Será Muita Forçação de Barra Comparar Domésticas com Escravos?
quinta-feira 6 novembro 2008 - Filed under Empregadas Domésticas
Muita gente parece achar isso. Como falou o amigo Leo:
“Vc estah – implicitamente – assumindo uma posicao dos escravos como objeto. Ao que parece, vc estah ignorando a literatura que mostra as estrategias de resistencia e negociacao na escravidao. (or acaso nao tem uma literatura sobre as estrategias de resistencia das domesticas? Isso seria um tema bem interessante). (…) Por exemplo, quando vc diz: “the arrangement more closely resembles a prisoner’s life – or rather, a slave’s life.” prisoners’ life??? Ora, a gente sabe que a vida de escravo – via de regra – não era a vida de um preso. (Soh se vc forcar a barra e dizer que preso tb tem negociacao e resistencia. Mas aih vc teria que explicitar isso no texto.)”
A bibliografia (e as histórias que eu escuto) são repletas de empregadas domésticas que são virtuais prisioneiras e escravas sim. Até hoje, conheço gente que deixa a diarista em casa, sai e tranca a porta, deixando a pobre moça presa até voltar. Nada mais comum do que empregadas que moram no serviço terem seu direito de ir e vir severamente cerceado. Naturalmente, que elas não são realmente escravas nem prisioneiras, e podem exercer muita negociação e resistência sim, mas os escravos e prisioneiros também.
(Um excelente artigo, recente e disponível online, sobre as estratégias de negociação e resistência das empregadas domésticas: Serviço Doméstico: elementos políticos de um campo desprovido de ilusões.)
O máximo que posso fazer aqui é empilhar caso em cima de caso, da experiência pessoal e da bibliografia, mas vou citar só um, contado por uma amiga. Depois dessa última série de posts do LLL, ela começou a conversar mais com suas empregadas:
hoje eu conversei com a minha faxineira e ela me contou que morou/trabalhou numa casa antes de ter a filha e disse que era um saco pois ela era babá e depois que a nenem dormia, ela tinha que ficar só no quarto dela,
Ou seja, apesar de “morar” na casa, ela não podia usar as áreas comuns nas suas horas de descanso, sendo uma virtual prisioneira do seu cubículo.
dai eu perguntei o que ela ficava fazendo e ela disse que depois de um tempo eles colocaram uma tv pra ela, e que as vezes ela lia, mas que era foda pois a crianca ia dormir umas 7 horas da noite e ela ficava esperando até a hora de dormir.
“Depois de um tempo” quer dizer que até colocarem a televisão ela ficava presa e ainda por cima sem nada o que fazer, olhando pra parede.
dai eu perguntei por que ela nao saia pra dar uma volta, tipo 7 horas ainda esta de dia as vezes, ela podia ir num shopping, cinema, sei lá qualquer coisa, dai ela disse que os patroes nao deixavam ela sair porque tinham medo que ela fosse rendida por algum ladrao quando estivessem entrando no predio. dai eu perguntei se eles nao saiam, ela falou que sim e eu perguntei se eles nunca tinham sido rendidos.
As desculpas paternalistas, familiares e carinhosas que os patrões usam pra restringir a liberdade de movimento das empregadas são sempre muito criativas. Essa aqui é especialmente cara de pau. Outra muito comum é (mesmo hoje em dia!) apelar para uma defesa da honestidade da doméstica: “você é moça virgem, o que pensariam se ficasse andando por aí no meio desses porteiros e peões?!” Em entrevistas com patroas, uma eventual gravidez da empregada é sempre temida, pois significa ou ter que despedi-la e encontrar outra, ou aceitar que ela tenha o filho em sua casa.
ela começou a rir e disse que era otimo quando eles saiam pois ela tinha o que fazer pois tinha que ficar com a crianca.
O tédio em que ela vivia era tão desesperador que a pobre mulher preferia trabalhar, cuidando da criança, a “ficar de folga” prisioneira num quarto vazio.
Difícil de imaginar uma história como essa acontecendo em um país sem um forte passado escravista.
Juro que esse caso não é nem único nem incomum. Querem que eu conte mais um e mais outro? Quantos precisarei contar até se convencerem? Tem algum número mágico?
* * *
E você? Que histórias de domésticas você conhece? Já conversou com sua empregada hoje? Quer uma sugestão? Senta com ela. Pergunta como é sua vida. Deixe ela livre pra responder. Depois, vem cá e conta pra gente.
2008-11-06 » Alex Castro





6 novembro 2008 @ 06:21
A conversa mais cínica de todas na minha opiniao é, sem dúvida, que a fulana nao é empregada é alguém que eu peguei pra criar. Isso me deixa muito revoltada. Porque os filhos daa casa estudam na particular e a empregada na pública, nao recebe salário (ou recebe algo descaradamente ínfimo), mas recebe roupa, lhe damos tudo (roupas de qualidade bem inferior ao da dos filhos da casa). E, principalmente, pq a empregada SABE que quando a nova “mae” tem sede no meio na noite e grita por um copo de água é ELA quem tem que ir pegar e nao qualquer outro dos filhos.
