Quer comprar no Submarino? Entre por aqui e eu ganho 8%.
- Um maluco continua blogando em meu nome e estou achando a maior graça: http://www.interney.net/blogs/lll/
- Confesso q já cheguei no ponto q ñ sei + quais dos meus melhores amigos de infância têm 1, 2 ou 3 filhos. simplesmente ñ consigo acompanhar.
- semestre q vem, ensino um curso chamado Introdução aos Estudos Brasileiros, em inglês. Vamos ler, em tradução:
- Casa-Grande & Senzala (2/3), Sertões (1/3), Dom Casmurro, Hora d Estrela, Quarto d Despejo, Verdade Tropical. O q acham?
- depois desse curso, ninguém vai poder dizer q meus moleques não foram introduzidos nos estudos brasileiros. ![]()
- limitações: #1: tem q estar traduzido p/inglês; #2 tem q estar em catálogo. aqui ñ rola essa cultura de xerox.
- em mulher bonita, vaidade é + sexy q a propria beleza. beleza é plástica e ñ necessariamente sexual. mas vaidade é atitude, puro sexo.
- É mais sexy a feia q se acha linda do que a linda q se acha feia. Ninguém pode ser sexy sem se amar e estar segura de si.
- meu roommate francês está puto, brigando com alguém ao telefone. dá mt agonia ouvir uma briga e não entender nem uma palavra!
- Maria disse não. João disse sim. Maria disse sim. Amor.
- se esse país soubesse dar valor aos que trabalham duro, teríamos uma Lei Afonso Arinos ou Maria da Penha pra defender a classe média!
- gente empolgada quase sempre é chata (no sentido de mala). gente desempolgada quase sempre é chata (no sentido de tediosa).
- pergunta filosofica importante: 1) se gosto de mulheres más, 2) se acho racismo horrível e perverso, 3) é certo ter tesão p/mulher racista?
- já me perguntaram trocentas vezes pq não "brinquei" halloween... hmm... deve ser pq já ñ tenho mais 12 anos....
- o problema d jazz é q ficam a noite toda passando o som e nunca começam a tocar a música
* * *
Lá no meu twitter, tem mais: http://twitter.com/AlexCastroLLL
Meu irmão Luiz Biajoni, autor de Sexo Anal e Buceta e um dos melhores escritores brasileiros em atividade, está adaptando para romance o roteiro do filme "Elvis e Madona", de Marcelo Lafitte, sobre o caso de amor entre uma travesti e uma lésbica. Como o Biajoni é um caipira do interior de São Paulo e a história se passa em Copacabana, estou ajudando a cariocar o enredo.
Um dia, se o mundo for um lugar justo e louco, assim como publicaram recentemente os manuscritos originais do On the Road, também publicarão o primeiro rascunho do romance Elvis e Madona escrito em paulistês e minhas anotações sacaneando o Bia e passando tudo pra carioquês, trocando as coxinhas por joelhos, as sucarias por casas de suco, os periferias por baixadas, as minas por gatas ("no rio, dá pena de morte falar mina sem ser no contexto estrito de mineração"), um motel no Leblon por outro em Botafogo e, mais importante, eliminando uma hilária menção às "esquinas da Barra da Tijuca".
Devíamos publicar uma edição limitada pela Os Vira-Lata e vender por uma fortuna. Valeria a pena.
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Com vocês, em primeiríssima mão, um dos meus trechos preferidos, sobre o day after da primeira transa.
Primeiro, o travesti Madona:
Madona acordou com uma sensação de nunca. Respirou fundo primeiro, quase antes de abrir os olhos. Invocou alguns santos, vasculhou a mente atrás de alguma reza braba, fez figa cerebral para que tudo aquilo que estava ali bem vívido na memória não passasse de sonho. Sim, em breve tudo se desvaneceria, aquele sonho que lhe fizera o terror e o deleite durante a madrugada. Sonho ou pesadelo? Deleite ou delírio cruel? Abriu os olhos, temor fugidio, segundo suspiro, era real! Ela estava no sofá, sem roupas e com o pau melado. O pau! Ela pensou assim mesmo: “estou com o pau melado”. Teve um susto arrepiante quando usou a palavra “pau” para tratar de seu próprio membro – há trinta anos só o chamava de “pirulitinho”!
