A crítica por trás do Twitter Generator

Se você ainda não conhece o Twitter Generator, faça o teste dessa "revolucionária tecnologia" antes de ler este post.

Agora, se você já visitou o "incrível" Twitter Generator, deve ter ficado sabendo dele através da rápida e espontânea divulgação que essa brincadeira/crítica recebeu. Pouco depois de eu divulgar o link, pude contabilizar o alto volume de retweets e hits em meu blog. Tendo em vista o tom do texto (que parodiava os produtos das “Organizações Tabajara”), que destoava de meus posts normais, a maior parte das pessoas logo compreendeu a crítica por trás do Twitter Generator. Outro grupo, bem menor que o primeiro, achou a tecnologia ótima, pois lhe pouparia o trabalho de twittar! Mas, um pequeno punhado de pessoas surpreendentemente não captou a brincadeira e sugeriu que a tecnologia ainda precisava de mais pesquisa!!!

O Twitter Generator também obteve ótima atenção da mídia institucionalizada. Além de sair na capa do G1 (uau!), apareceu no Twitter da revista Superintentessante, em jornais (como na Zero Hora, de Porto Alegre) e sites noticiosos. Também concedi uma entrevista para a rádio Band News de São Paulo, no mesmo bloco onde o designer brasileiro da interface do Twitter também era ouvido.

Não posso negar que fiquei muito satisfeito com toda a cobertura. Aproveito para agradecer todos aqueles que ajudaram a divulgar espontaneamente essa "revolucionária" tecnologia. Mas agora, passada toda a euforia (!), é hora de discutir a crítica por trás do Twitter Generator. Sim, vou explicar a piada.

  • Hype na internet, ou a banalização das revoluções

A velocidade de inovações na internet faz tudo parecer efêmero. Cada nova tecnologia é lançada como revolucionária, prometendo mudar tudo o que existia até então. Tão ligeira é a obsoletização dos serviços digitais e tamanha é a constante criação de fugidios hypes que o novo de hoje é o velho de ontem. Se antes a frase inglesa "this is so last year" podia fazer sentido, no Twitter e em blogs acabamos dizendo "this is so yesterday"! As modas, hypes e tecnologias revolucionárias frequentemente não conseguem aniversariar. Podemos ver que o termo "revolução", antes uma palavra de ordem política, hoje não passa de um slogan mercadológico, tão elástico e esvaziado quanto qualquer outro. E com prazo de validade curtíssimo. Ou melhor, já vencido na data de seu lançamento.

Observando tudo isso, comecei o lançamento do Twitter Generator com teasers onde eu anunciava que lançaria "uma tecnologia revolucionária que vai mudar a maneira como você twitta". Ao repetir esse anúncio, consegui despertar o interesse de diversos seguidores, que com seus RTs ajudaram a criar o hype espontaneamente. Na quarta-feira, dia do lançamento escolhido cuidadosamente, prometi que revelaria o link da nova tecnologia às 10 da manhã. Pontualmente naquele horário encontrei algumas pessoas cobrando o lançamento! Sim, o pequeno hype forjado mimetizava outros tantos que testemunhamos diariamente na internet.

Na semana de seu lançamento, o Twitter Generator foi a modinha da vez. Nesta semana, talvez poucos se lembrem dele. Quando divulguei sua URL, o número de visitas alcançou mais de 20 mil acessos apenas no primeiro dia. Os links logo apareceram entre os mais clicados e retweetados no Migre.me. Na semana seguinte, a estatística foi despencando. É interessante que uma "bobagem" como o Twitter Generator pode nos ajudar a compreender como funcionam as tendências e hypes na internet.

  • A trivialidade de nossos tweets

A ideia do Twitter Generator nasceu de minha observação dos padrões de mensagens na twittosfera. Alguns tweets são repetidos diariamente, como saudações (bom dia, boa tarde, boa noite), comentários sobre o tempo, reclamações sobre o volume de trabalho, etc. Basicamente, o gerador de tweets é uma repetição automática desses padrões. Por um lado, essa automação pode ser interpretada como uma crítica a reprodução ad infinitum das mesmas mensagens. Por outro lado, pode também servir como um incentivo a "twittagens" mais criativas. Você decide!