Nao sei se isso é comum em outras partes do Brasil, mas no Nordeste “pegar alguém pra criar” ainda é muito comum. Nenhum direito trabalhista e todos os deveres de uma empregada, mas é filha, entao…
6 novembro 2008 @ 07:29
Da minha parte não precisa de mais casos – aliás, nem precisava – mas que seria interessante ler, seria.
6 novembro 2008 @ 08:29
Grazzie Dio, desse pecado não me culpo!
Em 23 anos que tenho casa (casada ou descasada) tive 5 empregadas. E não temo em falar “empregadas”, porque sempre foram registradas como tal. Com direito a férias, 13°, INSS e folga semanal. A média de tempo que ficam comigo é mais de 5 anos, e sim, são minhas amigas. A Maria (nome real) que ficou 7 anos, bem na fase em que meus filhos eram pequenos, saiu daqui porque o marido (louco) tinha ciúme dela e não deixou mais que ela trabalhasse. MAs até hoje ela me liga (e eu ligo pra ela), vem nos ver, especialmente nos aniversários (sim, ela vem como convidada) e frequentamos a mesma igreja. Maria foi – e continua sendo uma grande amiga.
A minha empregada atual, a Vera (nome real) está comigo há 4 anos. Pegou o tranco da minha separação, e foi com ela que dividi as angústias da traição do ex. Semana passada foi ela a descobrir a traição do marido. Me ligou perto de meia-noite, chorando, e naquela hora eu tive certeza de que também sou amiga dela (se é que precisava de alguma prova). No dia seguinte, dispensei-a do trabalho, afinal de contas, era dia de luto, mais dolorido do que uma morte física… e no dia seguinte, quando ela chegou com os olhos inchados de chorar, só esperamos meu filho sair para a escola para que ela sentasse comigo à mesa e contasse os detalhes, chorasse mais um tanto e eu pudesse, de alguma forma, acalentá-la.
Meus filhos são educados a tratar as empregadas com respeito e carinho, e fico feliz quando minha filha que estuda fora liga e antes de falar comigo, conversa um bocado com a Vera, que geralmente atende o telefone.
Mas tem uma coisa: Eu sou uma “patroa legal” nos dois sentidos: sou “boazinha” e cumpro a lei. Então horários são cumpridos (dos dois lados), faltas são compensadas, se preciso dela nos feriados dou folga em outro dia que ela deseje, se vai haver falta programada ela deixa almoço pronto e compensa no dia seguinte… enfim, acho que tem sido bom para nós duas.
Então, Alex, você pode imaginar como eu fico revoltada com essas histórias que SEI que são REAIS. Mas vim aqui contar a minha para que se saiba que NEM TODAS SÃO IGUAIS.
Um abraço,
Bel
6 novembro 2008 @ 08:32
Ah, ia esquecendo. A empregada da casa do Namorado (nome preservado) sábado resolveu se abrir comigo… e olha que com ela eu nem tenho muito contato, mas imagino que pela maneira como a trato nas poucas vezes que nos encontramos, ela sentiu que podia confiar. Fiquei feliz com isso.
6 novembro 2008 @ 08:32
Caro Alex, olá!
Conhece este texto, da Piauí do mês passado?
http://www.revistapiaui.com.br/edicao_25/artigo_775/Visionario_espiroqueta.aspx
Não conhecia muito sober Monteiro Lobato e
fiquei surpreso… abraço!
6 novembro 2008 @ 10:57
De que adianta vir e contar histórias se as que não se encaixam na sua conclusão são sumariamente descartadas? Quantas pessoas precisariam vir aqui e dizer que não conhecem nem nunca conheceram um único caso desses pra você se convencer [de que já não é tão comum assim]? Tem algum número mágico? Eu sei que não, claro. Você tem um livro pra lançar.
6 novembro 2008 @ 11:05
Alex,
Duas questões:
-Uma é de representatividade. Imagino que os casos podem ser localizados em uma reta: em um extremo uma relacao nao opressiva, entre iguais e no outro extremo, cativeiro. A questao é saber como isso se distribui no Brasil hoje. Quanto mais vc procurar, mais casos de cativeiro vai encontrar e vai empilhar casos. Isso é obvio, mas nao aumenta a representatividade dos casos de cativeiro. Uma alternativa é vc assumir: “eu vou tratar só dos casos de cativeiro”. Aí tudo bem.
- “Difícil de imaginar uma história como essa acontecendo em um país sem um forte passado escravista.”. Será? Ou será que em qualquer lugar com um monte de gente miserável e outras em melhor situação, isso vai acontecer. Servidão bizarra e opressão existem quando tem um monte de gente sem alternativas. (Bom, você pode dizer que todo lugar tem um passado escravista ou servil. O que é verdade.)
