E Existe Isso de Raça?
terça-feira 27 janeiro 2009 - Filed under Raça
Muitos leitores me escrevem para dizer que raça não existe. Alguns ficam até exaltados, como se estivessem contando alguma grande novidade que encerraria de vez essa bobagem de “falar de racismo”.
Tsc, tsc. Será que acham mesmo que alguém ainda não sabe disso?
* * *
Era uma vez uma terra feliz onde todas as pessoas eram tratadas com igualdade e respeito. Um belo dia, sem motivo aparente, surgiu uma lenda de que as pessoas com covinha no queixo eram mais burras e desonestas do que as outras.
Apesar de completamente ilógica e contrária à mais rasteira observação empírica, o mito começou a se espalhar por toda a sociedade. Em breve, pessoas-com-covinhas-no-queixo estavam sendo preteridas em empregos, não conseguiam mais alugar apartamentos, sua renda começou a cair.
Quando faziam besteira, todos diziam: “essas pessoas-com-covinha-no-queixo quando não fazem na entrada fazem na saída!” Quando mandavam bem, eram a exceção que confirmava a regra: “é uma pessoa-com-covinha-no-queixo com alma de pessoa-sem-covinha-no-queixo!”
Alguns cidadãos tentaram protestar contra isso. Queriam que o governo tomasse providências. Queriam criar leis para proteger as pessoas-com-covinhas-no-queixo. Encontraram, entretanto, muita resistência. Diziam seus adversários:
“Somos todos humanos, covinhas ou não covinhas. Se começarmos a falar sobre o assunto, aí sim é que estaremos dignificando esse boato esdrúxulo. Se criarmos leis específicas para defender as-pessoas-com-covinhas-no-queixo, aí sím é que estaremos tratando-as como se fossem um grupo separado.”
“Mas elas JÁ são tratadas como se fossem um grupo separado! Já vivem menos, ganham menos, apanham mais da polícia!”
“Oras, essa distinção entre pessoas-com-covinhas-no-queixo e pessoas-sem-covinhas-no-queixo é um grande mito social! Uma lenda! A ciência já provou que pessoas-com-covinhas-no-queixo são geneticamente indistinguíveis das pessoas-sem-covinha-no-queixo! É tão absurdo classificar as pessoas por suas covinhas no queixo quanto por outros atributos físicos acidentais como altura, cor da pele ou ter o segundo dedo do pé maior que o dedão! Todos temos as mesmas capacidades, habilidades, tudo! Não podemos tratar as pessoas-com-covinhas-no-queixo de forma diferenciada! Isso seria covismo!”
“Eu sei que é um mito, caramba, mas o importante é que o povo aí fora parece não saber! As-pessoas-com-covinhas-no-queixo só fazem levar porrada todo dia! É um mito social mas que tem uma existência bem real!”
* * *
Não importa se um fato é verdadeiro ou não, e sim seu impacto na sociedade. Se todas as pessoas acreditarem que os canhotos são perversos e devem ser mortos, isso vai causar um forte impacto social – independente da veracidade da crença. O governo impedir as pessoas de discriminarem os canhotos, ou passar leis ajudando-os, não quer dizer que ele está confirmando que os canhotos são de fato um grupo à parte, ou que são coitadinhos inferiorizados chorões incompetentes que precisam de ajuda extra, mas simplesmente que o tal mito social colocou-os em uma situação difícil que deve ser remediada.
* * *
O que importa é a percepção e como ela afeta a realidade.
Quando escrevi sobre a polícia parando mais negros do que brancos, alguns leitores disseram que isso não era racista pois os negros de fato tem maior probabilidade de serem pobres e, portanto, bandidos. Quando escrevi sobre a professora que foi atormentada por alunos e colegas por causa do seu cabelo afro, alguns leitores disseram que isso não era racismo e sim estética, pois cabelo de preto é ruim e áspero mesmo, ninguém pode gostar.
