Tempos atrás, em uma galáxia não muito distante, o termo “redes sociais” não existia. Havia, no máximo, um troço chamado Orkut. E tinham também os blogs, inicialmente chamados de diários virtuais. Aos poucos, eles foram adotados também pelos que acreditavam ser escritores. Disso, surgiu um pessoal que ficou conhecido como “blogueiro”.
Tinha blogueiro de tudo quanto era tipo. De Luis Fernando Veríssimos em potencial a maluquinhos que se achavam clones de Diogo Mainardi com Arnaldo Jabor. Era uma festa. Em pouco tempo, a opinião desse povo rendeu discussões nas caixas de comentários. Conhecidos também como posts, muitos textos eram compartilhados internet afora pelos Orkuts e MSNs. Alguns, pela qualidade do conteúdo. Outros, por despertarem sentimentos de amor e ódio, que nem final de campeonato. Às vezes, as duas coisas caminhavam juntas.
Mas tudo, exceto a Coca-Cola, deixa de existir. No caso dos blogueiros aconteceram três coisas tão impactantes quanto o asteróide que exterminou os dinossauros.
Primeiro, começaram a trabalhar. Muitos deles a partir da reputação obtida com o seu próprio blog. Xi, ferrou, não tem mais tempo pra publicar coisa nova.
Segundo, as pessoas cresceram. Nesse processo de amadurecimento, outras prioridades tomaram o lugar do blog. Casamento, filhos, pós-gradução, essas coisas. E cadê aquele pensamento pro coitado do blog? Já era.
Terceiro, como um golpe de misericórdia, veio o Twitter, inaugurando a era das tais redes sociais que tanto falam hoje em dia por aí. Perceberam que 140 caracteres bem escritos em segundos poderiam gerar muito mais atenção e repercussão do que parágrafos criados e revisados em minutos ou horas. Isso tirou da blogosfera aqueles que, no fundo, queriam apenas atenção, sem aspirações literárias. Ou seja, uns 95% do pessoal.
Depois, atropelando tudo de vez, Twitter aí incluso, veio o Facebook com seus botões de curtir e compartilhar pra aditivar ainda mais os egos em busca de atenção. Blog pra quê?, disse o dono da fan page de sucesso, cheia de imagens engraçadinhas.
Blogs já eram. O que restou no lugar deles foram sites em formato de blog, muito bem estruturados comercialmente. E no outro extremo, ilhas distantes uma das outras, mantidas por quem sempre esteve nessa pelo simples prazer de escrever. São mais redatores do que blogueiros. Se não existisse internet estariam deixando suas impressões em um caderno ou no Word.
Blogueiro é algo que já está no museu da internet, no mesmo espaço do ICQ e do Orkut. E a razão disso é simples, como já deixei claro no título desse texto: o blog morreu. E já faz tempo, hein?