Resposta do Alex
Leo,
Bem, só pra lembrar: eu não estou dizendo que os casos são representativos ou que são a maioria, mas estou dizendo que são comuns. E, dois, eu estou escrevendo um romance, não uma tese…
E, sim, de certo modo, todo país tem um passado escravista, mas com diferença. Na Europa hoje, cada país tem sua casta servil (Angolanos em Portugal, Marroquinos na Espanha, Indianos e Paquistaneses na Inglaterra, Argelinos na França, Turcos na Alemanha, Etíopes na Itália, etc) e existe uma relação de casta terrível, eles são completamente tratados como sub-raça, mas não com a familiariadade dos empregados domésticos (e escravos) na América Latina. O próprio racismo europeu os mantém sempre longe. Eles são explorados até o talo, mas você não vê, como na relação entre patrões e domésticas na America Latina, tentativas de controlar sua sexualidade ou sua liberdade de ir e vir, não vê esse discurso paternalista-familiar. Então, sim, eu diria que é uma relação bem diferente.
6 novembro 2008 @ 11:56
Ou você é analfabeto ou é oportunista. Por isso, todas as vezes que eu disser “você” abaixo, entenda “seu personagem que posta no LLL”. Se o personagem coincidir com você, então é você mesmo.
Você sequer entendeu o comentário que deu origem a este post. Ele está dizendo que as empregadas não são escravas porque OS ESCRAVOS FAZIAM RESISTÊNCIA E NEGOCIAÇÃO. E está dizendo também que ESCRAVOS NÃO SÃO PRISIONEIROS. Ele está criticando a associação superficial e irresponsável que você fez de conceitos muito distintos. Tudo o que você fez foi jogar tudo no mesmo balaio, vulgarmente, para vitimizar as empregadas.
Você é um analfabeto funcional, não entende duas linhas do que lê, até quando essas duas linhas falam o mais perfeito senso comum. Não surpreende que tenha lido tanta coisa boa e continuado burro. Você lê Platão e entende “reacionário-mas-legalzinho”. É incapaz de usar o método dialético. Tudo o que vê no que lê é você mesmo, concordando e discordando de si mesmo.
Houve um tempo em que isso era aceitável, porque você falava apenas de si mesmo; nada mais justo que falar de si usando as suas categorias. Mas você decidiu virar juiz da sociedade, legislador com capacidade intelectual de uma bananeira. Desceu ao politicamente correto, porque é o máximo de filosofia que você suporta. O ridículo a que você se expõe com essas teses mal-formuladas, com erros lógicos primários, já me fez sentir pena e desejar que você voltasse à sua esfera, a si mesmo, para poupar-se da vergonha.
Agora eu vejo que não vai rolar. Você adorou virar defensor do senso-comum. Hoje em dia você tem muito mais apoio que antes, já que só contraria pobres donas-de-casa sessentonas que nem têm acesso à internet. Hoje você contesta o que ninguém mais defende. E fica a escorar-se nos três gatos pingados, mais analfabetos que você, que vêm aqui repetir clichês do século retrasado, para fantasiar que sim, está realizando uma grande missão convertendo todo o Brasil a ser o que ele já é há dez anos.
Por isso, bye-bye. Até nunca mais.
6 novembro 2008 @ 11:58
Você cita casos que realmente denotam uma proximidade entre domésticas e escravos. Acredito que este tipo de situação ocorra, de fato. Aqui em Campo Grande (MS), por exemplo, recentemente uma advogada foi denunciada por manter uma menina indígena em condições de escravidão em sua residência. O problema é que não se pode tratar estes casos como regra. São situações extremas. Em meu círculo de amizades, por exemplo, a maioria dos casais têm empregadas que cumprem horário de trabalho e voltam para as suas casas no final do expediente. Acho que este fenômeno da doméstica que dorme no serviço é algo raro na atualidade.
6 novembro 2008 @ 12:02
Hardy,
“De que adianta vir e contar histórias se as que não se encaixam na sua conclusão são sumariamente descartadas? Quantas pessoas precisariam vir aqui e dizer que não conhecem nem nunca conheceram um único caso desses pra você se convencer [de que já não é tão comum assim]? Tem algum número mágico? Eu sei que não, claro. Você tem um livro pra lançar.”
Hardy, o que vc não está entendendo é que essa conversa não se resolve com números. Se eu disser que o estupro é um problema sério no Brasil hoje, e daí que vc não conhece ninguém que foi estuprada? Se eu trouxer 10 pessoas que foram estupradas e você empilhar 10 mil que não foram, e daí? Isso prova que o estupro não é um problema importante? Essas 10 mil que não foram estupradas justifica descartar como “desimportante” o sofrimento das 10 que foram? etc
Estou falando de coisas terríveis que acontecem. Se não acontecem com as pessoas que vc conhece, parabéns. Vc anda com gente legal – ou com gente mentirosa, claro.
6 novembro 2008 @ 12:12
Mulder,
Vc realmente caiu de nível desde o fim do seu seriado. A Scully era claramente o cérebro da dupla, vc sempre foi crédulo e acreditou em tudo…
6 novembro 2008 @ 12:15
Victor
eu nao falei que sao a regra…
6 novembro 2008 @ 12:27
Eu penso que mesmo cumprindo a lei rigorosamente, tratando a empregada doméstica muito bem, considerando-a parte da família, etc, a relação que patrões têm com empregados é inegavelmente resquício do passado escravista, no sentido de coisificar a empregada doméstica, o que dificilmente se vê com outros tipos de empregados.