Depois de ouvir essas e outras piores, a leitora e blogueira Meg concluiu, resumindo a questão com uma concisão invejável:
Deixa ver se entendi a argumentação da galera: No Brasil, o negro não é discriminado por ser negro. É discriminado apenas por ser feio, pobre, ter cabelo ruim, ter pouca cultura, baixa escolaridade e se fazer de vítima. De onde se conclui que não há racismo no Brasil, cqd.
* * *
Sim, biologicamente falando, raças não existem. Todo mundo sabe disso. Mas e daí? Enquanto discutimos essa fascinante questão, os membros-da-raça-que-não-existe-mas-é-mais-escurinha continuarão sendo consistentemente preteridos em promoções, ganhando salários menores e não conseguindo alugar bons apartamentos.
As raças podem até não existir geneticamente mas, durante uma blitz às onze da noite, os policiais já tensos e de armas engatilhadas, as raças são uma realidade bem palpável.
Hoje, para todos os fins e efeitos, na vida real e nos estudos universitários, raças existem sim: não como um conceito biológico ou genético, mas sim histórico, sociopolítico, cultural. (Mills, 126)
Mestiçagem
A maior prova de que raça é um fenômeno cultural é a questão da mestiçagem.
No Brasil, a existência da categoria racial “mulato” é tanto causa como consequência da ideologia de mestiçagem/branqueamento, e não um resultado automático da mistura de raças. A miscigenação, por si só, não cria “miscigenados” ou mestiços ou mulatos. Nos Estados Unidos, por mais deles que existam, são simplesmente classificados de negros, e pronto. (Telles, 218)
Taí o presidente Obama que não me deixa mentir.
* * *
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2009-01-27 » Alex Castro






28 janeiro 2009 @ 05:01
Roberto,
hmmm, onde vc quer chegar com esse comentario, hein?
28 janeiro 2009 @ 10:18
“muitas pessoas de pele escura são tratadas como um grupo à parte e sofrem discriminação” é uma afirmação razoável., empiricamente testável.
“todas as pessoas de pele escura são, a priori, sem qualquer necessidade de comprovação, tratadas como um grupo à parte, e, portanto, devem receber direitos especiais como compensação” isso é racismo.
se você não acreditasse na existência real das raças, não apenas como mito, não poderia acreditar que possa haver uma relação causal direta e necessária entre a aparência física e status de vítima.
o estado de direito não pode conceder benefícios por suposições estatísticas. o estado só tem o direito de conceder compensações aqueles que comprovadamente foram prejudicados por ele. e a compensação nunca pode ser na forma de privilégios em detrimento do restante da população.
o racismo existe, mas não é total, não é na maioria das vezes praticado pelo estado. e sempre que é praticado pelo estado, é a revelia de suas próprias leis. não vivemos num país racista – vivemos num país onde existe muito racismo, infelizmente, assim como diversas outras formas de discriminação.
usar a existência do racismo (pretensamente dos outros) para justificar a segregação racial só pode ter vindo de uma mente muito torpe.
porque essas pessoas maravilhosas que querem apenas a libertação do “povo negro” falam tão pouco sobre o racismo policial – quando muito, tentam usá-lo como justificativa, como naquele aborto intelectual do “pergunta pro PM que é preto e quem é branco”? Por que concentram suas energias em conseguir “compensações” em outras áreas onde comprovadamente não há qualquer discriminação? alguém pode me explicar como as ações afirmativas vão fazer a PM ser menos racista?
É simples o raciocínio dessa gente. Preto que apanha de PM é pobre ignorante. Preto que ganha vaga em universidade é filho de classe média. Preto que ganha cargo no governo, presta consultoria, vira ministro e finge fazer muito pelo povo é militante.
Cotas para militantes. É sobre isso que gira toda essa lógica grotesca de “se existe racismo cultural, então existe raça, logo eu posso dar direitos especiais a negros”.
Só dá pra sentir nojo.
28 janeiro 2009 @ 10:29
Uma coisa que nunca falha em me impressionar no ser humano é a falta de capacidade de foco. Realmente me assusta como as pessoas são dispersivas como crianças com DDA
Se o que causa a segregação é chamado de raça, espécie, familia, quantidade de bilis na barriga, FODA-SE como é chamado. O nome é o de menos
Ok, cientificamente raça não existe, mas daí se dizer que não existe racismo? Foco, genge, foco. Mudem o nome então para blubluísmo então, que seja.
