Eu sou mais amazonense que brasileira. Muito mais.
Eu sou mais tapioquinha, mais suco de cupuaçu. Sou banana frita sendo vendida nas ruas; banana verde frita, que vira uma Banana Chips, e banana madura, que vira aquela coisa maravilhosa pra comer com leite condensado.
Eu sou mais calor. Mais calor. E em setembro, MAIS CALOR AINDA. (Este ano vou perder o alto verão pela primeira vez!) Reconhece-se um amazonense quando ele, no verão de 39 grausàs oito da manhã, brada em voz alta: “Esse verão é o pior de todos os tempos!” Todos os anos, os amazonenses bradam isso, o que me leva a crer que o pior verão é aquele o do momento. Nossos verões são horríveis. Mas só nós podemos reclamar, viu? Ai daquele que se queixar do nosso calor. Faremos um discurso, provando como o calor é melhor que o frio, e que, afinal, calor não é o fim do mundo.
Eu sou encontro das águas. Eu sou Solimões e Negro – e o Amazonas nasce em mim, nasce perto da casa do meu Senhor Galante, quando os dois rios correm juntos, respeitando as diferenças um do outro para formarem o maior rio do mundo.
Eu sou farinha, sou peixe, e também sou peixe com farinha, ahhh. Sou bombom de cupuaçu, de castanha, de açaí. Sou o feirante gritando “olha o açaí-buriti-bacaba-patoá”, como se os quatro sucos diferentes fossem uma palavra só.
Eu sou Amazonas, até a ponta das unhas, em todos os fios de cabelo, em cada fibra do coração. Mesmo o Amazonas sendo apenas risquinhos no mapa, mesmo o Amazonas não existindo na vida real, na vida real dos ribeirinhos nortistas, acreanos, rondonienses, ou roraimenses ou amapaenses ou paraenses ou amazonenses. Somos todos tão parecidos, nós do Norte. Meu pai falava: “Pode vir forte, pois sou do Norte e não temo a morte!” Somos todos tão diferentes, aqui no Norte. Somos todos tão esquecidos, aqui no Norte. E acreditamos em linhas de mapas.
Sou Amazonas quando digo “Hoje eu tô cansada que só“. Sou Amazonas quando olho para um orelhão da Telemar e penso, no silêncio do meu subconsciente, “Olha o telefone do Caprichoso”. Sou Amazonas quando peço uma garrafa de dois litros de guaraná Baré na pizzaria, e declaro pra quem quiser ouvir que “esse é o melhor guaraná do mundo!”.
Sou Amazonas quando assobio a música do Raízes Caboclas. Sou Amazonas quando danço ciranda, e sou Amazonas quando passo pelas árvores que param pra bater foto. Porque nenhuma brisa sacode as folhas das árvores daqui.
Sou Amazonas no Teatro Amazonas, que a meu entender é fêmea. (O Teatro é tão enfeitado e luxuoso que só pode ser mulher, gente.) Sou Amazonas de história recente, povo misturado, vatapá nordestino nos aniversários, forró nordestino na rádio, filmes americanos no cinema, em busca de uma identidade, em busca do que ser, em busca do regional quando a moda é o globalizado.
Sou Amazonas na identidade e no passaporte. Sou Amazonas no chiado do “s” e no arrastado do “r”. Sou Amazonas no fundo dos olhos, e com meus olhos amazonenses eu vou enxergar o mundo todo, pra poder voltar pro Amazonas todo dia, todo ano, sempre, como os peixes e como os pássaros, e como as árvores que nascem furiosas, morrem e geram novas árvores.
Sou Amazonas todos os dias, mas no dia cinco de setembro eu sou um Amazonas aniversariante. E quando todo o país se queixa do feriado que caiu no domingo, eu sou um Amazonas com Feriadão comçando na sexta!
P.S.: Cinco de setembro, dia da Elevação do Amazonas à categoria de Província. Dia internacional da Amazônia. Amanhã é meu dia; e amanhã eu serei o Amazonas fazendo check-in, o Amazonas indo embora do Amazonas. A perspectiva de ficar longe de casa é assustadora, mas a perspectiva de ficar um mês sem passar perto do Teatro Amazonas me causa uma dor quase física. Esse amor que eu tenho por esse lugar é tolo demais, tolo demais.
P.P.S.: Eu volto aqui ainda hoje pra deixar o endereço do meu twitter e do meu flickr e do etc etc.
Gostei do texto. Um dia ainda quero conhecer essa sua terra.
Beijos e sucesso!!!
Adorei!
Ainda vou escrever “Eu sou Bahia”.
Desejo TUUUUUUDO de melhor nessa sua viagem, que seja O momento de conhecer, aprender, viver intensamente tudo que a Europa lhe oferecer.
E 5 de setembro vai ser meu dia de ser Bossa Nova… vou ver o show de João Gilberto no Castro Alves, em Salvador!
Beijão e boa viagem!
Ah, meu twitter é belsc. Dê notícias mesmo!
Adorei o texto, Eva!
Agora vc será uma Amazonense tipo exportação!
Você volta depois e eu já te deixo o desejo de boa viagem. Saúde, sorte e felicidade.
Olá, meu nome tem dois enes sim, e vc não me conhece, desculpe a invasão. A gente vai navegando, blogando, viajando e acaba entrando em páginas interessantes, como a sua. Gostei do seu texto e aproveito para convidá-la a visitar meu blog (estou começando a gora com isso) comentar, opinar. Aparece por lá!
Bom dia, bom setembro pra vc.
Perdoem se errei achando que esse blog era de uma só pessoa.
Aguardo a visita !!!
Eu fico pensando se, se eu tivesse continuado aí, eu seria tão Amazonas assim como você…
Acho que pela mudança de Manaus pra Belém acabei não sendo nem uma coisa nem outra – eu gosto mesmo é de Beagá, vai entender…
Eva, eu desejo a melhor das viagens pra ti e você sabe disso. Eu te admiro muito.
E esse é um dos posts mais bonitos, emocionantes e intensos do Cintaliga. Eu já te agradeci por escrever junto comigo nesse blog?
Obrigada.
Um beijo.
nossa essa é a forma mais linda q já vi de expressar o q é ser amazonense!!
obrigada vc expressou o sentimento de todos os amazonenses com toda certeza!!
AMAZONAS LUGAR MELHOR NÃO EXISTE!!