E, agora, a lésbica Elvis:
Enquanto trotava; a câmera pendurada no pescoço, balançando; o sol batendo já na cara; os olhos ainda meio remelentos; a boca seca, sem café ou escova; os cabelos desgrenhados; os pensamentos indesejados brotando rápido, era aquilo que tinha na mente, aquilo tudo que tinha acontecido.
Ela tinha transado. Com. Um. Homem. Quer dizer, não era exatamente um homem, mas... era! Tecnicamente, era. Ela gostava de mulheres, sempre gostou, desde os doze anos quando beijou um menino e vomitou. Desde o dia quando deu carona para a Julinha, a menina mais bonita do colégio, elas tinham catorze ou quinze anos e bastou o contato dos peitos da menina nas suas costas, as pernas abertas raspando o sexo na calcinha, enquanto a mobilete trepidava pelas ruas de paralelepípedos de Poços, para que ela gozasse e quase levasse as duas para o asfalto.
E, agora, resolvida e trintona, ela tinha tido uma relação sexual com um homem. Ela tinha sido penetrada por um pau de verdade! Não era um consolo, não era um vibrador manipulado por uma gata peituda e gostosa: era um pau com um saco e um cara junto.
Não é lindo? Estava com uma amiga aqui em casa, li alto pra ela e também adorou. Alguém mais poderia ter escrito esses trechos? Depois de somente três livros, o Biajoni já tem um estilo tão próprio que os parágrafos acima só podem pertencer a ele, e a mais ninguém. São inconfundíveis.
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Outra coisa: o Bia exigiu liberdade completa na novelização do roteiro e, obviamente, o louco mudou tudo. O romance vai ser uma coisa e o filme outra, partindo das mesmas premissas e com os mesmos personagens, mas indo em direções completamente biajônicas. Escreveu o Bia no MSN:
vinguei todos os autores que reclamam que os diretores mudam os livros!
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Com vocês, o trailer do filme, estourando nas telas do Brasil em breve:
Compre os livros do Biajoni:
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Me surpreenderam as relações de alguns leitores quando se fala de classe média. Então, pergunto:
1) Você acha que existe preconceito contra a classe média no Brasil?
E, mais importante, caso você se idenfique como pertencente à classe média:
2) Já se sentiu vítima de preconceito e discriminação por ser da classe média? Como foi isso? De quem partiu essa agressão? Como isso afetou negativamente a sua vida?
Por favor, deixe o seu depoimento. É sério. Eu quero saber.
Só por esse discurso eu já votaria nesse homem pra qualquer coisa que ele quisesse. Com legendas em português.
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Nunca li Dawkins, que sempre me pareceu um ateu militante, algo que desprezo um pouco, mas Freud em O Futuro de uma Ilusão já falou tudo o que eu sempre quis dizer sobre religião.
- acabei de escrever um artigo sobre rótulas e gelosias. só por curiosidade: alguém ainda sabe o que é isso?
- Resposta ao delegado: "Meu nome é arrastão, porque somos muitos."
- pergunta existencial-filosófica importantíssima: é machista ter tara em mulher feminista?
- "me pisa, me joga contra a parede, me chama de machista patriarcal falocêntrico!"
- comprei laptop s/internet e já comecei a escrever bastante nele. recomendo p/todos os escritores viciados em internet.
-acordo cedo, checo email desligo comp, escrevo no laptop s/net, almoço, ligo, +1 carreirinha, desligo, trabalho. nunca escrevi tanto!
- Abriu a janela, teve um pensamento feliz e pulou. Foi feliz por 1,2 segundos.
Lá no meu twitter, tem mais: http://twitter.com/AlexCastroLLL
Há uma coisa que nunca falha: quem é muito contra certos preconceitos acaba sempre adotando outros, tão ruins ou piores. Eu diria mesmo que quanto mais dedicação contra alguns preconceitos mais facilmente você adota outros. Quase se pode dizer quando seus novos preconceitos começam: é quando você faz ou diz uma grande merda sem perceber, apenas por preconceito.