Se chamar de racismo ou de blubluísmo não muda o fato gerador em si, de que pessoas de blublus diferentes são mais paradas em blitz da policia, as vagas de emprego misteriosamente ja estão mais preenchidas e que elas são consideradas pela sociedade como mais feias, ignorantes e pobres, sendo que nos dois ultimos casos cabe a elas provarem o contrário pois no Brasil preto é burro e pobre (e consequentemente bandido)até que se prove o contrário.
Cientificamente não existe nada chamado “blublu”, mas isso é o que realmente importa? Discutir o nome que se dá ao blubluísmo realmente faz alguma diferença?
28 janeiro 2009 @ 12:45
se os geneticistas (não que o que eles falem seja lá grande coisa, mas se até eles) falam que tem mais variabilidade dentro de uma “raça” do que entre “raças”, o embasamento biológico delas está seguramente descartado em todos os âmbitos – até o da biologia. o argumento de que “não existem” raças só pode valer pra esses viajões que deixam seus comentários racistas aqui. é a ciência que trabalha com o que existe, e não o contrário; não é ela que dita o que existe ou não.
eu li ontem numa entrevista de 2003 com a judith butler: “To refuse the name [race] as if it were merely or only the property of a racist strategy would be to miss the opportunity to subject the name to a counter-racist strategy” – e, portanto, é uma maneira de perpetuar o racismo. “It seems crucial to (…) recognize that Blackness”, ela continua, “has its historicity, and its future”.
A raça foi produzida a serviço do racismo (seu post sobre a parte de “raça” do formulário americano já ilustrou com muita clareza como os fenótipos racias são feitos de maneira radicalmente arbitrária) e agora é perciso mobilizar essas mesmas raças contra o racismo do qual elas foram feitas. é simples.
(na verdade só passei pra deixar um beijo e dizer, mais uma vez, que adoro seus posts sobre racismo.)
28 janeiro 2009 @ 13:03
pois é, lucas: apesar de saber, desde Fanon e Florestan Fernandes, que o caso de gente que pensa como você pertence ao âmbito das graves afecções psicossociais; apesar de saber, desde Rui Barbosa e Homi Bhabha, que “liberais legalistas” como você reproduzem, nos seus contorcionismos argumentativos, as aporias da razão ocidental; apesar de tudo isso, o que predomina em mim é um imenso NOJO de gente como você, que encarna o que pode haver de pior no ser humano: egoísmo, estupidez e hipocrisia cerebralmente entrelaçados…
28 janeiro 2009 @ 14:00
O que a MEG ainda não descobriu é que quando o branco é discriminado “apenas por ser feio, pobre, ter cabelo ruim, ter pouca cultura, baixa escolaridade e se fazer de vítima” ele não é considerado vítima do racismo mas tem uma vida tão miserável quanto o negro na mesma condição.
Mas para esse pobre coitado não há solidariedade, nem cota racial, nem solução.
28 janeiro 2009 @ 14:06
Fala a verdade Alex, vc eh o Lucas dos comentarios ne? Pra escrever tanta merda no minimo vc contratou alguem pra escrever akelas bobagens pra depois expor ao ridiculo em outro post…hehehe
28 janeiro 2009 @ 14:16
Felipe,
Eu nunca expus ninguém ao ridiculo. Alias, a função principal dos comentários é fazer as pessoas se exporem ao ridículo por conta própria.
Homero,
Hahahahaahahah!
Lu,
Obrigado. Excelente a citação da Butler. Ela sabe tudo.
28 janeiro 2009 @ 14:36
mujimbo: achei totalmente desnecessário o tom (e estupidez) com que comentou sobre o comentário do lucas. Se nao concorda, fine. Se discorda com grosseria, perde qualquer razao.