Vou dar um exemplo: meus pais mantém uma empregada doméstica. Sempre foi muito bem tratada, recebe salário melhor que muito bacharel por aí, tem todos os direitos formalmente resguardados e respeitados e tudo mais. É tratada com muito carinho por todos nós. Recentemente minha irmã mudou-se para a Europa, onde empregadas domésticas são raras e têm um tipo de relação extremamente diferente, como prestadoras de serviço e só. Freqüentemente meus pais perguntam se querem que seja enviado algo para a minha irmã (feijão, farinha, coisas brasileiras) pelo correio. Ela sempre, em tom de piada, pede para colocar “a Maria dentro da caixa”). Veja, é tudo dito sem qualquer maldade e a Maria, como todos, se mata de rir. Acho até que ela se sente importante e necessária com a falta grande que a minha irmã sente dela nos serviços domésticos e não se dá conta que está sendo comparada com pacotes de feijão e farinha.
Aliás, às vezes eu me queixo com minha mãe dos serviços domésticos que faço sozinha, já que não tenho faxineira, diarista ou empregada doméstica porque realmente não gosto da situação. Não foram raras as vezes em que minha mãe me disse “não quer que eu lhe empreste a Maria por um dia na semana?”. A própria Maria já se ofereceu: “peça para que a sua mãe me empreste uma vez por semana”, como se estivéssemos nos referindo ao aspirador de pó.
Esse é o tipo de comentário que, por mais inocente que seja, dificilmente se aplicaria a outro tipo de profissional.
6 novembro 2008 @ 13:16
Faltou comentários sobre o Dobby e os Elfos Domésticos
6 novembro 2008 @ 13:21
“Hardy, o que vc não está entendendo é que essa conversa não se resolve com números. Se eu disser que o estupro é um problema sério no Brasil hoje, e daí que vc não conhece ninguém que foi estuprada? Se eu trouxer 10 pessoas que foram estupradas e você empilhar 10 mil que não foram, e daí? Isso prova que o estupro não é um problema importante? Essas 10 mil que não foram estupradas justifica descartar como “desimportante” o sofrimento das 10 que foram? etc”
“Desimportante” nao, mas nao-representativo sim. E a nao-representatividade implode suas afirmacoes generalizantes.
Quando voce generaliza e diz “as empregadas sao XXX” presume-se que a afirmacao se aplica a totalidade das empregadas, ou ao menos a maioria delas.
Se nao quiser ser desonesto intelectualmente, delimite explicitamente a fronteira do seu trabalho – em tempo, regiao, e categoria de casos analisados.
A menos claro, que voce nao tenha interesse em fazer um trabalho academico decente, mas apenas um panfleto. Entendo que um panfleto renda bons frutos com a turmas do Emir Sader e da Marilena Chaui e te garanta, provavelmente, melhores prospectos quando retornar ao BR, mas…
O Mulder colocou bem: voce esta fazendo seu trabalho academico com o mesmo rigor metodologico que escreve suas cronicas. Vai terminar se tornando, como pesquisador, um bom cronista.
O ponto positivo, e’ que o LLL recebendo suas investigacoes academicas, continuara sendo um blog de literatura e cronicas.
6 novembro 2008 @ 13:21
Quando morava no Rio, minha empregada era negra. Ela sempre foi tratada bem lá em casa, e apesar da minha mãe deixa-la comer conosco na hora do almoço, ela nunca aceitava. Sempre esperava a gente terminar. Ela arranjou um emprego que pagava mais e foi embora, e para substituí-la contratamos a sua irmã, que também era doméstica. Foi a mesma coisa, só comia depois que eu, meu irmão e minha mãe terminávamos.
Em Santa Catarina a empregada lá de casa é branca. É tratada da mesma forma que as dos Rio. Só que ela come conosco no almoço, mesmo quando vem alguma visita. Vira e mexe trás de casa algum doce caseiro de presente e fala um pouco de italiano.
As vezes eu penso que as do Rio não se sentiam tão a vontade pra isso até pela questão racial, mesmo que lá em casa ninguém tivesse atitudes racistas.
Morava na Barra, e posso contar nos dedos as domésticas brancas, ou mais clarinhas. Eram todas mulatas ou negras e algumas nordestinas. Acho que nem preciso especificar que os patrões e patroas eram 99,99% brancos.
6 novembro 2008 @ 13:24
“Hardy, o que vc não está entendendo é que essa conversa não se resolve com números. Se eu disser que o estupro é um problema sério no Brasil hoje, e daí que vc não conhece ninguém que foi estuprada? Se eu trouxer 10 pessoas que foram estupradas e você empilhar 10 mil que não foram, e daí? Isso prova que o estupro não é um problema importante? Essas 10 mil que não foram estupradas justifica descartar como “desimportante” o sofrimento das 10 que foram? etc.”
Alex, ok, se vc nao quer dizer que questao se resolve com numeros, entao nao diga que o problema X eh grave no Brasil. O problema X eh grave, terrivel, insuportavel para as pessoas que sofrem dele. Mas para generalizar, vc precisa ver o quao represnetativo o teu caso eh. No limite, seria como dizer que a Austria sofre do problema de “pais estupradores que engravidam as filhas e as mantem em cativeiros no poroes durante décadas”, por causa de um fdp em uma populacao de 10 milhoes.
