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mu!

mú!

quarta-feira 26 setembro 2012 - Filed under Zen

mú!o zen budismo está se tornando importante em minha vida.

quanto mais leio, quanto mais participo, quanto mais me involvo, mais sinto que tem alguma coisa aqui pra mim.

* * *

não tudo, claro.

entrei no budismo pelo zen (de d.t.suzuki e stephen batchelor) e, quanto mais estudo o budismo, sua história e suas práticas, suas crenças em karma e reencarnação, seus budas cósmicos e rosários de repetição, mais percebo que o zen dos mestres agressivos e koans ilógicos, da ênfase na prática e da recusa à metafísica, é onde realmente me encaixo.

* * *

percebi a importância do zen em minha vida não pelo tempo e dinheiro que tenho investido, mas porque me peguei fazendo uma coisa que acho que não fazia há mais de vinte anos:

confiando na autoridade de experts.

* * *

d. t. suzuki me introduziu ao zen, abrindo meu apetite por koans, por zazen, por satori.

com o interesse aguçado, comecei a estudar mais.

percebi que o budismo de verdade, a religião milenar surgida na Índia, era muito maior, mais ampla, mais estranha, mais mística, do que o zen budismo aparentemente quase ateu apresentado por suzuki.

cheguei a pensar: vai ver entendi tudo errado. karma? reencarnação? budas cósmicos? isso não é pra mim.

foi o livro budismo sem crenças, de stephen batchelor, lido por recomendação do gustavo gitti, que me mostrou que a minha compreensão do budismo, apesar de minoritária, não estava errada e nem distorcida. que havia uma escola de pensamento, baseada nas palavras do própria buda, que entendia o budismo de forma tão agnóstica quanto eu.

graças a batchelor, entrei na conversa milenar sobre o que é e como deve ser o budismo, esse debate característico dos sistemas de pensamento vivos e saudáveis, capazes de animar as paixões dos homens.

continuo não entendendo nada de budismo.

mas agora observo de dentro e não mais de fora.

* * *

em seu recente “confissão de um budista ateu”, batchelor conta a seguinte historinha:

However tempting it is for me to dismiss the existence of gods and spirits as outdated nonsense, I need to be aware of the equally tenuous foundations of my own beliefs. If challenged, I would be incapable of persuading someone who does not already share my view of the universe or human life that my beliefs about them are true. I once spent a couple of hours trying to persuade a learned and intelligent Tibetan lama that the world is spherical in shape-but with little success. I would have had even less success had I tried to convince him of other beliefs I held: those about the Big Bang, evolution by natural selection, or the neural foundations of consciousness. I believed these things on much the same grounds that he believed in disembodied gods and spirits. Just as I unquestioningly accepted the authority of eminent scientists, so he accepted the authority of eminent Buddhist teachers. Just as I trusted that what the scientist claims to be true can be backed up by observation and experiment, so he trusted that what his teachers claim to be true can be backed up by direct meditational insight. I had to recognize that many of my truth-claims were no more or less reasonable than his.

* * *

ontem, me peguei sinceramente quebrando a cabeça para decifrar uns koans coligidos por mestre dogen no século 13 e comentados por mestre john daido loori em 2005. umas histórias completamente sem pé nem cabeça.

de repente, me perguntei:

caralho, por que estou aqui me esforçando pra estudar essa merda que não faz nenhum sentido?!

e tive que admitir que só havia uma resposta sincera para essa pergunta:

estou me esforçando para entender essa merda que não faz nenhum sentido, contra toda a evidência dos meus sentidos, por confiar na autoridade de mestres zen como dogen e loori que me garantem que esses koans são importantes, que existe um significado oculto que ainda não sou capaz de ver e que estudá-los faz parte do meu crescimento espiritual.

então, eu sento e quebro a cabeça.

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2012-09-26  »  Alex Castro

Talkback x 3

  1. alexyeh09@gmail.com
    2 janeiro 2013 @ 03:54

    How beautiful Chinese Word!

  2. Paulo Soares
    20 fevereiro 2013 @ 17:57

    Oi,
    Certa vez participei de um retiro com a monja Coen. Ao fim do retiro ela perguntou aos iniciantes como tinha sido. Eu disse que, no final, quando estava muito, mas muito cansado, foi melhor. Ela arregalou os olhos e disse mais ou menos que o cansaço ajuda pois, graças a ele, desistimos. Fiz, na hora, um paralelo com algo que li do Mestre Seung Sahn (A Bússola do Zen) – ele passava um koan para um discípulo, que vinha lhe dar uma resposta depois de uns dias; invariavelmente, o mestre ria, chamava o aluno de estúpido, dizia que a resposta dada era inaceitável e coisas assim, até que um dia um aluno dizia “não sei a resposta”; nesse momento Seung Sahn gritava a plenos pulmões “mantenha essa atitude não-sei!”. Desistir, não saber, são recomendações Zen que me encantam. Enfim, só escrevi para compartilhar com outro budista o encanto com o Zen… apesar de que, como Batchelor diz no “Confissões…”, por vezes acho que o Zen reifica a vacuidade, mas isso é outro assunto. Gasshô

  3. scam host
    2 abril 2013 @ 03:39

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