Concordo sobre o “pais racista x pais onde existe racismo e preconceitos” – e com o homero 100%. É bonito entrar na passarela dizendo “eu nao sou racista, amo os negros” e olhar pra gordinha vesga (e bem braquinha) e nao querer ela trabalhando na tua loja. Maximizar o preconceito contra negros (que existe) e minimizar o preconceito contra pobre de toda e qualquer raça, e feio, e gordo, e torto (todas existem, e muito – o brasil é um pais extremamente aesthetic-oriented) é fazer um disserviço. “Vamos usar um paliativo, e dar cotas aos negros – em todos os lugares, nao só nas universidades! (palavras de Alex)” – mesmo? Alguém já pensou realmente nisso? Se não fosse extremamente injusto para o pobre analfabeto não-negro, tem ainda a viabilidade da coisa – é praticamente impossivel de se aplicar. E nas faculdades isso é dispensavel – como disse o Alex, “foi provado cientificamente que as pessoas de covinhas sao tao inteligentes quanto as sem covinhas”. No resto dos lugares, nem pensar.
Fora que o governo se “acomoda”. Uma vez que cotas sejam aplicadas, liga-se o “já fiz meu trabalho”. E ninguem mais se interessa em melhorar o ensino basico. Alex disse que “sao coisas diferentes”, mas isso nao existe do ponto de vista governamental.
Só pra ilustrar: eu saí do dante alighieri quando me formei da oitava série, e fui fazer o colegial em barbacena, na EPCAR (escola preparatoria de cadetes do ar) – queria ser piloto, pareceu o melhor caminho. Desisti no meio da coisa toda, e já tinha perdido minha vaga no colegial do dante. Prestei pra Escola Tecnica Federal, entrei, e fui cursar os agora 4 anos de colegial (colegio tecnico tem um ano a mais). O grande lance no colégio era a quasi-doutrinagem sobre o fazer ou nao faculdade depois de formado tecnico. O colégio/professores eram totalmente contra. Acontece que como técnico no brasil, voce é limitado (por lei) a projetos pequenos: qualquer coisa maior tem que ter a supervisao de um “diplomado” (engenheiro, etc). Claro, todo mundo se formava tecnico (uma excelente escola, by the way) e ia fazer faculdade. Pra que os tecnicos lutassem por mais direitos, só NAO SE FORMANDO NA FACULDADE é que isso aconteceria.
É o “dar o peixe” X “ensinar a pescar”.
Nao vai existir um ensino basico melhor se o “trabalho foi feito, o problema resolvido”. Na verdade, o ensino basico tem caído de nível desde que foi criado. Um país como o nosso já tinha que ter o ensino publico como o mais desejado, e o pago pra quem “pode pagar, e nao tem muito interesse/vontade/jeito em estudar”. Infelizmente isso só acontece na hora que se chega na universidade.
28 janeiro 2009 @ 22:30
O INTELECTERNAUTA
Andam por aí cada figura! Devem ter representantes em todos os segmentos da atividade humana, da gastronomia à filosofia, mas são mais freqüentes nas sessões de “Arte e Cultura” dos índices de blog.
Em comum, são figuras (homens ou mulheres) com uma relativa bagagem de leitura geral e um irrelevante conhecimento técnico numa área qualquer que pode ou não ser enquadrada como “Arte e Cultura”, tanto faz. Compartilham todos da certeza de que qualquer conversação aceita a intromissão de um dito espirituoso cheio de mordacidade, ironia ou sarcasmo, quase sempre utilizando uma citação de obra da cultura pop, que acaba com a conversa por sua inconveniência. Nove entre dez adolescentes e pós-adolescentes julgam ser essa a forma correta de conversar, assim os assuntos se esgotam no mesmo tempo de um comercial de TV, pois costumam dialogar com o aparelho, tecendo comentários rápidos sobre cada peça de publicidade, numa espécie de competição que tem como vencedor quem consegue o dito mais curto e a observação mais impertinente.
São blogueiros, em sua maioria. Usam esse espaço para cuspir o bolo que ruminaram, fazendo comparações e “disponibilizando” (ato da realeza ou do dono do poder, que consiste em oferecer informações, serviços ou produtos de forma onerosa ou gratuita aos pobres súditos sedentos de suas benesses; esmola) aos seus visitantes o fruto prodigioso de suas longas meditações.