6 novembro 2008 @ 13:26
Erro nosso: ” E, dois, eu estou escrevendo um romance, não uma tese… ”
Ooops, entao, way to go!
6 novembro 2008 @ 13:27
Leo, por algum motivo, o sistema nao aceita minha resposta ao seu comentario acima, entao eu o editei e está no corpo do proprio comentario….
6 novembro 2008 @ 13:30
Hugo,
A Chauí e o Sader são duas das maiores bestas contemporâneas. E acho engraçado vc criticar minhas teses academicas sem nunca as ter lido, somente de ler um blog. Blog é blog, oras. É crônica.
Se você quiser tratar um texto de blog como se fosse um texto acadêmico, tudo bem, mas vai ser obrigado a falar sozinho, pq vai ser uma conversa de maluco e eu não vou participar.
6 novembro 2008 @ 13:43
Leo,
Vc está pensando muito como economista, e isso é lindo, mas não leia tudo como economista, pq nem tudo é um artigo academico sobre economia. O que vc leu é um texto em um blog.
Ainda assim, existe bastante bibliografia academica sobre esse tema das domésticas, nas áreas de antropologia e sociologia, mas mesmo assim, eu não sei se vc ficaria satisfeito.
Por exemplo, um livro fala sobre as relações patroas e empregadas na região de Campinas e aborda temas literalmente escabrosos, coisas de quase cárcere privado, a virtual escravidão das “meninas pegas pra criar”, etc etc. Mas hora em nenhum o livro se preocupa em quantificar isso, em dizer que de X empregadas domésticas na região de Campinas, Y são sujeitas a cerceamentos na sua liberdade de movimento, etc.
E eu, de novo, me pergunto: e daí? Será que a falta desse número torna o livro todo inválido? Será que a falta desse número significa que eu não posso fechar esse livro achando que esse é um grave problema social?
Me preocupa q esse seu critério quantitativo invalide não o meu post despretensioso, mas toda a literatura sobre o assunto, que é sempre qualitativa e localizada/regional.
6 novembro 2008 @ 14:04
Aqui em Salvador é EXTREMAMENTE comum empregadas morarem com a família, td apartamento tem dependência de empregada, todas têm sua cama com um péssimo colchão, eu já vi e fiquei chocada, quartos atrolhados de quinquilharia, folga de caju em caju como o povo fala, conheço uma que só pode ir ver a familia no interior uma vez ao mês, como disse D lá em cima, qui no NE é mais que comum isso de “criar” e sobre o comentário do Vitor Barone, talvez não seja comum na região dela, aqui é o que mais vemos.
6 novembro 2008 @ 15:45
A empregada que trabalha em casa, à algumas semanas estava com algumas dores nas pernas. Fato, notado pessoalmente e por atestado médico.Nessa mesma semana, ela, que já tinha pago uma excursão à Aparecida do Norte, viajou, não veio de novo na segunda, justificado por atestado de novo.Minha mãe ficou possessa, naquele pensamento de “para passear não dói”.
Minha mãe adora serviço voluntário, doações, não acredito que seja uma pessoa ruim, mas a questão é aquela de sempre: “ela é minha empregada”, vestífgios do trabalho escravo.
6 novembro 2008 @ 16:33
Alex,
Eu ja tinha percebido meu erro no post subsequente ao que voce ta respondendo. Como vc as vezes posta pedacos dos seus trabalhos academicos, acabei jogando tudo no mesmo balde. Sim, seu livro e sobre domesticas, sua tese sobre escravidao. Point taken.
“Blog é blog, oras. É crônica.
Se você quiser tratar um texto de blog como se fosse um texto acadêmico, tudo bem, mas vai ser obrigado a falar sozinho, pq vai ser uma conversa de maluco e eu não vou participar.”
6 novembro 2008 @ 16:53
Oi Alex…
O que vc disse sobre as comunidades estrangeiras servirem de classe servil na Europa é bem verdade. Conheço a França, e tem uma coisa que eu queria acrescentar: a maior comunidade estrangeira na França, hoje, é de portugueses. A maioria das empregadas é portuguesa (o desenho BelleVille brinca com essa comunidade com a personagem Madame Souza). Enfim, há muitas escolas públicas que oferecem português como segunda língua porque em algumas regiões há muitas crianças descendentes de portugueses. O mesmo não acontece com os descendentes de argelinos – claro, a língua oficial da Argélia é o francês, mas não há nenhuma preocupação com a identidade das crianças cuja família seja originária da Argélia ou qualquer outro país africano. Mais: sejam argelinos, marroquinos ou tunisianos, eles são todos chamados de magrebinos ou mesmo árabes, como se fossem todos iguais. Mas não são.