Uma grande merda é o que vi no blog do Alex Castro, sobre Júlio Severo. ... O Júlio Severo não é católico. É até anti. Não se trata de rotular. Trata-se de pesquisar e constatar. O Alex chamou Júlio de católico – ou melhor, chamou o blog do Júlio de “site católico”. Por que o Alex fez isso? É que o Alex tem preconceito social (contra a classe “mérdia”), religioso (contra os cristãos em geral e contra católicos em particular) e ideológico (contra conservadores). O Alex debate muito contra conservadores de classe “mérdia” sobre os preconceitos contra negros, mulheres e gays. Daí, ele acha que quem discorda dele sobre preconceito são católicos conservadores de classe “mérdia”. O que é preconceito…
É quase a mesma coisa que um policial suspeitar mais dos negros que dos brancos – já que topa mais com bandidos negros que com bandidos brancos. Quase. Quase porque é pior: um tira muitas vezes não tem como eliminar a suspeita sem pelo menos revistar o negro, mas ao Alex bastava 5 minutos de Google para saber a religião do Júlio. Se o Alex estivesse mesmo interessado em conhecer o assunto de que fala, em vez de simplesmente rotular quem discorda dele.
Os preconceitos religioso, social e ideológico também são piores que os preconceitos raciais e sexuais por outro motivo: no primeiro caso, o preconceituoso tem orgulho de sua ideologia, religião (ou falta de) e classe e tem prazer em depreciar os demais. No segundo, há muita vergonha nesses preconceitos. Racistas e, principalmente, homofóbicos sofrem muito por não poderem agir com naturalidade com negros e gays. E isso nem é pela patrulha politicamente correta: é muitas vezes um caso de atração ou identificação reprimida. Muitos racistas têm sangue negro e se envergonham disso. Muitos homofóbicos são gays reprimidos. E por isso sofrem mais do que pela patrulha politicamente correta, que na verdade é uma boa desculpa para eles justificarem e manterem seus preconceitos: Eu até acho que eles sofreriam mais, se deixados em paz. É da natureza: quem tem preconceito racial ou sexual, sofre. Quem tem preconceito religioso, social e ideológico faz sofrer aos outros.
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Nunca li Dawkins, que sempre me pareceu um ateu militante, algo que desprezo um pouco, mas Freud em O Futuro de uma Ilusão já falou tudo o que eu sempre quis dizer sobre religião.
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O texto acima foi publicado no blog do Jorge Nobre. Por enquanto, há dois comentários, ambos comentados pelo Jorge, abaixo:
Fabio Marton disse: "Você quer saber, acho que o preconceito não é com católico, é com evangélico. O Alex vê um conservador religioso sendo levado mais ou menos a sério, e escrevendo mais ou menos articuladamente, não consegue imaginar que o cara não seja católico."
Resposta do Jorge: É uma hipotese. Bem, o fato é que o Alex deveria se informar melhor um pouco antes de sair por aí rotulando. E nem custava muita coisa, só alguns minutos de google. Note que eu nem entrei no mérito do Júlio ter dito ou não besteira, porque eu não tive tempo de ler os links que o Alex escolheu. Talvez eu faça isso logo.
Tiago disse: "Ele já se tornou ridículo há muito tempo."
Resposta do Jorge: "Eu não o levo a sério, de qualquer forma. Escrevo no blog dele para me divertir."
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As duas melhores Bíblias em português, de Jerusalém e do Peregrino. Disparado. Recomendo. Amo as duas e carrego pra onde vou.
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E fiquei aqui pensando: tirando os absurdos cômicos do texto, o Jorge levantou um ponto interessante. Fiz o post meio nas coxas, juntando links e citações basicamente pra encher linguiça no blog sem não precisar escrever, e presumi rapidamente que Júlio Severo fosse católico. E não era. Hmm.
E, depois disso, o Fábio (vulgo NotTupy) matou a charada. Fui educado em escola e universidade católicas. Li a Bíblia de cabo a rabo três vezes, em duas edições de estudo católicas (Jerusalém e Peregrino). Já conversei longamente sobre exegêse e literatura bíblica com pensadores, teólogos e literatos bíblicos que respeito muito e que me respeitam: mas todos ou católicos ou judeus. Minhas experiências tentando ter as mesmas conversas com protestante foram sempre desastrosas.
Então, realmente, sou forçado a concordar: se vejo um cristão minimamente articulado e não enlouquecido, presumo que seja católico.
Pra não falar, claro, do maior de todos os preconceitos, sempre latente e raramente articulado, que só admito com alguma hesitação: tirando pessoas de outras épocas que viviam em outros contextos, de fato não dá pra respeitar intelectualmente, de verdade, com admiração inexpurgada, alguém que acredite em amigos imaginários. A gente respeita, gosta, ama, conversa, transa, mas sempre dando aquele desconto, fazendo aquela ressalva mental:
Sim, ele garante que as ações vão subir, mas vamos lembrar que esse é um cara que, se pegar câncer, vai implorar pra ser curado pelo mesmo amigo imaginário que liberou o Holocausto, a Escravidão e a Peste Bubônica. Hmmm.