Apetrechados de sua grande experiência, de suas leituras pesadas e eruditas, bem como de suas qualificações acadêmicas e até de um ou dois livrinhos publicados, sentam-se diante de um teclado, abrem seus dublevê, dublevê, dublevê, dois pontos, barra barra asneira e derramam mensagens que irão constituir o grande universo de informação (mercadoria abundante, banal, sem valor, manipulada e manipuladora) do século vinte e um.
Imagine a figura por dentro, o que ele sente ao digitar. Parece feliz quando vê sua idéia transmutar-se em impulso elétrico, com a possibilidade real de se transformar em papel impresso num simples Ctrl/P. Manifesta sua interpretação sobre um fato jornalístico, sobre a morte de um escritor, sobre um livro que leu, sem a menor responsabilidade, protegido e impune pelo anonimato, por ser visto apenas por seus iguais, que, por sua vez, irão acrescentar chistes cheios de mordacidade, ironia e sarcasmo, tão curtos como a duração de um comercial de TV.
A frivolidade dessas figuras faz crescer em mim um sentimento que cresce no peito, sobe e me empalidece. É pena, eu acho, um tipo de dó dessa solidão. Tinha que inventar uma palavra para ela, pois não é bem solidão, é estranho estar só num mundo de comunicação instantânea, total e de possibilidades infinitas. Claro, não estamos sós quando vamos ver Batman em legião e conversamos sobre o filme. Ou quando lemos Harry Potter ou Crepúsculo ou Torre Negra. Só estamos sós quanto àqueles pensamentos originais, íntimos, que lutam por se manifestar num universo padronizador. Aí é que somos nós mesmos, escondidos sob muita cultura pop, sob nichos de pensamentos obtusos, tendo muito a aprender sobre lucidez para interpretar os fatos de forma clara e realista, despido de ideologias e antes de todas as manipulações. Aí é que teremos uma opinião decente sobre o que seja “Arte e Cultura”, ou o que seja, e damos ela ao mundo como uma definição transitória de nossa própria condição efêmera.
Essa figura, o intelecternauta, sofre de intersolidão, esse estado de ser internamente (internetamente) solitário, mas nem por isso tem o direito de gastar a energia equivalente e ferver duas chaleiras de água e assim contribuir para o agravamento do efeito estufa, cada vez que acrescenta informações irrelevantes e observações presumidamente inteligentes aos sítios eletrônicos.
28 janeiro 2009 @ 23:56
Alex,
Eu evito usar “raca” sempre que posso. Razoes:
- Ao contrario que vc pensa, existe muita gente que pensa que racas humanas tem sentido biologico;
- Em nome da “raca” as piores coisas foram cometidas na historia humana; O politicamente correto deveria se lembrar disso e abandonar o termo.
Eu uso “cor” mesmo. QUe nao tem significado biologico, mas tem significado social no brasil.
Enquanto isso… se me perguntarem qual a minha raca, eu responderei: “lamento, mas sou humano”.
29 janeiro 2009 @ 09:38
Mujimbo,
Vou entender como elogio. Obrigado. Sou esse tipo de gente mesmo. Como você falou? Liberal Legalista? Nunca tinha usado esse termo, mas parece justo.
Vou ter a liberdade de te chamar então deixa eu ver, de Pseudo-marxista Pós-moderno Anti-Racionalista. Não sei se é adequado, mas junta várias coisas que me dão nojo, então acho que é um elogio à altura. Parabéns por seu brilhantismo intelectual.
Filipe,
Não, não somos a mesma pessoa. Nem conheço o sujeito. Mas concordo com o Alex, o espaço tem o objetivo de permitir que as pessoas sejam ridicularizadas por méritos próprios, sejam o autor dos posts ou dos comentários. E ele cumpre esse objetivo. Mas não se preocupe, ele não vai rebater meus argumentos. Afinal, ele quer ser ridículo por méritos próprios…
Pra você que não conseguiu acompanhar meu argumento, vou fazer um resuminho esquemático:
Existe um grupo A de pessoas que sofrem com uma determinada situação, às vezes por responsabilidade do Estado.
