa, Véio dos filmes marvetes. A diferença é que lá isso é usado pra não deixar o ritmo cair, a Warner costuma usar isso pra ter história. Não dá.

Desde o já distante Homem de Ferro, já se falava em um filme com todos os personagens do filme juntos. Mas pra chegar até lá, a Marvel precisou de três filmes do X-Men (que serviram principalmente para mostrar que assinar contrato pra mais de um filme seria legal) além de errar muito com Quarteto Fantástico, Demolidor e o Homem-Aranha. Em boa parte dessa trajetória, a Marvel aprendeu erros que não cometeu quando começou a concretizar Avengers em Homem de Ferro 1 e O Incrível Hulk.
Mesmo quando a produção de Edward Norton fracassou, os caras escalaram outro ator e seguiram em frente sem que ninguém tenha ligado pro terceiro ator a viver o personagem. Enquanto isso, a Warner resolveu recomeçar completamente o Super-Homem pela segunda vez em um curto espaço de tempo e sem nenhum sucesso. Quando você sabe exatamente o que quer e onde quer chegar, é mais fácil conseguir.

Na década passada, eu, Change e Ultra fazíamos uma matéria que falava sobre cinema e leite (é sério, o cara passava meio semestre falando de leite) e fizemos uma pá de trabalhos sobre o Star System, a forma como Hollywood constrói e usa seus ídolos para aumentar a arrecadação das bilheterias. Há 20 anos, nós três líamos em revistas que falavam sobre quadrinhos, boatos bizarros na era pré-internet em que Sean Connery seria Wolverine (sério, eu li isso), Joel Schumacher dirigiria um filme do Asa Noturna e Julia Roberts seria Jean Grey.
Duvido que qualquer um desses e de muitos outros rumores tenham sido verdade em algum momento, mas eles demonstravam o que produtores, imprensa e fãs achavam que deveria ocorrer: astros interpretando grandes personagens. WRONG. A Marvel percebeu que era melhor ter um ator com um status médio e que não ofuscaria sua estrela… Além de ser bem mais baratim, o que diminui a chance de fracasso comercial. Mesmo Robert Downey Jr. só foi possível porque vinha de seu pior momento na carreira após anos de notícias envolvendo drogas, bebidas e participações na série Ally McBeal cantando com o Sting (o próximo passo era participar da Turma do Didi).

Enquanto Bryan Singer não conseguiu se firmar com Superman, Christopher Nolan fez um ótimo Batman, mas que não funcionaria em um universo com superpoderes e Martin Campbell fracassou vergonhosamente com Lanterna Verde… A Marvel fez o gordinho que namorava com a Monica em Friends virar o diretor Jon Favreau.
E vale lembrar: Joss Whedon, que fará sucesso com Avengers, chegou a entregar um roteiro para Batman e Mulher Maravilha, este enfaticamente esnobado aliás, que a Warner… Recusou. CONGRATULATIONS, CHAMPS!
Sabe aquela história do cara que esnoba a adolescente nerd e anos depois é esnobado por ela, gatíssima? É o que me vem a cabeça hoje. A Warner optou pelo caminho de grandes nomes na direção, mas sem amarrar nenhum conceito entre seus filmes. Parece fácil, mas… I Know, right?
Desse jeito, só um diretor muito bom e que centralize as decisões vai tornar o filme em algo bacana, mas que será a visão dele e não da editora/empresa, o que invibializa uma reunião da Liga da Justiça. Com três ótimos diretores a Warner, acertou soberbamente com um. E, como disse acima, os três filmes de Nolan não trouxeram um personagem que funcione com outros. É uma trilogia que quando acabar… Deixará uma lembrança épica, mas não uma franquia. O Homem-Morcego e seus fãs não podem reclamar, mas quem sonha em ver a Liga da Justiça nos cinemas, sim.

Pouca gente sabe disso, mas eu não vi X-Men 1 nos cinemas porque o último filme de super-heróis que havia assistido então era aquele Batman com George Clooney e Joel Schumacher… Que me fez prometer jamais ver um filme do gênero nos cinemas de novo. Eu era um fã revoltadíssimo com a forma como o cinema tratava os personagens que sempre gostei.
A Warner evoluiu pra cacete desde então. Você pode não gostar de vários filmes da DC, mas raramente eles subvertem os conceitos originais. Mesmo assim, a gente ainda vê implícito aquela tentativa de tornar um filme com vocação de nerd em algo pop demais. Com Avengers a gente viu um monte de nerd trintão, quarentão e até a Bruna Lombardi – que furou a fila em que eu estava e embarangou pra burro – aplaudindo e vibrando, como se fosse um show de rock. E com eles muita gente que pode ter saído na dúvida se não era pro Super-Homem ter aparecido, mas que se divertiram pra um programa com seus amigos.
Agora, se você quiser inverter a lógica e fazer um filme para os amigos e a Bruna Lombardi – é sério, ela estava lá. E tá feiona. Fiquei triste. – e esperar que os nerds se empolguem, vai ter problemas. Não era assim quando raramente havia filmes desse gênero. Não será assim agora. E o que todo nerd, marvete ou decenauta, quer é justamente ver todos os heróis de quadrinhos bem representados. A Warner está muito atrás. É hora de arregaçar as mangas e correr atrás. Ou então o “chupa DC” percorrerá gerações…
Bugman achava a Bruna Lombardi maravilhosa há dez anos