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Apesar do que dizem as más línguas, Idelber e eu discordamos em quase tudo. Mas teve uma frase que ele escreveu que foi tão linda, tão catártica, que me deu vontade de aplaudir aqui sozinho em casa, cheguei a levantar o punho e fazer "yesss!". A frase em si não tem nada de mais: poderia ter sido dita por qualquer adolescente raivosinho. O que importa é o contexto. Pra ler o texto inteiro, cliquem na frase:
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Dito isso, sou ateu (leia a Prisão Religião) e a Bíblia é meu livro preferido (A Bíblia como Literatura). Leia também: Pessoas-que-Acreditam-em-Coisas.

Esse é o melhor livro para quem quer ler a Bíblia como literatura, e não como aquele livro chato que Tia Candinha sempre carrega pra cima e baixo. Depois desse Guia, você nunca mais vai encarar a Bíblia do mesmo jeito.
Além do racismo, outro tópico que gera desespero e denegação profunda entre os leitores do LLL é a questão das empregadas domésticas. Uma das objeções mais comuns é que eu, como sempre, estou falando só do meu mundinho, e que esse negócio de empregada doméstica já acabou faz tempo, "ninguém que eu conheço tem", todo mundo agora é diarista, etc.
Então, para os interessados lerem e para eu ter aqui no blog (e ser mais fácil de encontrar quando for fazer minha pesquisa), artigo da FSP de hoje, indicando que as diaristas representam somente 25% das empregadas domésticas brasileiras:
Empregada doméstica dá lugar a diarista
Embora ainda minoritária, participação passou de 17% para 25% do total de domésticos em dez anos, aponta estudo. Para pesquisadora, ao optar pela função de diarista, profissional ganha em autonomia, embora perca em proteção social. ANGELA PINHO, DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O perfil do mercado de trabalho doméstico no Brasil mudou, e cada vez mais as diaristas ocupam um espaço em que as chamadas empregadas mensalistas eram absolutas.
A conclusão está em pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) realizada com base em dados do IBGE. De 1998 a 2008, o número de diaristas quase duplicou e, embora continuem minoritárias, elas vêm aumentando regularmente sua participação, passando de 17% para 25% do total de trabalhadores domésticos.
Os pesquisadores consideraram como diarista a profissional que disse trabalhar em mais de um domicílio e como mensalistas as que trabalham em apenas uma residência. É um critério aproximado, já que é possível haver diaristas mesmo entre as que atuam em somente uma residência.
Os dados brutos da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) trazem uma pista para explicar o fenômeno: a renda. As diaristas ganham, em média, 17% a mais do que as outras domésticas, o que dá R$ 57 a mais por mês.
Ganho maior
Foi justamente a questão financeira que fez Helena Nunes, 37, de Campinas, deixar neste ano a casa onde trabalhou por 14 anos para fazer faxina em outros lugares. Ela ganhava R$ 650 trabalhando a semana toda. Agora, cobrando R$ 70 por dia, consegue obter mais em apenas dez dias por mês.Trata-se de uma renda maior em termos, já que as diaristas que têm carteira assinada são uma minoria -somente 14%, na comparação com 30% das mensalistas.
O reconhecimento de vínculo empregatício tem variado, mas uma decisão de 2004 do Tribunal Superior do Trabalho não o reconheceu no caso de uma profissional que trabalhava três vezes por semana na mesma casa.
Ainda assim, como a renda média do emprego doméstico é menor do que um salário mínimo (R$ 351), o valor dos benefícios acaba muitas vezes ficando em segundo plano para a trabalhadora. A falta de registro em carteira, que já é vantajosa para o patrão, passa a ser opção das próprias profissionais.
Autonomia
Além disso, embora percam em proteção social, as domésticas ganham em autonomia, ao optarem pelo trabalho de diarista, afirma a pesquisadora do Ipea Natália de Oliveira Fontoura. "A gente pode pensar em uma mudança para um arranjo de trabalho mais profissionalizado, com caráter de prestação de serviços", diz.