Outra coisa. Eu conheço umas dessas histórias escabrosas de relação paternalista com a empregada. A mãe de um amigo pagava, até ano passado (esse ano eu não sei mais) 600 reais de salário pra empregada. Sem registrar. Ela está na família desde seus 18 anos, era empregada da avó e agora é da nora. Hoje ela tem 53 anos. A mesada que meu amigo e a irmã dele recebiam na época era o mesmo valor: 600 reais cada um. Pra pagar gasolina e baladas. A conta era bem injusta. E uma vez ele me contou que a empregada tinha arrumado um namorado e que o cara bebia muito. Quem chegou a essa conclusão foi a mãe dele, taxando o namorado de alcolatra. E nessa época a empregada pediu um adiantamento do salário por uns meses seguidos, e a mãe do amigo recusou “pra proteger o dinheiro dela, porque OBVIAMENTE era o alcoolatra que estava usando a grana pra beber”.
6 novembro 2008 @ 18:00
Morei durante 25 anos num bairro de classe média do Rio de Janeiro e posso comprovar
que os casos descritos pelo Alex ainda são *MUITO* comuns por lá.
Hardy/Leo, só por curiosidade, onde vcs vivem no Brasil? Deve ser num Brasil de algum universo paralelo…
Alex, houve um caso de uma família brasileria nos Estados Unidos há uns anos atrás que foi acusada de exploração trabalhista:
Família brasileira morando num bairro de subúrbio rico branco mantinha uma empregada (uma velhinha mulata) em casa.
As crianças americanas vizinhas achavam estranhíssimo aquela senhora sobre a qual as crianças brasileiras tinham tamanha
autoridade e que nunca saía de casa. Os vizinhos denunciaram o caso as autoridades. Nem sei no que deu…
Alguns destaques da Cartilha da Empregada Doméstica pelo Ministério do Trabalho:
*A empregada doméstica não tem direito à estabilidade de até cinco meses após o parto podendo, portanto, ser dispensada.
*A constituição conferiu tal direito apenas à empregada urbana, podendo desta forma ocorrer a demissão sem justa causa da doméstica durante a gravidez.
*Constituição Federal não confere à empregada doméstica a jornada de oito horas diárias e quarenta e quatro semanais.
*Conseqüentemente, não existem horas extras. Desta forma, o horário de trabalho da empregada doméstica vai ser definido por acordo entre empregada e empregadora.
*O único direito assegurado pela Constituição é o repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos. (Não tem direito a feriado!)
6 novembro 2008 @ 19:08
Puxa vida, que pena que eu tenho que, durante meu horário de trabalho, ficar preso numa salinha… E que ruim é meu patrão que não vem bater um papinho comigo e perguntar como é a minha vida…
Acho que é pq eu sou um empregado também… Acho ridículo fazer esse tipo de comparação (escravos que morriam se tentassem fugir com empregados que recebem e que podem largar o emprego a qualquer momento, obviamente e como qualquer pessoa, enfrentando o desemprego)…
Sobre cerceamento da liberdade de ir e vir, acho simplesmente ridículo. Uau, eu também não posso chegar nem perto das salas da diretoria! Estariam os banqueiros, esses malditos, cerceando minha liberdade de ir e vir? Talvez tenha faltado um pouquinho de pulso nessa mulher que aceitou ficar em casa. O que os patrões dela fariam se ela insistisse que iria sair? Amarrariam a mulher? (bom, caso positivo, temos um crime, o que, imagino, foge ao assunto, certo?)
Aliás, isso me lembrou o número de pessoas que fica no trem sem fazer absolutamente nada, apenas olhando a paisagem, bovinamente. Quantos livros essas pessoas poderiam ter lido? Quantos livros essa mulher poderia ter lido?
Empregadas são trabalhadores como qualquer outro empregado remunerado.
6 novembro 2008 @ 19:40
A minha é nova, muito boa e caladona… é uma moça da minha idade, eu já tentei trocar idéia com ela algumas vezes mas ela é bem reservada.
Lá em casa ela pode fazer o que quiser, até horário flexível tem, chega cedo, faz o que tem que fazer e sai fora qdo terminar. Mas ela é super na dela, nunca vi a mulher sequer almoçando…
6 novembro 2008 @ 21:43
Ok, pois eh, eu nao posso deixar de pensar como econ, ou como quem estah dando pitaco em um trabalho cientifico (afinal fico fazendo isso o dia inteiro).
Mas, mesmo do ponto de vista literario ou mesmo para o blog, nao seria mais interessante investigar as estrategias de resistencia/negociacao das empregadas. Ou seja, nao trata-las com passivas e vítimas unicas. Ateh mantendo o paralelo com o passado, eu queria saber qual eh o” Haiti” que aterroriza as patroas de hoje? Elas ainda tem medo de envenenamento? Ou soh de serem sequestradas?
Bom, mas o texto eh teu e vc faz o que quiser. Valeu!
6 novembro 2008 @ 21:51
Em Ilheus vi uma cena que me espantou. Uma garotinha de oito anos, talvez mais, andava atrás de uma senhora distinta que só carregava a bolsa de mão, enquanto a menina mal conseguia equilibrar nos braços miúdos as compras da madame. A criança negra e de família pobre, era a empregada da mulher branca, quiçá, ainda trabalhe para ela por casa e comida. Estava sozinho com o meu espanto, porque todos olhavam para aquela cena com naturalidade. Decerto a menina, hoje moça, julgue esse tratamento natural por não conhecer outro. Era uma cena explícita de escravidão e de submissão por conta da necessidade. Muitas mulheres toleram esse tipo de situação, às vezes, nem tão descarada quanto a que acabei de contar, porque precisam criar seus filhos, pagar suas contas e engolem a seco a humilhação sofrida. Não há exagero, isso acontece.