Para melhorar a situação, criamos um benefício (do Estado) para as pessoas do grupo B!!!!
Mas vocês dizem que os dois grupos são iguais. Para tanto, usam os seguintes argumentos:
1 – Quem nega que B = A, na verdade está comprovando eessa igualdade. A maior prova de B = A é que a maior parte da população nega essa relação.
2 – A maior prova de que B = A é que todos acreditam que B = A. Na verdade essa classificação não faz sentido, mas como todos acreditam, isso é o suficiente para agirmos como se B = A.
Como se os argumentos não fossem suficiententemente imbecis sozinhos, ainda se contradizem.
E mesmo que esse jogo argumentativo “dialético” estivesse certo: como criar o benefício vai resolver a situação de sofrimento? Algo como fazer escolas melhores para compensar os hospitais ruins.
Só existe uma explicação plausível para tanto investimento de gente escrevendo a favor dessa asneira: quem fala está se lixando para A, mas espera estar no B, dos beneficiados.
Precisa desenhar?
29 janeiro 2009 @ 09:48
Adorei a matéria sobre as “raças” um assunto
que gera ainda muitas divergências entre a
sociedade.
Eu que sou negra, não consigo entender até hoje
pq certas pessoas tem preconceito com outras
pelo simples fato de a cor da pele destas
ser mais escura?! Algo sem nexo?!!!!
Mas que infelizmente é a pura realidade deste mundo contemporâneo!Que nós negros sofremos desde
a escravidão.
Quando isto vai mudar?!!!!!!
29 janeiro 2009 @ 10:06
Não acredito em cotas ou política contra discriminação. Isso só mostra aos alvos desta política que eles são coitados e vão sifu. E mostra que quem defende esta posição se acha melhor e mais preparado para o sucesso. Então seja o sucesso, e pare de pretensamente defender aqueles coitados, “os que não tem chance”. Todos têm chance. E este tipo de papo, ao invés de aumentar a auto-estima de quem está na pindaíba, mostra a ele que o problema é genético, de berço, ou seja lá qual outra baboseira foi falada. Haverá sempre pobres e haverá sempre ricos. Não importa a raça. Na Alemanha, os “discriminados” são turcos e asiáticos, vindos do antigo lado comunista. Na França, são africanos, vindos das antigas colônias. No Japão, são coreanos, iraquianos, brasileiros, peruanos, todos eles vindos por vontade própria. Ah, é claro, existem sub-raças dentro do próprio Japão.
O homem sempre achará razões qualquer, “furinhos no queixo” para se dizer melhor ou pior que outro. E tentarão justificar seu próprio sofrimento com isso. E não conseguirão. Porque não existe ninguém sofrendo. O único sofrimento que existe é o sofrimento daquele que vê sofrimento em tudo.
29 janeiro 2009 @ 11:32
Eh!
Por que nao parar de evitar confrontar, com esse problema
brasileiro ,chamado “preconceito racial”?
O brasileiro e um povo racista , retogrado, envergonhado da historia racial.
Acorda gente!
29 janeiro 2009 @ 16:48
Acho importante entender a criação das cotas como uma ação pragmática, reparadora e benevolenvente por parte do Estado dirigido a um grupo social que foi escravizado por esse mesmo Estado por séculos e que ainda hoje carrega esse estigma através da discriminação da sociedade que o relega esse à marginalidade. As ações afirmativas são, assim, como a criação do Estado de Israel, oportunidade para assegurar a integridade e o futuro de um grupo historicamente perseguido e discriminado. Mas ao contrário deste caso, a intenção não é isolar o grupo, mas integra-lo ao restante da sociedade, pelo menos a uma parcela da qual normalmente não faz parte. Deve ser por isso que alguns ficam tão irritados. Digo, até entendo os argumentos “legalistas” contrários, mas não entendo tanta irritação. Não entendo tantas pessoas se sentindo “injustiçadas”, pessoas que já fazem ou até já sairam da faculdade. Se pudessem trocar de lugar com os negros e seus “privilégios” saberiam de fato o que é injustiça.