Ilídia Batista, 57, de Brasília, morou 18 anos na casa da antiga empregadora. Saiu quando as crianças cresceram e, em vez de procurar outra residência, escolheu ser diarista para ganhar mais. "No começo, foi até difícil me acostumar a morar na minha casa, mas eu vi que posso andar do jeito que eu quero, fazer o que eu quero", diz. Agora, ela afirma não querer mais morar em outra casa.
A presidente do Sindicato de Empregadas e Trabalhadores Domésticos de São Paulo, Camila Ferrari, também notou que são muito mais raras as profissionais que moram no local de trabalho. "Antes, a empregada vinha do interior e precisava de lugar para morar. Agora, já constituiu família e quer ter a sua casa. Além disso, quem vive com os patrões acaba trabalhando da hora em que acorda até a noite", diz.
De fato, os dados da Pnad mostram uma relativa vantagem das diaristas em relação às demais empregadas no quesito carga horária. São quatro horas a menos por semana, cerca de 33 horas e 30 minutos, ante 37 horas e 30 minutos.
Essa diferença de horário, assim como a diminuição do número de empregadas que dormem na casa dos patrões, é compensada por questões demográficas. "Como as famílias estão ficando menores, há menos exigência de trabalho doméstico e, por isso mesmo, é possível ter empregada doméstica em tempo parcial", diz Simone Wajnman, professora do Departamento de Demografia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).
* * *
Homens Invisíveis: Relatos de Uma Humilhação Social, de Fernando Braga da Costa. (SP: Globo, 2004) Profundo, lindo, fortíssimo. O autor era aluno de pós-graduação de Psicologia e, como parte de um trabalho para a disciplina de Psicologia Social, teve que exercer algum emprego "humilde" - definido como não exigindo qualquer tipo de treino ou experiência. Tornou-se gari da USP e experimentou na pele a humilhação e a invisibilidade.
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Leia todos os posts sobre Empregadas Domésticas.
Se eu não te conheço e não te prometi nada, então você não tem direito de me cobrar nada. Capisce?
Quanto mais tarde se aprende, pior. Júlia usou as mesmas palavras. O que seria preferível? Imaginar o cretino discutindo com Júlia a educação de Raquel em sigilo? Chama Carla não, isso aqui a gente resolve entre nós, pra que ela precisa saber?, besteira!, mas fala baixo! Ou será que a segunda hipótese não é pior: ambos pensam tão bem cerzido que falam assim as palavras um do outro sem nem precisar combinar antes, como foi com a Libeca? Gostaria de não acreditar nessa última, mas acredito. E isso me incita, tenho vontade de arrostar e estapear o insuportável: por que você me faz padecer esse suplício? Se são tão iguais, tão amigos, tão almas-gêmeas, tão inhénhénhém, por que não casou com ela? Por que flagelar a mim no pau-de-arara dessa amizade?!
Não queria mais Júlia despachando tanto tempo com minha filha. Encerrei o expediente, pode sair, queridinha, deixa seu paletó aí na cadeira, se quiser, mas rua pra você. Murilo ainda tentou me convencer, mas seus argumentos começavam derrotados: ele não falava nem de Raquel e nem de mim, só de Júlia. Que Júlia precisava de Raquel, que Júlia estava torcida e luxada, que Raquel era essencial para ela se rearticular. Perdoem-me por ter dado uma impressão errada, mas não tive filha só para remediar a maluquete. Se é desequilibrada, que se equilibre sozinha.
Na semana seguinte, aconteceu a terceira e última vernissage de Júlia.

E aí? Vai querer ser a última pessoa a ler?
Eu não gosto de cerveja. Sempre que digo isso, aparece alguém pra retrucar:
"Ah, na primeira vez, eu também não gostei, mas aí fui tomando até aprender a gostar."
E eu me pergunto: o que leva alguém a consumir insistentemente, repetidamente algo que não gosta?
Disse uma amiga: muitos paladares são gostos adquiridos, Alex. Você precisa provar várias vezes até gostar. O crítico culinário do New York Times, por exemplo, disse que prova qualquer comida dez vezes antes de dizer que não gosta. E que somente três não passaram no teste. Ou seja, todas as outras que ele não gostou da primeira tentativa ele já estava gostando antes da décima.
Mas será realmente desejável gostarmos de tudo? Pior, será que a tática do crítico não serve para nos acostumarmos a qualquer coisa? Ou pra nos desensibilizar a qualquer desconforto?
"Ah, na primeira vez que comi bosta de vaca eu também não gostei, mas aí fui comendo e comendo, e agora adoro!"