7 novembro 2008 @ 00:53
leo,
eu concordo com tudo, eu só nao sei de onde vc tirou isso q eu acho que as domesticas nao tem agency, ou nao usam estrategias de negociacao e resistencia…
7 novembro 2008 @ 14:40
Alex, vou dar o endereço do teu blog pra minha empregada. Ela tem computador em casa e sabe usar a internet. A mãe dela e muitas outras mulheres da família foram empregadas domésticas ou diaristas por muitos anos. Ia ser legal ter a opinião dela aqui.
7 novembro 2008 @ 14:43
Alex,
Só pra enriquecer a discussão, que tal comentar nessa série das empregadas o caso das Irmãs Papin, célebre crime que chocou a França na década de 1930?
Le Guillant fez um interessante trabalho de investigação vinculando os assassinatos às condições de vida das empregadas domésticas francesas. Eram em todo muito semelhantes às nossas, com a diferença que não eram negras, mas francesas pobres.
No caso podemos argumentar que a França tb tem um passado de colonização, o que explicaria esse tratamento das empregadas por lá. Mas ao mesmo tempo mostra que as injustiças nas relações com as empregadas domésticas não são exclusividade do Brasil nem do tratamento dos brancos para com os negros.
Afinal, foram brancas francesas pobres matando brancas francesas ricas. E picando em pedaços. E furando olhos. E por aí vai.
7 novembro 2008 @ 14:52
Mais sobre a relação com empregadas:
Tal como minha mãe sempre fez, eu dei uma cópia das chaves de casa pra Mara assim que ela começou a trabalhar para mim. Na maioria dos dias, ela chega em casa quando eu já saí pro trabalho e quando eu volto, ela já foi. Desde que o serviço esteja feito (o nosso combinado desde o início), ela tem liberdade de fazer seus horários. O que ela, mulher adulta, faz nas suas horas fora do serviço não é da minha conta.
7 novembro 2008 @ 20:24
Caro Alex,
Parabéns !! Depois de tantos comentários acerca do seu talento de blogueiro, me animei, cliquei e gostei muito !!
Desde sempre, em nossa família, qualquer pessoa que trabalhe no setor doméstico é um(a) “executivo(a) doméstico(a)”; respeitado(a) pela excelência profissional !! O executivo(a) doméstico(a) para mim, tem o mesmo padrão profissional executivo de qualquer seguimento; no entanto, seus direitos trabalhistas são lentamente aferidos. Daí, a falta do reconhecimento social e profissional dos mesmos. Quanto a “escravidão”, os preconceitos, etc…tudo isto transmutará quando a educação for prioridade máxima em nosso país.
SUCESSO SEMPRE PARA VOCÊ !!
Abraços,
Rubens Christiano Maranhão De Lucena
7 novembro 2008 @ 23:48
Tive uma diarista que quando fui entregar uma cópia da chave ela disse que não precisava, que eu podia trancar a porta e levar a chave pois outro patrão fazia isso com ela. Insisti em deixar a chave dizendo que era um absurdo, e se o prédio se incendiasse com ela presa no apartamento? A criatura respondeu que o outro apartamento era no segundo andar e ela podia sair pela janela. Disse que ela ia quebrar a perna e fui embora por que estava na minha hora.
9 novembro 2008 @ 00:20
Eu fico aqui me perguntando onde mora essa gente tao civilizada, que nunca viu nenhum absurdo nas relacoes de patrao-empregada domestica. Nao deve ser no mesmo Brasil que eu conheco.
Conheco aqui em NY varias mulheres brasileiras que nao podem trabalhar porque o visto nao da direito a elas, apenas aos maridos. Essas mulheres, muitas vezes sem filhos, ou com filhos crescidos, reclamam muito da falta de empregadas, reclamam de ter que fazer a propria comida todo dia e de ter que lavar o proprio banheiro. Quando alguem pergunta do que sentem saudades, elas respondem “de ter empregada”. Eu nao consigo respeitar quem acha demais limpar a propria caca.
11 novembro 2008 @ 02:45
Alex,
Você (ou qualquer outro aqui) saberia me explicar (e pra todos os outros) quem fazia os serviços domesticos nos países onde nao havia escravidão e como era a relacao destes com seus patroes?
Tipo, uma vez eu li um livro sobre o Henrique VIII e fiquei perturbada em saber que, na corte, um dos cargos de maior prestigio era o de “funcionário do penico”, um carinha que limpava a bunda do rei, essa pessoa era a pessoa mais intima do rei.
Esse cargo era sempre dos nobres que frequentavam a área intima do palácio e eles tinham titulos importantes, tipo Conde e tal e eram meio que lobistas.
E também me pareceu que algumas pessoas que serviam à corte podiam frequantar festas e eventos dentro dentro palacio, mas eu nao consegui entender se era assim pra todo mundo, quem podia fazer o que e nem o que essas pessoas recebiam em troca. Eu supus que os filhos dos nobres faziam mais os serviços de quarto dos reis, mas nao sei quem fazia comida ou lavava as roupas por exemplo.