Contudo, não acredito que haja um jeito correto de usar o Twitter. A melhor maneira é a sua forma particular de twittar. Se você usa para interagir com seus amigos…ótimo! Se usa para negócios…excelente! Se prefere apenas republicar links de notícias interessantes…maravilha! Essa é a beleza do Twitter: permitir que as pessoas se apropriem da tecnologia para alcançar seus objetivos.

  • http://www.mcflyaddiction.com.br/ Clara

    Show! Muito bem abordado!

  • http://www.trasel.com.br/ Träsel

    Experiência interessante, sobretudo porque, a meu ver, mostra um fator importante na disseminação dos hypes: o peso do capital social.
    Parece-me que os efeitos descritos só foram possíveis porque:
    - Teu blog e tua conta no Twitter já eram nós da rede que concentram muitas conexões, sobretudo com outros atores que por sua vez concentram muitas conexõe e capital social;
    - ao mesmo tempo, tu tens muita credibilidade como professor e pesquisador.
    O primeiro fator contribuiu para a rápida disseminação do Twitter Generator em dois ou mais níveis das redes sociais envolvidas.
    Porém, é preciso questionar até que ponto essa disseminação não ocorreu por conta do teu alto capital social. Os atores conectados aos teus nós já esperavam algo inovador e/ou interessante e talvez por isso mesmo alguns até tenham se enganado e passado por cima da piada num primeiro momento. Fosse claramente uma piada, será que contaria com tanta disseminação?
    A meu ver, fica a lição de que conta mesmo é o capital social na hora de se tentar viralizar um conteúdo.

  • http://irradiandoluz.blogspot.com Gabriel Dread

    Achei a crítica muito boa, o experimento simplesmente genial…
    Mas considerei a conclusão final muito “apaziguadora”.
    Usei massivamente o Twitter Generator! hehehe
    Abração
    Gabriel Dread

  • http://sandrabordini.com Sandra Bordini

    Bem colocado Träsel.
    Mas não creio que seja assim em todos os casos.
    Principalmente em vídeos publicitários ou não que se tornam hypes.
    Na maioria dos casos tu nem lembra quem te enviou e porque, mas repassa por achar que as pessoas vão gostar daquilo também.

  • http://www.deniac.blogspot.com deniac

    Pois é, concordo plenamente com o Träsel. Um “eu” da vida, sem relevância social alguma, daria o mesmo efeito? O @tplayer desenvolveu uma ferramenta bacana que consiste em observar tweets de uma determinada cidade com mais de 200.000 habitantes. Apesar de ser bastante eficaz e útil, a ferramenta não teve o hype que seu experimento teve. E mais uma vez atribuo a isso sua relevância no mundo real. Você é alguém no mundo real, influente nesse mundo. Todos te observam.
    Mas quem me observa? O que sou eu comparado a vc? Só poderia alcançar sua fama me expondo a algo realmente diferente, engraçado, para não dizer anormal, assim como o Pedro e seu chip. Leio o seu conteúdo e gosto, mas confesso que não dei importância alguma aos seus teasers. Ao lançar, conferi a ferrramenta e dei umas duas risadinhas. E esqueci… Enfim, a lição por trás da brincadeira (aos meus rudes olhos de usuário-comum-mas-que-no fim-é-o -mais-importante-desse-mar-de-tantos-anônimos-e -poucas estrelas-flutuantes-na-superfície) deixo mais uma vez nas mãos do Träsel: “que conta mesmo é o capital social na hora de se tentar viralizar um conteúdo.”

  • http://communicationbreakdown.wordpress.com Patrícia Matos

    Daqui a pouco vc vai ter que lançar o Comment Generator. Doeu no meu coração ler os comentários de gente crente que o lance era sério. Ironia mandou beijos. Mas o pior é que isso reflete a capacidade do usuário médio de interpretar textos e subtextos.
    Isso me lembrou muito o experimento do Cardoso ao postar fotos de Lost dizendo que era do desastre com o vôo da Gol. As fotos foram parar, mais tarde, numa TV colombiana (se n me engano) dizendo que eram do desastre do Air France. That scares me.