"Ah, da primeira vez que enfiaram um consolo no meu cu eu também não gostei, mas aí fui tentando, tentando, hoje que estou mais arrombado já não vivo sem!"
"Ah, a primeira menininha que estuprei eu não achei graça nenhuma, mas aí fui insistindo, insistindo, lá pela sétima eu já estava adorando!"
* * *
O que me espanta não é as pessoas não terem personalidade e ficarem dando murro em ponta de faca, ou consumindo coisas que não gostam, só porque os amiguinhos também consomem e eles querem ser aceitos. Isso é normal, a gente vê todo dia.
O que me entristece é a confissão pública completamente desavergonhada sempre que falo nesse assunto:
"é, é isso mesmo, Alex. Faço o que for preciso pra ser aceito. Se todo mundo toma cerveja, eu vou tomar, mesmo não gostando, até aprender a gostar. Se começarem a comer merda, eu também vou comer. O que importa é não me sobressair, sufocar meus gostos individuais, ser aceito!"
Fazer parte da manada já é ruim. Nem ao menos se envergonhar disso é trágico.
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Está rolando outra daquelas promoções bem legais do Submarino. O Dicionário Houaiss, por exemplo, de R$405 por R$69 e a coleção Twilight, de R$250 por R$99, mas tem muito mais coisa legal também. Larousse do Vinho, de R$145 por R$39, Paidéia, de R$111 por R$30, e por aí vai. Depois vocês me agradecem.
Meu twitter: http://twitter.com/AlexCastroLLL
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Pergunta: que tipo de roupa um HOMEM precisaria usar pra causar esse tipo de balbúrdia?
Resposta: em uma sociedade machista como a nossa, nem um homem NÚ causaria essa confusão toda. Só o corpo da mulher é assim tão apavorante, transgressor, ameaçador.
Não sabe do que diabos eu estou falando? Leia: Polanskis do ABC
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Está rolando outra daquelas promoções bem legais do Submarino. O Dicionário Houaiss, por exemplo, de R$405 por R$69 e a coleção Twilight, de R$250 por R$99, mas tem muito mais coisa legal também. Larousse do Vinho, de R$145 por R$39, Paidéia, de R$111 por R$30, e por aí vai. Depois vocês me agradecem.
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Deborah Duprat é minha nova heróina. Atual Vice-Procuradora, ela passou meros 22 dias como Procuradora-Geral da República interina e, nesse meio tempo, mudou o Brasil.
Do site Consultor Jurídico:
Deborah Duprat muda posições da PGR em 22 dias, por Filipe Coutinho
A passagem de Deborah Duprat pela chefia da Procuradoria-Geral da República foi meteórica e intensa. Em 22 dias como procuradora-geral, ela desengavetou ação sobre aborto de anencéfalos e ajuizou outros processos polêmicos no Supremo Tribunal Federal sobre a Marcha da Maconha, grilagem na Amazônia e união civil entre homossexuais. A depender da vontade dela, o Supremo será palco de debates históricos nos próximos meses sobre questões enraizadas – e nem sempre discutidas – pela sociedade brasileira. Não bastasse isso tudo, Deborah Duprat, de quebra, entrou para a história: foi a primeira mulher a comandar a PGR. ...
Para ela, quem deve decidir sobre o aborto de feto sem cérebro é a mãe e não o Estado, nem a igreja. Ela aproveitou a brecha como procuradora-geral interina e esse entendimento agora é, oficialmente, a posição da PGR. “A antecipação terapêutica do parto na anencefalia constitui exercício de direito fundamental da gestante. A escolha sobre o que fazer, nesta difícil situação, tem de competir à gestante, e não ao Estado. A este, cabe apenas garantir os meios materiais necessários para que a vontade livre da mulher possa ser cumprida, num ou noutro sentido”, diz o parecer. ...
... [T]ambém apresentou a ADI 4.275. Dessa vez, em defesa dos transexuais. “Impor a uma pessoa a manutenção de um nome em descompasso com a sua identidade é, a um só tempo, atentatório à sua dignidade e comprometedor de sua interlocução com terceiros, nos espaços públicos e privados”, afirmou. Por isso, ela quer que o Supremo garanta o direito de transexuais trocarem de nome mesmo sem operação. ...
Foi contra também restrições aos militares para o acesso à Justiça e criticou, ainda, a resolução do Conselho Nacional do Ministério Público para regulamentar os pedidos de grampos telefônicos. Em nome da liberdade artística, entrou com ação contra a regulamentação da profissão de música.