Mas quando uma filha de algum nobre era chamada pra servir de acompanhante da rainha, ela recebia um salario? Ou estar na corte já era um privilegio tao grande e uma abertura da infinitas oportunidades de vida que ja era o suficiente.
E isso era na corte, mas e nas casas desses nobres, quem fazia o que? Quem eram os serviçais?
Eu pergunto isso pois nunca aprendi nada a respeito, nao sei se essas coisas se aplicam apenas à essa época e lugar ou se eram assim em todos os lugares e principalmente para entender de onde surgiu a ideia de usar escravos nas colonias. Tipo, se eles não tinham em casa, por que resolveram fazer na rua.
Como eram os escravos gregos? Eles ficavam confinados também? Todas as escravidões são iguais?
Como funciona em outras culturas a situaçao onde a empregada mora no trabalho? Alguém sabe? É sempre um imigrante que fica com o serviço domestico?
Desculpe a pergunta ingenua, mas acho que se você ou alguém soubesse responder, todo mundo poderia pensar em termos relativos.
Eu entendo que você nao está dizendo que todos nós tratamos nossas empregadas como ecravos, mas de certa forma está colocando todo tipo de caraminholas e questionamentos na nossa cabeça.
Eu fiquei pensando e já te disse antes que eu entendo a maioria dessas restrições impostas à empregada como uma coisa de origem prática por exemplo:
Eu não acho errado nao deixar a empregada trazer ninguém em casa, tipo eu nao tenho como controlar com quem ela se relaciona e me sinto muito desconfortável com estranhos em casa, se uma amiga aparece na minha casa com uma amiga dela que eu nao conheço, eu me sinto muito desconfortável.
Eu não acho errado pedir pra empregada tomar banho quando chega de manhã antes de começar o serviço. Cara, ela pode ser a pessoa mais limpa do mundo, mas e as outras cem mil que vem espremidas no trem com ela? (Fulaninho acordou as 4 da manha pra ir pra obra e nem deu tempo de tomar banho e limpar os fluidos do sexo da noite anterior)
Ela vai chegar e mexer nas minhas coisas, arrumar a minha cama, dobrar a minha roupa limpa toda melada de suor (e sabe mais lá o que)de terceiros? Eu tomo banho quando chego da rua, por que nao pedir que ela faça o mesmo?
Até que ponto é errado querer um pouco de privacidade na sua própria casa? Querer comer de pijama na cozinha ou andar pelada pela casa? Se a empregada ficar livre pra circular, você nao pode ficar tao a vontade.
E se você gosta muito de comer uma coisa que custa caro, dai voce compra um pouco, e até dá pra ela um pouquinho pra nao ficar com agua na boca, mas é errado reservar o resto só pra você? Pensa bem, você nao faz isso com as outras pessoas da casa? Não tem um chocolate ou sei lá um queijo que é só seu e nao é pra ninguem pegar? por que com a empregada é ofensa? Tipo se sua roomate come seu chocolate belga, ela pode comprar outro e repor no dia seguinte, mas será que a empregada pode fazer o mesmo?
E pensa bem, quando você mora na casa de outra pessoa (alguém aqui fez intercâmbio?) você nao tem que viver sob as regras dela? É injusto que o dono da casa imponha as regras de acordo com os seus costumes?
Eu entendo que essa origem prática pode tomar proporçoes sádicas, mas até que ponto elas nao são legitimas e justas?
Eu optei por nao ter empregada que dorme. Acho um saco tirar a liberdade dos outros, mas também nao vejo muito como nao tirar numa situaçao dessas.
Só pra você saber, em muitos dos projetos de casa que faço, eu coloco uma salinha intima com copa pras empregadas perto do quarto delas.
Beijos
8 março 2009 @ 23:53
Certa feita chegou gente demais numa casa (a ‘patroa’ contava/pesava a quantidade dos alimentos para cozinhar…); chegaram duas pessoas sem avisar…a empregada teve de fritar UM ovo.
Outra fez nhoques – um punhado – almoçou e mandou guardar o restante pro marido depois que contou umas unidades para a empregada.
Conheci uma empregada que por tanto ódio pela ‘patroa’ por obrigá-la a lavar as cuecas do marido e calcinhas dela – ainda não existia protetor!… cuspia na panela de comida …. nunca quis almoçar lá.
Talvez a dita patroa tivesse raiva,ciúme…sei lá! porque a empregada “nem parecia empregada”: era aparentemente branca, cabelos em cachos e olhos claros.
Fico enjoada só em imaginar que diabo a mais a criatura colocava na panela!
10 novembro 2009 @ 12:30
Um tio meu tem uma babá que mora na casa dele. Toda a família é psicótica por dormir cedo e as crianças tem que dormir mais cedo ainda então, depois de umas 7, ela fica presa com o bebê no quarto. Perguntei o que ela fica fazendo ela disse : Eu rezo. Ai ai, deve estar rezando mais que freira enclausurada.
Acho bizarro a denominação empregada doméstica. Será que os outros eram empregados selvagens?