Justamente hoje, véspera de Natal, caiu essa notícia no colo: morreu, na cidade de Hiroshima (no Japão), Keiji Nakazawa – autor de Gen: Pés Descalços, graças a um câncer de pulmão. Nakazawa talvez tenha elevado seu nome para um patamar maior do que apenas entrar para a história dos quadrinhos: ele criou uma das mais importantes obras a definir um papel social para essa mídia, focada no discurso pacifista e na luta contra a proliferação das armas nucleares. Foi graças a esse papel que Gen se tornou um dos primeiros mangás na história a ter projeção internacional, levando à criação de uma versão remontada e editada, de quatro volumes, pensada no sentido de difusão da mensagem. Detalhes como sentido de leitura ou qualidade técnica não importavam; o fundamental era a missão de avisar aos povos sobre o perigo nuclear – em tempos de uma corrida armamentista com proporções alarmantes.
Há realmente muito a dizer sobre a importância de Gen – eu diria que neste momento é o mangá em publicação no Brasil mais relevante e obrigatório (a editora Conrad já anunciou o quinto volume da versão integral para as livrarias; não confundam com uma revista homônima que a Abril vem publicando em bancas, pelo amor de Deus!), e um dos mais extraordinários exemplos dos quadrinhos como veículo de uma mensagem. Claro, ele funciona como entretenimento; é um melodrama, afinal de contas. Mas também funciona para abrir os olhos para um público mais jovem sobre tópicos como manipulação de massas, abuso de autoridade e claro, das guerras em si e da catástrofe que representaria uma eventual guerra nuclear, publicada em plena guerra fria, através da trajetória de um garoto que sobrevive à bomba de Hiroshima e começa uma trágica via crucis de sobrevivência. Não custa lembrar que a carreira desse título começou nada mais nada menos do que no almanaque semanal para garotos Shonen Jump, em 1973, e ele foi segurado na revista, apesar dos desvãos de popularidade, enquanto o editor se esforçou para tal. Gen podia não fazer o sucesso de um mega-hit da época como Koya no Shonen Isamu ou Mazinger Z, mas ele estava ali por um motivo maior. Era necessário – algo que existia para dizer o que ninguém queria ouvir. Esse trabalho é de imensa importância – tanto que as páginas originais de Gen foram doados ao Museu de Hiroshima em 2009. O que foi dado aos quadrinhos com isso não tem tamanho: essa mídia gerou uma das maiores obras vocais contra uma atrocidade já produzida. Por isso mesmo, ela tem que ser lida.
Por isso mesmo, muito obrigado, Senhor Nakazawa. Por tudo. O que o senhor fez, será sempre lembrado.
Há realmente muito a dizer sobre a importância de Gen – eu diria que neste momento é o mangá em publicação no Brasil mais relevante e obrigatório (a editora Conrad já anunciou o quinto volume da versão integral para as livrarias; não confundam com uma revista homônima que a Abril vem publicando em bancas, pelo amor de Deus!), e um dos mais extraordinários exemplos dos quadrinhos como veículo de uma mensagem. Claro, ele funciona como entretenimento; é um melodrama, afinal de contas. Mas também funciona para abrir os olhos para um público mais jovem sobre tópicos como manipulação de massas, abuso de autoridade e claro, das guerras em si e da catástrofe que representaria uma eventual guerra nuclear, publicada em plena guerra fria, através da trajetória de um garoto que sobrevive à bomba de Hiroshima e começa uma trágica via crucis de sobrevivência. Não custa lembrar que a carreira desse título começou nada mais nada menos do que no almanaque semanal para garotos Shonen Jump, em 1973, e ele foi segurado na revista, apesar dos desvãos de popularidade, enquanto o editor se esforçou para tal. Gen podia não fazer o sucesso de um mega-hit da época como Koya no Shonen Isamu ou Mazinger Z, mas ele estava ali por um motivo maior. Era necessário – algo que existia para dizer o que ninguém queria ouvir. Esse trabalho é de imensa importância – tanto que as páginas originais de Gen foram doados ao Museu de Hiroshima em 2009. O que foi dado aos quadrinhos com isso não tem tamanho: essa mídia gerou uma das maiores obras vocais contra uma atrocidade já produzida. Por isso mesmo, ela tem que ser lida.Por isso mesmo, muito obrigado, Senhor Nakazawa. Por tudo. O que o senhor fez, será sempre lembrado.







Nakazawa Keiji sensei é um herói. Sem mais.