A procuradora-geral interina pediu ainda a inconstitucionalidade de lei paulista que cria regras para o uso de cão-guia. A lei obriga que o proprietário ou instrutor do cão seja filiado à Federação Internacional de Cães-guia, “em evidente ofensa aos direitos de livre associação”, segundo ela. (leia a matéria completa)
(O texto continua abaixo da imagem.)
* * *
Em relação às Marchas da Maconha, Deborah Duprat efetivamente impediu que juízes locais proibissem as manifestações e prendessem seus participantes:
Do site da Procuradoria-Geral da República:
PGR: manifestações a favor das drogas configuram liberdade de expressão e de opinião
... Além disso, complementa a procuradora-geral, a interpretação “pode conduzir – e tem conduzido – à censura de manifestações públicas em defesa da legalização das drogas, não só violando os direitos das pessoas e grupos censurados, como também asfixiando o debate público em tema tão relevante. Os danos aos direitos fundamentais dos envolvidos e à democracia serão também irreparáveis ao final do processo, pela sua própria natureza”. ...
Deborah Duprat assevera que a liberdade de expressão “representa um pressuposto para o funcionamento da democracia, possibilitando o livre intercâmbio de ideias e o controle social do exercício do poder. De mais a mais, trata-se de direito essencial ao livre desenvolvimento da personalidade humana, uma vez que, como ser social, o homem sente a necessidade de se comunicar, de exprimir seus pensamentos e sentimentos e de tomar contato com os seus semelhantes.
A procuradora-geral salienta, ainda: “O fato de uma ideia ser considerada errada ou mesmo perniciosa pelas autoridades públicas de plantão não é fundamento bastante para justificar que a sua veiculação seja proibida. A liberdade de expressão não protege apenas as ideias aceitas pela maioria, mas também - e sobretudo - aquelas tidas como absurdas e até perigosas. Trata-se, em suma, de um instituto contramajoritário, que garante o direito daqueles que defendem posições minoritárias, que desagradam ao governo ou contrariam os valores hegemônicos da sociedade, de expressarem suas visões alternativas”.[Comentário do Alex: comecei a chorar quando li esse trecho, de pura emoção de ouvir a PGR falando nesses termos!]
Liberdade de reunião - Deborah Duprat cita uma ADI julgada pelo STF, que entendeu que a liberdade de reunião é “uma das mais importantes conquistas da civilização, enquanto fundamento das modernas democracias políticas”. Ela completa que o artigo 287 do Código Penal e o artigo 33, parágrafo 2º, da Lei 11.343/2006, violam gravemente esse direito, pois permitem que seja tratada como ilícito penal a realização de reunião pública, pacífica e sem armas, devidamente comunicada às autoridades competentes, só porque voltada à defesa da legalização das drogas.
A procuradora-geral destaca: “É perfeitamente lícita a defesa pública da legalização das drogas, na perspectiva do legítimo exercício da liberdade de expressão. Evidentemente, seria ilícita uma reunião em que as pessoas se encontrassem para consumir drogas ilegais ou para instigar terceiros a usá-las. Não é este o caso de reunião voltada à crítica da legislação penal e de políticas públicas em vigor, em que se defenda a legalização das drogas em geral, ou de alguma substância entorpecente em particular.” (leia a matéria completa)
* * *
Dois posts de um site católico esperneando contra Deborah Duprat por causa do casamento homossexual:
- Carta de Marcio de Assis Santos Cordeiro às autoridades brasileiras sobre a ADIN 4277
- Manobra abortista e homossexualista do Presidente Lula
- Carta para a Procuradora Deborah Duprat (o melhor, não deixem de ler, cheios de argumentos jurídicos)
* * *
Vídeo de Deborah Duprat explicando, entre outras coisas, como enxerga e define suas atribuições como Procuradora-Geral da República:
Agradecimentos ao Tulio Vianna, o advogado que ainda vai salvar o Brasil de si mesmo, mecenas de Mulher de Um Homem Só e blogueiro de mão-cheia. Obrigado por me apresentar a Deborah Duprat, Tulio.
Obras completas de Freud, de R$960, por R$399
Um blog sobre rebeldia, contemplação e sacanagem, regado a muita literatura e humor. Nosso assunto são as várias prisões que acorrentam o homem, como ambição, verdade e medo. Dê sua opinião!
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