29 janeiro 2009 @ 16:51
Racismo ou medo de enfrentar as diferenças ,e confrontar nossas próprias limitações em comreender pq ñ somos iguais? Ou, pq os outros ñ são como queremos?
Acredito que essa esquisofrenia tem cura…precisamos enfrentar e tratar.
29 janeiro 2009 @ 16:59
No mais, as ultimas diretrizes das cotas nas universidades federais garantem vagas não só a negros, mas tbm aos que vieram de escolas publicas, mesmo que brancos, atendendo a uma demanda da sociedade que andava inconformada com o fato de nas universdades publicas só ter “playboy”. Engraçado é que isso não gera a mesma irritação, essas ação que discrimina os “riquinhos filhinhos de papai que estudaram em escolas caras e fizeram cursinho e por isso passam no vestibular e agora não tem que pagar faculdade apesar de terem dinheiro pra isso”.
29 janeiro 2009 @ 17:22
Tenho certeza de que no grupo dos irritados tem muitos dos que se irritam tbm com o fato de numa USP só ter “playboy”. Uma ação reparadora nesse sentido, cotas para “não playboys” causariam tanta irritação e sensação de injustiça?
De fato, hoje nas universidades federais, pelo que sei, as cotas não são só para negros, uma parte vai para brancos pobres que fizeram escola publica. Discriminação?
30 janeiro 2009 @ 11:12
Kitagawa,
Também sou contra cotas para não-playboys, ou estudantes de escolas públicas e de baixa renda. Mas nesse caso a discussão se dá num nível bem mais acima que nessa loucura de cotas raciais. Uma coisa é você usar a aparência física de uma pessoa para julgá-la merecedora ou não de um benefício, outra, completamente diferente, é você usar um critério objetivamente avaliável e diretamente relacionado à condição social da pessoa.
As pessoas não se irritam tanto com cotas com base em renda porque, como se pode dizer isso, ESSAS COTAS NÃO SÃO RACISTAS, embora na minha visão tenham um monte de outros problemas – em especial essa visão de mundo “coitadista”. Dá pra conviver com uma medida ineficiente e prejudicial (só mais uma) por parte do Estado, mas com a segregação da população e o racsimo não dá.
Finalizando, você trata a população de pele escura (sim, nada de povo negro, ninguém pode ter sua pertinencia a um “povo” imposta por outros, que façam parte do “povo negro” apenas aqueles que quiserem, não tentem roubar dos indivíduos o direito de se defenderem por si mesmos) como um bloco homogêneo, igualmente coitadinho, que nunca teve oportunidade na vida e sempre se fodeu.
Não é assim. Ninguém pode ser automaticamente considerado um coitadinho só por ter a pele escura – isso é racismo!!!! Agora, se você não entende a irritação com os privilégios, dá uma olhada nas gordas cotas para militantes negros no governo, nas empresas estatais etc. Sempre em busca de garantir a “diversidade”.
30 janeiro 2009 @ 11:16
Só para esclarecer – cotas raciais são inconstitucionais, imorais, e inaceitáveis, estejam associadas ao critério renda ou quaisuqer outros. As cotas para estudantes de baixa renda, quando não passam por nenhum critério racial, são apenas ineficientes e demagógicas.
30 janeiro 2009 @ 11:27
Só para esclarecer – cotas raciais são inconstitucionais, imorais, e inaceitáveis, estejam associadas ao critério renda ou quaisuqer outros. As cotas para estudantes de baixa renda, quando não passam por nenhum critério racial, são apenas ineficientes e demagógicas.
1 fevereiro 2009 @ 16:58
Bom Lucas, eu sou negro (na verdade eu sou mulato escuro, filho de pai negro e mãe branca, mas me identifico sempre como negro) e em linhas gerais acho que você é o que menos falou besteira até agora.
Realmente a existência de cotas raciais me enoja, me enoja por dois motivos básicos: porque privilegia negros que (como você muito bem expôs e não foi compreendido) não passaram pelas generalizações que “justificam” a lei e ao mesmo tempo exclui duplamente um monte de miseráveis brancos, que estudaram em péssimas escolas, que não tiveram computador e nem cursinho preparatório e que deram o azar de terem nascidos brancos em uma época em que a lei havia deixado de privilegiar aos brancos para privilegiar aos negros (o que dá na mesma merda).