  • http://www.trasel.com.br/ Träsel

    Bom o ponto levantado pela Sandra. De fato, em geral não lembramos das fontes de conteúdos publicitários. Elas não necessariamente precisam ter capital social alto.
    Por outro lado, conteúdos publicitários lançados na Web com o objetivo de viralizar sempre seguem alguma estratégia forte de posicionamento (seeding), para compensar essa falta de capital social da fonte. O Alex, por outro lado, se limitou a usar o próprio blog e o próprio Twitter e deixar seus contatos fazerem o resto. Não foi um caso de força bruta numérica, como em geral acontece na publicidade (vide a escolha do Tas pela Telefônica), mas de simplesmente surfar na rede social.

  • http://www.ocappuccino.com Mateus

    Eu acreditei na seriedade da ferramenta, me devolve meus três minutos de um internatura crédulo hahahahahaha
    É professor na verdade o que explica o start de um hype é o capital social/influência/relevância de quem lançou o viral. A partir daí o buzz não tem mais dono. Neste caso, o nome Alex Primo explica muita coisa, ou porque será que o ‘cade meu chipe’ não foi parar na capa do G1?
    Mateus

  • http://www.maquinariadelinguagem.blogspot.com Luis Gomes

    Alex,
    tu és meu consultor intelectual tecnológico. Digo intelectual porque sabes fazer a reflexão em torno da tecnologia, suas propriedades etc etc…Bem, é isso. Belo post em que tu mostra com exatidão esse efemerismo das coisas. Do que parecia uma crítica, com o teor de brincar com as revoluções tecnológicas, foi aqui que se revelou mesmo o quanto os heypes na internet. Abraço

  • Anônimo

    Amigos, muito obrigado pelos comentários reflexivos sobre esta experiência. Como vocês já devem ter observado, venho tentando exercitar neste blog uma forma menos dura, e até mesmo divertida, de tratar de temas da cibercultura, sem nunca deixar de lado o enfoque crítico. A ciência não precisa ser chata!

    Como toda a repercussão do Twitter Generator lembrei de um comentário do Träsel em seu próprio blog. Ele dizia que quando tentava escrever como o Elio Gaspari seus acessos eram medianos, mas que quando escrevia com Marta Medeiros ele batia seus recordes de visitas e comentários!

    Espero não frustar meus novos visitantes. Talvez eles venham aqui buscar apenas jogos e brincadeiras, mas vão encontrar, na maior parte das vezes, análises críticas sobre o mundo da tecnologia.

  • http://www.trasel.com.br/ Träsel

    Eu estava certíssimo naquele texto, aliás. Desde que parei de falar do cotidiano e passei a comentar quase que exclusivamente cibercultura e assuntos acadêmicos, meu blog ficou às moscas.
    Ainda bem que tenho o Garfada para manter minha autoestima em alta. :-)

  • http://estadodecoisas.blogspot.com Giovani Letti

    Alex, o Twitter Generator foi baseado apenas nos tweets do Luciano Huck? :-)
    Mas parabéns pela criatividade para gerar essa discussão. A academia precisa de mais gente assim!

  • http://anny-linhaozzy.blogspot.com/ Anny(Anna)

    Alex:
    Ainda não estava seguindo você, então não pude acompanhar, mas adorei seu texto.
    Sem dúvida que os tweets poderiam ser mais criativos. De vez em quando coloco frases de livros que estou lendo ou de autores que admiro.
    Tem coisas que não gosto, normal. Mas gosto muito do poder de interação do Twitter e das dicas que as pessoas dividem…
    O último foi a @dulim que descobriu uma rádio FM. E por aí, vai.
    Nunca li tanto texto bacana como agora depois do Twitter.
    Pode indicar que vou lá conferir.
    Atémais.
    Annyllinha(Anny) http://anny-linhaozzy.blogspot.com/

  • http://www.hospedar-se.com/?pag=registro_dominio Jeferson

    Muito bom! Curti esse post, parabens pelo site! Espero outros posts realacionados ao mesmo assunto no futuro!