Já quanto as cotas por critérios sociais eu sou a favor, mas com muitas ressalvas: a principal delas é que se alguém entra por cotas sociais deveria ter sua vida investigada para se averiguar se as informações sócio-econômicas apresentadas eram verídicas e, caso contrário, ser sujeito à severas sanções penais.
Estudei na UERJ e quando estava por lá o que mais ví foi gente que tinha inventado primo, tia, papagaio… ou que tinha escondido o contracheque da mãe pensionista da marinha para se adequar aos critérios estipulados, claro: prevendo que o Estado não iria investigar a veracidade das informações e que mesmo que investigasse nenhuma punição grave seria aplicada.
Outra coisa que eu defendo é que mesmo estas cotas sociais deviam ter prazo para revisão, para evitar que num futuro (improvável, mas possível) em que os pobres já tivessem acesso a boa educação elas acabassem por subsistindo, mesmo que não fizessem mais o menor sentido (como acontece com a questão da aposentadoria feminina, por exemplo).
5 fevereiro 2009 @ 09:28
O texto vai muito bem até os últimos parágrafos, quando sugere, de passagem, que o modelo americano é que é o bom. Será?
5 fevereiro 2009 @ 13:07
david,
moi?? onde? como? pq?
nada disso. eu só disse que a mestiçagem é um conceito cultural, não “racial”…
5 fevereiro 2009 @ 14:37
Realmente. Reli e vi que estava errado. Foi mal entendido da minha parte.
Indo além do post, agora. Uma questão, que não sei responder: o que nós acrescentamos de “brasileiro” nesta política de identidade? Em outras palavras, os defensores de medidas compensatórias, de dentro e de fora do movimento negro, contribuíram para a criação de síntese “nacional”? Houve apropriação criativa? Estou falando dos anos 90/2000, quando as quotas entraram em debate à vera.
13 março 2009 @ 04:20
olha raças existem e suas diferenças vão desde o tamanho do cerebro ao nivel hormonal,da estrutura ossea a resistencia a doenças ,desde a pre disposição a crimes a tempo de gestação de um feto ,querer negar o inegavel por causa de um fanatismo a uma ideologia fracassada e bizarra (o comunismo)não pode ser o motivo pra alguem se interessar por um assunto biologico , pois uma vez em busca de uma resposta ideologica e não biologica verdades serão tidas como mentiras e mentiras como ensinamentos a ser passados em sala de aula .
20 novembro 2009 @ 10:02
Para mim o caso é simples, confundem racismo com “negrismo”.
Sou de origem pobre, muito pobre. Se hoje eu tenho o que tenho não foi devido a minha cor, e sim a minha competência. Disso eu posso dar certeza.
Acho que as pessoas pensam muito em grupos abstratos e não observam o meio à sua volta. E não penso “os negros tem que ter cotas de emprego”, e sim “a Silvania, minha vizinha, merecia aquele emprego que aqueles ofereceram e deixou de ter provavelmente por racismo”.
Fato: leis não resolvem problemas e não disciplinam culpados no Brasil. Para mim essas leis reforçam sim a discriminação.
Estávamos num processo de despreconceito sobre pessoas negras pois a geração dos que viveram a escravidão ficava cada vez mais distante. Esse processo é demorado mesmo, ainda mais num país tão contraditório quanto o nosso, essas leis vieram só para aumentar as contradições.
Dessa história toda a única coisa que realmente me irrita é essa coisa de “ela foi a primeira Helena negra nas novelas” ou “ele é o primeiro negro a pular corda para traz contando em aramaico” como se comparável à “ela foi a primeira medalhista brasileira nas para-olimpíadas” ou “ele foi o primeiro pianista surdo a se apresentar na orquestra de Berlim”.
9 agosto 2010 @ 13:02
raça humana existe, E até a quantidade é
difinitiva, E está registrado no ser humano
mesmo………….BOM
18 março 2011 @ 19:49
sei lá… eu tenho covinha no queixo e to me dando bem com ela…